sábado, 31 de dezembro de 2011

"O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face..."


O Senhor te abençoe e te proteja”.
Guia-te, defende-te, sustém-te sempre em seus braços,
onde te sentirás seguro.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável”.
O Senhor acolhe-te e ama-te com ternura,
não afasta os seus olhos de ti,
olha-te com carinho, com olhar íntimo e entranhável.
O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz

Num 6,23-26


Neste ultimo dia do ano e quase a entrar em 2012, o primeiro sentimento que vem ao meu coração é o da gratidão pela vida recebida, vivida e de alguma forma também entregue, Àquele que Se me oferece e me oferece o Tempo que vivo!

A Ele entrego as pessoas que estão comigo e aquelas que à distância de uma estrela se aproximam de forma diferente numa dimensão que se faz eterna porque é feita de eternidade.

Peço-Lhe também que recomponha a direcção do meu olhar, e assim à semelhança do olhar sereno de Maria ele transporte em si a paz e a beleza que não se deixam deslumbrar por falsas luzes ou ilusões… Passem do que é velho e caducou e aceitem na alegria tudo aquilo que resiste sem se perder no tempo, porque todo o Tempo é O SEU TEMPO.

Que nos meus lábios continue a brilhar um sorriso aberto e simples, mas que ele seja cada vez mais símbolo, das palavras que eu não saberei pronunciar no momento certo por falta de bondade ou de verdade.

Ofereço-Lhe o meu passado, o meu presente e o meu futuro porque no Seu infinito Amor, saberá realizar maravilhas em tudo o que fui, sou e serei de agora em diante.

Peço-lhe que me ajude a caminhar comigo própria e com os outros no caminho da paz, e a buscar no silêncio a Sua presença, que está presente em TUDO e EM TODOS.
Amén.
Alice

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal no meu coração



O Natal aconteceu porque era Natal! Os sentimentos à flor da pele, a nostalgia de uma fase da vida que já vai distante e a esperança do “encontro” feito presépio e no presépio.

As crianças reconstruíram, na sua simplicidade, algumas tradições que não voltarão a ser completas… A oração feita pelos mais novos era cheia de poesia e beleza… afirmava os valores cristãos, incutidos pela família, e recordava alguém que, no meio das estrelas, nos olhava com alegria e ternura.

(Isto, na verdade, já faz parte do que eu desejei e rezei…) Mas também acredito que outros o terão pensado comigo e, como que respeitando os sentimentos de cada um, ficou no silêncio de “uma noite de natal” com estrelas.

De facto não há muito que dizer nestes momentos, senão que vale a pena a vida, vale a pena o amor, vale a pena chorar e sorrir, porque o Natal vale a pena...
Houve a agitação e a expectativa habitual dos mais pequeninos, uma breve troca de presentes, resultante de um sorteio que, na nossa família sempre a aumentar, faz parte da partilha natalícia. Cada um de nós oferece uma prendinha à pessoa que lhe calhou.

Mais tarde, regressando a casa depois da Missa do Galo, procurei colocar o coração num presépio feito de vida e de saudade. Havia muita gente, mas uma espécie de neblina em redor dos acontecimentos impedia-me de ver claro… queria fazer-me ouvir e não conseguia, queria tocar e os meus braços perdiam-se numa distância ténue, mas existente.

Tinha marcado alguns encontros para o momento da visita ao presépio, nem todos foram conseguidos. Foi por falta de tempo ou de espaço? Nunca o saberei bem mas, na verdade, em todos pensei e com todos me encontrei, porque estávamos juntos no AMOR!

Quase de certeza, foi assim que aconteceu naquela noite em Belém.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Quase Natal

Hoje é sábado, vamos ter a celebração de Natal com a catequese! Sinto que preciso de descansar um pouco de todo este trabalho de preparar o Natal para outros. Mas continuo a insistir em semear um pouco, sabendo que Jesus espera que eu o faça e precisa de mim agora.
Está um dia lindo de sol mas um frio enorme... O Natal está à porta o anúncio de um novo nascimento está quase a acontecer.
Sinto o coração ainda frio e sei que devo… preciso aquecê-lo com um olhar positivo sobre mim, sobre a vida e sobre tudo o que me rodeia.
Tenho o meu papi como companheiro diário mas as saudades da minha mãe aumentam cada dia.
Vivo com uma fé muito dolorosa estes tempos de manifestações exteriores, que são necessárias à vida e num contexto de festa natalícia têm todo o lugar e sentido. E como Maria gostaria de dizer cheia de certezas: Eis-me aqui Senhor…

domingo, 4 de dezembro de 2011

Advento


Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou.

Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis como "nascimento", "criança", "rebento".

Advento, tempo de escutar a esperança dos profetas de todos os tempos. Isaías e Bento XVI. Miqueias e Teresa de Calcutá.

Advento, tempo de preparar, mais do que consumir. Tempo de repartir a vida, mais do que distribuir embrulhos.

Advento, tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão.

Advento, tempo de dar tempo a coisas, talvez, esquecidas: acender uma vela; sorrir a um anjo; dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas.

Advento, tempo de se perguntar: "há quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?"

Advento, tempo de rezarmos à maneira de um regato que, em vez de correr, escorre limpidamente.

Advento, tempo de abrir janelas na noite do sofrimento, da solidão, das dificuldades e sentir-se prometido às estrelas, não ao escuro.

Advento, tempo para contemplar o infinito na história, o inesperado no rotineiro, o divino no humano, porque o rosto de um Homem nos devolveu o rosto de Deus.

 P. José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

vontade de Deus - caminho de FELICIDADE

 

Acordei cedo neste dia cheio de sol e de vida, depois um fim-de-semana transbordante de motivações, de beleza, de encontros e alguns desencontros e sobretudo de muitos momentos de felicidade interior embora algumas vezes muito “sofrida”.
Isto para confirmar que estive neste encontro de Espiritualidade Inaciana… Dei-me conta de que somos tantos,  os buscadores de felicidade!
Mas será que nesta busca, estamos conscientes de que isso envolve a nossa, a minha liberdade e a vontade de Deus?

Logo no inicio eu acreditei que esta seria uma oportunidade única e necessária nesta fase da minha vida…  
O meu ser ”apaixonado” e em constante esforço pela conquista da felicidade vibrou, o meu coração bateu forte intuindo que este poderia ser um tempo para me pôr a caminho.

O primeiro tema foi: “A VONTADE DE DEUS É A NOSSA LIBERDADE”, a partir de uma pintura de Caravágio - conversão de S. Mateus - na cena que representa o momento exacto em que Jesus apontando para Mateus lhe diz: “QUERO QUE ME SIGAS”!

Estive durante esse tema junto de um grande amigo e tive a certeza de que a resposta  a dar, não passava exclusivamente por um sonho. Era a realidade e a certeza de que será possível encontrar a Felicidade no caminho que me proponho fazer.

O resto foi um nunca mais parar de convites e apelos de que irei falando aos poucos… de encontros belos e felizes alguns com custos e de choro intenso, com muitas pessoas que me amam e que foi bom poder rever depois de vários anos e também, de poder falar da partida da minha mãe.

Na presença dos amigos que viajaram comigo (a Zilda, a Paula, a Zé e o Vítor) surgiu a hipótese de dar uma forma nova aos meus escritos passados e futuros. Depois, o livro das suas memórias, que a Fátinha Rabaça me colocou no colo e no coração deu o grande impulso! Vou escrever e se possível publicar, alguns fragmentos de uma vida feliz: A MINHA VIDA!
 

À noite, na partilha com o meu pai e irmãs, revi esta decisão e eles vão ajudar-me a situar as minhas lembranças de um passado longínquo… algo incompreensível mas belo.   
Foi a confirmação final de que o devo e posso fazer. Um obrigada àqueles que já referi e a mais três pessoas que pela sua amizade e dedicação, serão decerto motivo de fortalecimento neste trabalho a que me proponho, a Laurinda, o José e o Hermínio.  

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mãe

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!

(A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros, INCM)

domingo, 20 de novembro de 2011

O Rei


Diante deste Rei PASTOR e deste Pastor que é REI, fico em silêncio... Muito pouco posso dizer.
“Vinde benditos de meu pai ”! Palavras cheias de carinho, que foram decerto segredadas ao ouvido da minha mãe e já escutei algumas vezes durante este mês. Sinto desejo que elas entrem bem dentro do meu coração, modelem um pouco a minha alma e me levem verdadeiramente a dar mais atenção às primeiras "falas de Deus" na Bíblia: «Onde estás?» (Gen. 3, 9b); «Onde está o teu irmão?»  (Gn 4,9).

(cito palavras de uma reflexão do P. José Frazão, s.j.)


Tu onde estás alice? Silencío... porque me sinto diante de um rei diferente, o rei dos mais frágeis, que me deixa livre para ficar calada, porque e quando... não tenho palavras!
“Vinde benditos de meu pai ”, penso na minha mãe que está junto Dele e tenho saudades...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

«Tende confiança...»


Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Mt. 14, 22-33

Tem confiança, tende confiança... sou Eu, não temais!
Diz-me Jesus hoje, tal como disse aos seus discípulos...
Só desta certeza, e desta confiança se pode viver, só assim imagino a paz e a felicidade que eu espero e que me espera...

Fecho os olhos por momentos e sinto que  apesar dos meus medos, hoje mais do que nunca, quero esforçar-me por reconhecer Deus que vem ao meu encontro, ao encontro de cada um de nós!

Pintura de Sierge Koder

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Às vezes...

ÀS VEZES, QUANDO EU DIGO QUE " ESTOU BEM ", EU QUERO ALGUÉM QUE ME OLHE NOS OLHOS,  ME ABRACE FORTE E DIGA, " EU SEI QUE TU NÃO ESTÁS".

desconheço o autor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mudar a direcção do olhar...


Ontem coloquei mimosas
para ilustrar um poema de Daniel Faria.

Mais tarde lembrei-me de algumas conversas com um amigo, falamos sobre questões de fé, de arte e também da beleza da natureza que tanto nos fala de Deus. Nessa tarde, olhávamos as mimosas e falávamos da forma como elas crescem invadindo e ocupando tudo o que está à sua volta.


Estas conversas levam-nos habitualmente a um diálogo mais profundo que  nesse dia versou sobre o respeito que cada um de nós deve "ao outro" à "natureza" à vida no seu todo e a si próprio... como ser amado e criado à semelhança de Deus.


Hoje reflectia um pouco, condicionada ainda por alguns sentimentos menos alegres,  em como um crescimento lento pode ser produtivo, não faz mal, não invade o outro e até pode ajudar... isso faz-me acreditar que é lentamente que posso ir crescendo, em Deus e para Deus.


Recordei-me mais uma vez, que cresci num bairro simples, onde as mimosas se desenvolviam à vontade misturadas com as tílias, que nos serviam para fazer um saboroso chá.


Na verdade eu gosto mesmo de mimosas, ficou-me esta afeição porque elas me viram crescer, ampararam os meus passos vacilantes, deram-nos a sombra de que precisávamos para brincar na rua, nos dias quentes de verão. 


Então eu diria como Saint-Exupéri:
 
"Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar."


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Da tua voz...


Da tua voz...


Das manhãs

Apenas levarei a tua voz
Despovoada

Sem promessas
sem barcos
E sem casas

Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas

Da tua voz

Levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas

As pedras
As nuvens
O teu canto
Levarei manhãs

E madrugadas

Daniel Faria
Pintura de Renoir (Paisagem com mimosas)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Só há uma infelicidade, que é a de não sermos santos


«Hoje é dia de todos os santos
: dos que têm auréola
e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram, serenos
e brandos, sem darem nas vistas e que no fim
dos tempos hão de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os Santos: santos barbeiros e
santos cozinheiros, jogadores de football e porque
não? comerciantes, mercadores, caldeireiros e arrumadores (porque não arrumadoras? se até
é mais frequente que sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à
claridade do dia foram tuas testemunhas; disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras,
poucas, em rodeios, divagações. 
Foram teusimitadores e na transparência dos seus gestos a
Tua imagem se divisava.
Empreendedores e bravos ou tímidos e mansos, traziam-te no coração,
Olharam o mundo com amor e os homens como irmãos.
Do chão que pisavam
rebentava a esperança de um futuro de justiça e de salvação
e o seu presente era já quase só amor.
Cortejo inumerável de homens e mulheres que Te
seguiram e contigo conviveram, de modo admirável:
com os que tinham fome partilharam o seu pão
olharam compadecidos as dores do
mundo e sofreram perseguição por causa da Justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te e amaram o mundo.
Cantaram os teus louvores e a beleza da Criação.
E choraram as dores dos que desesperam.
Tiveram gestos de indignação e palavras proféticas
que rasgavam horizontes límpidos.
Estes são os que seguem o Cordeiro
porque te conheceram e reconheceram e de ti receberam
o dom de anunciar ao mundo a justiça e a salvação»

poema de Maria de Lourdes Belchior

Extracto de publicação da Pastoral da Cultura
José Tolentino Mendonça
In Pai-nosso que estais na terra, ed. Paulinas

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sonhos perdidos?


O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo
Virgílio Ferreira

Há um silêncio que hoje me habita, um silêncio que não produz, não cala o pensamento, não deixa sossegar o espirito. É este silêncio que me faz sentir um Outono sem fim e  um passado sem regresso.
Os bancos "esvaziados de gente", porque sim... as folhas caídas, amarelas e sem vida, porque desistiram da árvore, ou talvez porque chegou a hora da despedida...
Ao escrever esta postagem, que me parece algo "descolorida", fui-me dando conta de que há momentos em que a  paz que me parecia já ter conquistado se confronta com os meus limites, numa luta sem sentido...  
"O vocabulário do amor é restrito e repetitivo", mas existe e exige confiança, uma tal confiança que aos poucos renovará  os meus "sonhos perdidos" e me traga a  paz como uma benção.
Alice

domingo, 16 de outubro de 2011

Estranho é o sono que não te devolve

Passado um mês da tua partida, deixo-te uma flor e um poema ... Desculpa-me mãezinha, não consigo ir ao cemitério! Mas irei mais tarde... Estou sempre perto de ti mesmo aqui, mesmo não indo...

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.
Daniel Faria
Pintura: Van Gogh (Ramo de amendoeira)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Amor que aproxima

Todas as palavras que tenho escrito estes dias no meu blogue, foram custosas e são fruto de uma experiência vinda do coração...
No entanto hoje deixo um pequeno extrato do email de um  amigo, cuja passagem na Covilhã foi breve... Marcou a minha vida pelo Amor que põe em tudo o que faz e vive e deixou-me  muitas saudades... Algures no Brasil, ele  me fortalece com a sua amizade.
   

«Posso fazer ideia do quanto estás a sentir toda essa ausência... Dividir espaços e ocupá-los com outras lembranças são o teu desafio a partir de agora... Não tenho o direito de pedir-te para não sentires dor ou "esqueceres" a partida... Mas posso sugerir-te que vivas o hoje na certeza de que o amor de que sentes falta é o amor que te aproxima com o ilimitado, com o transcendente, com o divino... Sabes e podes dizer que vives um amor supra-humano... Força e fé minha querida amiga... »

Foto em casa, com o meu pai, no dia do meu aniversário

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SE ME AMAS, NÃO CHORES


Hoje o dia decorreu lentamente entre o trabalho que é necessário fazer para o recomeço da Catequese e uma nostalgia que ora se vai no absorvimento em que me encontro, ora vem juntamente com as recordações, os objectos, tudo aquilo que faz parte da nossa casa e foi sendo conseguido pouco a pouco. Dou-me conta cada vez mais de que é preciso dar tempo... necessito de momentos de silêncio, em que fecho os olhos e não quero pensar, nem falar ou sequer ouvir... Mas também preciso por vezes de falar, partilhar, revelar a minha fragilidade.
Deixo esta oração que é de esperança e me foi enviada pelo amigo Jorge Silva.

Se conhecesses o mistério imenso
do Céu onde agora vivo,
esse horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus,
na Sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa
onde um dia
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede
na fonte inesgotável da alegria
e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas.

Santo Agostinho

domingo, 2 de outubro de 2011

Saudade

Esta é a primeira noite que fico só com o meu pai.
Desejo viver com esperança todos estes momentos que identifico na sua diferença... porque de facto em cada dia a saudade tem novas formas de expressão, de vivência e sobretudo de deixar que dos olhos escorram gotas de água, até sentir nos lábios um forte sabor de sal... Por vezes desejo que esse "sal" possa aos poucos ir ajudando a curar esta dor.
Mãe, sinto a tua falta em todos os segundos que passam... Obrigada porque no céu nos olhas sem dor, e com a ternura de quem viveu e vive para amar.

Deixo um hino que só conheci e rezo depois da tua partida.


Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe.
Não tenho aqui morada permanente
Leva-me mais longe.


Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do Teu olhar?

Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a Luz que me ilumina
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da Tua luz divina.

Esquece os meus passos mal andados
Meu desamor perdoa e meu pecado
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado

Se Tu me dás a mão, não terei medo
Meus passos serão firmes no andar
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.

(As rosas são de um pequeno vaso que rego com carinho todos os dias)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Gratidão

Hoje, o que sinto é sobretudo saudade... Magoa, quase fisicamente, esta ausência da minha mãe. Acordo, começo a girar pela casa e ela não está...
Porém, nestes sentimentos que vagueiam em mim, está muito presente a gratidão pela presença dela nas nossas vidas... E esta gratidão estende-se, desdobra-se, recria-se ao recordar os momentos... quer de alegria, quer de tristeza... Ao pensar nas pessoas que passaram pela sua vida, que a ajudaram a "suportá-la", sendo suporte, que partilharam as suas alegrias e dificuldades.
Hoje quero deixar um grande obrigada, ao amigo Padre José Pires, que conhece a mãe Julieta desde há muitos anos e viveu com ela e connosco, na fé e na esperança fraternas, muitos desses momentos. Presidiu a Celebrações festivas como as Bodas de OURO e DIAMANTE, e esteve presente em momentos de alguma forma mais dolorosos.
Deslocou-se de longe, sabemos que com esforço, para Concelebrar na missa do funeral.
Estamos certos de que, para o Céu, ela o levou no seu coração atento e terno.

(As flores são rosas de um canteiro simples)

sábado, 24 de setembro de 2011

Contigo levaste um pedaço de todos nós

Uma semana depois da partida da minha mãe, aqui fica, a homenagem de acção de graças da Joana(neta) e Ana Teresa (bisneta), que traduz de forma simples o sentir de todos.



Querida avó
Sabemos que onde estás consegues ouvir-nos.
Partiste. E contigo levaste um pedaço de todos nós, acredita.
Foste uma mãe, uma avó e uma bisavó fantástica. Estiveste e sempre estarás rodeada de pessoas que te adoram do fundo do coração.
Dói. É péssimo o que estamos a sentir, agora que ficámos sem ti. Por outro lado, sabemos que foste para um sítio melhor e encontraste a paz que bem mereces.
Gostaríamos que voltasses mas bem sabemos que isso não é possível…
Sentimos a tua falta em todos os segundos que passam.
Marcaste muito a nossa vida. Deus quis que lhe fizesses companhia e nós respeitamos.
Nasceu mais uma estrelinha no céu e és tu avozinha linda. Sabemos que estás aí em cima a olhar por nós e a proteger-nos.
Agora só te pedimos uma coisa: espera por nós aí em cima, nós iremos ter contigo um dia. Até lá, iremos viver seguindo, todos os mandamentos, que nos ensinaste.
Vamos sentir a tua falta super mulher.
Um grande, grande beijo com muito carinho, de todos os que te adoram. Até já.
16/09/2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

No cemitério


Fui ao cemitério, ver e estar um pouco junto da campa da minha mãezinha. No dia em que foi enterrada não consegui, eram muitas escadas para subir, uma caminhada enorme a fazer e eu já não tinha mais forças. Depois das últimas orações que foram feitas, fiquei em baixo com alguns amigos...
Poucas vezes tenho ido a cemitérios, hoje fui com as minhas irmãs e ficamos em silêncio um tempo. Só depois conseguimos rezar.
São tão tristes os cemitérios... sobretudo quando estamos a olhar sem ver, porque o que amamos não existe da mesma forma... mas existe.
A campa tinha flores novas que eram lindas... Mas tudo me parecia um sonho.

(As flores são açorianas do amigo HJ)


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mãe: Olho as estrelas e tenho saudades...


" No principio está o DOM, no fim o ABRAÇO de Deus"

Neste momento tão forte e difícil da minha vida, em que a minha mãe partiu para o céu, deixo umas palavrinhas breves.
A minha mãezinha foi para junto de Deus na sexta feira, dia 16. Recebi muitas mensagens de consolação que irei partilhando aos poucos.
"A fé diz-nos que a Vida é mais forte que a morte e que para Deus só existem Vivos". Escrevia-me um bom amigo...
Acredito que ela foi recebida no abraço amoroso deste Pai, e levou-nos a todos no coração.
Partiu serenamente, em silêncio, a olhar-nos... Doeu muito e ainda dói.


Deixo violetas e amores perfeitos e prometo voltar!


(imagens tiradas da net)

domingo, 21 de agosto de 2011

Segredos...

Vicent Van Gogh

A humildade de coração não exige que te humilhes. Mas que te abras.
É o segredo das permutas. Somente então poderás dar e receber.
(Exupéry)


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Momentos

Vamos sendo um bocadinho de cada um daqueles que amamos e com quem nos encontramos. São estes os momentos de vida eterna.

Fica a foto bonita dos amigos Zé e Victor ... O Victor é o médico que nos tem ajudado e apoiado nesta fase da doença da minha mãe.

sábado, 13 de agosto de 2011

A estrada da confiança

Faz-nos trilhar, Senhor, a estrada da Confiança. Dá-nos um coração capaz de amar serenamente aquilo que somos ou que não somos, aquilo com que sonhámos ou as coisas que não escolhemos e que, contudo, fazem parte da nossa vida.
Ensina-nos a devolver a todos os Teus filhos e a todas as criaturas a extraordinária Bondade com que nos amas. Não permitas que o nosso espírito se feche no medo ou no ressentimento: ensina-nos que é possível olhar a noite não para dizer que pesa em todo o lugar o escuro, mas que a qualquer momento uma Luz se levantará.
Dá-nos ousadia de criar e recriar continuamente mesmo partindo daquilo que não é ideal, nem perfeito. E quando nos sentirmos mais frágeis ou sobrecarregados recebamos, com igual confiança, a nossa vida como um Dom e cada dia como um dia de Deus.

José Tolentino Mendonça
In Um Deus que dança

(Leio com gosto, em cada dia, alguns trechos deste livro)

O sol que brilha hoje ilumina o meu dia com mais brilho, levantei-me cedo, aguardo a chegada do Riki e da Nancy, sobrinhos queridos que vêm estar connosco. O Meu coração prepara-se e alegra-se, sou assim...


sábado, 6 de agosto de 2011

Fazendo caminho...


Acordei como de costume com a minha mãe a chamar por alguém, era a hora de se começar a tratar dela, convém que seja cedo, é melhor para o seu conforto… Levantei-me e pareceu-me que o dia se mostrava um pouco cinzento e hoje comecei-o com algum custo, experimentava ainda aquele abatimento que já vinha de ontem e não passara de todo.

Mais tarde, feitas as tarefas principais deitei-me de novo aqui nesta cama a seu lado, para descansar e rezar um pouco… Rezei o Salmo 84 da Liturgia de amanhã. E precisei de chorar bastante à medida que ia rezando e reflectia ajudada pelo passo-a-rezar.net.

Agora que o dia foi correndo vejo que o cinzento que me pareceu ver e sentir de manhã, só tinha acontecido dento de mim, o céu manteve-se azul e o dia ameno com uma pequena aragem que só veio para me ajudar e acariciar.
Deixo o Salmo e esta frase que foi fazendo parte do meu caminho…

“Meu Deus, sei que estás comigo, que me amas e acolhes, conduz-me nos teus caminhos”!

Deus promete paz para o seu povo e para os seus amigos
e para todos os que se voltam para Ele de coração.
A salvação está perto dos que o temem
e a sua glória habitará na nossa terra.

O amor e a fidelidade vão encontrar-se.
Vão beijar-se a justiça e a paz.
Da terra vai brotar a verdade
e a justiça descerá do céu.

O próprio SENHOR nos dará os seus bens
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará diante dele
e a paz, no rasto dos seus passos.


domingo, 31 de julho de 2011

Inácio de Loyola




Santo Inácio de Loyola, nasceu em Azpeitia em 24 de Outubro de 1491 e morreu em Roma em 31 de Julho de 1556. Celebramos a festa no dia da sua partida para o Pai. Estas flores são portanto sinal de vida!
Estas flores são para todos vós que ledes o meu blogue e também para aqueles que não o lêem nem conhecem.
Por aqui vão alguns/muitos dos meus sonhos e anseios de aprendizagem no “Amor e no Serviço”.
Sem mais… Só porque sei que esse é o caminho de felicidade que Jesus Cristo me propõe e Inácio me vai ajudando a encontrar.
Deixo uma palavrinha de parabéns a todos os amigos Jesuítas.


terça-feira, 26 de julho de 2011

O Senhor é meu Pastor


Já foi citado por muitos este extrato do último texto de Maria José Nogueira Pinto, que tanto me impressionou como fortaleceu a minha fé, mas não resisto e aqui fica, para partilhar algo que hoje algumas vezes me chegava ao coração como um murmúrio: «Mãezinha, não queiras partir depressa, não queiras...»

..." Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará."

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amor mais...

“Forte como a morte é o amor… Nem as águas caudalosas conseguirão apagar o fogo do amor, nem as torrentes o podem submergir.” Cant 8, 6-7

sábado, 23 de julho de 2011

Inês de olhos doces


Aqui estão os olhos doces e aveludados e o sorriso lindo da minha sobrinha Inês.
E a seguir a uma semana onde a dor, a preocupação e os trabalhos simples e comuns da casa, me mantiveram ocupada e algo tristonha, hoje a sol voltou a entrar pelas frestas do meu olhar e aqui estou a blogar um pouco.
De facto esta nossa menina é de uma ternura infindável, costuma semear flores, tratá-las e regá-las com cuidado... Acho que foi aprendendo a fazê-lo sózinha, com o seu jeitinho natural.
Depois escolhe os momentos especias para oferecer algumas, que vêm sempre embrulhadinhas em papel de alumínio.

Entrega sempre a tua beleza
sem cálculo, sem palavras.
Calas-te. E ela diz por ti: eu sou.
E com mil sentidos chega,
chega finalmente a cada um.

Rainer Maria Rilke,in 
“O Livro das Imagens"

domingo, 17 de julho de 2011

Amo o Caminho que Estendes

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.


Daniel Faria

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Perfume


Bom dia, Ana Teresa, como foste crescendo tão rápido!
Sabes que tens um sorriso bonito que te amo muito e que ontem acrescentaste à minha tarde a tua vivacidade, força e ternura contagiantes?
Hoje já estás longe, mas eu continuo perto e isso dá-me a certeza de que a distância não separa aqueles que se amam.
É que: "Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas"...
Didi


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eis que o Inverno já passou


Acordo envolvida por uma sensação de tranquilidade e de paz, o sol que já desponta no horizonte fala-me do novo dia e promete-me felicidade e luz... mas não tem a última palavra porque eu sei que isso irá depender do meu olhar.

E o primeiro olhar vai para a minha mãe que a meu lado dormita na sua cama de grades, opção indispensável para que ela não caia. Durante a noite baixamos "esse pequeno muro" e um de nós fica mais junto dela procurando fazer-lhe sentir que não está só. Almofadas juntas, cabeças quase juntas e mãos que se vão tocando em gestos de afago e de presença…

A claridade entra no quarto por pequenas frestas mas não a perturba nem a acorda, esquece-se com frequência se é dia ou noite…

E a minha mãe é linda, mesmo adormecida, continua cheia de encanto e vem despertar em mim sentimentos de gratidão e recordações que apontam para um passado feliz de vestidos domingueiros embaloados e floridos, com frango assado ou bifes com batatas fritas ao almoço, pudim flan e laranjada…
Fico algum tempo em silêncio para que o silêncio reze em mim a oração da manhã.
Alice

Deixo um poema de que gosto e foi para mim inspirador.

Eis que o Inverno já passou
Deixa que a respiração profunda
do teu Ser aconteça. Só isso. Não
interrogues, nem busques. Deixa
que seja Deus a procurar-te. Não
caminhes. Ele virá ao teu encontro.
Não procures contemplar. Permite,
antes, que Deus te contemple. Não
rezes. Deixa que, em silêncio, Ele
reze o que tu és.

in Um Deus que Dança, José Tolentino Mendonça


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Um olhar apenas

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou

José Tolentino de Mendonça



Porquê este poema e esta foto?

Simplesmente porque desejo sorrir-vos com amor e assim testemunhar o ânimo, a alma e o toque que um olhar atento e profundo me oferece, me confirma na confiança... e dá Vida à minha vida.
Alice




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pudesse eu

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Dom

"No princípio está o dom. No fim estará o abraço".



Estou cada vez mais convencida que o mistério que envolve cada vida se vai revelando num dia a dia como o de hoje... simples, silencioso, mas de relação apesar de tudo... O poder tocar-te Mãe, ver-te, sorrir-te continua a ser um dom de Deus na minha existência.

A calma que agora existe habitualmente na nossa casa é tão contrastante com o mundo de ruídos, de risos, da casa cheia em que nos habituamos a viver!... Havia sempre lugar para mais alguém e esse alguém era esperado, acolhido e amado, como se fosse único.
E ainda há esse lugar, porque nós queremos continuar a ser como tu.

"No princípio está o dom. No fim estará o abraço".

Deixo este pensamento e mensagem que me foi enviado por um amigo a quem agradeço a força e a fé que me transmite .
Alice


Madeira - Foto da minha amiga Zilda


terça-feira, 21 de junho de 2011

Promessa do Amor

Ao olhar esta simples flor que se espelha na água, vem à minha memória a carta de S. Paulo aos Coríntios de que tanto gosto.
Procuro abrir um pouco a mente e o coração que, por vezes, como quem quer fugir do desconhecido, se fecham à beleza da vida na ansiedade e na dor do presente.
E deixo-me então embalar nesta promessa: "Agora vejo como num espelho, mas depois verei face a face"...


O Amor...
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.

1 Cor 13, 7-12

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A fonte permanece



«O SENHOR, teu Deus, vai introduzir-te numa terra óptima, terra de torrentes de água, de fontes e de nascentes profundas, que jorram por vales e montes; terra de trigo, cevada, uvas, figos, romãs; terra de azeite e mel; terra onde comerás pão com segurança, onde nada te faltará, onde as pedras são de ferro e de cujas montanhas extrairás cobre. Então comerás e ficarás saciado, agradecendo ao SENHOR, teu Deus, pela terra óptima que te deu.
(Livro do Deuteronómio 8, 7-10)

O pequeno texto bíblico que coloco hoje, é uma espécie de desejo de acordar um pouco e de renovar a certeza de que não desisto porque em mim a FONTE não secou, a TERRA não deixou de produzir, as montanhas permanecem e posso olhá-las da janela do meu quarto.

Reconheço que os momentos que vivemos podem ser uma travessia, árida como um deserto. Contudo alguém me diz que o Senhor não me faltará com o pão do deserto, uma porção para cada dia.
É Ele, o Senhor, que acompanha os meus movimentos, Ele na serenidade me dá a alegria mas na dor será porventura o meu conforto... Um dia. Depois um outro e a seguir outro ainda...
Alice

domingo, 12 de junho de 2011

Escolho a vida...

Nesta manhã
endireito meu corpo
abro meu rosto,
respiro a aurora
e escolho a vida.

Nesta manhã
acolho meus golpes,
silencio meus limites,
dissolvo meus medos
e escolho a vida.

Nesta manhã
olho nos olhos,
abraço outro ombro
dou minha palavra
e escolho a vida

Nesta manhã
repouso na paz,
alimento o futuro,
partilho alegria,
e escolho a vida.

Nesta manhã
te busco na morte,
te ergo do lodo,
te levo tão frágil
e escolho a vida

Nesta manhã
te escuto em silencio
te deixo preencher-me
e escolho a vida

Benjamin González Buelta SJ


Foto de Roma - Praça de S. Pedro

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Poema

Porque a morte tem o seu tempo
A ruína soma ruína, à cabeça
Equilibra a existência desmoronada e inteira.
Tu és o que edifica
Tu constróis mil vezes.
Porque o raio tem o seu tempo.
És o clarão, a lâmpada, a estrela
Somas luz à luz.
Não és a luz, és mais que a luz
Porque a noite tem o seu tempo.

Daniel Faria

Roma e Assis - algumas fotos