sábado, 23 de julho de 2011

Inês de olhos doces


Aqui estão os olhos doces e aveludados e o sorriso lindo da minha sobrinha Inês.
E a seguir a uma semana onde a dor, a preocupação e os trabalhos simples e comuns da casa, me mantiveram ocupada e algo tristonha, hoje a sol voltou a entrar pelas frestas do meu olhar e aqui estou a blogar um pouco.
De facto esta nossa menina é de uma ternura infindável, costuma semear flores, tratá-las e regá-las com cuidado... Acho que foi aprendendo a fazê-lo sózinha, com o seu jeitinho natural.
Depois escolhe os momentos especias para oferecer algumas, que vêm sempre embrulhadinhas em papel de alumínio.

Entrega sempre a tua beleza
sem cálculo, sem palavras.
Calas-te. E ela diz por ti: eu sou.
E com mil sentidos chega,
chega finalmente a cada um.

Rainer Maria Rilke,in 
“O Livro das Imagens"

domingo, 17 de julho de 2011

Amo o Caminho que Estendes

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.


Daniel Faria

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Perfume


Bom dia, Ana Teresa, como foste crescendo tão rápido!
Sabes que tens um sorriso bonito que te amo muito e que ontem acrescentaste à minha tarde a tua vivacidade, força e ternura contagiantes?
Hoje já estás longe, mas eu continuo perto e isso dá-me a certeza de que a distância não separa aqueles que se amam.
É que: "Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas"...
Didi


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eis que o Inverno já passou


Acordo envolvida por uma sensação de tranquilidade e de paz, o sol que já desponta no horizonte fala-me do novo dia e promete-me felicidade e luz... mas não tem a última palavra porque eu sei que isso irá depender do meu olhar.

E o primeiro olhar vai para a minha mãe que a meu lado dormita na sua cama de grades, opção indispensável para que ela não caia. Durante a noite baixamos "esse pequeno muro" e um de nós fica mais junto dela procurando fazer-lhe sentir que não está só. Almofadas juntas, cabeças quase juntas e mãos que se vão tocando em gestos de afago e de presença…

A claridade entra no quarto por pequenas frestas mas não a perturba nem a acorda, esquece-se com frequência se é dia ou noite…

E a minha mãe é linda, mesmo adormecida, continua cheia de encanto e vem despertar em mim sentimentos de gratidão e recordações que apontam para um passado feliz de vestidos domingueiros embaloados e floridos, com frango assado ou bifes com batatas fritas ao almoço, pudim flan e laranjada…
Fico algum tempo em silêncio para que o silêncio reze em mim a oração da manhã.
Alice

Deixo um poema de que gosto e foi para mim inspirador.

Eis que o Inverno já passou
Deixa que a respiração profunda
do teu Ser aconteça. Só isso. Não
interrogues, nem busques. Deixa
que seja Deus a procurar-te. Não
caminhes. Ele virá ao teu encontro.
Não procures contemplar. Permite,
antes, que Deus te contemple. Não
rezes. Deixa que, em silêncio, Ele
reze o que tu és.

in Um Deus que Dança, José Tolentino Mendonça


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Um olhar apenas

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou

José Tolentino de Mendonça



Porquê este poema e esta foto?

Simplesmente porque desejo sorrir-vos com amor e assim testemunhar o ânimo, a alma e o toque que um olhar atento e profundo me oferece, me confirma na confiança... e dá Vida à minha vida.
Alice




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pudesse eu

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Dom

"No princípio está o dom. No fim estará o abraço".



Estou cada vez mais convencida que o mistério que envolve cada vida se vai revelando num dia a dia como o de hoje... simples, silencioso, mas de relação apesar de tudo... O poder tocar-te Mãe, ver-te, sorrir-te continua a ser um dom de Deus na minha existência.

A calma que agora existe habitualmente na nossa casa é tão contrastante com o mundo de ruídos, de risos, da casa cheia em que nos habituamos a viver!... Havia sempre lugar para mais alguém e esse alguém era esperado, acolhido e amado, como se fosse único.
E ainda há esse lugar, porque nós queremos continuar a ser como tu.

"No princípio está o dom. No fim estará o abraço".

Deixo este pensamento e mensagem que me foi enviado por um amigo a quem agradeço a força e a fé que me transmite .
Alice


Madeira - Foto da minha amiga Zilda


terça-feira, 21 de junho de 2011

Promessa do Amor

Ao olhar esta simples flor que se espelha na água, vem à minha memória a carta de S. Paulo aos Coríntios de que tanto gosto.
Procuro abrir um pouco a mente e o coração que, por vezes, como quem quer fugir do desconhecido, se fecham à beleza da vida na ansiedade e na dor do presente.
E deixo-me então embalar nesta promessa: "Agora vejo como num espelho, mas depois verei face a face"...


O Amor...
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.

1 Cor 13, 7-12

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A fonte permanece



«O SENHOR, teu Deus, vai introduzir-te numa terra óptima, terra de torrentes de água, de fontes e de nascentes profundas, que jorram por vales e montes; terra de trigo, cevada, uvas, figos, romãs; terra de azeite e mel; terra onde comerás pão com segurança, onde nada te faltará, onde as pedras são de ferro e de cujas montanhas extrairás cobre. Então comerás e ficarás saciado, agradecendo ao SENHOR, teu Deus, pela terra óptima que te deu.
(Livro do Deuteronómio 8, 7-10)

O pequeno texto bíblico que coloco hoje, é uma espécie de desejo de acordar um pouco e de renovar a certeza de que não desisto porque em mim a FONTE não secou, a TERRA não deixou de produzir, as montanhas permanecem e posso olhá-las da janela do meu quarto.

Reconheço que os momentos que vivemos podem ser uma travessia, árida como um deserto. Contudo alguém me diz que o Senhor não me faltará com o pão do deserto, uma porção para cada dia.
É Ele, o Senhor, que acompanha os meus movimentos, Ele na serenidade me dá a alegria mas na dor será porventura o meu conforto... Um dia. Depois um outro e a seguir outro ainda...
Alice

domingo, 12 de junho de 2011

Escolho a vida...

Nesta manhã
endireito meu corpo
abro meu rosto,
respiro a aurora
e escolho a vida.

Nesta manhã
acolho meus golpes,
silencio meus limites,
dissolvo meus medos
e escolho a vida.

Nesta manhã
olho nos olhos,
abraço outro ombro
dou minha palavra
e escolho a vida

Nesta manhã
repouso na paz,
alimento o futuro,
partilho alegria,
e escolho a vida.

Nesta manhã
te busco na morte,
te ergo do lodo,
te levo tão frágil
e escolho a vida

Nesta manhã
te escuto em silencio
te deixo preencher-me
e escolho a vida

Benjamin González Buelta SJ


Foto de Roma - Praça de S. Pedro

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Poema

Porque a morte tem o seu tempo
A ruína soma ruína, à cabeça
Equilibra a existência desmoronada e inteira.
Tu és o que edifica
Tu constróis mil vezes.
Porque o raio tem o seu tempo.
És o clarão, a lâmpada, a estrela
Somas luz à luz.
Não és a luz, és mais que a luz
Porque a noite tem o seu tempo.

Daniel Faria

Roma e Assis - algumas fotos























domingo, 8 de maio de 2011

Onde estás?

Onde estou, me perguntas?
A teu lado estou, amigo, na noite da espera,
na alba da vida, no vento da serra,
na tarde despovoada, no sono que não sonha,
na fome desgarrada e no pão para a mesa,
na felicidade partilhada e na isolada e amarga pena (...)
No silêncio selado e no grito de protesto.
Na cruz de cada dia e na morte que se aproxima.
Na luz da outra margem e no meu amor como resposta. (...)
Onde estou, me perguntas?
A teu lado estou, amigo; vivo e caminho na terra,
peregrino até Emaús para me sentar à tua mesa;
ao partir de novo o pão descobrirás a minha presença.
Estou aqui, convosco, com a alma em flor desperta,
nesta Páscoa de amor galopando pelas veias
do vosso sangue empapada de um Deus que vive e sonha.
Onde estou, me perguntas?.
A teu lado estou, amigo; despe-te para a surpresa,
abre os olhos e olha para dentro e para fora,
que no lagar da dor tenho os meus gozos e penas,
e na nora do amor, eu, teu Deus, chamo à porta.
Onde estou, me perguntas?
NA TUA VIDA, é a resposta.

Antonio Bellido

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Como reporás a terra arrastada

Esta luz que me alumia e fortalece mesmo quando se esconde entre as nuvens e as árvores, esta luz que me adormece e acorda em cada dia, não precisa de muitas palavras e por isso simplesmente vo-la deixo neste poema.

Como reporás a terra arrastada
Para a boca?
Foges e foges
E repousas à sombra da velocidade.
E ao extinguires-te dizes
Tudo
O que podia ser dito
Sobre a luz.

Daniel Faria (Poesia)
Foto - Zilda

domingo, 1 de maio de 2011

Páscoa

Dá-nos, Senhor, aquela Paz estranha
que brota em plena luta
como uma flor de fogo;
que irrompe em plena noite
como uma canção escondida;
que chega em plena morte
como um beijo esperado.
Dá-nos a Paz dos que andam sempre,
despidos de vantagens;
vestidos pelo vento
de uma esperança núbil.
Aquela Paz do pobre
que já venceu o medo.
Aquela Paz do livre
que se apega à vida.
A paz que compartilha em igualdade
como a água e a Hóstia.
Dá-nos a tua Paz, a tua.


Pedro Casaldáliga.

Pintura:Gustavo Montebello

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Flor de Aleluia!


Gosto desta flor de Aleluia, e já a fui oferecendo por email a alguns amigos.
Olho-a e sinto-a cheia de uma beleza singela e pura, parecendo-me que nunca irá esmorecer... É assim que vejo a Páscoa: Renova a nossa vida com Deus, renova as nossas relações, e hoje especialmente renova em mim uma certeza muito bonita: É que se pode ficar partindo e pode-se partir ficando para sempre!

Alice

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Porque a Páscoa é independen​te do lado do equador em que se está!

Porque é lindo e cheio de Aleluias, deixo um testemunho Pascal de um amigo que está em Moçambique.

Não sei porquê, mas os Glórias marcam as minhas ressurreições nestas terras moçambicanas. No meio de tanta morte evidente, por entre escárnios, gozações, ofensas de todo o tipo, abusos, acusações falsas e agressões, de repente, sem a preocupação de pré-avisos, surgem Glórias que são sinais incontestáveis da ressurreição de nosso Senhor Jesus. E levam-nos atrás dela. Não conseguimos deixar de ressuscitar com Ele.

Ontem, na Vigília Pascal, cerimónia cuidada e muito bonita, não foi excepção. Quase como se não soubesse o que se iria passar, entraram no coro duas ou três vozes pouco convincentes, cada uma no seu tom, e até cada uma a seu tempo. Aquele sinal de desunião tinha, no entanto, algo demasiado grande para ser ignorado: era a entoação do Glória.

E está no sangue, na carne, no espírito, nas entranhas de qualquer ser, reconhecê-lo porque é verdadeiro. É a exteriorização da prova maior de amor de Deus por nós: a encarnação, a morte e a ressurreição de Jesus, condensada num instante de reconhecimento comum.

Depressa toda a gente agarrou esta verdade e aderiu a ela com tudo o que tinha: as vozes estridentes, os corpos dançarinos, os sorrisos nas faces, os arrepios nos braços... as lágrimas nos olhos.

Porque, afinal, esta foi A noite.
Aquela em que o Senhor ressuscitou e com Ele nos ressuscitou a nós e a tudo o que vivemos.
Esta foi a noite de um tempo que se torna presentemente eterno.
E assim esta é a noite da vida que acaba sempre por vencer.

Saudades,
e votos de uma Páscoa de verdadeira ressurreição com o Senhor.
Francisco Campos, sj

domingo, 24 de abril de 2011

Ele vive!

Está vivo… Que seja essa a nossa alegria!
E a bênção maior que podemos ter é a certeza de que o Senhor Ressuscitado permanecerá connosco para sempre e poderemos dizer: "Meu Senhor e Meu Deus" .

Pintura de Sieger Koder