Neste blog, além de colocar alguns poemas ou textos de que gosto e que me ajudam, gostaria também de deixar pequenas coisas que vou escrevendo e falar um pouco de mim, da minha vida, da minha fé, da minha relação com Deus e o mundo, com o sofrimento e com a alegria, com a ansiedade e a paz...
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
A Quaresma
Tempo para ser vivido em caminho,
sem se instalar, sem o reter, sem lamento,
com a esperança sempre à flor de pele
e o olhar fixo noutro tempo,
a Páscoa, que é definitiva.
Florentino Ulibarri
quarta-feira, 30 de março de 2011
Vastidão
segunda-feira, 28 de março de 2011
Cruz, rosa
Cruz, rosa
Árvore Em silêncio onde escutamos a palavra
domingo, 27 de março de 2011
Senhor... dá-me de beber
sexta-feira, 25 de março de 2011
O folha
Uma folha que se desprende da árvore e é levada pela agitação da brisa para o lago... Parece insignificante esta folha, mas o seu gesto de "permanecer" e de se espelhar na água, dando o melhor de si própria, faz a diferença... Tem o mágico poder de mudar os tons da água, dar-lhe luminosidade e de lhe transmitir beleza, felicidade e paz... segunda-feira, 21 de março de 2011
A árvore cresce
sábado, 19 de março de 2011
O sonho
Arcabás (o sonho de José)José compreende a vontade de Deus pelo sonho, quando dorme compreende...
Acho interessante, esta figura silenciosa, que adormece preocupada, sonha a vontade de Deus e acorda sentindo o afecto imenso que Deus tem por ele.
Este inicio de Quaresma tem sido para mim um tempo em que me tenho deixado muito, tocar pelos afectos... pelo amor apaixonado com que Jesus me olha, me aprecia, me perdoa e me fortalece.
Algumas reflexões "guiadas" têm contribuído para isso, vivo de novo a fé como uma experiência de ser visto, de ser amado, ser tocado no coração e também de me deixar amar. Não poderei amar verdadeiramente se não me deixar amar por...
Mas sei que nem sempre sou ou serei capaz de viver estas certezas.
Durante o dia fui reflectindo e rezando isto que nem sequer sei explicar bem, mas partilho-o.
«Sempre que escutares com o coração a voz que te chama “amado”, descobrirás no mais intimo de ti o desejo de tornar a ouvir essa voz, ainda por mais tempo e com maior profundidade»
Henri Nouwen , viver é ser amado
sexta-feira, 18 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
A escada
Por vezes, subo lentamente a escada do encontro, exige-me algum esforço subir escadas... mas subo porque sei que quando chegar ao cimo, encontrarei a Luz que sempre me ajuda a ver as coisas de modo diferente... É assim uma espécie de saída de um túnel, esta minha escada...Diante desta luminosidade que me transcende e me faz por momentos fechar os olhos, posso sentar-me e abraçar o mundo e nele e com ele, a minha mãe que hoje me parece ainda mais frágil, posso fazer-me perguntas que sufocam neste momento a pequenez da minha existência.
E pergunto-me: já não o porquê, mas o para quê * desta doença de Alzheimer que a ataca, e há tanto tempo vai esvaziando lentamente, mas cada vez mais o seu cérebro?
Para quê também estes momentos frequentes de lucidez que a fazem recordar que existe algo que não consegue controlar mas não sabe o que é?
Hoje tudo parece lento em mim, não quero no entanto deixar de continuar a minha subida e levar a minha mãe comigo ainda que tenhamos de nos sentar a meio… De manhã, estava na cozinha a preparar o pequeno-almoço ela chegou junto de mim e começou a chorar.
- Porquê mãezinha? O que se passa? A resposta veio com custo…
- Estou triste filha, mas não sei… não sei o que tenho, não sei o que se passa comigo.
Abracei-a, aconcheguei-a um pouco no colo tentando secar aquelas lágrimas que muitas vezes são tão inesperadas quanto breves… Fiquei calada durante alguns momentos, sem nada que conseguisse pensar ou fazer, a seguir dispus-me a recomeçar a subida.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Algumas coisas em tempo de quaresma
A leitura, tal como a escrita são para mim um caminho consolador e por vezes fecundo. quarta-feira, 9 de março de 2011
Quaresma, tempo de me deixar seduzir...
Sieger KoderMe has seducido, Señor, y me dejé seducir,
desde que aprendí tu nombre balbucido en familia.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
en cada nueva llamada que el alto mar me traía.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
hasta el confín de la tarde hasta el umbral de la muerte.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
en cada rostro de pobre que me gritaba tu rostro.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir,
y en el desigual combate me has dominado, Señor,
y es bien tuya la victoria.
Me has seducido, Señor, y me dejé seducir
en un desigual comercio, y la victoria es bien nuestra.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Nas Tuas mãos
En el nombre del PadrePorque Tú lo has querido
estoy aquí, Señor. En Tu nombre.
No he venido yo; me has absorbido
en la espiral de amor,
que eres con todos.
Nadie puede arrimarse a Ti
sin que enterlo lo abraces,
lo hagas Tuyo.
Sin robarle nada,
dándole todo.
Del suelo a la cabeza
soy regalo tuyo,
espíritu que vuela
y cuerpo que lo apresa.
No puedes ya
salirte de este mundo.
Me inundaste (Rom5,5)
Y, empapado de Ti, te voy sembrando,
y al tiempo que me siembro,
como grano de trigo,
en mis hermanos.
No quiero quedar solo.
Tu rostro buscaré, Señor.
Hasta decirte ¡Padre!
Pero sólo te encuentro, cuando,
a todo lo que mana de Ti
le digo: ¡hermano
Ignacio Iglesias, sj
domingo, 27 de fevereiro de 2011
"Não vos inquieteis com o dia de amanhã...Olhai as aves dos céus! "
Hoje gostaria de conseguir que o meu dia fosse marcado por esta temática que me trouxe a liturgia. Nem sempre me é fácil porque, passados estes momentos de paragem em que me sento e escrevo um pouco, a vida recomeça numa corrida imprevisível que por vezes não consigo gerir com a tranquilidade que gostaria.
Inácio de Loyola, fala-nos do "desejo de desejar" como algo que já produz frutos de VIDA e AMOR, e por isso, hoje e sempre desejo Senhor, perder os medos que não me ajudam a apreciar a beleza do mundo que me rodeia... a acreditar na bondade das pessoas e a amar-Te em tudo e em todos.
Ontem alguém falava sobre os nossos medos, e recordava que eles são como o fumo, cabem dentro de uma das nossas mãos e quando abrimos a mão, eles não estão mais lá, porque na palma da nossa mão está tatuado o nosso nome e o grande amor que Deus Pai tem por cada pessoa.
Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura?
E porque vos inquietais com o vestuário?
Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles...» (Mt. 6.25-29)
O que nos pré-ocupa, ocupa-nos de tal maneira que não nos deixa tempo para o essencial para aquilo que é mais valioso… Para a vida, para Deus, para os irmãos!
Por isso hoje desejo abandonar-me nas mãos deste Pai sem me inquietar demasiado, pois CREIO que em cada dia Ele me vai dando aquilo que verdadeiramente necessito.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Uma mão cheia de sorrisos
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Hoje mais um Domingo na minha vida
"Ama a vida. Ama-a assim como é.
Ama-a em plenitude, sem exigências; ama-a quando te amam ou quando te odeiam.
Ama-a quando ninguém te compreende ou quando todos te compreendem.
Ama-a quando todos te abandonam ou quando te exaltam como um rei.
Ama-a quando te roubam tudo ou quando te oferecem tudo.
Ama-a quando há sentido e quando parece não haver.
Ama-a na plena felicidade ou na absoluta solidão.
Ama-a quando te sentes forte ou quando se sentes frágil.
Ama-a quando tens medo ou quando te sentes com coragem.
Ama-a não só pelas grandes coisas da vida
Mas ama-a pelas pequenas alegrias do quotidiano.
Ama-a mesmo que não te dê o que mais gostarias,
Ama-a mesmo que não seja como tu queres.
Ama-a por todas as vezes que nasces e pelas vezes que estás a morrer.
Mas nunca ames sem amor. Nunca vivas sem vida! "
A Covilhã vista da "varanda dos carqueijais" a meio da subida para a serra da Estrela.
Foto tirada por um bom amigo que tem o condão de me fazer descontrair um pouco diante das câmaras...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Confiança
Às palavras fortes e um pouco difíceis, que o evangelho de S. Mateus nos trouxe, senti na reflexão proposta, que Deus me quer levar por outro caminho: o da confiança!
De novo me aponta horizontes e caminhos de felicidade. Convida-me a deixar cada vez mais de olhar a vida e as coisas pelo seu exterior, mas a fazê-lo com todo o meu coração, desafia-me a torná-lo cada vez mais, um coração observante...
Onde está então o meu coração? Qual a verdade do meu coração?
Falo eu as coisas a Deus ou deixo que seja Ele a falar-me?
Questões como estas me foram colocadas e algumas respostas fui dando a mim própria, desejando que elas possam passar verdadeiramente, da cabeça para o coração, do sonho para a realidade…
Porque afinal, o que Jesus não deseja mesmo, é que eu deixe o meu coração abater-se diante das dificuldades e diz-me que para que isso possa ser uma realidade na minha vida, devo procurar levar este desejo também àqueles que me rodeiam.
“ Que a tua palavra seja: ‘Sim, sim; não, não’”. “Tu, porém, quando orares”...
Só o Senhor sabe a verdade da oração de cada pessoa, então posso confiar mesmo... só Ele sabe quanto desejo ter um coração verdadeiro e sincero, um coração que possa um dia intuir, como Santa Teresa d’Ávila “Só Deus basta”.
Gosto de acreditar naquilo que foi dito de uma forma tão persuasiva: “Uma oração sincera é sempre escutada pelo Senhor, não pode deixar de o ser”.
E ainda que agora não seja capaz, peço ao Senhor como graça, a ajuda para ser capaz: de ser como ainda não sou, rezar como ainda não rezo, amar como ainda não amo!
Alice
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Morreu a minha violeta

Enquanto iluminas a entrada do rio
o cobre emudece dinastias sem número
por degraus desiguais os mineiros,
os artesãos, as lavadeiras
lutam pela perfeição, lutam por Deus
em galerias remotas
as armas de caça vencidas
por ramos e arados
nenhuma morte é tão longa quanto a vida
diria quem pela primeira vez
visse debaixo de árvores sombrias
o sítio do mar, a porta das constelações
cem espantos possíveis
e no espanto uma esperança
o loureiro assinala a todos sua ciência negligenciada
címbalos, manuscritos e coroas
atiradas para o chão como vestimenta da batalha
insígnias do nosso posto de estrela em estrela
dão-nos sem nós pedirmos
ouvimos até sem querer
acima das arestas sombrias
a noite clara e os bosques
José Tolentino Mendonça







