segunda-feira, 5 de março de 2012

Viver de amor


Viver, ou procurar viver de amor é olhar os ramos despidos de uma árvore e não me fixar somente na sua nudez mas perceber que eles se tornarão floridos a seu tempo. É  fixar o olhar nos movimentos suaves das avezinhas  e reaprender a voar... É acreditar que o voo pode tornar-se sublime pela proximidade com o infinito. É ter saudade e viver a saudade deixando que os olhos sequem pela aragem que me envolve, me toca a face e me fala de amor.
Viver de amor é encontrar vida na vida vivida ou ainda por viver. Viver de amor é amar e deixar-me amar. Viver de amor é acreditar que Deus é amor...

Deixo um poema de amor.

Viver de amor? _ Viver-Te a vida
De gloriosa majestade e delícia dos eleitos? _
Por mim _ basta que vivas escondido
Onde eu _ por Ti possa _ escondida, estar contigo
A sós _ como amantes sedentos de solidão _
Um face a face que dure a noite _ que dure o dia.
Um teu olhar _ é quanto basta
Para tornar feliz o amor.

Viver de amor? Não é certamente viver
No alto do Tabor, contemplando-se mutuamente _
Contigo Jesus _ amar é levar-te à cruz,
Ver-me a teu lado _ e sentir-me tesouro _
No teu jardim, poderei _ um dia _ ter-te

Quando a prova _ por inteiro, tiver passado_
No exílio, no entanto _ quero viver a dor
De te amar _ de amor.

Viver de amor? É dar _ e não ter -
Medida que compare o quanto se deu
Sem medir - como calcular o Amor?
Se amor não mede _ a medida que perdeu.
Ao teu coração transbordante de ternura,
Dei todo o divino _ e meu não era _ Corro leve _
Conto apenas com a riqueza que me deste _
O amor que me dá vida.

Santa Teresa do Menino Jesus

Foto da minha amiga Zilda

domingo, 4 de março de 2012

Tabor de cada dia


Quando te esqueceste de ti mesmo,
quando te esgotaste no serviço aos últimos,
quando aceitaste o sofrimento como companheiro,
quando soubeste perder,
quando já não pretendes ganhar,
quando partilhaste o que tu necessitavas,
quando te arriscaste pelo pobre,
quando enxugaste as lágrimas do inocente,
quando resgataste alguém do seu inferno,
quando te introduziste no coração do mundo,
quando puseste a tua vontade nas mãos de Deus,
quando te purificaste do teu orgulho,
quando te esvaziaste de tantos tarecos supérfluos,
quando te sentes ferido...
brilha em ti, grátis, a luz de Deus,
sentes a sua presença irradiando frescura primaveril,
e o seu perfume te envolve e reanima.
Já não necessitas outros tesouros.
Deus te acompanha, te fala, te protege.
Te sentes mergulhado num mar de felicidade...
E não estás nas nuvens,
é um Tabor que se te oferece grátis,
para que desfrutes já o presente
e caminhes firme e sem temores.     
                                                 
Ulibarri Fl.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

uma boa notícia

Começa um tempo novo, uma nova janela se abre no íntimo de cada pessoa… Uma nova janela quer abrir-se em mim.
Desejo chegar junto dela e perscrutar a vida, presenciar um Deus presente, que em Jesus, me mostra que é possível ver mais longe, ver até à Cruz que dá Vida… É Ele que uma e outra vez renova um convite à liberdade, mas ainda assim repete: “quem quiser seguir-me…”
Deixo uma foto tirada numa janela do Vaticano e uma pequena reflexão.
Boa Quaresma!


“Convertei-vos, porque está próximo o reino de Deus”.
Que podem dizer estas palavras a um homem ou a uma mulher dos nossos dias?
A ninguém nos atrai ouvir um convite à conversão. Pensamos logo em algo custoso e pouco agradável: uma ruptura que nos levaria a uma vida pouco atractiva e pouco desejável. É realmente assim?
O verbo grego que se traduz por “converter-se” significa na realidade “pôr-se a pensar”, “rever o enfoque da nossa vida”, “reajustar a perspectiva”.
As palavras de Jesus poderiam entender-se assim: “Olhai se não tendes que rever e reajustar algo na vossa maneira de pensar e de actuar para que se cumpra em vós o projecto de Deus de uma vida mais humana”.
Converter-nos é “libertar a vida” eliminando medos, egoísmos, tensões e escravidões que nos impedem crescer de maneira sadia e harmoniosa.
“Convertei-vos e acreditai na Boa Notícia”, convida-nos a descobrir a conversão como passo para uma vida mais plena e gratificante.

José Antonio Pagola.
O caminho aberto por Jesus

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Afetos


(…)
Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios. (...)


A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas
que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os
outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido
mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.


Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.

 P. José Tolentino Mendonça (excerto)

Foto - Steve McCurry

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Amizade


Deixo a foto de um amigo jesuíta, que no México, a fazer uma parte da sua formação, hoje se faz presença de amizade neste quadro de beleza natural. 
Enquanto permaneceu na nossa cidade, foi "mestre" em me recordar diversas vezes que a "bondade é firme e o amor é exigente", que é importante que amemos os outros, contemos com os outros, invistamos nos outros mas sempre sem criar expectativas... e preparados para os resultados da fragilidade humana. Todos somos de ouro, mas vivemos vestidos de muito barro.

Aqui ficam estas palavras que hoje me soam a verdade,  a vidas que se cruzam e permanecem na memória para sempre.


(Foto padre Francisco Rodrigues, sj)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


A árvore foi a forma de te ver
E desci para abrir a casa.
De me teres visitado e avistado
Entre os ramos
Fizeste-me passagem
Da folha ao voo do pássaro
Do sol à doçura do fruto.
Para me encontrares me deste
A pequenez.

Daniel Faria

domingo, 29 de janeiro de 2012

A estrada das hortênsias



Diante da beleza que ultrapassa os meus sonhos... olho, medito e fico em silêncio, participo do silêncio que acontece enquanto caminho na "estrada das Hortênsias".
Seja esta maneira de estar e olhar, um ponto de partida para o encontro com Deus neste domingo em que a saudade existe como forma  e fonte de amor e de relação. Mãe, temos saudades!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Foram ver onde morava..."


Fazia algumas pesquisas para um trabalho de catequese e eis que esta imagem surge diante do meu olhar prendendo a minha atenção.
Desejo muito partilhá-la no meu blogue porque ela me fala de Deus, me diz respeito, porque implica a minha existência, os meus desejos mais íntimos e a minha fé por vezes tão frágil. Tudo o que aqui acontece, tudo o que se vê nesta foto em aparente fragilidade,  mostra implícita toda a força do mundo.
Sim! Moro aqui... E estou contigo em todas as situações em especial, em especial... nos limites da tua existência... E eu respondo hoje: Sim! É dessa certeza que eu vivo. "Em Ti ponho a minha confiança".
Alice

domingo, 22 de janeiro de 2012

Abri a minha varanda


“... Todos começamos assim, como um dom que confirma a vida como graça. Admiravelmente, esta origem é tão frágil e tão promissora. Cada bebé que venha a este mundo é apresentado à luz como dádiva. Por isso, poderá viver de gratidão, honrando para sempre a sua origem.
Ninguém dá, a si mesmo, a vida. Cada um é trazido de muito longe, como fruto de uma longa memória. E o fruto de um ventre que o sentiu e o plasmou num corpo único”.
(“A graça e o custo da existência, P. José Frazão, SJ)

Relia este artigo de um amigo e detive-me nesta parte que cito, sugerindo ao meu pensamento e ao meu coração,  se deixassem tocar pela memória do meu nascimento, do ventre que me sentiu e plasmou, mas também da dádiva que me foi feita ao nascer, qual “imposição” que me tornou num ser em busca constante de razões para amar, um ser em busca da felicidade, sendo que nessa busca,  intuo-me feliz, torno-me já feliz…
É domingo, o sol entra pelas janelas da nossa casa como que a presentear-nos e a dar-nos vida,  neste dia do Senhor da Vida.
Abro a varanda e deixo que esta luz me toque… deixo que estes raios de ternura “quente” circulem e se estendam por toda a casa, para que Tu, possas entrar e permanecer.
Há uma semana eu questionava-te “onde moras Senhor” e então, de novo, tu me desafiavas: “Vem ver” Precisas de ver para saber…
Sim,  eu fui e vi, mas preciso voltar, preciso saborear esta relação que se torna vital, que implica a minha vida e me faz correr alguns riscos.
Mas hoje digo-te Senhor: Abri a minha varanda, abri a minha casa e abro-Te o meu coração. Vem morar comigo, vem ficar comigo…

Alice



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Exercicíos Espirituais


Este é um pequeno recanto que me é muito caro

Volto aqui, na realidade da minha casa, da minha família e da minha vida quotidiana, da qual faz parte também o computador e com ele a possibilidade de me ligar ao mundo e de comunicar… também pela oração, pela partilha e pela experiência de tanto amor recebido e ofertado durante os últimos três dias. Não o faço sem antes ter agradecido ao Senhor o tempo de "apartamento" em Soutelo que toca ainda todo o meu ser.

Da Mara Alexandra, me chegaram estas fotos, e com elas um pouco mais da do Amor de Deus manifestado em tanta beleza já conhecida e pressentida, mas que não me é acessível agora pelo toque, por motivos simples e muito óbvios, mas que não me tiraram o desejo do Encontro com o Criador.














domingo, 8 de janeiro de 2012

“A Estrela”


Eu caminhei na noite
E entre o silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava.

Grandes perigos na noite me apareceram:
Da minha estrela julguei que eu a julgara verdadeira
sendo ela só reflexo duma cidade a néon enfeitada.

A minha solidão me pareceu coroa.
Sinal de perfeição em minha fronte.

Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era dum ferro tão pesado,
que toda me dobrava.
Do frio das montanhas eu pensei:
«Minha pureza me cerca e me rodeia».

Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu.

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram:

Pedi às pedras do monte que falassem
mas elas como pedras se calaram.


Sozinha me vi, delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava.

E eu caminhei na noite, minha sombra
De gestos desmedidos me cercava

Silêncio e medo
Nos confins dos desertos caminhavam:

Então vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim me disseram:
«Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela».

Então soube que a estrela me seguia.

Era real e não imaginada.

Grandes e humanas miragens nos mostraram
Em direções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava.
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava.

E a estrela do céu parou em cima
duma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha o mesmo tom que a cinza
Longe do verde-azul da Natureza.

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.

Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais negra e mais sem luz
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.

Nesse lugar pensei:
Quando deserto atravessei
para encontrar aquilo
Que morava entre os homens
tão perto.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

sábado, 31 de dezembro de 2011

"O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face..."


O Senhor te abençoe e te proteja”.
Guia-te, defende-te, sustém-te sempre em seus braços,
onde te sentirás seguro.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável”.
O Senhor acolhe-te e ama-te com ternura,
não afasta os seus olhos de ti,
olha-te com carinho, com olhar íntimo e entranhável.
O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz

Num 6,23-26


Neste ultimo dia do ano e quase a entrar em 2012, o primeiro sentimento que vem ao meu coração é o da gratidão pela vida recebida, vivida e de alguma forma também entregue, Àquele que Se me oferece e me oferece o Tempo que vivo!

A Ele entrego as pessoas que estão comigo e aquelas que à distância de uma estrela se aproximam de forma diferente numa dimensão que se faz eterna porque é feita de eternidade.

Peço-Lhe também que recomponha a direcção do meu olhar, e assim à semelhança do olhar sereno de Maria ele transporte em si a paz e a beleza que não se deixam deslumbrar por falsas luzes ou ilusões… Passem do que é velho e caducou e aceitem na alegria tudo aquilo que resiste sem se perder no tempo, porque todo o Tempo é O SEU TEMPO.

Que nos meus lábios continue a brilhar um sorriso aberto e simples, mas que ele seja cada vez mais símbolo, das palavras que eu não saberei pronunciar no momento certo por falta de bondade ou de verdade.

Ofereço-Lhe o meu passado, o meu presente e o meu futuro porque no Seu infinito Amor, saberá realizar maravilhas em tudo o que fui, sou e serei de agora em diante.

Peço-lhe que me ajude a caminhar comigo própria e com os outros no caminho da paz, e a buscar no silêncio a Sua presença, que está presente em TUDO e EM TODOS.
Amén.
Alice

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal no meu coração



O Natal aconteceu porque era Natal! Os sentimentos à flor da pele, a nostalgia de uma fase da vida que já vai distante e a esperança do “encontro” feito presépio e no presépio.

As crianças reconstruíram, na sua simplicidade, algumas tradições que não voltarão a ser completas… A oração feita pelos mais novos era cheia de poesia e beleza… afirmava os valores cristãos, incutidos pela família, e recordava alguém que, no meio das estrelas, nos olhava com alegria e ternura.

(Isto, na verdade, já faz parte do que eu desejei e rezei…) Mas também acredito que outros o terão pensado comigo e, como que respeitando os sentimentos de cada um, ficou no silêncio de “uma noite de natal” com estrelas.

De facto não há muito que dizer nestes momentos, senão que vale a pena a vida, vale a pena o amor, vale a pena chorar e sorrir, porque o Natal vale a pena...
Houve a agitação e a expectativa habitual dos mais pequeninos, uma breve troca de presentes, resultante de um sorteio que, na nossa família sempre a aumentar, faz parte da partilha natalícia. Cada um de nós oferece uma prendinha à pessoa que lhe calhou.

Mais tarde, regressando a casa depois da Missa do Galo, procurei colocar o coração num presépio feito de vida e de saudade. Havia muita gente, mas uma espécie de neblina em redor dos acontecimentos impedia-me de ver claro… queria fazer-me ouvir e não conseguia, queria tocar e os meus braços perdiam-se numa distância ténue, mas existente.

Tinha marcado alguns encontros para o momento da visita ao presépio, nem todos foram conseguidos. Foi por falta de tempo ou de espaço? Nunca o saberei bem mas, na verdade, em todos pensei e com todos me encontrei, porque estávamos juntos no AMOR!

Quase de certeza, foi assim que aconteceu naquela noite em Belém.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Quase Natal

Hoje é sábado, vamos ter a celebração de Natal com a catequese! Sinto que preciso de descansar um pouco de todo este trabalho de preparar o Natal para outros. Mas continuo a insistir em semear um pouco, sabendo que Jesus espera que eu o faça e precisa de mim agora.
Está um dia lindo de sol mas um frio enorme... O Natal está à porta o anúncio de um novo nascimento está quase a acontecer.
Sinto o coração ainda frio e sei que devo… preciso aquecê-lo com um olhar positivo sobre mim, sobre a vida e sobre tudo o que me rodeia.
Tenho o meu papi como companheiro diário mas as saudades da minha mãe aumentam cada dia.
Vivo com uma fé muito dolorosa estes tempos de manifestações exteriores, que são necessárias à vida e num contexto de festa natalícia têm todo o lugar e sentido. E como Maria gostaria de dizer cheia de certezas: Eis-me aqui Senhor…

domingo, 4 de dezembro de 2011

Advento


Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou.

Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis como "nascimento", "criança", "rebento".

Advento, tempo de escutar a esperança dos profetas de todos os tempos. Isaías e Bento XVI. Miqueias e Teresa de Calcutá.

Advento, tempo de preparar, mais do que consumir. Tempo de repartir a vida, mais do que distribuir embrulhos.

Advento, tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão.

Advento, tempo de dar tempo a coisas, talvez, esquecidas: acender uma vela; sorrir a um anjo; dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas.

Advento, tempo de se perguntar: "há quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?"

Advento, tempo de rezarmos à maneira de um regato que, em vez de correr, escorre limpidamente.

Advento, tempo de abrir janelas na noite do sofrimento, da solidão, das dificuldades e sentir-se prometido às estrelas, não ao escuro.

Advento, tempo para contemplar o infinito na história, o inesperado no rotineiro, o divino no humano, porque o rosto de um Homem nos devolveu o rosto de Deus.

 P. José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

vontade de Deus - caminho de FELICIDADE

 

Acordei cedo neste dia cheio de sol e de vida, depois um fim-de-semana transbordante de motivações, de beleza, de encontros e alguns desencontros e sobretudo de muitos momentos de felicidade interior embora algumas vezes muito “sofrida”.
Isto para confirmar que estive neste encontro de Espiritualidade Inaciana… Dei-me conta de que somos tantos,  os buscadores de felicidade!
Mas será que nesta busca, estamos conscientes de que isso envolve a nossa, a minha liberdade e a vontade de Deus?

Logo no inicio eu acreditei que esta seria uma oportunidade única e necessária nesta fase da minha vida…  
O meu ser ”apaixonado” e em constante esforço pela conquista da felicidade vibrou, o meu coração bateu forte intuindo que este poderia ser um tempo para me pôr a caminho.

O primeiro tema foi: “A VONTADE DE DEUS É A NOSSA LIBERDADE”, a partir de uma pintura de Caravágio - conversão de S. Mateus - na cena que representa o momento exacto em que Jesus apontando para Mateus lhe diz: “QUERO QUE ME SIGAS”!

Estive durante esse tema junto de um grande amigo e tive a certeza de que a resposta  a dar, não passava exclusivamente por um sonho. Era a realidade e a certeza de que será possível encontrar a Felicidade no caminho que me proponho fazer.

O resto foi um nunca mais parar de convites e apelos de que irei falando aos poucos… de encontros belos e felizes alguns com custos e de choro intenso, com muitas pessoas que me amam e que foi bom poder rever depois de vários anos e também, de poder falar da partida da minha mãe.

Na presença dos amigos que viajaram comigo (a Zilda, a Paula, a Zé e o Vítor) surgiu a hipótese de dar uma forma nova aos meus escritos passados e futuros. Depois, o livro das suas memórias, que a Fátinha Rabaça me colocou no colo e no coração deu o grande impulso! Vou escrever e se possível publicar, alguns fragmentos de uma vida feliz: A MINHA VIDA!
 

À noite, na partilha com o meu pai e irmãs, revi esta decisão e eles vão ajudar-me a situar as minhas lembranças de um passado longínquo… algo incompreensível mas belo.   
Foi a confirmação final de que o devo e posso fazer. Um obrigada àqueles que já referi e a mais três pessoas que pela sua amizade e dedicação, serão decerto motivo de fortalecimento neste trabalho a que me proponho, a Laurinda, o José e o Hermínio.  

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mãe

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!

(A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros, INCM)