sexta-feira, 20 de abril de 2012

poema



Não fui margem sem outra margem onde ligar os braços
Mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos
E o movimento dos teus pés descalços
Não fui a solidão inteira nem reclusa
Para o único repouso entre o silêncio
Nem fui a flor exausta defendendo-se
De toda a mão que a quis despetalar
Não fui a casa que a si mesma se abrigou
Nem a morada que nunca se acolheu
Mas o tempo a pedir que me deixasse
Naquilo que não fui vim encontrar-me
E sempre que te vi recomecei
Daniel Faria

Não sou, mas sou... em todo o tempo e lugar!
E porque assim o desejo e o sonho, porque no silencio quero encontrar-me e encontrar-Te para recomeçar e porque o dia me devolve a luz que posso e quero partilhar, aqui fica este poema tão belo de Daniel Faria.



domingo, 8 de abril de 2012

"Eu sou o Alfa e o Omega, o Principio e fim..."


Ele está vivo, nos efeitos da sua presença.
Ele está vivo pelo Espírito que derrama nos nossos corações.
Ele está vivo, porque dá vida, ao que está morto.
Ele dá confiança aos que têm medo.
Ele perdoa aos que pecaram
Ele dá força aos fracos
Ele dá a Luz aos que a procuram,
Ele está vivo porque dá a Alegria ao que anda triste
Ele está vivo porque habita todos os lugares da minha terra.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Se a Cruz não me dissesse nada, não era nada para mim… Mas a cruz pode dizer-me tudo o que há a saber sobre Deus. É aí que tudo diz de Si mesmo, enquanto se faz gesto de amor por nós, sem nenhuma condição.
E diante da cruz, o silêncio é a única forma de expressão que me ocorre.



quinta-feira, 5 de abril de 2012



Hoje peço ao Senhor o dom da contemplação... Só assim poderei perceber o mistério da vida que me envolve.
Peço-lhe um olhar puro, e sobretudo um coração capaz de escutar e de ver Deus em cada pessoa, em cada realidade, em cada momento, em cada vida…
Peço-lhe que me ajude a descobri-Lo como Aquele que ama e que serve. Um Deus que me ama, me lava os pés e me pede para amar do mesmo modo.



Pintura de Marko Ivan Rupnik

domingo, 1 de abril de 2012

A semana santa, revela-nos o rosto e o amor que nos salva...


Quatro linhas sobre a cruz.
A primeira linha abre o silêncio
como os braços de Cristo na cruz.
A segunda linha abraça-te até que a voz que te fala
respire no interior da tua escuta.
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz
o fio de água para que nunca esqueças a única fonte.
A quarta linha é o próprio rastro d'Aquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz.
Daniel Faria

domingo, 25 de março de 2012

O grão de trigo...


“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morrer, produz muito fruto.”(Jo 12, 24).




Somos gerados. criados e amados nesta entrega. Na entrega de Alguém que tal como o grão de trigo se deixa esmagar e dá a Vida para dar vida. 
Jesus é o grão de trigo deixa-se triturar… perde-se para se encontrar connosco e nos fazer encontrar com Ele… 

        
Nesta tarde Senhor,
Como pequeno grão de trigo quero estar Contigo
Posso estar ausente ou distraída
Posso sentir saudade, estar esmagada
Ou até sorrir ao crepúsculo deste final de dia
Mas percebo a tua presença na minha vida
E desejo o TEU AMOR!
         
         
                

quinta-feira, 22 de março de 2012

"escolhe o relento"


Versões do Mundo

Se tiveres de escolher um reino
escolhe o relento
a noite tem brancura do alabastro
ou mais extraordinária ainda

Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome

José Tolentino Mendonça,

in O Viajante sem Sono, Assírio & Alvim, 2009

quarta-feira, 21 de março de 2012

a primavera



Adormeci já tarde, o sono tinha sido cheio de interrupções, mas ao acordar algo de novo acontecera... era primavera!
Olhei em redor procurando algum sinal que tocasse o meu coração e o fizesse bater com mais força. Uma força maior do que aquela que o faz recomeçar em cada dia, mas ficou só o desejo, e um olhar meio perdido que não encontrando local onde poisar se fixou por breves instantes na luminosidade de um quarto cheio de recordações... 
Ajoelho no tapete e deixo-me enternecer e afagar pelo ar que respiro e pelo sol a entrar com suavidade em todo o quarto. Rezo todo o bem recebido mesmo na fragilidade da minha vida, porque é também nesta fragilidade, que Deus se manifesta e me faz sentir amada.  
Fico num silêncio que suaviza a minha saudade e me ajuda a escutar “aquela” voz íntima e única que me fala de ti mãe, que me fala de vida e de amor. 

(flores tiradas da net)


sexta-feira, 16 de março de 2012

Que amo eu, quando Vos amo?

A minha consciência, Senhor, não duvida, antes tem a certeza de que Vos amo. Feriste-me o coração com a Vossa palavra e amei-Vos. O céu, a terra e tudo o que neles existe, dizem-me por toda a parte que Vos ame. Não cessam de o repetir a todos os homens, para que sejam inescusáveis. Compadecer-Vos-eis mais profundamente daquele de quem já Vos compadecestes, e concedereis misericórdia àquele para quem já foste misericordioso. De outro modo, o céu e a terra só a surdos cantariam os Vossos louvores.

Que amo eu, quando Vos amo? Não amo a formosura corporal, nem a glória temporal, nem a claridade da luz, tão amiga destes meus olhos, nem as doces melodias das canções de todo o género, nem o suave cheiro das flores, dos perfumes ou dos aromas, nem o maná ou o mel, nem os membros tão flexíveis aos abraços da carne. Nada disto amo, quando amo o meu Deus. E contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um alimento e um abraço, quando amo o meu Deus, luz, voz, perfume e abraço do homem interior, onde brilha para a minha alma uma luz que nenhum espaço contém, onde ressoa uma voz que o tempo não arrebata, onde se exala um perfume que o vento não esparge, onde se saboreia uma comida que a sofreguidão não diminui, onde se sente um contacto que a saciedade não desfaz. Eis o que amo, quando amo o meu Deus. (...)

Entoe vossos louvores aquele que compreende, e quem não compreende enalteça-Vos também! Oh! quão sublime sois! Contudo a Vossa morada são os humildes de coração! Levantais os que caíram, e não caem aqueles de quem Vós sois a altura! (...)

Nós agora somos inclinados a praticar o bem, depois que o nosso coração o concebeu, inspirado pelo Vosso Espírito. Mas, ao princípio, desertando de Vós, éramos arrastados para o mal. Contudo, Vós, meu Deus e único Bem, nunca deixastes de nos beneficiar. Com a Vossa graça algumas obras realizámos; mas estas não são eternas. Depois de as termos praticado, esperamos repousar na Vossa grande santificação. Vós sois o Bem que de nenhum bem precisa. Estais sempre em repouso, porque sois Vós mesmo o Vosso descanso.

Quem, dos homens, poderá dar a outro homem a inteligência deste mistério? Que anjo a outro anjo? Que anjo aos homem? A Vós se peça, em Vós se procure, à Vossa porta se bata. Deste modo, sim, deste modo se há-de receber, se há-de encontrar e se há-de abrir a porta do mistério. 

Santo Agostinho 
 In Confissões

quarta-feira, 7 de março de 2012

momentos de beleza









Atravessamos a serra da Estrela desde Viseu, passando por Gouveia, Manteigas, Penhas da Saúde até à Covilhã... um passeio cheio de encanto e de luz, de curvas e contracurvas e de animada conversa.
A presença dos amigos é sempre para mim motivo de acção de graças. Há um bem que recebo e posso oferecer, há um dom que se partilha mutuamente e dá sentido a tudo o que vivo... e na alegria repartida, na brisa leve... tudo tem uma tonalidade que se torna eterna. 

Fica uma sequência de fotos do pôr do sol junto do Lago Viriato, que ilustra alguns desses momentos.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Viver de amor


Viver, ou procurar viver de amor é olhar os ramos despidos de uma árvore e não me fixar somente na sua nudez mas perceber que eles se tornarão floridos a seu tempo. É  fixar o olhar nos movimentos suaves das avezinhas  e reaprender a voar... É acreditar que o voo pode tornar-se sublime pela proximidade com o infinito. É ter saudade e viver a saudade deixando que os olhos sequem pela aragem que me envolve, me toca a face e me fala de amor.
Viver de amor é encontrar vida na vida vivida ou ainda por viver. Viver de amor é amar e deixar-me amar. Viver de amor é acreditar que Deus é amor...

Deixo um poema de amor.

Viver de amor? _ Viver-Te a vida
De gloriosa majestade e delícia dos eleitos? _
Por mim _ basta que vivas escondido
Onde eu _ por Ti possa _ escondida, estar contigo
A sós _ como amantes sedentos de solidão _
Um face a face que dure a noite _ que dure o dia.
Um teu olhar _ é quanto basta
Para tornar feliz o amor.

Viver de amor? Não é certamente viver
No alto do Tabor, contemplando-se mutuamente _
Contigo Jesus _ amar é levar-te à cruz,
Ver-me a teu lado _ e sentir-me tesouro _
No teu jardim, poderei _ um dia _ ter-te

Quando a prova _ por inteiro, tiver passado_
No exílio, no entanto _ quero viver a dor
De te amar _ de amor.

Viver de amor? É dar _ e não ter -
Medida que compare o quanto se deu
Sem medir - como calcular o Amor?
Se amor não mede _ a medida que perdeu.
Ao teu coração transbordante de ternura,
Dei todo o divino _ e meu não era _ Corro leve _
Conto apenas com a riqueza que me deste _
O amor que me dá vida.

Santa Teresa do Menino Jesus

Foto da minha amiga Zilda

domingo, 4 de março de 2012

Tabor de cada dia


Quando te esqueceste de ti mesmo,
quando te esgotaste no serviço aos últimos,
quando aceitaste o sofrimento como companheiro,
quando soubeste perder,
quando já não pretendes ganhar,
quando partilhaste o que tu necessitavas,
quando te arriscaste pelo pobre,
quando enxugaste as lágrimas do inocente,
quando resgataste alguém do seu inferno,
quando te introduziste no coração do mundo,
quando puseste a tua vontade nas mãos de Deus,
quando te purificaste do teu orgulho,
quando te esvaziaste de tantos tarecos supérfluos,
quando te sentes ferido...
brilha em ti, grátis, a luz de Deus,
sentes a sua presença irradiando frescura primaveril,
e o seu perfume te envolve e reanima.
Já não necessitas outros tesouros.
Deus te acompanha, te fala, te protege.
Te sentes mergulhado num mar de felicidade...
E não estás nas nuvens,
é um Tabor que se te oferece grátis,
para que desfrutes já o presente
e caminhes firme e sem temores.     
                                                 
Ulibarri Fl.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

uma boa notícia

Começa um tempo novo, uma nova janela se abre no íntimo de cada pessoa… Uma nova janela quer abrir-se em mim.
Desejo chegar junto dela e perscrutar a vida, presenciar um Deus presente, que em Jesus, me mostra que é possível ver mais longe, ver até à Cruz que dá Vida… É Ele que uma e outra vez renova um convite à liberdade, mas ainda assim repete: “quem quiser seguir-me…”
Deixo uma foto tirada numa janela do Vaticano e uma pequena reflexão.
Boa Quaresma!


“Convertei-vos, porque está próximo o reino de Deus”.
Que podem dizer estas palavras a um homem ou a uma mulher dos nossos dias?
A ninguém nos atrai ouvir um convite à conversão. Pensamos logo em algo custoso e pouco agradável: uma ruptura que nos levaria a uma vida pouco atractiva e pouco desejável. É realmente assim?
O verbo grego que se traduz por “converter-se” significa na realidade “pôr-se a pensar”, “rever o enfoque da nossa vida”, “reajustar a perspectiva”.
As palavras de Jesus poderiam entender-se assim: “Olhai se não tendes que rever e reajustar algo na vossa maneira de pensar e de actuar para que se cumpra em vós o projecto de Deus de uma vida mais humana”.
Converter-nos é “libertar a vida” eliminando medos, egoísmos, tensões e escravidões que nos impedem crescer de maneira sadia e harmoniosa.
“Convertei-vos e acreditai na Boa Notícia”, convida-nos a descobrir a conversão como passo para uma vida mais plena e gratificante.

José Antonio Pagola.
O caminho aberto por Jesus

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Afetos


(…)
Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios. (...)


A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas
que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os
outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido
mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.


Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.

 P. José Tolentino Mendonça (excerto)

Foto - Steve McCurry

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Amizade


Deixo a foto de um amigo jesuíta, que no México, a fazer uma parte da sua formação, hoje se faz presença de amizade neste quadro de beleza natural. 
Enquanto permaneceu na nossa cidade, foi "mestre" em me recordar diversas vezes que a "bondade é firme e o amor é exigente", que é importante que amemos os outros, contemos com os outros, invistamos nos outros mas sempre sem criar expectativas... e preparados para os resultados da fragilidade humana. Todos somos de ouro, mas vivemos vestidos de muito barro.

Aqui ficam estas palavras que hoje me soam a verdade,  a vidas que se cruzam e permanecem na memória para sempre.


(Foto padre Francisco Rodrigues, sj)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


A árvore foi a forma de te ver
E desci para abrir a casa.
De me teres visitado e avistado
Entre os ramos
Fizeste-me passagem
Da folha ao voo do pássaro
Do sol à doçura do fruto.
Para me encontrares me deste
A pequenez.

Daniel Faria

domingo, 29 de janeiro de 2012

A estrada das hortênsias



Diante da beleza que ultrapassa os meus sonhos... olho, medito e fico em silêncio, participo do silêncio que acontece enquanto caminho na "estrada das Hortênsias".
Seja esta maneira de estar e olhar, um ponto de partida para o encontro com Deus neste domingo em que a saudade existe como forma  e fonte de amor e de relação. Mãe, temos saudades!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Foram ver onde morava..."


Fazia algumas pesquisas para um trabalho de catequese e eis que esta imagem surge diante do meu olhar prendendo a minha atenção.
Desejo muito partilhá-la no meu blogue porque ela me fala de Deus, me diz respeito, porque implica a minha existência, os meus desejos mais íntimos e a minha fé por vezes tão frágil. Tudo o que aqui acontece, tudo o que se vê nesta foto em aparente fragilidade,  mostra implícita toda a força do mundo.
Sim! Moro aqui... E estou contigo em todas as situações em especial, em especial... nos limites da tua existência... E eu respondo hoje: Sim! É dessa certeza que eu vivo. "Em Ti ponho a minha confiança".
Alice

domingo, 22 de janeiro de 2012

Abri a minha varanda


“... Todos começamos assim, como um dom que confirma a vida como graça. Admiravelmente, esta origem é tão frágil e tão promissora. Cada bebé que venha a este mundo é apresentado à luz como dádiva. Por isso, poderá viver de gratidão, honrando para sempre a sua origem.
Ninguém dá, a si mesmo, a vida. Cada um é trazido de muito longe, como fruto de uma longa memória. E o fruto de um ventre que o sentiu e o plasmou num corpo único”.
(“A graça e o custo da existência, P. José Frazão, SJ)

Relia este artigo de um amigo e detive-me nesta parte que cito, sugerindo ao meu pensamento e ao meu coração,  se deixassem tocar pela memória do meu nascimento, do ventre que me sentiu e plasmou, mas também da dádiva que me foi feita ao nascer, qual “imposição” que me tornou num ser em busca constante de razões para amar, um ser em busca da felicidade, sendo que nessa busca,  intuo-me feliz, torno-me já feliz…
É domingo, o sol entra pelas janelas da nossa casa como que a presentear-nos e a dar-nos vida,  neste dia do Senhor da Vida.
Abro a varanda e deixo que esta luz me toque… deixo que estes raios de ternura “quente” circulem e se estendam por toda a casa, para que Tu, possas entrar e permanecer.
Há uma semana eu questionava-te “onde moras Senhor” e então, de novo, tu me desafiavas: “Vem ver” Precisas de ver para saber…
Sim,  eu fui e vi, mas preciso voltar, preciso saborear esta relação que se torna vital, que implica a minha vida e me faz correr alguns riscos.
Mas hoje digo-te Senhor: Abri a minha varanda, abri a minha casa e abro-Te o meu coração. Vem morar comigo, vem ficar comigo…

Alice



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Exercicíos Espirituais


Este é um pequeno recanto que me é muito caro

Volto aqui, na realidade da minha casa, da minha família e da minha vida quotidiana, da qual faz parte também o computador e com ele a possibilidade de me ligar ao mundo e de comunicar… também pela oração, pela partilha e pela experiência de tanto amor recebido e ofertado durante os últimos três dias. Não o faço sem antes ter agradecido ao Senhor o tempo de "apartamento" em Soutelo que toca ainda todo o meu ser.

Da Mara Alexandra, me chegaram estas fotos, e com elas um pouco mais da do Amor de Deus manifestado em tanta beleza já conhecida e pressentida, mas que não me é acessível agora pelo toque, por motivos simples e muito óbvios, mas que não me tiraram o desejo do Encontro com o Criador.