Mostrar mensagens com a etiqueta Poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poemas. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Morreu a minha violeta




Na verdade a violeta, não era só minha, foi oferecida à minha mãe por alguém que a chama de “Violeta” e a quem ela dá sempre um sorriso, mas eu gostava dela e regava-a cuidadosamente... Morreu lentamente, sem eu me dar conta. Nunca saberei o que lhe faltou para desejar viver um pouco mais…

Ilha dos mortos

Enquanto iluminas a entrada do rio
o cobre emudece dinastias sem número
por degraus desiguais os mineiros,
os artesãos, as lavadeiras
lutam pela perfeição, lutam por Deus
em galerias remotas
as armas de caça vencidas
por ramos e arados

nenhuma morte é tão longa quanto a vida
diria quem pela primeira vez
visse debaixo de árvores sombrias
o sítio do mar, a porta das constelações
cem espantos possíveis
e no espanto uma esperança

o loureiro assinala a todos sua ciência negligenciada
címbalos, manuscritos e coroas
atiradas para o chão como vestimenta da batalha
insígnias do nosso posto de estrela em estrela

dão-nos sem nós pedirmos
ouvimos até sem querer
acima das arestas sombrias
a noite clara e os bosques

José Tolentino Mendonça

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Hoje recebi malmequeres


Hoje recebi e enviei malmequeres da minha/nossa serra... É domingo e está um sol quentinho que me aquece o olhar, o coração e a vida.
Vou caminhando mesmo quando e sobretudo... se me sinto menos entusiasmada ou talvez desiludida...
Continua em mim um sorriso mesmo que ligeiro mas sincero, para que não restem dúvidas de que me sinto muito amada por Deus.

Deixo um poema:

Como a terra é necessária.
Como o fogo sustentas os lares.
Como o pão és pura.
Como a água de um rio és sonora.
Hoje, alegria, encontrada na rua,
longe de todo o livro, acompanha-me:
contigo quero ir de casa em casa,
quero ir de aldeia em aldeia,
de bandeira em bandeira.
Não és só para mim.
Às ilhas iremos, aos mares.
Contigo pelo mundo!
Com o meu canto!
Com o voo entreaberto da estrela,
e com o regozijo da espuma!
Vou cumprir com todos
porque devo a todos a minha alegria.
Não se surpreenda ninguém porque quero
entregar aos homens os dons da terra,
porque aprendi lutando
que é meu dever terrestre
propagar a alegria.
E cumpro o meu destino com o meu canto.

Pablo Neruda

domingo, 30 de janeiro de 2011

Esta é uma noite


Esta é só uma noite para me lembrar
que há qualquer coisa infinita como firmamento,
um sorriso, um abraço
que transcende o tempo
e ter medo como dantes de acordar
a meio da noite a precisar de um regaço

Mafalda Veiga

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A espera


Este é um tempo de espera... E eu espero!... Tal como espero em tudo o que acredito!

Penso isto em relação a muitas coisas e hoje espero e acredito que virá um pouco de sol...
Estes dias tiveram alguns desafios que foram sendo ultrapassados, o papi (paizinho) adoeceu de novo, dois dias no hospital e a casa ficou mais vazia.
A espera, depois o regresso... Está bem agora, nova medicação para as vertigens que têm surgido com muita frequência.
Senti a necessidade de ser um pouco "mãe da minha mãe", não desejando mais do que uma mãe deseja para para os seus filhos, procurando acalentá-la, sossegá-la, dar-lhe a mão para adormecer.

Deixo um poema, não sei quem escreveu mas gosto porque é simples e natural.



É isto o Natal

A esperança não é
fechar os olhos à realidade;
é olhá-la de frente
para a transformar.

É dizer não à dor,
ao medo e à morte,
ao ódio e à mentira,
à mediocridade.

É inventar gestos e palavras
que ajudem a descobrir os caminhos de encontro
e de busca,
do combate sem armas
pela paz e a harmonia.

É multiplicar perguntas
que obriguem a pensar;
é semear beleza
e alegria
para que todos sintam
o gosto de viver;
é, pela vida fora,
semear o amor.

É isto o Natal!


(Foto tirada pela amiga Zilda)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Abraço...



Ao ler este testemunho simples e despretensioso, veio à minha mente o abraço emocionado de cada um dos mineiros do Chile...





Abraço...

É demonstração de afecto
Carinho e muito amor
É saudade e lágrima
Mas também o calor

Abraço é amar
É querer aconchego
É sentir um amigo
Com todo o seu apego

Podemos abraçar
Uma causa uma pessoa
Abraço é abraço
É cingir e cercar
É não sentir espaço

Abraçar uma causa
É o que nos faz sentir
Que quem luta acredita
E nunca deve desistir

Abraçar uma criança
Transmitir-lhe carinho
É dizer-lhe com os braços
Que nunca estará sozinho

Abraçar um amigo
Com toda a fraternidade
E como dizer estou aqui!
Para a toda a eternidade

Abraçar um amor
Com toda a compreensão
É desatar todos os nós
E fazer um laço de união

Vamos assim abraçar
Uma criança, uma causa
Um amigo e o nosso amor?
Custa tão pouco abraçar...
Acreditem não dá dor!

sábado, 18 de setembro de 2010



Os dias de verão

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade
Justa é a forma do nosso corpo

Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual, 1973




É com ele, o nosso corpo, que vivemos, nos relacionamos e nos tocamos em sinal amor ou de afeição!
Eis-me aqui num momento de ternura, de bem estar e de gozo... envolvida e tocada pela beleza que me rodeia.

sábado, 13 de março de 2010

Meu filho, faltava-te o Meu amor...


Meu filho, faltava-te o Meu amor.
Mas, este dia, esqueçamos o passado;
tu regressaste a casa.
Toma um banho, veste uma roupa adequada,
detém-te, acalma-te, vem,
que o banquete já fumega sobre a mesa.
Se tu soubesses, meu filho,
quantas vezes eu bati ao teu coração fechado,
quantas vezes te esperei ao cabo das tuas indecisões,
dos teus bloqueios,
espreitando o mais pequeno sinal do teu regresso...
Se tu soubesses, meu filho,
o quanto estou feliz, este dia, por te rever, aqui,
perto de mim, vivo!

Michel Hubaut (trad. e adapt.)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Um vazio que se enche de Deus



Gosto muito deste poema, no sentido em me leva a reflectir, e a ter cada vez mais a certeza de que em Deus não há vazios porque tudo se pode encher de vida e de amor.

Poema
Aqui estou eu, sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas, pequenos pontos
Vão-me mostrando o caminho
Às vezes aqui faz frio
Às vezes eu fico imóvel, pairando no Vazio
As vezes aqui faz frio
Sei que me esperas, não sei se vou lá chegar
Tenho coisas p’ra fazer, tenho vidas para acompanhar
Às vezes lá faz mais frio
Às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
(lá fora faz tanto frio)
Bem-vindos a minha casa, ao meu lar mais profundo
De onde saio por vezes para conquistar o mundo
Às vezes tu tens mais frio
Às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
No teu peito vazio

Xutos e Pontapés, “Perfeito vazio”

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A DANÇA


Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva

dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

sábado, 27 de junho de 2009

Recomeçar sempre!


Não desistas nunca,
Nem quando o cansaço se fizer sentir,
Nem quando os teus pés tropeçarem,
Nem quando os teus olhos arderem,
Nem quando os teus esforços forem ignorados,
Nem quando a desilusão te abater,
Nem quando o erro te desencorajar,
Nem quando a traição te ferir,
Nem quando o sucesso te abandonar,
Nem quando a ingratidão te desconsertar,
Nem quando a incompreensão te rodear,
Nem quando a fadiga te prostrar,
Nem quando tudo tenha o aspecto do nada,
Nem quando o peso do pecado te esmagar...
Invoca Deus, cerra os punhos, sorri...
E recomeça!

(São Leão Magno)

domingo, 31 de maio de 2009

Obrigada a quem me enviou...


Vamos dançar?
No pairar sobre as águas e nas chamas de fogo,
no sopro primeiro e no forte vento,
no balbuciar da primeira palavra e na abundância das línguas,
Tu vens, ó Espírito, dançar a festa da vida
e entretecer esta história de homens e mulheres,
eternamente aprendizes da Tua surpresa.

Andamos esquecidos de dançar,
e de ouvir a melodia que sopras cada manhã.
Ainda que corramos de um ao outro lado dos dias,
os pés andam pesados e as asas prenderam-se
nas amarras de tantas coisas tornadas essenciais.
Frágeis e receosos diante da grandeza que nos confias,
presos aos barro que emperra os passos
e desejosos de uma mão que molde os sonhos,
custa-nos a Tua discrição que parece ausência,
como um jogo de escondidas
onde ganha quem se perde,
e perde quem não se deixa encontrar por Ti.

Convidas para a dança da vida
com a alegria e o encanto do apaixonado no salão de baile.
Passo a passo nos ensinas
a encontrar asas na estátua de pedra
em que os corpos se tornaram,
e abres as pétalas da flor que não ousava abrir-se.
Rodopias connosco e em nós
e dás aos nossos sonhos a consistência dos milagres
às nossas palavras o dom do entendimento,
aos nossos gestos o fermento da paz e do perdão.
Contigo gravamos nos corações
o constante palpitar de amor que Deus tem por nós
e como fica rubra a sua face quando nos convida:

“Queres dançar Comigo?”

Poema do Padre Vítor Gonçalves

sexta-feira, 8 de maio de 2009

presença terna


Não se perdeu nenhuma coisa em mim.

Continuam as noites e os poentes

Que escorreram na casa e no jardim,

Continuam as vozes diferentes

Que intactas no meu ser estão suspensas.

Trago o terror e trago a claridade,

E através de todas as presenças

Caminho para a única unidade.


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Poema


Em Silêncio
O Teu silêncio aquieta-me a alma e o meu coração fica em paz!

Em silêncio Te procuro e no Teu silêncio eu me encontro.

Em silêncio Te escuto e no Teu silêncio eu me oiço.

Em silêncio Te revelas e no Teu silêncio eu me descubro.

Em silêncio Te ofereces e no Teu silêncio eu me aceito.

Em silêncio Me chamas e no Teu silêncio caminhando vou!

(Sandra Soares)


Este "silêncio" chegou da amiga a Sandra!
Tenho muitos amigos creio... mas hoje falo-vos da Sandra: Catequista, Mãe, Fisica e muito mais...Trocamos experiências sobre a melhor forma de levar a bom porto a catequese, não transmitindo só noções ou fórmulas, mas o estilo vida de Jesus Cristo, nosso Amigo comum.
Ela escreveu este poema sobre o silêncio. É simples mas gosto muito... Fala-me de um silêncio diferente, cheio de palavras, de sentimentos, de paz e de Deus... Desejo muito que gostem. Obrigada Sandra!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não d'isto ou daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
cansaço assim mesmo,
ele mesmo,
cansaço
Álvaro de Campos

domingo, 30 de novembro de 2008

Aprender a solidariedade



Lembro-me de a minha mãe nos recordar muitas vezes o velho ditado: «O trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é louco".
Vimos hoje, mais que confirmadas, estas sábias palavras. Vê-los chegar acompanhados dos pais ou educadores, arregaçar mangas e começar a separar as massas...Foi gratificante!

É preciso empacotar! As nossas mãozinhas também conseguem...

Bem, tenho mesmo de sair, está a chegar a hora do meu turno, e hoje se conseguir vai ser até ao fim!
Deixo um poema que me foi enviado, gosto da mensagem que transmite e tem sentido para este dia. (Não sei o autor)


Alegria de Servir

"Toda natureza é um serviço:
Serve a nuvem;
serve o vento;
serve a chuva.
Onde haja uma árvore para plantar:
plante-a você.
Onde haja um erro para corrigir:
corrija-o você.
Onde haja um trabalho e todos se esquivam:
aceite-o você.
É muito belo fazer aquilo que os outros recusam.
Mas não caia no erro de que somente há méritos nos grandes trabalhos.
Há pequenos serviços que são bons serviços:
Adornar uma mesa,
arrumar seus livros,
pentear uma criança.
Uns criticam,
outros destroem.
Seja você o que serve.
Servir não é faina de seres inferiores.
Seja você o que removea pedra do caminho,
O ódio entre corações e as dificuldades do problema.
Há alegria de ser puro
E de ser justo.
Mas há, sobretudo,a maravilhosa, a imensa alegria de servir."

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Confiança

Por vezes leio uma frase ou um poema e fico a pensar... Fico a sonhar... E como gosto aqui fica.

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...
(Miguel Torga)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

É urgente permanecer


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,

Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,

Multiplicar as searas,
E manhãs claras.
É urgente descobrir rosas e rios


Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente Permanecer.

Eugénio de Andrade, Antologia Breve



Dedico-te este poema querida amiga e tu sabes porquê... Tu sabes que vale pena arriscar nas relações pondo em comum os nossos, sonhos, desejos, inquietações... Só assim nos damos conta de que o certo e o errado, são apenas modos diferentes de entender e viver a amizade e que "é urgente Permanecer".


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Escuto





Recordo com saudade um grande amigo que já partiu para Deus.
É hoje o dia do seu aniversário natalício e por isso lhe digo: Parabéns amigo!
Vela por mim...

Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou Deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 13 de setembro de 2008

Pelo Sonho...

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama

domingo, 3 de agosto de 2008

O Voo da Céu


A nossa querida Céu, queria aprender a voar...

Não precisou de muito tempo...
Um mês de espera dolorosa, paciente e calma...
Ontem ao fim do dia... quiz experimentar e voou, voou para um Novo Céu!

A Lâmpada Nova
A lâmpada nova
No fim de apagar
Volta a dar a prova

De estar a brilhar.
Assim a sua alma

Deveras desperta
Quando a noite é nua
E se acha deserta.

Vestígio que ergueu
Sem ser no lugar
De onde se perdeu...
Nasce devagar!
Fernando Pessoa