quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Encontro

Na precariedade da matéria… 

nasceu!
O seu primeiro choro “absolve e certifica o mundo”.
É de incarnação que fala o infante, aquele que fala ainda não tem! E  porém, é a palavra.
Curiosamente, a gruta, testemunha do seu nascimento, é semelhante à cova da sua sepultura. Não nos enganemos! A beleza deste menino não é a de um paraíso de inocência ainda por provar, nem a de uma terra ainda por rasgar. O júbilo alegre da aurora conhece o grito angustiado da passagem. Ele já atravessou as dores do parto. Já sabe o que são as feridas do arado em terra seca e os rigores do silêncio invernal. É o mais belo dos filhos de homem, mas é homem de dores, “sem aparência nem beleza, diante de quem se tapa o rosto”. A inocência imaculada atravessou “a paixão da fidelidade e o fogo da prova”. Mas que fidelidade? Que prova? A fidelidade de Deus à nossa carne. A prova da solidariedade “a caro preço”.
Nas formas deste  mundo ressoam a verdade e a justiça que não-são-deste-mundo.
O que de mais verdadeiro e justo dirige os nossos afectos ecoa nas formas do mundo-que-existe. O Verbo diz-se na matéria. A precariedade e fragilidade da matéria diz o Verbo divino. Mas é grande a resistência à força da incarnação. Como é sempre pouco o cuidado pela força espiritual das nossas formas sensíveis. Mundos ideais de conhecimento e de pureza seduzem hoje, como ontem, com ensaios de plenitude que volta costas a este mundo, a este corpo, demasiado impuros, demasiado baixos. Como, ao invés, a tirania do orgânico e do funcional, do consumível e do útil, cala à paixão dos afectos e ao discernimento da inteligência a digna e frágil promessa que ecoa no mundo, sem ser porém deste mundo.
Mas o nascimento certifica-o, ele que, em dores de parto, espera. Amassado de estupor e de dor, de dom e de violência, de cuidado e de abandono, de louvor e de blasfémia, de reconhecimento e de rapto…espera sentir o Espírito enquanto dá vida na fragilidade das suas formas. E o Espírito, dando a Vida no corpo de uma mulher, confirma-lhe, com letras de fogo, o desejo inapagável de viver.
Nasceu! Em nós. Connosco. Emanuel. 
José Frazão, sj (2004)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Aniversário do Pai




Era o dia 23 e o aniversário do pai.
O Natal a chegar, a família reunida para a festa da vida,
e ainda alguns amigos mais próximos.
A nossa querida mãe e avó, está presente
pelo amor e pela memória... 
E se repararem até aparece em algumas fotos...















sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Deixar permanecer o Natal

Presépio dos amigos Zé e Vitor

Continuamos a viver em tempo de Natal e isso, deverá ser para todos, motivo de alegria.
A certeza de acordarmos em cada dia, acompanhados pelo Menino Deus, ajuda-nos a continuar a viver este tempo como um convite à  oração, à compreensão, à partilha e ao amor. Assim o desejo para mim e para todos.
Deixo um pequeno extracto de um livro que estou a ler, pode parecer que não tem nada a ver com o Natal que muitas vezes nós imaginamos, mas sim… O Natal existe e co-existe na amizade.

***
« Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada, oculto ainda na folhagem, ou o azul desamparado e irresistível que lhes serviu de motivo para a demanda. Há amigos que iniciam-nos na decifração do fogo, na escuta dos silêncios da terra, no entendimento de nós próprios. Há amigos que nos conduzem ao centro de bosques, à geografia de cidades, ao segredo que ilumina a penumbra do templo, à bondade de Deus.»

P. José Tolentino Mendonça - Nenhum caminho será longo 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal

Imagem: Natividade_William_Congdo  

"Hoje, imagino a Igreja como um presépio – lugar humano onde, em palavras e gestos, em arte e pensamento, se dá e se acompanha a gestação deste difícil milagre que é a vida. Uma gruta, talvez pouco digna, mas já com uma história extraordinária de dois milénios, onde cada um pode tomar o lugar que mais lhe convém. No centro, o Santíssimo exposto na nossa carne, no pão dos nossos sacrifícios e no vinho das nossas alegrias. Em redor, os anjos que cantam em todas as línguas. De joelhos, como Maria e José, com pastores e com magos, nós que O adoramos como nosso Senhor."
P. José Frazão, s.j.

Ao reler e ao olhar este acontecimento, fico sem palavras... Vejo um Deus que me dá possibilidade de o poder tocar, sentir, pressentir em tudo o que me rodeia, para me dizer que aqui onde estou, onde tu estás, onde está cada homem e cada mulher é possível ver a gruta de Belém e chegar ao coração do presépio. 
Diante deste Amor feito carne, que assim se expõe pobre e frágil, diante da minha  fragilidade e pobreza, também eu desejo ajoelhar e permanecer em silêncio.

Boas Festas de Natal para todos!   

Imagem: http://www.passo-a-rezar.net - dia de Natal

sábado, 22 de dezembro de 2012

Para haver Natal este natal




Para haver Natal este natal
talvez seja preciso reaprendermos
coisas tão simples!
Que as mãos preocupadas
com embrulhos
esquecem outros gestos de amor.
Que os votos rotineiros que trocamos
calam conversas que nos fariam melhor.
Que os símbolos apenas se amontoam
e soltam uma música triste
quando já não dizem
aquela verdade profunda.

Para haver Natal este natal
talvez seja preciso recordar
que as vidas começam e recomeçam
e tudo isso é nascimento (logo, Natal!).
Que as esperanças ganham sentido
quando se tornam caminhos e passos.
Que para lá das janelas cerradas
há estrelas que luzem
e há a imensidão do céu.

Talvez nos bastem coisas afinal
tão simples:
o alento dos reencontros
autênticos,
a oração como confiança
soletrada,
a certeza de que Jesus nasce
em cada ano,
para que o nosso natal alguma vez, esta vez,
seja Natal.

P. José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A caminho do presépio


E… neste mundo em que vivemos, cada um de nós, pode encontrar sinais, ter acesso à gruta de Belém porque ali verá o presépio. 
Alice

Imagem da net

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

VER o Natal no Advento


« O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.»
Mt 1, 18-25 

A liturgia de hoje propunha-nos este texto sobre o Nascimento de Jesus e ao ouvi-lo recordei a  pressa e a des-atenção com que tenho vivido estes últimos dias. 
Muito trabalho, poderia dizer... e então para quê? Onde está o essencial, aquilo que é verdade e por isso conduz à alegria e a uma espera tranquila que aos poucos me leve a Belém?
Ao olhar Maria e o Menino, ao ver a manjedoura, sinto-me pobre e desejo ser pobre... Sei que assim, Ele terá espaço e eu terei tempo...
De facto nada me faz falta hoje! De nada preciso mesmo que  algo no meu corpo esteja doente e me cause dor, só queria purificar o olhar para que o Advento me deixe VER o Natal.




domingo, 2 de dezembro de 2012

Maranathá



            É bom saber que esperas por todos!
Senhor, ninguém vive tão à espera como tu!

Na tua bondade esperas por todos:
pelos que estão longe e pelos que estão perto.

Pelos que se lembram
e pelos que têm o coração submerso no esquecimento mais fundo.
Pelos que todos os dias te rezam: ‘Vem Senhor’
e por aqueles cuja oração é uma ferida silenciosa, um tormento ou uma revolta.

É bom saber que esperas por todos.
E que na imensidão compassiva da Tua espera,
cada um pode reaprender o sentido verdadeiro da esperança.

                                         P. Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, 57.

domingo, 25 de novembro de 2012

JESUS É REI


À pergunta feita por Pilatos Jesus diz: “ Sim, eu sou rei! Mas o meu Reino não é deste mundo”. E Jesus mostrou-nos com a sua vida, isso mesmo. Não reina à maneira dos homens, o Seu reino é o do Amor, da Justiça e da Verdade.
De facto na Sua missão a verdade, a justiça, a paz e o bem, estiveram sempre presentes e foi mostrando a sua concepção e adesão ao Reino que nos anuncia. Assim, Jesus é de facto Rei, mas é rei de um reino diferente. 
É um rei que será despojado das suas coisas e apresentado sem qualquer beleza. A sua coroa será de espinhos e o manto será rasgado e mais tarde sorteado. Não vai conquistar nenhum Reino e não vai ter que representar...Porque “na Cruz Ele diz tudo o que tem a dizer de si próprio” e di-lo com o seu silêncio.
É este o REI em que acredito, é este o REI que move os meus sentimentos, toca a minha alma e dá sentido à minha vida.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

É tudo...

«O meu amigo não é outro que a metade de mim mesmo; antes ele é um outro eu de mim.»  Matteo Ricci


Tenho muitos amigos e por isso  coloco esta frase, que tirei de um  livro do P. Tolentino Mendonça: "Nenhum caminho será longo". Assim digo a muitos como são importantes na minha vida e o somos na vida uns dos outros.
Nestes "muitos" está incluída a minha família que acompanha e dá segurança ao meu dia-a-dia. 
É certo que gostei do livro pelo título e apresentação mas sei que escolhi bem, pois o tema toca o transcendente e o humano e tem também citações muito fortes e belas sobre a amizade. 
Foi com o António meu cunhado e a amiga Zilda, que ontem fui até Montemor-o-Novo, no interior Alentejano, pois é aí, no Hospital de S. João de Deus que fazem o aparelho que uso para poder caminhar. Regressámos ao fim da tarde e pudemos apreciar  a beleza do outono, com o vermelho e o amarelo de tantas árvores, a fazer largos corredores, como que a abrir-nos a passagem em gesto de acolhimento e despedida.
Penso que estes apoios que tanto nos ajudam a caminhar são pouco vistos, andam habitualmente disfarçados pela roupa. 
Pois compreendo... mas aqui está o meu, novinho em folha, correias novas, e... brilhante e... pesado!
Sei que, como sempre, me vai custar a adaptar,  mas seja o que for, será bom. É Tudo! (diria Daniel Faria). E eu digo também: é tudo, é o melhor, o que me equilibra um pouco mais, faz parte de mim,  é um pouco de mim...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A seiva



“A doçura de um fruto diz da bondade da árvore que o dá.
Um gesto de Amor diz da grandeza de uma Vida.
E diz da graça divina que tão forte e graciosamente a atravessa.
É esta seiva vital que a tua fé procura e a tua vida testemunha?”  
(um amigo) 




O fruto é medronho (tirado da net)

sábado, 10 de novembro de 2012

Vida + VIDA


Ontem foi o enterro da mãe de um bom amigo. É sacerdote e na missa falou da ressurreição de Lázaro, repetiu de uma forma bastante serena as palavras de Jesus: “Todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Acreditas nisto?” Jo. 11,26  
Dei-me conta de que aquela família, fazia uma despedida com esperança. 
No cemitério tudo me pareceu mais frio, como é meu hábito olho as campas e não me aproximo muito… Mas fiquei até ao fim…  
Conhecia pouco a srª. Maria José, sei que foi uma mulher que marcou a vida dos seus nove filhos e amigos.  Também não sei bem de que flores ela gostava, mas num dia de festa em que lá estive, vi que à volta da casa havia canteiros floridos dos quais tenho algumas fotos.  Deixo-lhe ficar os seus malmequeres, neste espaço de partilha. 
Esta é a oração que rezo ou canto muitas vezes, e também aqui fica mais uma vez. Creio mesmo, que no céu se encontraram estas duas mães e sorriram.

                     Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe.
Não tenho aqui morada permanente
Leva-me mais longe.

Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do Teu olhar?

Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a Luz que me ilumina
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da Tua luz divina.

Esquece os meus passos mal andados
Meu desamor perdoa e meu pecado
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado

Se Tu me dás a mão, não terei medo
Meus passos serão firmes no andar
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A santidade... em dia de todos os Santos



«A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, como uma possibilidade, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias».

Sophia de Mello Breyner "o retrato de Mónica"

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Passeio de fim de semana

Foi um maravilhoso passeio pelo Norte com os amigos da CVX. Momentos de convívio, de visitar ou revisitar lugares, de encontro com outros amigos e sobretudo de Encontro com Aquele que nos Congrega no Amor que a tudo dá sentido. Tive de me deslocar sempre em cadeira de rodas, o meus músculos em cada dia vão empobrecendo e não consigo caminhar quase nada. Fui no entanto muito mimada e por isso foi um tempo de ser feliz...
O Poema que fica de Daniel Faria, tem tanto da minha experiência que o deixo com muito gosto, só que  e porque os meus amigos assim o desejam..."Continuo eu própria a seguir o fio de água no olhar de quem amei"

Terraço da Casa da Torre em Soutelo
  
Braga - Jardim de Santa Bárbara
                                                      Braga - Capela da Árvore da vida

O LIVRO SEGUNDO DA NOITE ESCURA, DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Quando eu era uma criança de muletas
Estudei o alicerce de coisas paradas
Observei as coisas que se moviam
No olhar estático das coisas que meditam. Era cirúrgico
Como o homem que opera nas pupilas as artérias do seu próprio coração.
Estudei um peregrino e outro e outro. Estavam parados
Contemplavam os passos percorridos
No perímetro da meditação.
Anotei que os alicerces do movimento são líquidos
Constantes.
Primeiro líquido: a água, nas coisas altas as nuvens
E penso também nos rios. Segundo líquido: a saliva
Que curou os cegos. Terceiro líquido: o ar porque me lembro
Do relâmpago, da velocidade das coisas que caem. O sétimo líquido:
O sangue do cordeiro.

Quando eu era uma criança parada
Quando não andava numa cadeira de rodas a empurrar o corpo com 
                                                                                                           [as mãos
Estudei o movimento dos líquidos
Segui o derrame da semente ao morrer

Caminhasse eu porém e seguiria
O fio de água no olhar de quem amei. 

 Daniel Faria

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Porta para a VIDA


Disse Jesus aos seus discípulos: «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, não vão eles calcá-las aos pés e voltar-se para vos despedaçarem. Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam fazei-o também a eles, pois nisto consiste a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» 
Mateus 7, 6.12-14

«A porta que dá para a vida é estreita e o caminho que a ela conduz é apertado. Sim porque o amor, a verdadeira porta para a vida é sempre exigente, pede-nos muito, pede-nos tudo, pede-nos a morte, a morte a nós mesmos. Estranho caminho de vida este ao qual Jesus nos inicia, não te parece?» (do passo a rezar de  21-6-2011)

Esta reflexão tornou-se hoje um tempo de "relação amorosa" que confirma  a minha vida e o meu desejo de seguir o caminho que Deus, me mostra. Um caminho por vezes difícil que eu aceito percorrer, mas que ao mesmo tempo me oferece em cada manhã uma nova possibilidade de existir, de trabalhar, de lutar e de amar.
"Estranho caminho de vida ao qual Jesus nos inicia..." Sim estranho, singular e misterioso! Difícil de encontrar diz o Evangelho.
Tão estranho, tão misterioso, tão singular que me faz sentir sozinha, única e um pouco perdida numa existência que me parece não ter escolhido. No entanto, se me fosse dado escolher, não sei se escolheria outro lugar ou outra porta porque esta tem uma marca especial de paz e bem que está dentro de mim, embora muitas vezes se torne inacessível até ao meu próprio entendimento.
Alice


Foto de Zilda Sousa - antiga vila medieval de Sortelha


domingo, 14 de outubro de 2012

Magnólia



[...] Se puderes ficar em silêncio
Não te igualarás à magnólia, mas repousarás
Como o musgo que lhe cresce no tronco.»


(Daniel Faria)

Só pelo silêncio fecundo e cheio de Deus que, em silêncio me surpreende dia a dia com o Seu Amor...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Convite


O dia estava quente e no céu algumas manchas prateadas davam as boas vindas ao Outono.

O silêncio acentuava-se à medida que me aproximava. 

Sentei-me no chão como dantes, sabendo que o levantar seria difícil. Estas sequelas da pólio acentuam-se com o decorrer de cada dia que passa. Silencío qualquer dor que que distraia o meu pensamento do motivo que me fez vir a este local que, pela sua beleza e simplicidade, aquieta o meu espírito e me ajuda a sonhar. Sendo um lugar de saudade, é ao mesmo tempo um lugar que me faz feliz. Basta-me a Tua graça Senhor! 

E na limpidez do riacho que se torna espelho, na fragilidade dos ramos que lentamente e em silêncio se curvam pelo tempo, na simplicidade da casa que alberga o caminhante, Tu me ajudas a experimentar a riqueza de um silêncio profundo mas cheio de Vida.  

alice

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Caminho




Na solidão que por vezes preenche os meus momentos, Deus está presente como um oceano de ternura…  Sem se intrometer em nada faz-se presente e nada temo porque Ele me ama.
Sinto que de vez em quando se agudiza a saudade e a falta da minha mãe, sobretudo em momentos mais marcantes da nossa vida, como foi o meu aniversário. 
E assim faço caminho...




Foto de um amigo - Açores


domingo, 30 de setembro de 2012

Pôr-do-sol em tempo de férias






Este foi o tempo de ter tempo…
Para rezar e para contemplar,
para falar e para silenciar,
para passear e para descansar,
para receber e para dar,
para a vida e para a saudade,
tempo para o dia e para a noite…

Uns breves dias de férias no interior alentejano vendo nascer ou pôr o sol... olhando a natureza simples e bela, com algumas marcas de fim de verão já visíveis a imprimir-lhe uma tonalidade de que se misturava entre o princípio e fim, entre permanecer ou ficar...
Experimentei a gratuidade de tudo o que nos rodeia e a certeza de que tudo é um dom que nos é oferecido.


Fotos tiradas por mim