A leitura, tal como a escrita são para mim um caminho consolador e por vezes fecundo. Neste blog, além de colocar alguns poemas ou textos de que gosto e que me ajudam, gostaria também de deixar pequenas coisas que vou escrevendo e falar um pouco de mim, da minha vida, da minha fé, da minha relação com Deus e o mundo, com o sofrimento e com a alegria, com a ansiedade e a paz...
sexta-feira, 11 de março de 2011
Algumas coisas em tempo de quaresma
A leitura, tal como a escrita são para mim um caminho consolador e por vezes fecundo. quarta-feira, 9 de março de 2011
Quaresma, tempo de me deixar seduzir...
Sieger KoderMe has seducido, Señor, y me dejé seducir,
desde que aprendí tu nombre balbucido en familia.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
en cada nueva llamada que el alto mar me traía.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
hasta el confín de la tarde hasta el umbral de la muerte.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
en cada rostro de pobre que me gritaba tu rostro.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir,
y en el desigual combate me has dominado, Señor,
y es bien tuya la victoria.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
en un desigual comercio, y la victoria es bien nuestra.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Nas Tuas mãos
En el nombre del PadrePorque Tú lo has querido
estoy aquí, Señor. En Tu nombre.
No he venido yo; me has absorbido
en la espiral de amor,
que eres con todos.
Nadie puede arrimarse a Ti
sin que enterlo lo abraces,
lo hagas Tuyo.
Sin robarle nada,
dándole todo.
Del suelo a la cabeza
soy regalo tuyo,
espíritu que vuela
y cuerpo que lo apresa.
No puedes ya
salirte de este mundo.
Me inundaste (Rom5,5)
Y, empapado de Ti, te voy sembrando,
y al tiempo que me siembro,
como grano de trigo,
en mis hermanos.
No quiero quedar solo.
Tu rostro buscaré, Señor.
Hasta decirte ¡Padre!
Pero sólo te encuentro, cuando,
a todo lo que mana de Ti
le digo: ¡hermano
Ignacio Iglesias, sj
domingo, 27 de fevereiro de 2011
"Não vos inquieteis com o dia de amanhã...Olhai as aves dos céus! "
Hoje gostaria de conseguir que o meu dia fosse marcado por esta temática que me trouxe a liturgia. Nem sempre me é fácil porque, passados estes momentos de paragem em que me sento e escrevo um pouco, a vida recomeça numa corrida imprevisível que por vezes não consigo gerir com a tranquilidade que gostaria.
Inácio de Loyola, fala-nos do "desejo de desejar" como algo que já produz frutos de VIDA e AMOR, e por isso, hoje e sempre desejo Senhor, perder os medos que não me ajudam a apreciar a beleza do mundo que me rodeia... a acreditar na bondade das pessoas e a amar-Te em tudo e em todos.
Ontem alguém falava sobre os nossos medos, e recordava que eles são como o fumo, cabem dentro de uma das nossas mãos e quando abrimos a mão, eles não estão mais lá, porque na palma da nossa mão está tatuado o nosso nome e o grande amor que Deus Pai tem por cada pessoa.
Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura?
E porque vos inquietais com o vestuário?
Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles...» (Mt. 6.25-29)
O que nos pré-ocupa, ocupa-nos de tal maneira que não nos deixa tempo para o essencial para aquilo que é mais valioso… Para a vida, para Deus, para os irmãos!
Por isso hoje desejo abandonar-me nas mãos deste Pai sem me inquietar demasiado, pois CREIO que em cada dia Ele me vai dando aquilo que verdadeiramente necessito.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Uma mão cheia de sorrisos
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Hoje mais um Domingo na minha vida
"Ama a vida. Ama-a assim como é.
Ama-a em plenitude, sem exigências; ama-a quando te amam ou quando te odeiam.
Ama-a quando ninguém te compreende ou quando todos te compreendem.
Ama-a quando todos te abandonam ou quando te exaltam como um rei.
Ama-a quando te roubam tudo ou quando te oferecem tudo.
Ama-a quando há sentido e quando parece não haver.
Ama-a na plena felicidade ou na absoluta solidão.
Ama-a quando te sentes forte ou quando se sentes frágil.
Ama-a quando tens medo ou quando te sentes com coragem.
Ama-a não só pelas grandes coisas da vida
Mas ama-a pelas pequenas alegrias do quotidiano.
Ama-a mesmo que não te dê o que mais gostarias,
Ama-a mesmo que não seja como tu queres.
Ama-a por todas as vezes que nasces e pelas vezes que estás a morrer.
Mas nunca ames sem amor. Nunca vivas sem vida! "
A Covilhã vista da "varanda dos carqueijais" a meio da subida para a serra da Estrela.
Foto tirada por um bom amigo que tem o condão de me fazer descontrair um pouco diante das câmaras...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Confiança
Às palavras fortes e um pouco difíceis, que o evangelho de S. Mateus nos trouxe, senti na reflexão proposta, que Deus me quer levar por outro caminho: o da confiança!
De novo me aponta horizontes e caminhos de felicidade. Convida-me a deixar cada vez mais de olhar a vida e as coisas pelo seu exterior, mas a fazê-lo com todo o meu coração, desafia-me a torná-lo cada vez mais, um coração observante...
Onde está então o meu coração? Qual a verdade do meu coração?
Falo eu as coisas a Deus ou deixo que seja Ele a falar-me?
Questões como estas me foram colocadas e algumas respostas fui dando a mim própria, desejando que elas possam passar verdadeiramente, da cabeça para o coração, do sonho para a realidade…
Porque afinal, o que Jesus não deseja mesmo, é que eu deixe o meu coração abater-se diante das dificuldades e diz-me que para que isso possa ser uma realidade na minha vida, devo procurar levar este desejo também àqueles que me rodeiam.
“ Que a tua palavra seja: ‘Sim, sim; não, não’”. “Tu, porém, quando orares”...
Só o Senhor sabe a verdade da oração de cada pessoa, então posso confiar mesmo... só Ele sabe quanto desejo ter um coração verdadeiro e sincero, um coração que possa um dia intuir, como Santa Teresa d’Ávila “Só Deus basta”.
Gosto de acreditar naquilo que foi dito de uma forma tão persuasiva: “Uma oração sincera é sempre escutada pelo Senhor, não pode deixar de o ser”.
E ainda que agora não seja capaz, peço ao Senhor como graça, a ajuda para ser capaz: de ser como ainda não sou, rezar como ainda não rezo, amar como ainda não amo!
Alice
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Morreu a minha violeta

Enquanto iluminas a entrada do rio
o cobre emudece dinastias sem número
por degraus desiguais os mineiros,
os artesãos, as lavadeiras
lutam pela perfeição, lutam por Deus
em galerias remotas
as armas de caça vencidas
por ramos e arados
nenhuma morte é tão longa quanto a vida
diria quem pela primeira vez
visse debaixo de árvores sombrias
o sítio do mar, a porta das constelações
cem espantos possíveis
e no espanto uma esperança
o loureiro assinala a todos sua ciência negligenciada
címbalos, manuscritos e coroas
atiradas para o chão como vestimenta da batalha
insígnias do nosso posto de estrela em estrela
dão-nos sem nós pedirmos
ouvimos até sem querer
acima das arestas sombrias
a noite clara e os bosques
José Tolentino Mendonça
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Palavras

domingo, 6 de fevereiro de 2011
Hoje recebi malmequeres

Hoje recebi e enviei malmequeres da minha/nossa serra... É domingo e está um sol quentinho que me aquece o olhar, o coração e a vida.
Deixo um poema:
Como a terra é necessária.
Como o fogo sustentas os lares.
Como o pão és pura.
Como a água de um rio és sonora.
Hoje, alegria, encontrada na rua,
longe de todo o livro, acompanha-me:
contigo quero ir de casa em casa,
quero ir de aldeia em aldeia,
de bandeira em bandeira.
Não és só para mim.
Às ilhas iremos, aos mares.
Contigo pelo mundo!
Com o meu canto!
Com o voo entreaberto da estrela,
e com o regozijo da espuma!
Vou cumprir com todos
porque devo a todos a minha alegria.
Não se surpreenda ninguém porque quero
entregar aos homens os dons da terra,
porque aprendi lutando
que é meu dever terrestre
propagar a alegria.
E cumpro o meu destino com o meu canto.
Pablo Neruda
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Coisas simples...
Esta é a minha nova écharpe, e como é muito especial, tive o cuidado de a fotografar. Sempre pensei que sem as pessoas as coisas de nada servem, e aqui estou agora a confirmar esta verdade...

domingo, 30 de janeiro de 2011
Esta é uma noite
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Dá-me a mão, meu Deus!
Hoje veio às minhas mãos, juntamente com a reflexão da Liturgia, um pequeno extracto do Diário de Etty Hillesum, que vou deixar aqui.
Li este livro no verão passado e agora fico com desejo de o ler outra vez. É a história de uma vida cheia de desafios, que é partilhada com uma verdade que me espanta.
« Meu Deus, dá-me a mão!Seguir-Te-ei de maneira resoluta, sem muita resistência.
Não me subtrairei a nenhuma das tormentas que caiam sobre mim nesta vida.
Suportarei o embate com o melhor das minhas forças.
Mas dá-me de vez em quando um breve instante de paz.
Não acreditarei, na minha inocência, que a paz que descerá sobre mim é eterna.
Aceitarei o desassossego e o combate que virá depois.
Gosto de me manter no calor e na segurança, mas não me oporei quando tiver que enfrentar o frio, contanto que tu me leves pela mão.
Eu te seguirei para todo o lado e tentarei não ter medo.
Esteja onde estiver, tentarei irradiar um pouco de amor, do verdadeiro amor ao próximo que há em mim.»
Etty Hillesum
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
ENAMÓRATE!
¡Enamórate! Permanece en el amor! Todo será de otra manera...
P. Pedro Arrupe, SJ
Dedico a uma amiga ausente (por uns tempos!...)
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
Vamos aprender com os Magos a percorrer caminhos novos
A ESTRELA DA ESPERANÇA1. Era uma vez milhões e milhões de estrelas, espalhadas pelo céu. Havia estrelas de todas as cores: brancas, amarelas, prateadas, cor-de-rosa, vermelhas, azuis… Um dia foram à procura de Deus, Senhor de todo o universo, e disseram-lhe: «Senhor, gostaríamos de viver na terra, no meio dos homens». «Seja como quereis», respondeu Deus. «Podeis descer à terra. Conservar-vos-ei pequeninas, como sois vistas pelos homens».
2. Conta-se que, naquela noite, houve uma deslumbrante chuva de estrelas. Acoitaram-se umas nas montanhas, enquanto outras se instalaram no meio dos brinquedos das crianças. Certo é que a terra ficou maravilhosamente iluminada.
3. Algum tempo depois, porém, as estrelas resolveram abandonar a terra, e voltaram para o céu. A terra ficou outra vez escura e triste. «Por que voltastes?», perguntou Deus. Então as estrelas responderam: «Senhor, não aguentámos permanecer no meio de tanta miséria, violência, guerra, fome, doença, morte». Ao que Deus terá retorquido: «Tendes razão, estais melhor aqui no céu, em que tudo é sossego e perfeição, ao contrário da terra em que tudo é transitório e mortal».
4. Depois de todas as estrelas se terem apresentado e de ter conferido o seu número, Deus anotou: «Mas falta aqui uma estrela; ter-se-á perdido no caminho?»
Ao que um anjo, que estava por perto, respondeu: «Houve uma estrela que resolveu ficar na terra, porque pensa que o seu lugar é exactamente no meio da imperfeição, onde as coisas não correm bem». «Mas que estrela é essa?», perguntou novamente Deus. E o anjo respondeu: «por coincidência, Senhor, era a única estrela daquela cor». «Qual é a cor dessa estrela?», insistiu Deus. O anjo respondeu: «Essa estrela é verde, da cor da esperança».
5. Olharam então para a terra, mas a estrela verde, da esperança, já não estava só. A terra estava outra vez iluminada, com luzes em todas as janelas, porque ardia uma estrela no coração de cada ser humano.
A esperança, diz a tradição hebraica, é o único sentimento que o ser humano possui, e Deus não, porque, conhecendo o futuro, Deus já não espera. A esperança é própria do ser humano, que é imperfeito, que erra e que não sabe como será o dia de amanhã.
Rezo para que brilhe cada vez mais a estrela da esperança que arde em ti e na tua casa. E a nossa terra pode ser mais céu.
António Couto
sábado, 1 de janeiro de 2011
Oração

Ao terminar este ano, quero agradecer-te tudo aquilo que de ti eu recebi.
Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, o ar e o sol, pela alegria e a dor, por tudo quanto foi possível e pelo que o não pôde ser.
Ofereço-te quanto fiz neste ano, o trabalho que pude realizar e as coisas que passaram pelas minhas mãos e o que com elas pude construir.
Apresento-te as pessoas que ao longo destes meses eu amei, as novas amizades e os antigos amores, os mais próximos de mim e os que estão mais longe.
Os que me estenderam a sua mão e aqueles a quem pude ajudar, com aqueles com quem partilhei a vida, o trabalho, o sofrimento e a alegria.
Senhor, hoje também te quero pedir perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto pela palavra inútil e o amor desperdiçado.
Perdão pelas obras vazias de amor e pelo trabalho mal feito. Perdão por viver sem alegria e sem entusiasmo.
Perdão também pela oração que, pouco a pouco, fui adiando. Perdão por todos os meus esquecimentos, descuidos e silêncios.
Vamos iniciar um Novo Ano! Eis-me diante do novo calendário, ainda por estrear. Entrego-te estes días. Só Tu sabes se os chegarei a viver...
Para mim, para os meus familiares e amigos, peço-te a paz e a alegria, a coragem e a prudência, a simplicidade e a sabedoria.
Quero viver cada dia deste novo ano com optimismo e bondade levando por toda a parte um coração cheio de compreensão e de paz.
Fecha os meus ouvidos a toda a mentira, e os meus lábios a palavras enganadoras, egoístas, mordazes ou que possam magoar.
Abre o meu ser a tudo o que é bom, belo e verdadeiro. Que o meu espírito se encha de bênçãos e que eu as derrame por onde passar.
Enche-me de bondade e de alegria para que, quantos convivem comigo ou de mim se aproximarem encontrem na minha vida um pouquinho de Ti.
Desejo-te um um Bom Ano Novo, abençoado por Deus, e com a protecção de Santa Maria Mãe de Deus!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
O presépio somos nós

Aqui em casa continuamos a viver este tempo de “presépio”, sem qualquer espécie de pressa.
A minha mãe recupera aos poucos de uma queda que a fez ficar de cama, mas este acontecimento uniu mais a nossa família, todos têm estado muito presentes.
Eu sei, que cada dia, me trará coisas novas e que Deus me tem oferecido, ao longo da vida muitas alegrias. Tenho experimentado muito amor, deste nosso Deus que une e congrega todos os seus filhos.
Hoje será diferente, preparo-me para estar com os meus pais, irmãs e cunhados e faço-o também com alegria porque este ano ainda temos os nossos pais connosco. É uma decisão que tomei com liberdade e que me está a trazer muita paz.
Todo o ano será cheio de PAZ, se deixarmos que Deus habite no silêncio do nosso coração.
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno




