sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Caminho




Na solidão que por vezes preenche os meus momentos, Deus está presente como um oceano de ternura…  Sem se intrometer em nada faz-se presente e nada temo porque Ele me ama.
Sinto que de vez em quando se agudiza a saudade e a falta da minha mãe, sobretudo em momentos mais marcantes da nossa vida, como foi o meu aniversário. 
E assim faço caminho...




Foto de um amigo - Açores


domingo, 30 de setembro de 2012

Pôr-do-sol em tempo de férias






Este foi o tempo de ter tempo…
Para rezar e para contemplar,
para falar e para silenciar,
para passear e para descansar,
para receber e para dar,
para a vida e para a saudade,
tempo para o dia e para a noite…

Uns breves dias de férias no interior alentejano vendo nascer ou pôr o sol... olhando a natureza simples e bela, com algumas marcas de fim de verão já visíveis a imprimir-lhe uma tonalidade de que se misturava entre o princípio e fim, entre permanecer ou ficar...
Experimentei a gratuidade de tudo o que nos rodeia e a certeza de que tudo é um dom que nos é oferecido.


Fotos tiradas por mim

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pensamentos sobre a fé



O dom de Deus acolhido pela fé restitui cada um ao segredo da existência que é o amor...

A fé desenha-se entre duas existências, a de Deus e a de cada homem e cada mulher…

Sempre que temos a coragem de nos expor Àquele que se nos expõe a fé acontece...

"A fé dom frágil " P. JFrazão, sj

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Passar para a outra margem



«Passemos para a outra margem» (Mc 4,35), diz Jesus aos seus discípulos, aí descansaremos…

Este convite que releio, aumenta alguns dos meus anseios e acompanha sonhos da minha vida presente, ao mesmo tempo que fortalece a minha espera num futuro mais fecundo e promissor.
Fruto da oração e da escuta, sinto que me vou preparando aos poucos e um dia, finalmente, a tua mão me ajudará a fazer o caminho, a travessia maior…
O meu passo lento e arrastado, por momentos mais será leve, mais suave, menos doloroso e a "tal" ponte está lá, só preciso encontrar o local da passagem.
Caminho já nesse sentido, caminho em silêncio procurando fazê-lo com simplicidade como quem sabe que em todo o lugar é possível o amor. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Liberdade




Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andersen

Foto: Praia fluvial do Sameiro - Manteigas

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Eu e Daniel Faria...

Diversas vezes tenho deixado aqui poemas de Daniel Faria, mas quem é ele afinal? Questão pertinente...
E é que eu também não sei bem explicar... conheci-o e fui aprendendo a amá-lo e ao lê-lo vou-o conhecendo melhor e identifico-me um pouco com ele, na sua fragilidade, no seu desejo de Deus e na poesia que tenho na alma e não sei escrever...  
Aqui fica pois o que hoje foi publicado no Secretariado da Cultura.


Daniel Faria: uma obra singular na poesia portuguesa contemporânea

Licenciou-se em Teologia e em Estudos Portugueses e ingressou no mosteiro beneditino de Singeverga, em Roriz, onde morreu precocemente, aos 28 anos. Em vida, publicou cinco livros de poemas, incluindo, dois fortíssimos, ambos editados pela Fundação Manuel Leão: "Explicação das Árvores e de Outros Animais" e "Homens Que São como Lugares Mal Situados". Postumamente, a mesma fundação publicou "Dos Líquidos".  

Nada daquilo que o poeta procura é uma evidência, e são várias as alusões à solidão do catre, à aflição e ao pavor de quem espera não se sabe o quê: «Não tinha nada donde vim. Aqui não encontrei/ O que tive e a cadeira não serve o meu repouso. (...)

Os poemas não escondem uma certa desolação, com a imagem recorrente da pedra, coisa inerte, com os pressentimentos de morte, ou com versos como estes: «O precipício não tem futuro ou desalento/ Mas um carreiro que atravessa as giestas e o trevo/ Um carreiro que chega ao seu destino/ Como a lenha podada ao fogo/ A madrugada aos olhos do mocho./ O desamparo não tem as mãos juntas/ Mas o peito dividido.» (...)

Daniel Faria reivindica uma certa capacidade cristã de compreender «o humano» enquanto categoria, sobretudo na sua infelicidade. E escreve sobre homens que são como lugares mal situados, como casas saqueadas, como caminhos barricados, como esconderijos de contrabandistas, como danos irreparáveis, como sítios desviados, como projetos de casas. Esses homens (e mulheres) usam as personagens bíblicas como exemplos, patriarcas como Abraão, profetas como Elias, amigos como David e Jónatas, mães improváveis como Sara ou Raquel, ressuscitados como Lázaro, quase ressuscitado como Jonas, a mulher adúltera perdoada, o filho pródigo recompensado, e até Zaqueu, que subiu a uma árvore para ver Jesus.

Mais do que uma poesia "católica", esta é uma poesia "bíblica", porque encontra nas Escrituras todos os «lugares» do humano, todas as tribulações e redenções. (...) Faria descreve-se como um cego que fala do que vê, daquilo que vê num «pensamento» atuante, que transforma, que se transforma. (...) 
É uma alegria sofrida, uma certeza magoada, uma plenitude frágil.

Quando o poeta escreve que ninguém lhe ensinou aquilo, «fui eu que descobri», quer dizer que a experiência poética pode vir da Bíblia mas que a experiência humana é dele.(...)   O Deus de Daniel Faria tanto é velho-testamentário, terrível, como o Deus dos Evangelhos, um Deus que acompanha: «Desataste-nos do pó desfivelando as sandálias/ Tu caminhas sobre os nossos pensamentos.»

A poesia de Daniel Faria pertence ao seu tempo, porque supõe um vazio ou uma ausência. Mas é também "inatual", e por isso marcante, porque descobre um sentido, um sentido que religa. Faria acreditava que no princípio era o verbo, uma convicção tão religiosa quanto poética: «É ele que conserva o mecanismo dos pássaros/ É ele que move os moleiros quando param os moinhos/ É ele que puxa a corda dos bois e a linha/ Do céu que assinala os limites dos montes// Ele é que eleva o corpo dos santos, é ele/ Que amestra o pólen para o mel, ele decide/ A medida da flor na farinha/ Ele deixa-nos tocar a orla dos seus mantos.»

Pedro Mexia 
Expresso (Atual), 28.7.2012 
http://www.snpcultura.org/
Pintura de Claude Monet-lirios

quinta-feira, 19 de julho de 2012

"Se fores pelo centro de ti mesmo"



" Se fores pelo centro de ti mesmo..." Deixar-te-ás encontrar, cada vez mais, pelo Senhor. 
É um eco que permanece em mim e me tem acompanhado nos últimos dias. Depois de três dias de silêncio, oração e reflexão em Soutelo... Exercícios Espirituais em grupo, mas orientados de forma que cada um faça o seu caminho, para melhor se encontrar consigo próprio em Deus e com Deus. 

Em cada momento de encontro recebíamos algo, que para mim, tinha sabor a um presente de amizade e bem. Imagino que vindo da parte de Deus... E embrulhado conforme as suas diferentes cores e modelos. Continham uma frase ou um poema de Daniel Faria, alguém que com a sua poesia me ajuda a percorrer caminhos.
Depois o regresso ao quotidiano, onde tudo permanece igual: o trabalho, as alegrias, as dificuldades, e até algumas dores... Só que já não parto do mesmo sítio! Não sei ainda bem de que ponto estou a re-partir, mas sei que se reflete naquilo que em mim se comunica e se relaciona... Talvez quem sabe? De novos lugares de liberdade.

Esta frase faz parte do título de um dos livros do Daniel.
A imagem é de um PowerPoint

Nota importante: "Os poemas de Daniel Faria são, sobretudo, um espaço de diálogo com o mundo, com outros e com o Outro que é Deus. Não estamos, porém, perante uma poesia “religiosa” ou “espiritual”, mas sim face a uma poesia cuja unidade é a unidade do próprio autor enquanto pessoa que pensa e sente, acredita e constrói, aproxima-se e afasta-se, numa lúcida transparência de quem sabe que está a escrever poesia e que tem consciência sóbria do seu valor."

quarta-feira, 11 de julho de 2012



por National Geographic Society


"Só quem faz bem as pequenas coisas é capaz de fazer também as grandes, disse alguém". 
Acredito nisso e acredito que é nos pequenos gestos que revelamos a nossa alma, a nossa alegria de viver e a nossa capacidade de perdoar e de amar.
Hoje ao ouvir o passo a rezar e ao ver esta imagem simples e bonita, tive a certeza de que continuo a sonhar e a acreditar que vale a pena viver e oferecer a vida sem esperar ou desejar o “retorno”. 
Mas quão difícil e exigente isso é e como eu sei!
No entanto sinto-me um pouco como um elo de ligação e uma força para alguns continuarem, mesmo que eu própria o não sinta assim com tanta clareza.
Muito raramente saio sem um sorriso que ajude a sustentar as razões da minha fé e a certeza de que sou muito amada por Deus.
Amanhã começarei um breve tempo de retiro em silêncio, 3 dias de paragem, de estar, de alimentar cada vez mais e com mais verdade aquilo que vou deixando escrito por aqui. 
Não vou poder levar a cadeira de rodas que me ajudaria a dar uma volta pela quinta, mas não faz mal, tudo o que possa ser... é bom.


sábado, 7 de julho de 2012

Ontem ouvi o barulho do mar



Estava cansada e fui deitar-me mais cedo, senti que precisava rezar um pouco, respirar fundo e atenuar a agitação de uma sexta-feira que fora cansativa. No mp3 tenho algumas coisas gravadas, sobretudo músicas que gosto de ouvir e me ajudam a serenar e a examinar o meu dia. 
E foi assim que escutei o barulho suave do mar como se estivesse próximo de mim, como se o pudesse tocar e cheirar. Deixei-me levar por esta, “quase” realidade, de um momento que se tornou cheio de recordações e afetos, cheio de amor e de presença...
Adormeci feliz!


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Chamo-Te



Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Foto Zilda, campo de tremoços no Alentejo
ao regressarmos do Hospital de Montemor o Novo

domingo, 17 de junho de 2012

Um Deus que actua na história...


“Dorme e levanta-se noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como”(S. Marcos 4,27)

A semente foi semeada nos campos da nossa terra, no nosso quintal, no vaso das nossas varandas… Alguém disse um dia que foi semeada numa sexta-feira Santa… É por isso que nunca poderemos deter a força desta semente.



sábado, 16 de junho de 2012

Entrega sempre a tua beleza

Venho poucas vezes, falta o tempo, falta entrega e generosidade, falta beleza, faltam palavras. Não sei se amo ou se perdi a capacidade de amar, se vejo a beleza  das coisas que me rodeiam ou fecho os olhos diante delas,  mas sei que vivo e Deus vive em mim. Sinto desejo de voltar a ser alegre e a deixar-me  queimar pelo sol, de dizer de mim o que em mim permanece de verdade, mas calo-me, porque esqueci o que sabia de mim. 

As minhas pernas estão mais fracas em cada dia, com frequência caio sem me magoar demasiado, porque ando devagar. Só posso, só devo andar devagar. Os músculos descontrolam-se ao sabor de um simples toque ainda que seja de ternura. De tudo o que fui, ficou a mulher frágil e desajeitada que sou... Da mulher que apesar de tudo, se entrega à vida, sem cálculos, sem muitas palavras, tal como diz o poema de Rilke. 
Tenho um amigo, cujas coisas gosto de reler e de vez em quando, que diz: "A vida de Jesus, a força dos seus gestos, atesta que Deus é dom incondicional de si para a vida de todos... é esta a verdade que salva". 
Hoje fico diante desta verdade que me salva, sem mais... e porque sinto que é preciso perder tudo para ganhar de novo. 


 


Entrega sempre a tua beleza
sem cálculo, sem palavras.
Calas-te. E ela diz por ti: eu sou.
E com mil sentidos chega,
chega finalmente a cada um.

Rainer Maria Rilke, 
in “O Livro das Imagens"


Foto de José Romano
A lagoa dos cântaros - Serra da Estrela

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tocar a outra margem...


Recolho esta imagem de um powerpoint e guardo-a, ela tem sentido para mim.
Ao celebrar este acontecimento de fé que é a vinda do Espírito Santo, entre os limites do meu entendimento, da minha fé e sobretudo de poder verbalizar emoções tão intimas, perguntava-me como sempre: afinal o que é o espírito santo para mim? Como o sinto? Como vivo a sua presença ou não?
A resposta demora... É preciso parar, respirar fundo, ligar-me à Vida que me sustenta, é preciso... É preciso que tudo seja pensado de novo...
Deito-me cansada e no silêncio do meu quarto, deixo-me envolver nestes pensamentos até ao momento do abraço que memorizo para não perder de vista, do abraço que me dá força e me faz desejar ser livre, que me aumenta a fé e a esperança e me traz à mente este poema que vos deixo, porque agora o entendo à minha medida… Na "outra margem", está uma mão que acolhe, um vento que sopra levemente, uma luz que brilha, uma flor que desabrocha... apenas porque eu existo.

Não fui margem sem outra margem onde ligar os braços
Mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos
E o movimento dos teus pés descalços
Não fui a solidão inteira nem reclusa
Daniel Faria

domingo, 6 de maio de 2012

Amo-te Mãe

Mãe, hoje está sol e o sol aquece e dá vida.
As tuas violetas chegaram e trazem sinais da tua presença entre nós. Como te sentimos próxima nesta ausência!
Serás sempre a nossa "Violeta" mais bela, e dela cuidaremos como cuidávamos de ti até o sono nos vencer  e... Até à hora em que quiseste partir para junto do Pai, porque a tua missão tinha acabado aqui neste espaço onde o corpo se move e se relaciona, onde o corpo se toca e se deixa tocar, para que o coração e a alma tenham vida e sintam vibrar o amor. Repito mãe: "No princípio está o dom e no fim o abraço..." E tu estás a receber  esse abraço que só em Deus atinge a plenitude.




sexta-feira, 20 de abril de 2012

poema



Não fui margem sem outra margem onde ligar os braços
Mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos
E o movimento dos teus pés descalços
Não fui a solidão inteira nem reclusa
Para o único repouso entre o silêncio
Nem fui a flor exausta defendendo-se
De toda a mão que a quis despetalar
Não fui a casa que a si mesma se abrigou
Nem a morada que nunca se acolheu
Mas o tempo a pedir que me deixasse
Naquilo que não fui vim encontrar-me
E sempre que te vi recomecei
Daniel Faria

Não sou, mas sou... em todo o tempo e lugar!
E porque assim o desejo e o sonho, porque no silencio quero encontrar-me e encontrar-Te para recomeçar e porque o dia me devolve a luz que posso e quero partilhar, aqui fica este poema tão belo de Daniel Faria.



domingo, 8 de abril de 2012

"Eu sou o Alfa e o Omega, o Principio e fim..."


Ele está vivo, nos efeitos da sua presença.
Ele está vivo pelo Espírito que derrama nos nossos corações.
Ele está vivo, porque dá vida, ao que está morto.
Ele dá confiança aos que têm medo.
Ele perdoa aos que pecaram
Ele dá força aos fracos
Ele dá a Luz aos que a procuram,
Ele está vivo porque dá a Alegria ao que anda triste
Ele está vivo porque habita todos os lugares da minha terra.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Se a Cruz não me dissesse nada, não era nada para mim… Mas a cruz pode dizer-me tudo o que há a saber sobre Deus. É aí que tudo diz de Si mesmo, enquanto se faz gesto de amor por nós, sem nenhuma condição.
E diante da cruz, o silêncio é a única forma de expressão que me ocorre.



quinta-feira, 5 de abril de 2012



Hoje peço ao Senhor o dom da contemplação... Só assim poderei perceber o mistério da vida que me envolve.
Peço-lhe um olhar puro, e sobretudo um coração capaz de escutar e de ver Deus em cada pessoa, em cada realidade, em cada momento, em cada vida…
Peço-lhe que me ajude a descobri-Lo como Aquele que ama e que serve. Um Deus que me ama, me lava os pés e me pede para amar do mesmo modo.



Pintura de Marko Ivan Rupnik

domingo, 1 de abril de 2012

A semana santa, revela-nos o rosto e o amor que nos salva...


Quatro linhas sobre a cruz.
A primeira linha abre o silêncio
como os braços de Cristo na cruz.
A segunda linha abraça-te até que a voz que te fala
respire no interior da tua escuta.
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz
o fio de água para que nunca esqueças a única fonte.
A quarta linha é o próprio rastro d'Aquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz.
Daniel Faria