domingo, 4 de dezembro de 2011

Advento


Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou.

Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis como "nascimento", "criança", "rebento".

Advento, tempo de escutar a esperança dos profetas de todos os tempos. Isaías e Bento XVI. Miqueias e Teresa de Calcutá.

Advento, tempo de preparar, mais do que consumir. Tempo de repartir a vida, mais do que distribuir embrulhos.

Advento, tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão.

Advento, tempo de dar tempo a coisas, talvez, esquecidas: acender uma vela; sorrir a um anjo; dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas.

Advento, tempo de se perguntar: "há quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?"

Advento, tempo de rezarmos à maneira de um regato que, em vez de correr, escorre limpidamente.

Advento, tempo de abrir janelas na noite do sofrimento, da solidão, das dificuldades e sentir-se prometido às estrelas, não ao escuro.

Advento, tempo para contemplar o infinito na história, o inesperado no rotineiro, o divino no humano, porque o rosto de um Homem nos devolveu o rosto de Deus.

 P. José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

vontade de Deus - caminho de FELICIDADE

 

Acordei cedo neste dia cheio de sol e de vida, depois um fim-de-semana transbordante de motivações, de beleza, de encontros e alguns desencontros e sobretudo de muitos momentos de felicidade interior embora algumas vezes muito “sofrida”.
Isto para confirmar que estive neste encontro de Espiritualidade Inaciana… Dei-me conta de que somos tantos,  os buscadores de felicidade!
Mas será que nesta busca, estamos conscientes de que isso envolve a nossa, a minha liberdade e a vontade de Deus?

Logo no inicio eu acreditei que esta seria uma oportunidade única e necessária nesta fase da minha vida…  
O meu ser ”apaixonado” e em constante esforço pela conquista da felicidade vibrou, o meu coração bateu forte intuindo que este poderia ser um tempo para me pôr a caminho.

O primeiro tema foi: “A VONTADE DE DEUS É A NOSSA LIBERDADE”, a partir de uma pintura de Caravágio - conversão de S. Mateus - na cena que representa o momento exacto em que Jesus apontando para Mateus lhe diz: “QUERO QUE ME SIGAS”!

Estive durante esse tema junto de um grande amigo e tive a certeza de que a resposta  a dar, não passava exclusivamente por um sonho. Era a realidade e a certeza de que será possível encontrar a Felicidade no caminho que me proponho fazer.

O resto foi um nunca mais parar de convites e apelos de que irei falando aos poucos… de encontros belos e felizes alguns com custos e de choro intenso, com muitas pessoas que me amam e que foi bom poder rever depois de vários anos e também, de poder falar da partida da minha mãe.

Na presença dos amigos que viajaram comigo (a Zilda, a Paula, a Zé e o Vítor) surgiu a hipótese de dar uma forma nova aos meus escritos passados e futuros. Depois, o livro das suas memórias, que a Fátinha Rabaça me colocou no colo e no coração deu o grande impulso! Vou escrever e se possível publicar, alguns fragmentos de uma vida feliz: A MINHA VIDA!
 

À noite, na partilha com o meu pai e irmãs, revi esta decisão e eles vão ajudar-me a situar as minhas lembranças de um passado longínquo… algo incompreensível mas belo.   
Foi a confirmação final de que o devo e posso fazer. Um obrigada àqueles que já referi e a mais três pessoas que pela sua amizade e dedicação, serão decerto motivo de fortalecimento neste trabalho a que me proponho, a Laurinda, o José e o Hermínio.  

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mãe

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!

(A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros, INCM)

domingo, 20 de novembro de 2011

O Rei


Diante deste Rei PASTOR e deste Pastor que é REI, fico em silêncio... Muito pouco posso dizer.
“Vinde benditos de meu pai ”! Palavras cheias de carinho, que foram decerto segredadas ao ouvido da minha mãe e já escutei algumas vezes durante este mês. Sinto desejo que elas entrem bem dentro do meu coração, modelem um pouco a minha alma e me levem verdadeiramente a dar mais atenção às primeiras "falas de Deus" na Bíblia: «Onde estás?» (Gen. 3, 9b); «Onde está o teu irmão?»  (Gn 4,9).

(cito palavras de uma reflexão do P. José Frazão, s.j.)


Tu onde estás alice? Silencío... porque me sinto diante de um rei diferente, o rei dos mais frágeis, que me deixa livre para ficar calada, porque e quando... não tenho palavras!
“Vinde benditos de meu pai ”, penso na minha mãe que está junto Dele e tenho saudades...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

«Tende confiança...»


Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Mt. 14, 22-33

Tem confiança, tende confiança... sou Eu, não temais!
Diz-me Jesus hoje, tal como disse aos seus discípulos...
Só desta certeza, e desta confiança se pode viver, só assim imagino a paz e a felicidade que eu espero e que me espera...

Fecho os olhos por momentos e sinto que  apesar dos meus medos, hoje mais do que nunca, quero esforçar-me por reconhecer Deus que vem ao meu encontro, ao encontro de cada um de nós!

Pintura de Sierge Koder

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Às vezes...

ÀS VEZES, QUANDO EU DIGO QUE " ESTOU BEM ", EU QUERO ALGUÉM QUE ME OLHE NOS OLHOS,  ME ABRACE FORTE E DIGA, " EU SEI QUE TU NÃO ESTÁS".

desconheço o autor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mudar a direcção do olhar...


Ontem coloquei mimosas
para ilustrar um poema de Daniel Faria.

Mais tarde lembrei-me de algumas conversas com um amigo, falamos sobre questões de fé, de arte e também da beleza da natureza que tanto nos fala de Deus. Nessa tarde, olhávamos as mimosas e falávamos da forma como elas crescem invadindo e ocupando tudo o que está à sua volta.


Estas conversas levam-nos habitualmente a um diálogo mais profundo que  nesse dia versou sobre o respeito que cada um de nós deve "ao outro" à "natureza" à vida no seu todo e a si próprio... como ser amado e criado à semelhança de Deus.


Hoje reflectia um pouco, condicionada ainda por alguns sentimentos menos alegres,  em como um crescimento lento pode ser produtivo, não faz mal, não invade o outro e até pode ajudar... isso faz-me acreditar que é lentamente que posso ir crescendo, em Deus e para Deus.


Recordei-me mais uma vez, que cresci num bairro simples, onde as mimosas se desenvolviam à vontade misturadas com as tílias, que nos serviam para fazer um saboroso chá.


Na verdade eu gosto mesmo de mimosas, ficou-me esta afeição porque elas me viram crescer, ampararam os meus passos vacilantes, deram-nos a sombra de que precisávamos para brincar na rua, nos dias quentes de verão. 


Então eu diria como Saint-Exupéri:
 
"Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar."


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Da tua voz...


Da tua voz...


Das manhãs

Apenas levarei a tua voz
Despovoada

Sem promessas
sem barcos
E sem casas

Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas

Da tua voz

Levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas

As pedras
As nuvens
O teu canto
Levarei manhãs

E madrugadas

Daniel Faria
Pintura de Renoir (Paisagem com mimosas)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Só há uma infelicidade, que é a de não sermos santos


«Hoje é dia de todos os santos
: dos que têm auréola
e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram, serenos
e brandos, sem darem nas vistas e que no fim
dos tempos hão de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os Santos: santos barbeiros e
santos cozinheiros, jogadores de football e porque
não? comerciantes, mercadores, caldeireiros e arrumadores (porque não arrumadoras? se até
é mais frequente que sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à
claridade do dia foram tuas testemunhas; disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras,
poucas, em rodeios, divagações. 
Foram teusimitadores e na transparência dos seus gestos a
Tua imagem se divisava.
Empreendedores e bravos ou tímidos e mansos, traziam-te no coração,
Olharam o mundo com amor e os homens como irmãos.
Do chão que pisavam
rebentava a esperança de um futuro de justiça e de salvação
e o seu presente era já quase só amor.
Cortejo inumerável de homens e mulheres que Te
seguiram e contigo conviveram, de modo admirável:
com os que tinham fome partilharam o seu pão
olharam compadecidos as dores do
mundo e sofreram perseguição por causa da Justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te e amaram o mundo.
Cantaram os teus louvores e a beleza da Criação.
E choraram as dores dos que desesperam.
Tiveram gestos de indignação e palavras proféticas
que rasgavam horizontes límpidos.
Estes são os que seguem o Cordeiro
porque te conheceram e reconheceram e de ti receberam
o dom de anunciar ao mundo a justiça e a salvação»

poema de Maria de Lourdes Belchior

Extracto de publicação da Pastoral da Cultura
José Tolentino Mendonça
In Pai-nosso que estais na terra, ed. Paulinas

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sonhos perdidos?


O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo
Virgílio Ferreira

Há um silêncio que hoje me habita, um silêncio que não produz, não cala o pensamento, não deixa sossegar o espirito. É este silêncio que me faz sentir um Outono sem fim e  um passado sem regresso.
Os bancos "esvaziados de gente", porque sim... as folhas caídas, amarelas e sem vida, porque desistiram da árvore, ou talvez porque chegou a hora da despedida...
Ao escrever esta postagem, que me parece algo "descolorida", fui-me dando conta de que há momentos em que a  paz que me parecia já ter conquistado se confronta com os meus limites, numa luta sem sentido...  
"O vocabulário do amor é restrito e repetitivo", mas existe e exige confiança, uma tal confiança que aos poucos renovará  os meus "sonhos perdidos" e me traga a  paz como uma benção.
Alice

domingo, 16 de outubro de 2011

Estranho é o sono que não te devolve

Passado um mês da tua partida, deixo-te uma flor e um poema ... Desculpa-me mãezinha, não consigo ir ao cemitério! Mas irei mais tarde... Estou sempre perto de ti mesmo aqui, mesmo não indo...

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.
Daniel Faria
Pintura: Van Gogh (Ramo de amendoeira)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Amor que aproxima

Todas as palavras que tenho escrito estes dias no meu blogue, foram custosas e são fruto de uma experiência vinda do coração...
No entanto hoje deixo um pequeno extrato do email de um  amigo, cuja passagem na Covilhã foi breve... Marcou a minha vida pelo Amor que põe em tudo o que faz e vive e deixou-me  muitas saudades... Algures no Brasil, ele  me fortalece com a sua amizade.
   

«Posso fazer ideia do quanto estás a sentir toda essa ausência... Dividir espaços e ocupá-los com outras lembranças são o teu desafio a partir de agora... Não tenho o direito de pedir-te para não sentires dor ou "esqueceres" a partida... Mas posso sugerir-te que vivas o hoje na certeza de que o amor de que sentes falta é o amor que te aproxima com o ilimitado, com o transcendente, com o divino... Sabes e podes dizer que vives um amor supra-humano... Força e fé minha querida amiga... »

Foto em casa, com o meu pai, no dia do meu aniversário

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SE ME AMAS, NÃO CHORES


Hoje o dia decorreu lentamente entre o trabalho que é necessário fazer para o recomeço da Catequese e uma nostalgia que ora se vai no absorvimento em que me encontro, ora vem juntamente com as recordações, os objectos, tudo aquilo que faz parte da nossa casa e foi sendo conseguido pouco a pouco. Dou-me conta cada vez mais de que é preciso dar tempo... necessito de momentos de silêncio, em que fecho os olhos e não quero pensar, nem falar ou sequer ouvir... Mas também preciso por vezes de falar, partilhar, revelar a minha fragilidade.
Deixo esta oração que é de esperança e me foi enviada pelo amigo Jorge Silva.

Se conhecesses o mistério imenso
do Céu onde agora vivo,
esse horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus,
na Sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa
onde um dia
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede
na fonte inesgotável da alegria
e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas.

Santo Agostinho

domingo, 2 de outubro de 2011

Saudade

Esta é a primeira noite que fico só com o meu pai.
Desejo viver com esperança todos estes momentos que identifico na sua diferença... porque de facto em cada dia a saudade tem novas formas de expressão, de vivência e sobretudo de deixar que dos olhos escorram gotas de água, até sentir nos lábios um forte sabor de sal... Por vezes desejo que esse "sal" possa aos poucos ir ajudando a curar esta dor.
Mãe, sinto a tua falta em todos os segundos que passam... Obrigada porque no céu nos olhas sem dor, e com a ternura de quem viveu e vive para amar.

Deixo um hino que só conheci e rezo depois da tua partida.


Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe.
Não tenho aqui morada permanente
Leva-me mais longe.


Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do Teu olhar?

Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a Luz que me ilumina
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da Tua luz divina.

Esquece os meus passos mal andados
Meu desamor perdoa e meu pecado
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado

Se Tu me dás a mão, não terei medo
Meus passos serão firmes no andar
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.

(As rosas são de um pequeno vaso que rego com carinho todos os dias)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Gratidão

Hoje, o que sinto é sobretudo saudade... Magoa, quase fisicamente, esta ausência da minha mãe. Acordo, começo a girar pela casa e ela não está...
Porém, nestes sentimentos que vagueiam em mim, está muito presente a gratidão pela presença dela nas nossas vidas... E esta gratidão estende-se, desdobra-se, recria-se ao recordar os momentos... quer de alegria, quer de tristeza... Ao pensar nas pessoas que passaram pela sua vida, que a ajudaram a "suportá-la", sendo suporte, que partilharam as suas alegrias e dificuldades.
Hoje quero deixar um grande obrigada, ao amigo Padre José Pires, que conhece a mãe Julieta desde há muitos anos e viveu com ela e connosco, na fé e na esperança fraternas, muitos desses momentos. Presidiu a Celebrações festivas como as Bodas de OURO e DIAMANTE, e esteve presente em momentos de alguma forma mais dolorosos.
Deslocou-se de longe, sabemos que com esforço, para Concelebrar na missa do funeral.
Estamos certos de que, para o Céu, ela o levou no seu coração atento e terno.

(As flores são rosas de um canteiro simples)

sábado, 24 de setembro de 2011

Contigo levaste um pedaço de todos nós

Uma semana depois da partida da minha mãe, aqui fica, a homenagem de acção de graças da Joana(neta) e Ana Teresa (bisneta), que traduz de forma simples o sentir de todos.



Querida avó
Sabemos que onde estás consegues ouvir-nos.
Partiste. E contigo levaste um pedaço de todos nós, acredita.
Foste uma mãe, uma avó e uma bisavó fantástica. Estiveste e sempre estarás rodeada de pessoas que te adoram do fundo do coração.
Dói. É péssimo o que estamos a sentir, agora que ficámos sem ti. Por outro lado, sabemos que foste para um sítio melhor e encontraste a paz que bem mereces.
Gostaríamos que voltasses mas bem sabemos que isso não é possível…
Sentimos a tua falta em todos os segundos que passam.
Marcaste muito a nossa vida. Deus quis que lhe fizesses companhia e nós respeitamos.
Nasceu mais uma estrelinha no céu e és tu avozinha linda. Sabemos que estás aí em cima a olhar por nós e a proteger-nos.
Agora só te pedimos uma coisa: espera por nós aí em cima, nós iremos ter contigo um dia. Até lá, iremos viver seguindo, todos os mandamentos, que nos ensinaste.
Vamos sentir a tua falta super mulher.
Um grande, grande beijo com muito carinho, de todos os que te adoram. Até já.
16/09/2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

No cemitério


Fui ao cemitério, ver e estar um pouco junto da campa da minha mãezinha. No dia em que foi enterrada não consegui, eram muitas escadas para subir, uma caminhada enorme a fazer e eu já não tinha mais forças. Depois das últimas orações que foram feitas, fiquei em baixo com alguns amigos...
Poucas vezes tenho ido a cemitérios, hoje fui com as minhas irmãs e ficamos em silêncio um tempo. Só depois conseguimos rezar.
São tão tristes os cemitérios... sobretudo quando estamos a olhar sem ver, porque o que amamos não existe da mesma forma... mas existe.
A campa tinha flores novas que eram lindas... Mas tudo me parecia um sonho.

(As flores são açorianas do amigo HJ)