sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Amor


Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.
Rainer Maria Rilke

Foto de Sortelha (Zilda)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Manto de brancura - a minha terra

E é esta a paisagem que nos rodeia há alguns dias, desde a encosta até às Penhas da Saúde, o branco e o castanho algo esverdeado se misturam em beleza natural e solenidade. 

Assim em cada lago a lua toda 
   Brilha, porque alta vive 
Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
Fotos de amigos do facebook

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As pérolas


Esta manhã quando entrei na cozinha reparei que a minha orquídea estava um pouco dobrada sobre si própria, mais do que habitualmente, e chorava... Pequenas gotas saídas de cada nó, escorriam-lhe pela haste miudinha e frágil. 
De facto há alguns dias que eu esperava a flor que parecia querer desabrochar a qualquer momento, mas hoje ela se desfaz em lágrimas transparentes.
São lágrimas muito particulares, redondas e brilhantes como pérolas preciosas que recebo e acolho como um dom que me recorda a fecundidade da natureza a irradiar o seu encanto. O dom que na natureza é espaço da criação, do nascimento e da vida. 



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Hoje te falo eu, Senhor

E um caminho novo se abre a nossos pés,
Uma luz nova em nossos olhos arde,
Átrio de luminosidade,
Pão
De trigo e de liberdade,
Claridade que se ateia ao coração.
 
Lume novo, lareira acesa na cidade,
És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a ressurreição.
 
Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos,
Desavindos,
A remendar bolsas ou redes.
 
Sacia-nos.
Envia-nos, Senhor,
E partiremos
O pão,
O perdão,
Até que em cada um de nós nasça um irmão.

D. António Couto

Foto de P. Luís Pardal, um amigo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem és Tu, Senhor?


"Quem és Tu, Senhor? E o que queres de nós, Senhor?

Morreste. A terra inteira calou-se nesse instante. 
Todos os pássaros se calaram. Todos os riachos pararam de correr
Com a lágrima calada de Deus.
Mas,
Aquele a quem escandalosamente chamavas de papá, Abbá
Levantou-te da morte com a qual te queriam parar e calar.
E estás vivo, da Vida de Deus
És as mãos de Deus que enxugarão todas as lágrimas.
És os pés que vão ao encontro
És todos os gestos que nos dizem como ser gente mais gente
És a Voz de todos os profetas que hoje seguem
Os mesmos caminhos que tu caminhas, Jesus.
ÉS! O Pão. Um Pão, um Corpo teu… que se parte e parte,
Para que não falte a ninguém, e todos sejam um… Um pão…
Um corpo teu.
Quem és tu, Jesus?
O que queres de nós, Senhor?" 
Susana Braguês

derrotar montanhas

Imagem de um powerpoint 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A minha terra com os seus encantos e recantos

Não é exactamente a minha terra, mas fica a cerca de 180 km a Aldeia de Monsanto, chamada "a mais portuguesa de Portugal".
Está situada na encosta de um monte bastante íngreme e rochoso e as suas casas de granito e xisto, umas altaneiras, outras encaixadas e abrigadas no meio das rochas guardam um pequeno mundo de beleza e de encanto.
Por causa da difícil acessibilidade do local, só um pouco ao longe tenho podido apreciar tudo isto. Mas mesmo as coisas que só a vista descortina e o coração sente… mesmo aquilo que não me é dado tocar a não ser por um olhar mais profundo, fazem de mim uma pessoa feliz e agradecida.

Aqui ficam as fotos que a minha amiga Zilda tirou para mim. Com elas mergulho num mundo/vida cheio de acontecimentos que guardarei para sempre na memória.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Fica sempre por perto

«Chamado ou não chamado, Deus estará sempre presente». Nunca se vai embora. Fica sempre por perto, à espera de nos abraçar».

Carl Gustav Jung


Imagem google

sábado, 25 de janeiro de 2014

O papel branco e a minha mesa

«Ponho um papel branco sobre a mesa e espero que as palavras, atraídas pela luminosidade, venham pousar nele». 
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
Quero por o meu papel branco sobre a mesa,
quando a minha terra está cheia de sol,
porque o tanto e o tão pouco que eu sou
o mundo que me rodeia
e a luz que envolve o meu dia,
o encherão de palavras  de amor!
alice

Pintura: Pablo Picasso

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A exposição do Santíssimo

De coração agradecido pelo afecto de Deus e, depois de três dias de exercícios espirituais, em que sinto vibrar profundamente em mim este amor, deixo um texto que foi "rezado" diante do Senhor Exposto na Eucaristia.


«Como sempre, tudo regressa a este cume. E tudo dele parte. A Eucaristia tudo recolhe. Tudo condensa. Tudo relança. Esta é a sarça que arde sem se consumir. É o ícone que, pelas coisas da nossa existência, nos abre, ainda e sempre, a passagem para o que a vida tem de eterno. Vértice e abismo do vínculo de Deus connosco, os gestos e as palavras, os ritmos, as formas, os cantos os silêncios, as cores e as sombras que fazem a Eucaristia, realizam, aqui e agora, o encontro entre o sagrado e o quotidiano, a minha biografia e a nossa história comum. Assim se desenha um espaço entre nós e entre nós Deus, no qual a pobreza dos meios e a limitação das formas se tornam lugares da infinita riqueza da Graça.

Neste lugar, tão alto e tão baixo, tão largo e tão extenso, e, porém, tão contido e tão elementar, continuamos a testemunhar como o Absoluto se faz relativo, como o Santíssimo se nos expõe. 

padre José Frazão, sj - do livro "a Fé vive de afeto"
variações sobre um tema vital 
Pintura - Arcabás

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

em que pensar agora...

Poema lindo, vivido por momentos e agora contido entre o pensamento, os sentimentos e a vida!

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

"Pedro, lembrando Inês", de Nuno Júdice

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

As saudades são como manhãs de Páscoa

"Só sente saudade quem (re)conhece o Amor". 


Não sei quem escreveu esta frase, nem sequer me recordo de onde a tirei, mas adoptei-a com alegria.
Há saudade, porque existe ou existiu relação, convivência, o amor e a amizade, as chegadas e as partidas... Não me importo de adormecer com saudade, porque o faço com a memória de muitos gestos de ternura. 
As saudades são como manhãs de Páscoa cheias de brancura, manhãs de esperança, manhãs de mistério e de encontro...    
Alice

domingo, 5 de janeiro de 2014

A estrela... E a medida de cada um

Vêem do Oriente, são os Magos e caminham acompanhando os sinais. 
Deixam-se encantar pela LUZ que incarnou na nossa história, a luz que pode iluminar todos os nossos caminhos.      
Desponta no céu a estrela que os guia para o presépio e nos quer guiar também a nós, mostra-nos que ali se encontra a salvação que é para todos e à medida de cada um.
Olho o infinito e os astros, sinto que me fazem distanciar um pouco do solo para que os meus pés fiquem leves e soltos, são eles afinal que ajudam a desatar e a soltar também o coração…
Já não posso desistir e vou por aí fora… Quem vê a Luz não quererá decerto a escuridão e neste dia da Epifania sonho um mundo novo, um mundo feliz que quer partilhar essa felicidade e essa alegria, um mundo a Caminho!...
Alice

sábado, 4 de janeiro de 2014

Sonhos e cores



Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. 
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.

                                               (foto Hugo Brancal)

William Shakespeare

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Santa Maria Mãe de Deus

Eis Maria com o seu menino… Olhando esta imagem simples, pressinto o calor do colo de todas as mães e tenho saudades da mãezita Julieta, que nos olha do céu e celebra connosco estes momentos de festa.
Observo a ternura desta mãe, e penso em tantas crianças que não conhecem o aconchego de um abraço... Em cada uma, Deus está presente e se faz luz e companheiro de viagem, mas o custo dessa viagem diariamente surge diante do meu olhar, fazendo-me desejar um mundo melhor e mais fraterno.
Hoje celebramos o dia de Santa Maria, Mãe de Deus e o dia Mundial da Paz, queria dizer: De uma nova Paz que para existir precisa de mim, precisa de nós… precisa de corações abertos à vida, ao mundo e ao Menino Deus de Belém.
Feliz e abençoado Ano Novo.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Em Jesus de Nazaré, Deus fez-Se homem

«Admiravelmente, «o Verbo fez-se carne» (Jo 1, 14). Assim, a partir de dentro, do melhor útero da nossa humanidade, e, entre nós, Deus quis abraçar e respeitar a «difícil bênção da contingência» (E. Salmann).

(...) Há tanto a colher e a acolher neste dizer-se do Verbo enquanto se faz carne. Em Jesus de Nazaré, Deus fez-Se homem – verdadeiro homem, com todos os ritmos e lugares da condição humana, porque «a humanidade do Filho de Deus é a sua carne em con-tacto com o mundo, con-sentindo com o mundo». E fez-se homem de verdade, por realizar a nossa humanidade tão verdadeiramente, sem a mentira do pecado.

(...) Se Deus é capaz de nós, encarnando, nós, na nossa carne e no mundo onde nos reconhecemos em casa, somos capazes de Deus, porque, Ele próprio, nos faz assim capazes».

P. José Frazão Correia sj
(A justa relação com a vida ou a graça de viver como filho - extratos)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A alegria do Natal

A Alegria do Natal é o próprio Deus, por isso me sinto
 grata por este Natal!

Fotografei este presépio simples, foi-me oferecido por um amigo em ocasião de dizer adeus e coloco-o no meu blog para falar do Natal e da vida.
Observo a singeleza e a simplicidade destas linhas moldadas com a arte da fé e revejo antecipadamente um tempo, um dia ou um momento de que só o coração pode falar. Um tempo onde só a presença do Menino Deus, exposto na sua fragilidade cheia de encanto, nos ajudam a alcançar a verdadeira alegria natalícia.
Falo de um Natal simples e mais profundo, um Natal onde as manifestações exteriores não escureçam o Menino na sua história. Falo de um Natal que não acontece sem nascimento como dom, e sem o custo da existência e da pequenez do ser humano. 
Digo, sem o custo da minha existência, onde a graça/dom se cruzam, se entrelaçam e se fundem na bênção vivida ou ainda por viver... Falo de um Natal a acontecer.
Alice

Deixo a itálico algumas citações do livro "A Fé vive de Afecto"

sábado, 21 de dezembro de 2013

Peregina da vida

«O peregrino sabe que toda a noite tem o seu amanhecer, e este virá não importa o quanto frias, escuras ou desconfortáveis forem as horas que o precederam». 
P. Paul Nicholson

 
Peregrina da vida e na vida de cada dia. É assim que me vejo hoje.
Dou mais um passo ao encontro do Natal, à festa da noite, das luzes e das alvoradas que iluminam o dia. 
Diz-se tanto sobre o Natal!... Tantas quês e porquês, tantas palavras se pronunciam ou escrevem sobre o este acontecimento que por vezes encobrem a beleza que faz o Natal SER o que é. Isto faz-me pensar na simplicidade do presépio, para onde me imagino a "peregrinar"…
Então eu diria que de cada um de nós depende que o Natal aconteça e permaneça... nas pessoas, nos acontecimentos, no que escrevemos e no que lemos, na vida de todos e no coração de todos. A notícia que ecoou em Belém torna-se realidade a partir da nossa casa, do nosso prédio, da nossa rua, da nossa cidade e da nossa voz.
Feliz Natal!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Deus sonhou

Há dois mil anos Deus sonhou
E foi
Natal em Belém.
Sonha também.
Se o jumento corou
E o boi se ajoelhou, 
Não deixes tu de orar também.
D. António Couto

E hoje é assim... neste sonho que sempre me foi muito querido, numa realidade que dá sentido à minha vida, na Contemplação do Mistério... que o meu coração se ajoelha.
Alice


domingo, 15 de dezembro de 2013

Tempo de espera e de alegria

«Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos.» Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo cantará de alegria». Is 35, 1, 4-9
Vivo com calma este tempo de espera e de esperança...
Espero a alegria de um "encontro" comigo e com a minha verdade, um encontro que me ajude a crescer na fé. 
Espero e desejo que o encontro com aqueles que comigo cruzarem, seja feito de convite e acolhimento.
Pressinto que este tempo de Adento pode muito, pode tudo até... Para que o Natal aconteça, e sei que é neste mundo, neste tempo e nesta hora, que cada um de nós, pode encontrar o lugar da gruta e assim chegar ao coração do presépio.   
Recebemos familiares e amigos e hospedamo-los com alegria, muitas vezes eu gosto de hospedar desejos e sonhos... E até verdades que custam... e ainda assim as deixo permanecer, ficando atulhada de coisas inúteis.
Jesus precisa de espaço no meu coração, hoje eu peço-lhe que fique na minha casa, é a Ele que eu anseio acolher... 
Alice

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Perguntei ao Advento...

Perguntei ao Advento que palavras diria a um coração abandonado e ferido… e ele falou-me de esperança. De uma esperança que resiste a todos os malfeitores e devolve à vida o encantamento e a liberdade.

Perguntei ao Advento por um remédio para os olhares cinzentos, por um elixir para os ritmos apressados e as vítimas do “sem-tempo”… e ele falou-me de uma espera. Uma espera para não mutilar a vida e serenar as ousadias sem fecundidade e todas as pressas e incapacidades de silêncio.

Perguntei ao Advento por uma luz que incendiasse os corações mais frios, que tecesse nas fibras do ser profundo uma aurora luminosa… e ele mostrou-me o mistério da Luz.

Perguntei ao Advento onde encontraria um menino para deitar nas palhas de um presépio feliz… e ele sussurrou-me o nome de tantos inocentes que não viram a luz; de tantos olhares pequenos, escondidos em trincheiras e valas de guerra; o nome de tantos rostos vencidos pela procura de pão.

Perguntei ao Advento onde encontraria uma árvore de Natal para iluminar… e ele mostrou-me uma floresta de corações sem luz à espera do rosto da fé.

Perguntei ao Advento pelo sentido do sonho, pelo toque do vento no rosto dos sem-voz, pelas lágrimas derramadas em chão de desespero… e ele fez-me ouvir o choro de uma criança nascida em Belém.

Perguntei ao Advento como poderia ajudar a sustentar um mundo à beira do abismo e do sem-sentido… e ele falou-me da oração e de um coração atento no meio de tantos dramas.

Perguntei ao Advento se deveria perder-me no encanto das ruas iluminadas e descer às galerias das lojas onde se compram presentes e rivalidades… e ele falou-me da frugalidade de João que tecia no deserto palavras de sentido para oferecer a todos os buscadores.

Perguntei ao Advento se era possível viver sem todas as respostas, sem entender todos os mistérios da vida, sem a ousadia de pronunciar todos os porquês… e ele sugeriu-me contemplar o rosto de um justo sonhador, um carpinteiro silencioso chamado José.

Perguntei ao Advento por promessas escutadas, por horizontes ainda não vistos, por caminhos apenas começados… e ele falou-me de Maria, agraciada, visitada e grávida.

Perguntei ao Advento por mim… e ele deu-me um beijo com sabor a Infinito e um abraço com a ternura de um Filho.

P. Manuel Afonso de Sousa, CSh
In Comunidade Shalom