domingo, 9 de março de 2014

Cânticos da Tarde e da Manhã

Lentamente o sol se apaga
Nos campos, montes e mares
Mas deixa-nos a promessa
De renascer cada dia
"Cânticos da tarde e manhã" Teresa Salgueiro  


Foto: Zilda


sábado, 8 de março de 2014

A procurar ser e estar inteira


“O importante mesmo é estar-se inteira naquilo que se faz”

É o que me recordava um grande amigo, a propósito da escolha que eu tinha de fazer, no mesmo dia , entre várias coisas, sendo que todas eram promessas de bons momentos...
Tenho pensado muito nisto como apelo à unidade da minha vida interior e exterior, e como ponto de esforço para estes dias e neste tempo favorável à graça e ao amor do meu e nosso Senhor, nesta quaresma. 
Alegro-me no meu Deus, alegro-me no amor que recebo e no amor que ofereço e também no conhecer cada vez mais os limites da minha fragilidade, da minha fé, do meu desejo de amor, e também da força que me é concedida.
Alice 


A imagem tirada da net

quarta-feira, 5 de março de 2014

A quaresma e o silêncio


Que grandeza há no silêncio – não o silêncio nefasto da falta mas no da virtude, que é perfeito quando dele não se tem consciência – e que força se pode extrair dele. A alegria cristã é a simplicidade de uma fé, a seriedade de uma esperança, a vitalidade do amor.

Na Quaresma a liturgia despe-se dos seus aleluias e glórias, convidando-nos a um estreitamento de vida, a um despojamento do supérfluo, a um tempo de germinação escondida e profunda, iluminada sempre por uma esperança e uma espera. Ela convida-nos a entrar em nós mesmos para nos mergulhar nas fontes da vida, em Cristo. Ela incita-nos a reencontrar o nosso verdadeiro rosto num esforço de autenticidade e lucidez, na oração e na caridade, para que, modelados à imagem de Cristo, sejamos capazes de uma comunhão mais profunda no seu mistério.

Sim, porque o mistério de Cristo não é algo que esteja fora de nós; ele é o que nós somos e o que somos chamados a ser. O seu drama é o nosso. A nossa cruz não é outra que a de Cristo, é o seu amor em nós que a carrega. A nossa verdadeira vida é a vida do Ressuscitado em nós. Se a liturgia nos conduz pelos passos de Cristo é para nos ensinar o caminho que é também o nosso.

O drama que se evoca na Quaresma não é apenas a recordação de um acontecimento passado mas a atualização do drama de Cristo, aqui e agora, para nós, que nos coloca diante da opção decisiva da fé e do amor. Procuremos portanto estar em harmonia com o espírito da liturgia deste tempo e acolher a seiva de vida que nos oferece.

Um monge cartuxo

Foto: Allison Trentelman

sábado, 1 de março de 2014

A beleza - a arte



"a beleza é tão grande e nós somos tão frágeis...
Estou a falar do impossível e da vida"
Daniel Faria (Livro do Joaquim)




arte de Tamaz Gogoladze

Surge por vezes esta necessidade de partilhar pequenas coisas, ainda que sejam só uma queda desamparada, um encontro, uma visita, um pensamento, algo que leio, como este poema, um sorriso e até uma preocupação.
... E penso naquilo que fui e sou agora e também no que poderei vir a ser, mesmo que nem tudo o que gostaria seja possível realizar.
De facto somos todos tão frágeis mas ao mesmo tempo tão belos e tão fortes em Deus e no amor que nos une uns aos outros e à vida.  
alice

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Amai os vossos inimigos… Acreditas nisto?

Hoje e... 
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos».  

Jesus hoje, convida-me insistentemente a refletir até onde vai minha capacidade de acreditar num caminho único, aquele que me leva à felicidade. Como poderei amar aqueles que não gostam de mim? Como isso me parece difícil... Só sei que, o que Ele me pede, não pode ser impossível. 
Conheço o milagre do amor Deus em mim e por isso acredito que tudo está ao meu alcance, ao meu lado, perto de mim.  



Deixo este extrato de um texto de D. António Couto


«Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!» (João 13,34). Aqui, a medida não sou eu. Aqui, a medida é Jesus, o das alturas, o do alto das montanhas. Aqui, a medida é sem medida! Aqui, o amor não é interesseiro. Aqui, o amor é puro, radical, incondicional, assimétrico, sem retorno. Aqui, o amor é até ao fim! Oh sublime ciência das alturas!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Confidencial


Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitando.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.

Miguel Torga


Foto Sortelha (Zilda)


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Amor


Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.
Rainer Maria Rilke

Foto de Sortelha (Zilda)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Manto de brancura - a minha terra

E é esta a paisagem que nos rodeia há alguns dias, desde a encosta até às Penhas da Saúde, o branco e o castanho algo esverdeado se misturam em beleza natural e solenidade. 

Assim em cada lago a lua toda 
   Brilha, porque alta vive 
Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
Fotos de amigos do facebook

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As pérolas


Esta manhã quando entrei na cozinha reparei que a minha orquídea estava um pouco dobrada sobre si própria, mais do que habitualmente, e chorava... Pequenas gotas saídas de cada nó, escorriam-lhe pela haste miudinha e frágil. 
De facto há alguns dias que eu esperava a flor que parecia querer desabrochar a qualquer momento, mas hoje ela se desfaz em lágrimas transparentes.
São lágrimas muito particulares, redondas e brilhantes como pérolas preciosas que recebo e acolho como um dom que me recorda a fecundidade da natureza a irradiar o seu encanto. O dom que na natureza é espaço da criação, do nascimento e da vida. 



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Hoje te falo eu, Senhor

E um caminho novo se abre a nossos pés,
Uma luz nova em nossos olhos arde,
Átrio de luminosidade,
Pão
De trigo e de liberdade,
Claridade que se ateia ao coração.
 
Lume novo, lareira acesa na cidade,
És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a ressurreição.
 
Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos,
Desavindos,
A remendar bolsas ou redes.
 
Sacia-nos.
Envia-nos, Senhor,
E partiremos
O pão,
O perdão,
Até que em cada um de nós nasça um irmão.

D. António Couto

Foto de P. Luís Pardal, um amigo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem és Tu, Senhor?


"Quem és Tu, Senhor? E o que queres de nós, Senhor?

Morreste. A terra inteira calou-se nesse instante. 
Todos os pássaros se calaram. Todos os riachos pararam de correr
Com a lágrima calada de Deus.
Mas,
Aquele a quem escandalosamente chamavas de papá, Abbá
Levantou-te da morte com a qual te queriam parar e calar.
E estás vivo, da Vida de Deus
És as mãos de Deus que enxugarão todas as lágrimas.
És os pés que vão ao encontro
És todos os gestos que nos dizem como ser gente mais gente
És a Voz de todos os profetas que hoje seguem
Os mesmos caminhos que tu caminhas, Jesus.
ÉS! O Pão. Um Pão, um Corpo teu… que se parte e parte,
Para que não falte a ninguém, e todos sejam um… Um pão…
Um corpo teu.
Quem és tu, Jesus?
O que queres de nós, Senhor?" 
Susana Braguês

derrotar montanhas

Imagem de um powerpoint 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A minha terra com os seus encantos e recantos

Não é exactamente a minha terra, mas fica a cerca de 180 km a Aldeia de Monsanto, chamada "a mais portuguesa de Portugal".
Está situada na encosta de um monte bastante íngreme e rochoso e as suas casas de granito e xisto, umas altaneiras, outras encaixadas e abrigadas no meio das rochas guardam um pequeno mundo de beleza e de encanto.
Por causa da difícil acessibilidade do local, só um pouco ao longe tenho podido apreciar tudo isto. Mas mesmo as coisas que só a vista descortina e o coração sente… mesmo aquilo que não me é dado tocar a não ser por um olhar mais profundo, fazem de mim uma pessoa feliz e agradecida.

Aqui ficam as fotos que a minha amiga Zilda tirou para mim. Com elas mergulho num mundo/vida cheio de acontecimentos que guardarei para sempre na memória.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Fica sempre por perto

«Chamado ou não chamado, Deus estará sempre presente». Nunca se vai embora. Fica sempre por perto, à espera de nos abraçar».

Carl Gustav Jung


Imagem google

sábado, 25 de janeiro de 2014

O papel branco e a minha mesa

«Ponho um papel branco sobre a mesa e espero que as palavras, atraídas pela luminosidade, venham pousar nele». 
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
Quero por o meu papel branco sobre a mesa,
quando a minha terra está cheia de sol,
porque o tanto e o tão pouco que eu sou
o mundo que me rodeia
e a luz que envolve o meu dia,
o encherão de palavras  de amor!
alice

Pintura: Pablo Picasso

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A exposição do Santíssimo

De coração agradecido pelo afecto de Deus e, depois de três dias de exercícios espirituais, em que sinto vibrar profundamente em mim este amor, deixo um texto que foi "rezado" diante do Senhor Exposto na Eucaristia.


«Como sempre, tudo regressa a este cume. E tudo dele parte. A Eucaristia tudo recolhe. Tudo condensa. Tudo relança. Esta é a sarça que arde sem se consumir. É o ícone que, pelas coisas da nossa existência, nos abre, ainda e sempre, a passagem para o que a vida tem de eterno. Vértice e abismo do vínculo de Deus connosco, os gestos e as palavras, os ritmos, as formas, os cantos os silêncios, as cores e as sombras que fazem a Eucaristia, realizam, aqui e agora, o encontro entre o sagrado e o quotidiano, a minha biografia e a nossa história comum. Assim se desenha um espaço entre nós e entre nós Deus, no qual a pobreza dos meios e a limitação das formas se tornam lugares da infinita riqueza da Graça.

Neste lugar, tão alto e tão baixo, tão largo e tão extenso, e, porém, tão contido e tão elementar, continuamos a testemunhar como o Absoluto se faz relativo, como o Santíssimo se nos expõe. 

padre José Frazão, sj - do livro "a Fé vive de afeto"
variações sobre um tema vital 
Pintura - Arcabás

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

em que pensar agora...

Poema lindo, vivido por momentos e agora contido entre o pensamento, os sentimentos e a vida!

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

"Pedro, lembrando Inês", de Nuno Júdice

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

As saudades são como manhãs de Páscoa

"Só sente saudade quem (re)conhece o Amor". 


Não sei quem escreveu esta frase, nem sequer me recordo de onde a tirei, mas adoptei-a com alegria.
Há saudade, porque existe ou existiu relação, convivência, o amor e a amizade, as chegadas e as partidas... Não me importo de adormecer com saudade, porque o faço com a memória de muitos gestos de ternura. 
As saudades são como manhãs de Páscoa cheias de brancura, manhãs de esperança, manhãs de mistério e de encontro...    
Alice

domingo, 5 de janeiro de 2014

A estrela... E a medida de cada um

Vêem do Oriente, são os Magos e caminham acompanhando os sinais. 
Deixam-se encantar pela LUZ que incarnou na nossa história, a luz que pode iluminar todos os nossos caminhos.      
Desponta no céu a estrela que os guia para o presépio e nos quer guiar também a nós, mostra-nos que ali se encontra a salvação que é para todos e à medida de cada um.
Olho o infinito e os astros, sinto que me fazem distanciar um pouco do solo para que os meus pés fiquem leves e soltos, são eles afinal que ajudam a desatar e a soltar também o coração…
Já não posso desistir e vou por aí fora… Quem vê a Luz não quererá decerto a escuridão e neste dia da Epifania sonho um mundo novo, um mundo feliz que quer partilhar essa felicidade e essa alegria, um mundo a Caminho!...
Alice

sábado, 4 de janeiro de 2014

Sonhos e cores



Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. 
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.

                                               (foto Hugo Brancal)

William Shakespeare