Pode parecer estranho este titulo... Mas aqui no Algarve onde me encontro por uns dias, abundam as figueiras e os figos.
No entanto o que quero agora, é falar um pouco de mim, voltar à minha infância e recordar a avó "Celestinha" que dizia com algum humor quando caía: "Ando sempre a plantar figueiras"!
Na verdade também eu me dedico a plantar algumas... Desde que me lembro, por causa da poliomielite tive uma infância diferente, passando por longos internamentos hospitalares, longe de casa e da família.
"A Poliomielite ou pólio, é uma infecção altamente contagiosa causada pelo póliovirus. Em percentagem pequena de pessoas infectadas, o vírus ataca as células nervosas no cérebro e na espinha dorsal, particularmente as células nervosas da espinha dorsal que controlam os músculos envolvidos nos movimentos voluntários como caminhar. A destruição destes neurônios causa paralisia permanente em um de cada 200 casos.
A Poliomielite Paralítica: É a forma mais severa da doença que se desenvolve aproximadamente de sete a catorze dias depois da exposição ao vírus. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça severa, pescoço e duro, e dor muscular profunda. A fraqueza muscular e a paralisia podem se desenvolver rapidamente ou gradualmente durante os picos de febre...
A doença atinge geralmente os músculos das pernas, mas as áreas afetadas dependem de que altura da espinha dorsal ocorreu a infecção...
De facto foi este tipo de pólio que me atingiu, deixando-me a perna esquerda totalmente paralisada e, durante muito tempo, sem entender nada do que me estava a acontecer. Sabia apenas que não conseguia pôr-me de pé para andar.
Recordo-me de passar horas numa cadeira, nariz encostado à janela, olhando as minhas irmãs e as outras crianças a brincar livremente pelas ruas do nosso Bairro...
Muitos sonhos escondidos ou não vividos, lágrimas que não chegaram a ser vistas, gritos de incompreensão rebelde, silêncios intermináveis...
Durante muitos anos vivi a defender-me, procurando não revelar a minha fraqueza e debilidade e se caía rápidamente me levantava, olhando em redor na esperança de que ninguém me tivesse visto.
Uma familia especial e muitos amigos são parte da força e da alegria que me faltava, e pacientemente acompanharam e viveram comigo, muitos momentos que eu não sabia gerir.
Tudo agora parece novo dentro de mim e à minha volta. Na verdade eu caminho, mas de forma diferente... (Como referia a minha amiga Laurinda Alves). Vou acreditando cada vez mais que, SER é uma forma de felicidade que nunca estará completa porque estarei/estaremos sempre a caminho.
É que quando a felicidade e a alegria parecem ser já, aqui e agora... há mais uma queda, um murmúrio de inquietude disfarçada, uma solidão impenetrável, até parece que as forças vão acabar... De facto nem tudo é tão simples como como pode parecer, a "sementeira" custa a fazer, é preciso ser paciente e acreditar... E por aqui, em tempo de férias, de sol, de beleza e da presença de Deus, também eu vou plantando "algumas figueiras".



