quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Passeio de fim de semana

Foi um maravilhoso passeio pelo Norte com os amigos da CVX. Momentos de convívio, de visitar ou revisitar lugares, de encontro com outros amigos e sobretudo de Encontro com Aquele que nos Congrega no Amor que a tudo dá sentido. Tive de me deslocar sempre em cadeira de rodas, o meus músculos em cada dia vão empobrecendo e não consigo caminhar quase nada. Fui no entanto muito mimada e por isso foi um tempo de ser feliz...
O Poema que fica de Daniel Faria, tem tanto da minha experiência que o deixo com muito gosto, só que  e porque os meus amigos assim o desejam..."Continuo eu própria a seguir o fio de água no olhar de quem amei"

Terraço da Casa da Torre em Soutelo
  
Braga - Jardim de Santa Bárbara
                                                      Braga - Capela da Árvore da vida

O LIVRO SEGUNDO DA NOITE ESCURA, DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Quando eu era uma criança de muletas
Estudei o alicerce de coisas paradas
Observei as coisas que se moviam
No olhar estático das coisas que meditam. Era cirúrgico
Como o homem que opera nas pupilas as artérias do seu próprio coração.
Estudei um peregrino e outro e outro. Estavam parados
Contemplavam os passos percorridos
No perímetro da meditação.
Anotei que os alicerces do movimento são líquidos
Constantes.
Primeiro líquido: a água, nas coisas altas as nuvens
E penso também nos rios. Segundo líquido: a saliva
Que curou os cegos. Terceiro líquido: o ar porque me lembro
Do relâmpago, da velocidade das coisas que caem. O sétimo líquido:
O sangue do cordeiro.

Quando eu era uma criança parada
Quando não andava numa cadeira de rodas a empurrar o corpo com 
                                                                                                           [as mãos
Estudei o movimento dos líquidos
Segui o derrame da semente ao morrer

Caminhasse eu porém e seguiria
O fio de água no olhar de quem amei. 

 Daniel Faria

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Porta para a VIDA


Disse Jesus aos seus discípulos: «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, não vão eles calcá-las aos pés e voltar-se para vos despedaçarem. Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam fazei-o também a eles, pois nisto consiste a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» 
Mateus 7, 6.12-14

«A porta que dá para a vida é estreita e o caminho que a ela conduz é apertado. Sim porque o amor, a verdadeira porta para a vida é sempre exigente, pede-nos muito, pede-nos tudo, pede-nos a morte, a morte a nós mesmos. Estranho caminho de vida este ao qual Jesus nos inicia, não te parece?» (do passo a rezar de  21-6-2011)

Esta reflexão tornou-se hoje um tempo de "relação amorosa" que confirma  a minha vida e o meu desejo de seguir o caminho que Deus, me mostra. Um caminho por vezes difícil que eu aceito percorrer, mas que ao mesmo tempo me oferece em cada manhã uma nova possibilidade de existir, de trabalhar, de lutar e de amar.
"Estranho caminho de vida ao qual Jesus nos inicia..." Sim estranho, singular e misterioso! Difícil de encontrar diz o Evangelho.
Tão estranho, tão misterioso, tão singular que me faz sentir sozinha, única e um pouco perdida numa existência que me parece não ter escolhido. No entanto, se me fosse dado escolher, não sei se escolheria outro lugar ou outra porta porque esta tem uma marca especial de paz e bem que está dentro de mim, embora muitas vezes se torne inacessível até ao meu próprio entendimento.
Alice


Foto de Zilda Sousa - antiga vila medieval de Sortelha


domingo, 14 de outubro de 2012

Magnólia



[...] Se puderes ficar em silêncio
Não te igualarás à magnólia, mas repousarás
Como o musgo que lhe cresce no tronco.»


(Daniel Faria)

Só pelo silêncio fecundo e cheio de Deus que, em silêncio me surpreende dia a dia com o Seu Amor...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Convite


O dia estava quente e no céu algumas manchas prateadas davam as boas vindas ao Outono.

O silêncio acentuava-se à medida que me aproximava. 

Sentei-me no chão como dantes, sabendo que o levantar seria difícil. Estas sequelas da pólio acentuam-se com o decorrer de cada dia que passa. Silencío qualquer dor que que distraia o meu pensamento do motivo que me fez vir a este local que, pela sua beleza e simplicidade, aquieta o meu espírito e me ajuda a sonhar. Sendo um lugar de saudade, é ao mesmo tempo um lugar que me faz feliz. Basta-me a Tua graça Senhor! 

E na limpidez do riacho que se torna espelho, na fragilidade dos ramos que lentamente e em silêncio se curvam pelo tempo, na simplicidade da casa que alberga o caminhante, Tu me ajudas a experimentar a riqueza de um silêncio profundo mas cheio de Vida.  

alice

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Caminho




Na solidão que por vezes preenche os meus momentos, Deus está presente como um oceano de ternura…  Sem se intrometer em nada faz-se presente e nada temo porque Ele me ama.
Sinto que de vez em quando se agudiza a saudade e a falta da minha mãe, sobretudo em momentos mais marcantes da nossa vida, como foi o meu aniversário. 
E assim faço caminho...




Foto de um amigo - Açores


domingo, 30 de setembro de 2012

Pôr-do-sol em tempo de férias






Este foi o tempo de ter tempo…
Para rezar e para contemplar,
para falar e para silenciar,
para passear e para descansar,
para receber e para dar,
para a vida e para a saudade,
tempo para o dia e para a noite…

Uns breves dias de férias no interior alentejano vendo nascer ou pôr o sol... olhando a natureza simples e bela, com algumas marcas de fim de verão já visíveis a imprimir-lhe uma tonalidade de que se misturava entre o princípio e fim, entre permanecer ou ficar...
Experimentei a gratuidade de tudo o que nos rodeia e a certeza de que tudo é um dom que nos é oferecido.


Fotos tiradas por mim

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pensamentos sobre a fé



O dom de Deus acolhido pela fé restitui cada um ao segredo da existência que é o amor...

A fé desenha-se entre duas existências, a de Deus e a de cada homem e cada mulher…

Sempre que temos a coragem de nos expor Àquele que se nos expõe a fé acontece...

"A fé dom frágil " P. JFrazão, sj

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Passar para a outra margem



«Passemos para a outra margem» (Mc 4,35), diz Jesus aos seus discípulos, aí descansaremos…

Este convite que releio, aumenta alguns dos meus anseios e acompanha sonhos da minha vida presente, ao mesmo tempo que fortalece a minha espera num futuro mais fecundo e promissor.
Fruto da oração e da escuta, sinto que me vou preparando aos poucos e um dia, finalmente, a tua mão me ajudará a fazer o caminho, a travessia maior…
O meu passo lento e arrastado, por momentos mais será leve, mais suave, menos doloroso e a "tal" ponte está lá, só preciso encontrar o local da passagem.
Caminho já nesse sentido, caminho em silêncio procurando fazê-lo com simplicidade como quem sabe que em todo o lugar é possível o amor. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Liberdade




Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andersen

Foto: Praia fluvial do Sameiro - Manteigas

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Eu e Daniel Faria...

Diversas vezes tenho deixado aqui poemas de Daniel Faria, mas quem é ele afinal? Questão pertinente...
E é que eu também não sei bem explicar... conheci-o e fui aprendendo a amá-lo e ao lê-lo vou-o conhecendo melhor e identifico-me um pouco com ele, na sua fragilidade, no seu desejo de Deus e na poesia que tenho na alma e não sei escrever...  
Aqui fica pois o que hoje foi publicado no Secretariado da Cultura.


Daniel Faria: uma obra singular na poesia portuguesa contemporânea

Licenciou-se em Teologia e em Estudos Portugueses e ingressou no mosteiro beneditino de Singeverga, em Roriz, onde morreu precocemente, aos 28 anos. Em vida, publicou cinco livros de poemas, incluindo, dois fortíssimos, ambos editados pela Fundação Manuel Leão: "Explicação das Árvores e de Outros Animais" e "Homens Que São como Lugares Mal Situados". Postumamente, a mesma fundação publicou "Dos Líquidos".  

Nada daquilo que o poeta procura é uma evidência, e são várias as alusões à solidão do catre, à aflição e ao pavor de quem espera não se sabe o quê: «Não tinha nada donde vim. Aqui não encontrei/ O que tive e a cadeira não serve o meu repouso. (...)

Os poemas não escondem uma certa desolação, com a imagem recorrente da pedra, coisa inerte, com os pressentimentos de morte, ou com versos como estes: «O precipício não tem futuro ou desalento/ Mas um carreiro que atravessa as giestas e o trevo/ Um carreiro que chega ao seu destino/ Como a lenha podada ao fogo/ A madrugada aos olhos do mocho./ O desamparo não tem as mãos juntas/ Mas o peito dividido.» (...)

Daniel Faria reivindica uma certa capacidade cristã de compreender «o humano» enquanto categoria, sobretudo na sua infelicidade. E escreve sobre homens que são como lugares mal situados, como casas saqueadas, como caminhos barricados, como esconderijos de contrabandistas, como danos irreparáveis, como sítios desviados, como projetos de casas. Esses homens (e mulheres) usam as personagens bíblicas como exemplos, patriarcas como Abraão, profetas como Elias, amigos como David e Jónatas, mães improváveis como Sara ou Raquel, ressuscitados como Lázaro, quase ressuscitado como Jonas, a mulher adúltera perdoada, o filho pródigo recompensado, e até Zaqueu, que subiu a uma árvore para ver Jesus.

Mais do que uma poesia "católica", esta é uma poesia "bíblica", porque encontra nas Escrituras todos os «lugares» do humano, todas as tribulações e redenções. (...) Faria descreve-se como um cego que fala do que vê, daquilo que vê num «pensamento» atuante, que transforma, que se transforma. (...) 
É uma alegria sofrida, uma certeza magoada, uma plenitude frágil.

Quando o poeta escreve que ninguém lhe ensinou aquilo, «fui eu que descobri», quer dizer que a experiência poética pode vir da Bíblia mas que a experiência humana é dele.(...)   O Deus de Daniel Faria tanto é velho-testamentário, terrível, como o Deus dos Evangelhos, um Deus que acompanha: «Desataste-nos do pó desfivelando as sandálias/ Tu caminhas sobre os nossos pensamentos.»

A poesia de Daniel Faria pertence ao seu tempo, porque supõe um vazio ou uma ausência. Mas é também "inatual", e por isso marcante, porque descobre um sentido, um sentido que religa. Faria acreditava que no princípio era o verbo, uma convicção tão religiosa quanto poética: «É ele que conserva o mecanismo dos pássaros/ É ele que move os moleiros quando param os moinhos/ É ele que puxa a corda dos bois e a linha/ Do céu que assinala os limites dos montes// Ele é que eleva o corpo dos santos, é ele/ Que amestra o pólen para o mel, ele decide/ A medida da flor na farinha/ Ele deixa-nos tocar a orla dos seus mantos.»

Pedro Mexia 
Expresso (Atual), 28.7.2012 
http://www.snpcultura.org/
Pintura de Claude Monet-lirios

quinta-feira, 19 de julho de 2012

"Se fores pelo centro de ti mesmo"



" Se fores pelo centro de ti mesmo..." Deixar-te-ás encontrar, cada vez mais, pelo Senhor. 
É um eco que permanece em mim e me tem acompanhado nos últimos dias. Depois de três dias de silêncio, oração e reflexão em Soutelo... Exercícios Espirituais em grupo, mas orientados de forma que cada um faça o seu caminho, para melhor se encontrar consigo próprio em Deus e com Deus. 

Em cada momento de encontro recebíamos algo, que para mim, tinha sabor a um presente de amizade e bem. Imagino que vindo da parte de Deus... E embrulhado conforme as suas diferentes cores e modelos. Continham uma frase ou um poema de Daniel Faria, alguém que com a sua poesia me ajuda a percorrer caminhos.
Depois o regresso ao quotidiano, onde tudo permanece igual: o trabalho, as alegrias, as dificuldades, e até algumas dores... Só que já não parto do mesmo sítio! Não sei ainda bem de que ponto estou a re-partir, mas sei que se reflete naquilo que em mim se comunica e se relaciona... Talvez quem sabe? De novos lugares de liberdade.

Esta frase faz parte do título de um dos livros do Daniel.
A imagem é de um PowerPoint

Nota importante: "Os poemas de Daniel Faria são, sobretudo, um espaço de diálogo com o mundo, com outros e com o Outro que é Deus. Não estamos, porém, perante uma poesia “religiosa” ou “espiritual”, mas sim face a uma poesia cuja unidade é a unidade do próprio autor enquanto pessoa que pensa e sente, acredita e constrói, aproxima-se e afasta-se, numa lúcida transparência de quem sabe que está a escrever poesia e que tem consciência sóbria do seu valor."

quarta-feira, 11 de julho de 2012



por National Geographic Society


"Só quem faz bem as pequenas coisas é capaz de fazer também as grandes, disse alguém". 
Acredito nisso e acredito que é nos pequenos gestos que revelamos a nossa alma, a nossa alegria de viver e a nossa capacidade de perdoar e de amar.
Hoje ao ouvir o passo a rezar e ao ver esta imagem simples e bonita, tive a certeza de que continuo a sonhar e a acreditar que vale a pena viver e oferecer a vida sem esperar ou desejar o “retorno”. 
Mas quão difícil e exigente isso é e como eu sei!
No entanto sinto-me um pouco como um elo de ligação e uma força para alguns continuarem, mesmo que eu própria o não sinta assim com tanta clareza.
Muito raramente saio sem um sorriso que ajude a sustentar as razões da minha fé e a certeza de que sou muito amada por Deus.
Amanhã começarei um breve tempo de retiro em silêncio, 3 dias de paragem, de estar, de alimentar cada vez mais e com mais verdade aquilo que vou deixando escrito por aqui. 
Não vou poder levar a cadeira de rodas que me ajudaria a dar uma volta pela quinta, mas não faz mal, tudo o que possa ser... é bom.


sábado, 7 de julho de 2012

Ontem ouvi o barulho do mar



Estava cansada e fui deitar-me mais cedo, senti que precisava rezar um pouco, respirar fundo e atenuar a agitação de uma sexta-feira que fora cansativa. No mp3 tenho algumas coisas gravadas, sobretudo músicas que gosto de ouvir e me ajudam a serenar e a examinar o meu dia. 
E foi assim que escutei o barulho suave do mar como se estivesse próximo de mim, como se o pudesse tocar e cheirar. Deixei-me levar por esta, “quase” realidade, de um momento que se tornou cheio de recordações e afetos, cheio de amor e de presença...
Adormeci feliz!


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Chamo-Te



Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Foto Zilda, campo de tremoços no Alentejo
ao regressarmos do Hospital de Montemor o Novo

domingo, 17 de junho de 2012

Um Deus que actua na história...


“Dorme e levanta-se noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como”(S. Marcos 4,27)

A semente foi semeada nos campos da nossa terra, no nosso quintal, no vaso das nossas varandas… Alguém disse um dia que foi semeada numa sexta-feira Santa… É por isso que nunca poderemos deter a força desta semente.



sábado, 16 de junho de 2012

Entrega sempre a tua beleza

Venho poucas vezes, falta o tempo, falta entrega e generosidade, falta beleza, faltam palavras. Não sei se amo ou se perdi a capacidade de amar, se vejo a beleza  das coisas que me rodeiam ou fecho os olhos diante delas,  mas sei que vivo e Deus vive em mim. Sinto desejo de voltar a ser alegre e a deixar-me  queimar pelo sol, de dizer de mim o que em mim permanece de verdade, mas calo-me, porque esqueci o que sabia de mim. 

As minhas pernas estão mais fracas em cada dia, com frequência caio sem me magoar demasiado, porque ando devagar. Só posso, só devo andar devagar. Os músculos descontrolam-se ao sabor de um simples toque ainda que seja de ternura. De tudo o que fui, ficou a mulher frágil e desajeitada que sou... Da mulher que apesar de tudo, se entrega à vida, sem cálculos, sem muitas palavras, tal como diz o poema de Rilke. 
Tenho um amigo, cujas coisas gosto de reler e de vez em quando, que diz: "A vida de Jesus, a força dos seus gestos, atesta que Deus é dom incondicional de si para a vida de todos... é esta a verdade que salva". 
Hoje fico diante desta verdade que me salva, sem mais... e porque sinto que é preciso perder tudo para ganhar de novo. 


 


Entrega sempre a tua beleza
sem cálculo, sem palavras.
Calas-te. E ela diz por ti: eu sou.
E com mil sentidos chega,
chega finalmente a cada um.

Rainer Maria Rilke, 
in “O Livro das Imagens"


Foto de José Romano
A lagoa dos cântaros - Serra da Estrela

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tocar a outra margem...


Recolho esta imagem de um powerpoint e guardo-a, ela tem sentido para mim.
Ao celebrar este acontecimento de fé que é a vinda do Espírito Santo, entre os limites do meu entendimento, da minha fé e sobretudo de poder verbalizar emoções tão intimas, perguntava-me como sempre: afinal o que é o espírito santo para mim? Como o sinto? Como vivo a sua presença ou não?
A resposta demora... É preciso parar, respirar fundo, ligar-me à Vida que me sustenta, é preciso... É preciso que tudo seja pensado de novo...
Deito-me cansada e no silêncio do meu quarto, deixo-me envolver nestes pensamentos até ao momento do abraço que memorizo para não perder de vista, do abraço que me dá força e me faz desejar ser livre, que me aumenta a fé e a esperança e me traz à mente este poema que vos deixo, porque agora o entendo à minha medida… Na "outra margem", está uma mão que acolhe, um vento que sopra levemente, uma luz que brilha, uma flor que desabrocha... apenas porque eu existo.

Não fui margem sem outra margem onde ligar os braços
Mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos
E o movimento dos teus pés descalços
Não fui a solidão inteira nem reclusa
Daniel Faria

domingo, 6 de maio de 2012

Amo-te Mãe

Mãe, hoje está sol e o sol aquece e dá vida.
As tuas violetas chegaram e trazem sinais da tua presença entre nós. Como te sentimos próxima nesta ausência!
Serás sempre a nossa "Violeta" mais bela, e dela cuidaremos como cuidávamos de ti até o sono nos vencer  e... Até à hora em que quiseste partir para junto do Pai, porque a tua missão tinha acabado aqui neste espaço onde o corpo se move e se relaciona, onde o corpo se toca e se deixa tocar, para que o coração e a alma tenham vida e sintam vibrar o amor. Repito mãe: "No princípio está o dom e no fim o abraço..." E tu estás a receber  esse abraço que só em Deus atinge a plenitude.




sexta-feira, 20 de abril de 2012

poema



Não fui margem sem outra margem onde ligar os braços
Mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos
E o movimento dos teus pés descalços
Não fui a solidão inteira nem reclusa
Para o único repouso entre o silêncio
Nem fui a flor exausta defendendo-se
De toda a mão que a quis despetalar
Não fui a casa que a si mesma se abrigou
Nem a morada que nunca se acolheu
Mas o tempo a pedir que me deixasse
Naquilo que não fui vim encontrar-me
E sempre que te vi recomecei
Daniel Faria

Não sou, mas sou... em todo o tempo e lugar!
E porque assim o desejo e o sonho, porque no silencio quero encontrar-me e encontrar-Te para recomeçar e porque o dia me devolve a luz que posso e quero partilhar, aqui fica este poema tão belo de Daniel Faria.