sábado, 30 de março de 2013

Silêncio, intimidade,

Mãe e Filho no Calvário

Silêncio, intimidade, sofrimento e paz… O filho perseguido, maltratado e acabado de morrer na cruz, é-lhe entregue por alguns instantes. O abraço parece conter em si todo o sofrimento do mundo. Maria é mãe e sofre mas entrega-se Ela também porque acredita no Amor e vive na fidelidade a Deus. Hoje anuncia-se o começo de uma Vida Nova, a Vida que não acaba e é fruto do amor levado até ao fim.

Pintura de Sierge Koder  


sexta-feira, 29 de março de 2013

Semana Santa - Eis o Homem!


Três pessoas.
Três mundos
em julgamento!

Mãos possessivas,
seguram os rolos da  Lei.
Olhos vazios, alheados.

A verdade?
Por detrás dessa máscara,
a verdade que não se quer ver.
Na realidade podemos ser todos nós,
quando manipulamos o Evangelho para justificar  o alheamento do que nos rodeia. Quando silenciamos as injustiças, para mantermos, a todo o custo, “as nossas mãos limpas”.
Lavar as mãos, sujando de sangue a água pura.

Eis o Homem!
O servo obediente,
mudo como um cordeiro,
oferecido à violência.
O coração em Paz.
Eis-me aqui, para fazer a tua vontade!

Rina Risitano

Imagens: Koder

quinta-feira, 28 de março de 2013

Semana Santa - Lava pés



«Jesus levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura».

«Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

Misterioso este gesto, e cheio de grandeza e humildade, de significado e de entrega. Jesus aos meus pés dizendo-me que me deixe amar querendo ensinar-me como se oferece a vida livremente, sem reservas e sem esperar ou desejar nada em troca… Ponho-me diante de Jesus que me lava os pés e dou-me conta de que a Eucaristia que celebramos, é esta atitude de Jesus prolongada continuamente,  para se encontrar connosco e fazer parte da nossa vida. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Semana Santa - reflexão e poesia

Começámos hoje a Semana Santa. O Domingo de Ramos é uma celebração muito forte e cheia de significado, apelos interiores e de desejos viver e crescer na fé. Também nós/eu, tínhamos ramos e cantámos “Hossana ó Filho de David” como os que aclamaram a entrada de Jesus em Jerusalém.

“A fé vive de afecto…” E, como assim o creio, também eu me quero deixar tocar afectivamente por este acontecimento e torná-lo Vida em mim.  

Sei que esta festa rapidamente se tornou para Jesus em condenação e que levará Jesus até à morte e dou-me conta de não me é estranha esta forma de actuar. Quando tudo está bem aplaudimos e o contrário acontece imediatamente quando se quebram as nossas expectativas. Aí a fragilidade e a falta de confiança vêem ao de cima com uma força que é atroz e que dói.

Hoje ao ouvir a leitura da Paixão (de S. Lucas), percebi os silêncios de Jesus. A partir do meio da narração as Suas palavras começaram a ser cada vez mais escassas: «Vós mesmos dizeis que Eu sou». «Tu o dizes». «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».


É este Jesus que vemos diante de Caifás que, agora zangado, levanta a mão Àquele se torna uma ameaça ao seu poder. Jesus apresenta-se como uma alternativa à verdade de Caifás, uma alternativa de amor verdadeiro… E fala de coisas diferentes, tem gestos de compaixão e os seus silêncios são uma afronta ao conforto em que se instalara.


Que semana te espera comigo Senhor? Que semana me espera Contigo?  Subiremos a Jerusalém num encontro de amor e fragilidade que se misturam e sr tocam... Que hostilidades farei? Que hostilidades encontrarei pelo caminho? Como ficarei diante de Ti, Senhor-Rei que tens  espinhos por coroa?

«Vê-Lo-ás preso e, como todos os outros, fugirás. Depois, voltarás e aguentarás, em pé, perante a cruz, perplexo, dorido… E depois?»
 (cito autor desconhecido)
  
 É raro
Eu sei que é muito raro
acontecer
este encontro harmonioso
de tudo quanto sou
com o que fui
sem que me importe muito
de momento
com os caminhos de mim
que ainda desconheço
e que serei
ao tê-los desvendado
nem com aqueles que recusei
para chegar aqui...

(Hélder Macedo)




quarta-feira, 20 de março de 2013

COMO TE EXTINGUES em mim


Ainda no último
e gasto
nó de ar
estás lá com uma
faísca
de vida.


Paul Celan (tradução: Claudia Cavalcanti)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Parábola da Alegria - Dois filhos diferentes e um Pai bom


A parábola do filho pródigo de Lc. 15, 11-32, « … é uma janela sublime e sempre aberta com vista directa para o coração de Deus, exposto, narrado, contado por Jesus».(D. António Couto)

A minha janela é a do coração e do desejo…
Saboreio a misericórdia pondo-me no lugar do filho mais novo... Sinto-me como o filho mais velho, insatisfeita, inquieta, receosa... Saltito de um lado para o outro um pouco dividida entre formas diferentes de viver e entender o amor. 
E eis que de novo oiço a voz do Pai, uma voz que conheço e por quem me sinto re-conhecida, aceite, amada. Uma voz inconfundível que diz algo maravilhosamente novo:

«Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»

Tudo acontece num momento de céu, dilui-se a janela... deixo-me abraçar por este Pai que me olha e vem ter comigo... Entro na festa da vida e da Alegria! 


Pinturas de Arcabás

quinta-feira, 7 de março de 2013

derrotar montanhas: Ser capaz!...

derrotar montanhas: Ser capaz!...: Cada vez mais se está a tornar claro para mim, que a ajuda pode enfraquecer o ser humano!... Quando a ajuda se transforma numa substituiç...

terça-feira, 5 de março de 2013

na poesia, a quaresma...



Devo ser o último tempo
A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos
O cadáver onde a aranha decide o círculo.
Devo ser o último degrau na escada de Jacob
E o último sonho nele
Devo ser-lhe a última dor no quadril.
Devo ser o mendigo à minha porta
E a casa posta à venda.
Devo ser o chão que me recebe
E a árvore que me planta.
Em silêncio e devagar no escuro
Devo ser a véspera. Devo ser o sal
Voltado para trás.
Ou a pergunta na hora de partir.

Daniel Faria  


 http://www.snpcultura.org/quaresma_2013.html


Cruz, exposição do Mosteiro de Tibães



domingo, 24 de fevereiro de 2013

O amor na Transfiguração


“Enquanto Ele orava, mudou-se a aparência do seu rosto, e a sua roupa tornou-se branca e resplandecente.” (Lc 9,29)

O relato da Transfiguração dá início à caminhada quaresmal no Evangelho de S. Lucas – uma caminhada de paradoxo e mudança. Pedro acabou de proclamar Jesus como o Messias e ambos estão a realizar as longas viagens em direção a Jerusalém.
Alguns comentadores acreditam que a transfiguração tinha a ver com Jesus obter a bênção final do Seu Pai. Outros acreditam que se tratou de permitir que os discípulos escolhidos tivessem um vislumbre da glória de Deus, e da Ressurreição que estava para vir, para que a compreendessem melhor.
Contudo, vejo o monte como uma linha que divide águas, uma encruzilhada. É um momento fundamental que liga o ministério inicial de Jesus ao seu destino em Jerusalém.
O percurso doloroso escolhido significará que daí a poucos meses o mundo dos discípulos será virado do avesso.
Nada mais será o mesmo. A sua tarefa será transformarem o mundo orientados pelo Espírito, o que irá originar a mudança mais profunda que o mundo alguma vez viu.
O poder de concretizar esta mudança, esta transformação, não se baseia na riqueza ou no privilégio, mas sim no amor.
Será centrado nesse último gesto de amor: dar a própria vida para que os outros possam viver.
O amor que era Jesus perdoou aos pecadores, disse que deveríamos dar a outra face, queria que os ricos abdicassem da sua riqueza, disse que éramos todos iguais, falou de modo familiar às mulheres e deu poder aos pobres. Disse que o que fizéssemos ao menor dos seus irmãos era a Ele que o fazíamos.
Este amor é desconfortável, inaceitável, irrealista, ingénuo. É demasiado dispendioso, quebra com todas as normas criadas pelos homens. Este amor está no centro da missão da Igreja: temos a responsabilidade de trabalhar em prol de um mundo que espera um Reino de Deus com paz e justiça aqui na terra e no qual cada pessoa possa prosperar Por isso, embora a ajuda e a caridade sejam necessárias para ajudar as pessoas que têm fome, também é importante trabalhar para transformar o sistema alimentar falhado que mantém as pessoas a passarem fome.

 Chris Bain
Presidente da CIDSE (Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade) e líder da CAFOD,
agência correspondente à FEC em Inglaterra e no País de Gales, mandatada pelos Bispos
para lutar contra a pobreza e a injustiça em nome da comunidade católica.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

na poesia, a quaresma...


Este é o tempo do silêncio... do silêncio que pode não ser solidão mas encontro, do silêncio que não cala totalmente mas pode ser uma forma mais simples de falar e de reconhecer a força da Palavra que abre caminhos de tranquilidade, de paz e de bem. 
Deixo que Daniel Faria me acompanhe e ajude a pronunciar a palavra-pessoa e a tomar consciência de que importa "SER FILHA", filha amada! E senti-lo por dentro,  a partir de dentro... como a pequena vela que se faz luz a partir de seu interior. 
____________________________________

Há uma palavra pessoa 
Uma palavra pregada ao silêncio de dizer-se como nunca fora ouvida
E nela dizer-se posso existir.
Só posso viver cabendo nela.
Habito-a
Como Jonas o grande peixe.

Ela pronuncia-me
Traz-me em viagem do nada para o silêncio-exemplifico-o com a luz
de um homem que ressuscita-sustenta-me
Como o jejum alimentado em Nínive

Mas também posso ser um vaso para ela
-um vaso não,outra coisa qualquer que não consigo
comparar às coisas da terra-um lugar tão verdadeiro
Que mesmo a luz em suas praças,pátios e alpendres
Só imprecisamente é capaz de assinalar

E como salva a cinza em Nínive espalhando-se
Eu posso propagá-la
E posso amá-la até me transformar. 

Daniel Faria: Homens Que São Como Lugares Mal Situados 


Imagem

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em cada dia...


Em cada dia, Deus traz luz e novidade à nossa vida e enche-a de flores e beleza...

Em cada manhã, aquecida e iluminada pelo sol, Deus aquece, conforta e enche de plenitude cada coração que ousa amar...

Em cada tarde, quando a brisa se faz sentir e a claridade se desvanece num anoitecer repousante, entendo e revejo a vida como uma Graça...

Em cada noite, quando finalmente descanso pressinto o "beijo de Deus", que nunca se fez ausente, mesmo quando me desencontrei...

Alice
A foto tirei da net, é do Nelson sj


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Inácio de Loyola



“Não é o muito saber que sacia e satisfaz,
mas o sentir e saborear as coisas internamente.”

Inácio de Loyola


sábado, 12 de janeiro de 2013

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo
De o transformar. Este é o dia transformado
Pelo modo como apoio este dia no chão.
Coloco-o na posição humilde dos meus joelhos na terra
Abro-o com os olhos que retiro de todas as coisas quando os fixo
Na atenção.

E fico atento, fico deitado porque não sei crescer
Num terreno que se levante.
Cresço na clareira de um homem que é uma palavra
Na sua túnica inteira
Porque este é o sítio do dia sem horário

Sem divisões

E ponho-me de frente no seu lado,
Nos seus braços abertos para me unir
E entro pelo lado aberto e ardo – como Elias
Em chamas subindo para o céu.

Daniel Faria, Poesia




Sim, este é o dia novo porque é um novo dia! 

Venho deixar este poema do Daniel Faria, não o conhecia até ontem à noite. Penso que me ajuda a situar neste dia de sábado, com sol e bastante frio, no local onde me encontro, naquilo que são os meus desejos mais profundos… o afecto, o sonho e a vontade de continuar a resistir ao inesperado!
Escrevo agora muito pouco, parece-me que já disse bastante, quase tudo, sobre a minha vida, a forma como a vivi ou a vivo. 
Recomecei a trabalhar no projecto de organizar o que tenho feito em forma de auto-biografia simples. Será um pouco como reler uma história à luz de Deus que é a luz de um amor que certifica cada vida como um dom.
Os poemas do Daniel sempre me dão desejo de seguir em frente.

A foto é só porque foi tirada à noite e à beira-mar

domingo, 6 de janeiro de 2013

Tu, Menino, deitado no presépio...


Tu, Menino, deitado no presépio,
És a luz de Deus
A iluminar de alegria todas as pessoas.
És a Palavra de Deus Que trás a Boa Nova
A todos os que buscam a felicidade.

Tu, Menino, encontrado pelos pastores,
És a esperança de Deus
Anunciada a todos os pobres
E rejeitado da sociedade.

Tu, Menino, ao colo de Maria
És Filho de Deus
Que veio para fazer de nós
Seus filhos adoptivos muito amados

Tu, Menino, procurado pelos Magos,
És o sinal do amor imenso
Do único Deus que é salvação
Para todos os povos da terra.

Tu, Menino, adorado pelos Magos,
és o nosso Senhor,
diante do qual nos inclinamos com todo o amor
pois és a nossa luz e nossa paz. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Natal e poesia


"Apenas sei que caminho como quem
é olhado, amado e conhecido
e por isso em cada gesto
ponho solenidade e risco"

(Sophia M. B. Andersen)


Nestas flores que me foram oferecidas 
pela amiga Isabel, na Palavra de Deus, 
no menino de Belém e na poesia da Sofia 
o Natal permanece cá em casa...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Encontro

Na precariedade da matéria… 

nasceu!
O seu primeiro choro “absolve e certifica o mundo”.
É de incarnação que fala o infante, aquele que fala ainda não tem! E  porém, é a palavra.
Curiosamente, a gruta, testemunha do seu nascimento, é semelhante à cova da sua sepultura. Não nos enganemos! A beleza deste menino não é a de um paraíso de inocência ainda por provar, nem a de uma terra ainda por rasgar. O júbilo alegre da aurora conhece o grito angustiado da passagem. Ele já atravessou as dores do parto. Já sabe o que são as feridas do arado em terra seca e os rigores do silêncio invernal. É o mais belo dos filhos de homem, mas é homem de dores, “sem aparência nem beleza, diante de quem se tapa o rosto”. A inocência imaculada atravessou “a paixão da fidelidade e o fogo da prova”. Mas que fidelidade? Que prova? A fidelidade de Deus à nossa carne. A prova da solidariedade “a caro preço”.
Nas formas deste  mundo ressoam a verdade e a justiça que não-são-deste-mundo.
O que de mais verdadeiro e justo dirige os nossos afectos ecoa nas formas do mundo-que-existe. O Verbo diz-se na matéria. A precariedade e fragilidade da matéria diz o Verbo divino. Mas é grande a resistência à força da incarnação. Como é sempre pouco o cuidado pela força espiritual das nossas formas sensíveis. Mundos ideais de conhecimento e de pureza seduzem hoje, como ontem, com ensaios de plenitude que volta costas a este mundo, a este corpo, demasiado impuros, demasiado baixos. Como, ao invés, a tirania do orgânico e do funcional, do consumível e do útil, cala à paixão dos afectos e ao discernimento da inteligência a digna e frágil promessa que ecoa no mundo, sem ser porém deste mundo.
Mas o nascimento certifica-o, ele que, em dores de parto, espera. Amassado de estupor e de dor, de dom e de violência, de cuidado e de abandono, de louvor e de blasfémia, de reconhecimento e de rapto…espera sentir o Espírito enquanto dá vida na fragilidade das suas formas. E o Espírito, dando a Vida no corpo de uma mulher, confirma-lhe, com letras de fogo, o desejo inapagável de viver.
Nasceu! Em nós. Connosco. Emanuel. 
José Frazão, sj (2004)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Aniversário do Pai




Era o dia 23 e o aniversário do pai.
O Natal a chegar, a família reunida para a festa da vida,
e ainda alguns amigos mais próximos.
A nossa querida mãe e avó, está presente
pelo amor e pela memória... 
E se repararem até aparece em algumas fotos...















sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Deixar permanecer o Natal

Presépio dos amigos Zé e Vitor

Continuamos a viver em tempo de Natal e isso, deverá ser para todos, motivo de alegria.
A certeza de acordarmos em cada dia, acompanhados pelo Menino Deus, ajuda-nos a continuar a viver este tempo como um convite à  oração, à compreensão, à partilha e ao amor. Assim o desejo para mim e para todos.
Deixo um pequeno extracto de um livro que estou a ler, pode parecer que não tem nada a ver com o Natal que muitas vezes nós imaginamos, mas sim… O Natal existe e co-existe na amizade.

***
« Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada, oculto ainda na folhagem, ou o azul desamparado e irresistível que lhes serviu de motivo para a demanda. Há amigos que iniciam-nos na decifração do fogo, na escuta dos silêncios da terra, no entendimento de nós próprios. Há amigos que nos conduzem ao centro de bosques, à geografia de cidades, ao segredo que ilumina a penumbra do templo, à bondade de Deus.»

P. José Tolentino Mendonça - Nenhum caminho será longo 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal

Imagem: Natividade_William_Congdo  

"Hoje, imagino a Igreja como um presépio – lugar humano onde, em palavras e gestos, em arte e pensamento, se dá e se acompanha a gestação deste difícil milagre que é a vida. Uma gruta, talvez pouco digna, mas já com uma história extraordinária de dois milénios, onde cada um pode tomar o lugar que mais lhe convém. No centro, o Santíssimo exposto na nossa carne, no pão dos nossos sacrifícios e no vinho das nossas alegrias. Em redor, os anjos que cantam em todas as línguas. De joelhos, como Maria e José, com pastores e com magos, nós que O adoramos como nosso Senhor."
P. José Frazão, s.j.

Ao reler e ao olhar este acontecimento, fico sem palavras... Vejo um Deus que me dá possibilidade de o poder tocar, sentir, pressentir em tudo o que me rodeia, para me dizer que aqui onde estou, onde tu estás, onde está cada homem e cada mulher é possível ver a gruta de Belém e chegar ao coração do presépio. 
Diante deste Amor feito carne, que assim se expõe pobre e frágil, diante da minha  fragilidade e pobreza, também eu desejo ajoelhar e permanecer em silêncio.

Boas Festas de Natal para todos!   

Imagem: http://www.passo-a-rezar.net - dia de Natal

sábado, 22 de dezembro de 2012

Para haver Natal este natal




Para haver Natal este natal
talvez seja preciso reaprendermos
coisas tão simples!
Que as mãos preocupadas
com embrulhos
esquecem outros gestos de amor.
Que os votos rotineiros que trocamos
calam conversas que nos fariam melhor.
Que os símbolos apenas se amontoam
e soltam uma música triste
quando já não dizem
aquela verdade profunda.

Para haver Natal este natal
talvez seja preciso recordar
que as vidas começam e recomeçam
e tudo isso é nascimento (logo, Natal!).
Que as esperanças ganham sentido
quando se tornam caminhos e passos.
Que para lá das janelas cerradas
há estrelas que luzem
e há a imensidão do céu.

Talvez nos bastem coisas afinal
tão simples:
o alento dos reencontros
autênticos,
a oração como confiança
soletrada,
a certeza de que Jesus nasce
em cada ano,
para que o nosso natal alguma vez, esta vez,
seja Natal.

P. José Tolentino Mendonça