sexta-feira, 4 de abril de 2014

Chamados à luz da alegria

A carícia como promessa, a cura como sinal, o dom recebido como certeza da bênção. E assim se revela o amor infinito e incondicional do nosso Deus. 
Deixo esta reflexão cheia de interpelações e de convites a uma vida que se renova pelo amor.

«Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os olhos de um mendigo que nos representa a todos.

Uma carícia de luz que se torna carícia de liberdade. Quem não vê tem de apoiar-se noutros, em paredes, num bastão, nos pais, nos fariseus. Quem vê caminha seguro, sem depender dos outros, livre. Como o cego do Evangelho, que curado se torna forte, deixa de ter medo, enfrenta os sábios, centra-se nos factos concretos e não nas palavras. Alimenta-se da luz e ousa. Livre.

Uma carícia de liberdade que se torna carícia de alegria. Por ver é apreciar os rostos, a beleza, as cores. A luz é um golpe de alegria que pousa sobre as coisas. Assim a fé, que é visão nova das coisas, cria um olhar luminoso que leva a luz onde pousa: «Vós sois luz no Senhor» (Efésios 5, 8).
 (...)
A resposta de Jesus é outra: «Nem ele pecou nem os seus pais». Distancia-se de imediato, com a primeira palavra, desta perspetiva, para declarar como ela causa a cegueira sobre Deus e sobre os homens. Falará unicamente do pecado para dizer que está perdoado.»


P. Enzo Bianchi
In Lachiesa.it
Trad.: SNPC

domingo, 30 de março de 2014

A primavera

árvore da primavera-Philip Sutton

Há imagens que quase falam por si... Algumas fazem acordar em mim sentimentos e desejos de paz e gratidão. Por vezes têm a cor de um sorriso ou de um abraço e o odor de uma primavera sempre esperada. Fazem perceber uma mão que cria, por amor... e um coração que crê, no amor...


domingo, 23 de março de 2014

MILAGRE É O ENCONTRO...

«... TÃO NECESSÁRIO COMO A ÁGUA. TÃO PRECIOSO COMO O SÃO OS POÇOS NO DESERTO.  É este o milagre que vejo acontecer no encontro de Jesus com a Samaritana, à beira do poço» (José Frazão, sj).


Jesus é hoje o "Milagre" que,  nos encontros com a nossa  vida, espera e deseja a uma resposta, «a voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes»  Cântico dos Cânticos 2,8.
O Evangelho de S. João diz-nos hoje que Jesus chegou a uma cidade da Samaria chamada Sicar. Era lá que estava a fonte de Jacob. Cansado da caminhada sentou-se junto à fonte e eis que chega ali uma mulher da Samaria, para tirar água do poço. 
A ela e também a nós, quando sentados à beira do poço que é a vida, Ele diz: "Dá-me de beber" e também: 
«Dá-me o teu amor. Recebe o meu amor» (José Pires, sj).

Era pela hora do meio-dia, com o sol a pique, dando luz a todo o acontecimento. Sem nada ocultar, Jesus apresenta-se como o amado do cântico dos cânticos, aquele que pode oferecer a água viva que mata todas as sedes. É Jesus que sabe da verdade da vida daquela mulher e lhe oferece a  felicidade e um novo sentido para essa vida. 

Tal como a Samaritana somos mendigos de afecto. É pelo afeto que Jesus toca o nosso coração e nos faz desejar beber da água viva, é também pelo Seu afeto que hoje nos oferece dessa água que mata todas as nossas sedes.

E porque muitas vezes o não tenho percebido, busco água em fontes vazias, procuro água onde não há água e bebo da água que não sabe a nada... Quero hoje re-visitar Contigo o poço de Jacob, quero sentar-me Contigo à beira desse poço e levar comigo aqueles que amo mais, mas também aqueles que ainda não aprendi a amar. Eis-me aqui Senhor!

domingo, 16 de março de 2014

Bênção


"Respeitar e abraçar a difícil bênção da contingência. Extraordinária sabedoria de vida. E extraordinária síntese da vida. Bênção e custo. Dom e conquista. Promessa e limite. Inseparavelmente. Do mesmo modo a fé em Jesus Cristo. A graça do dom de Deus. O custo do reconhecimento humano. E, entre um e o outro, a difícil inscrição da fé na vida de cada dia, nos encontros de todos os dias, sobretudo quando o custo parece fazer esquecer a graça, e a banalidade, a promessa e o vazio, a alegria. Porém, é assim que nos espera a vida. É assim que se realiza a fé. E é tanto".
P. José Frazão Correia, sj ´in Entre-Tanto´

E experimentando uma e outra vez, que de «difícil, a vida é bênção.» ... Bênção em que acredito, me faz ajoelhar diante do meu Senhor e meu Deus, e um dia me fará agradecida e livre...


Com alegria deixo este extrato do livro, que é promessa de tanto.

Foto: Fá Pires


sábado, 15 de março de 2014

O som do silêncio

Olho o som do silêncio a partir deste recanto. Sentada numa pedra que, no meio do caminho, me serve de apoio e guarda o cansaço dos meus pés.
Penso o silêncio cheio de claridade e de paz, do verde da paisagem e do azul do mar. Sinto-o esvaziado de pensamentos poluídos pela incerteza e marcado pela promessa de percursos sempre abertos à vida.
Penso um silêncio que me dá a palavra para dizer de mim... em silêncio!
Alice

O som do silêncio

Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.

Nuno Júdice



domingo, 9 de março de 2014

Cânticos da Tarde e da Manhã

Lentamente o sol se apaga
Nos campos, montes e mares
Mas deixa-nos a promessa
De renascer cada dia
"Cânticos da tarde e manhã" Teresa Salgueiro  


Foto: Zilda


sábado, 8 de março de 2014

A procurar ser e estar inteira


“O importante mesmo é estar-se inteira naquilo que se faz”

É o que me recordava um grande amigo, a propósito da escolha que eu tinha de fazer, no mesmo dia , entre várias coisas, sendo que todas eram promessas de bons momentos...
Tenho pensado muito nisto como apelo à unidade da minha vida interior e exterior, e como ponto de esforço para estes dias e neste tempo favorável à graça e ao amor do meu e nosso Senhor, nesta quaresma. 
Alegro-me no meu Deus, alegro-me no amor que recebo e no amor que ofereço e também no conhecer cada vez mais os limites da minha fragilidade, da minha fé, do meu desejo de amor, e também da força que me é concedida.
Alice 


A imagem tirada da net

quarta-feira, 5 de março de 2014

A quaresma e o silêncio


Que grandeza há no silêncio – não o silêncio nefasto da falta mas no da virtude, que é perfeito quando dele não se tem consciência – e que força se pode extrair dele. A alegria cristã é a simplicidade de uma fé, a seriedade de uma esperança, a vitalidade do amor.

Na Quaresma a liturgia despe-se dos seus aleluias e glórias, convidando-nos a um estreitamento de vida, a um despojamento do supérfluo, a um tempo de germinação escondida e profunda, iluminada sempre por uma esperança e uma espera. Ela convida-nos a entrar em nós mesmos para nos mergulhar nas fontes da vida, em Cristo. Ela incita-nos a reencontrar o nosso verdadeiro rosto num esforço de autenticidade e lucidez, na oração e na caridade, para que, modelados à imagem de Cristo, sejamos capazes de uma comunhão mais profunda no seu mistério.

Sim, porque o mistério de Cristo não é algo que esteja fora de nós; ele é o que nós somos e o que somos chamados a ser. O seu drama é o nosso. A nossa cruz não é outra que a de Cristo, é o seu amor em nós que a carrega. A nossa verdadeira vida é a vida do Ressuscitado em nós. Se a liturgia nos conduz pelos passos de Cristo é para nos ensinar o caminho que é também o nosso.

O drama que se evoca na Quaresma não é apenas a recordação de um acontecimento passado mas a atualização do drama de Cristo, aqui e agora, para nós, que nos coloca diante da opção decisiva da fé e do amor. Procuremos portanto estar em harmonia com o espírito da liturgia deste tempo e acolher a seiva de vida que nos oferece.

Um monge cartuxo

Foto: Allison Trentelman

sábado, 1 de março de 2014

A beleza - a arte



"a beleza é tão grande e nós somos tão frágeis...
Estou a falar do impossível e da vida"
Daniel Faria (Livro do Joaquim)




arte de Tamaz Gogoladze

Surge por vezes esta necessidade de partilhar pequenas coisas, ainda que sejam só uma queda desamparada, um encontro, uma visita, um pensamento, algo que leio, como este poema, um sorriso e até uma preocupação.
... E penso naquilo que fui e sou agora e também no que poderei vir a ser, mesmo que nem tudo o que gostaria seja possível realizar.
De facto somos todos tão frágeis mas ao mesmo tempo tão belos e tão fortes em Deus e no amor que nos une uns aos outros e à vida.  
alice

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Amai os vossos inimigos… Acreditas nisto?

Hoje e... 
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos».  

Jesus hoje, convida-me insistentemente a refletir até onde vai minha capacidade de acreditar num caminho único, aquele que me leva à felicidade. Como poderei amar aqueles que não gostam de mim? Como isso me parece difícil... Só sei que, o que Ele me pede, não pode ser impossível. 
Conheço o milagre do amor Deus em mim e por isso acredito que tudo está ao meu alcance, ao meu lado, perto de mim.  



Deixo este extrato de um texto de D. António Couto


«Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!» (João 13,34). Aqui, a medida não sou eu. Aqui, a medida é Jesus, o das alturas, o do alto das montanhas. Aqui, a medida é sem medida! Aqui, o amor não é interesseiro. Aqui, o amor é puro, radical, incondicional, assimétrico, sem retorno. Aqui, o amor é até ao fim! Oh sublime ciência das alturas!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Confidencial


Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitando.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.

Miguel Torga


Foto Sortelha (Zilda)


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Amor


Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.
Rainer Maria Rilke

Foto de Sortelha (Zilda)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Manto de brancura - a minha terra

E é esta a paisagem que nos rodeia há alguns dias, desde a encosta até às Penhas da Saúde, o branco e o castanho algo esverdeado se misturam em beleza natural e solenidade. 

Assim em cada lago a lua toda 
   Brilha, porque alta vive 
Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
Fotos de amigos do facebook

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As pérolas


Esta manhã quando entrei na cozinha reparei que a minha orquídea estava um pouco dobrada sobre si própria, mais do que habitualmente, e chorava... Pequenas gotas saídas de cada nó, escorriam-lhe pela haste miudinha e frágil. 
De facto há alguns dias que eu esperava a flor que parecia querer desabrochar a qualquer momento, mas hoje ela se desfaz em lágrimas transparentes.
São lágrimas muito particulares, redondas e brilhantes como pérolas preciosas que recebo e acolho como um dom que me recorda a fecundidade da natureza a irradiar o seu encanto. O dom que na natureza é espaço da criação, do nascimento e da vida. 



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Hoje te falo eu, Senhor

E um caminho novo se abre a nossos pés,
Uma luz nova em nossos olhos arde,
Átrio de luminosidade,
Pão
De trigo e de liberdade,
Claridade que se ateia ao coração.
 
Lume novo, lareira acesa na cidade,
És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a ressurreição.
 
Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos,
Desavindos,
A remendar bolsas ou redes.
 
Sacia-nos.
Envia-nos, Senhor,
E partiremos
O pão,
O perdão,
Até que em cada um de nós nasça um irmão.

D. António Couto

Foto de P. Luís Pardal, um amigo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem és Tu, Senhor?


"Quem és Tu, Senhor? E o que queres de nós, Senhor?

Morreste. A terra inteira calou-se nesse instante. 
Todos os pássaros se calaram. Todos os riachos pararam de correr
Com a lágrima calada de Deus.
Mas,
Aquele a quem escandalosamente chamavas de papá, Abbá
Levantou-te da morte com a qual te queriam parar e calar.
E estás vivo, da Vida de Deus
És as mãos de Deus que enxugarão todas as lágrimas.
És os pés que vão ao encontro
És todos os gestos que nos dizem como ser gente mais gente
És a Voz de todos os profetas que hoje seguem
Os mesmos caminhos que tu caminhas, Jesus.
ÉS! O Pão. Um Pão, um Corpo teu… que se parte e parte,
Para que não falte a ninguém, e todos sejam um… Um pão…
Um corpo teu.
Quem és tu, Jesus?
O que queres de nós, Senhor?" 
Susana Braguês

derrotar montanhas

Imagem de um powerpoint 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A minha terra com os seus encantos e recantos

Não é exactamente a minha terra, mas fica a cerca de 180 km a Aldeia de Monsanto, chamada "a mais portuguesa de Portugal".
Está situada na encosta de um monte bastante íngreme e rochoso e as suas casas de granito e xisto, umas altaneiras, outras encaixadas e abrigadas no meio das rochas guardam um pequeno mundo de beleza e de encanto.
Por causa da difícil acessibilidade do local, só um pouco ao longe tenho podido apreciar tudo isto. Mas mesmo as coisas que só a vista descortina e o coração sente… mesmo aquilo que não me é dado tocar a não ser por um olhar mais profundo, fazem de mim uma pessoa feliz e agradecida.

Aqui ficam as fotos que a minha amiga Zilda tirou para mim. Com elas mergulho num mundo/vida cheio de acontecimentos que guardarei para sempre na memória.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Fica sempre por perto

«Chamado ou não chamado, Deus estará sempre presente». Nunca se vai embora. Fica sempre por perto, à espera de nos abraçar».

Carl Gustav Jung


Imagem google

sábado, 25 de janeiro de 2014

O papel branco e a minha mesa

«Ponho um papel branco sobre a mesa e espero que as palavras, atraídas pela luminosidade, venham pousar nele». 
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
Quero por o meu papel branco sobre a mesa,
quando a minha terra está cheia de sol,
porque o tanto e o tão pouco que eu sou
o mundo que me rodeia
e a luz que envolve o meu dia,
o encherão de palavras  de amor!
alice

Pintura: Pablo Picasso