Neste blog, além de colocar alguns poemas ou textos de que gosto e que me ajudam, gostaria também de deixar pequenas coisas que vou escrevendo e falar um pouco de mim, da minha vida, da minha fé, da minha relação com Deus e o mundo, com o sofrimento e com a alegria, com a ansiedade e a paz...
domingo, 7 de dezembro de 2014
domingo, 30 de novembro de 2014
ADVENTO
Como é fácil, Senhor Jesus,
Daqui,
de ao pé da tua Cruz,
Avistar
a paisagem do Advento,
Compreender-lhe
a mensagem,
Respirar-lhe
o alento.
Daqui,
de ao pé da tua Cruz de Luz,
Sem
dúvida o lugar mais alto do mundo,
Mais
alto e mais profundo,
Vê-se
bem, com toda a claridade,
Que a
lonjura do Advento não é horizontal.
Eleva-se
em altura.
Como
a tua túnica tecida de Alto-a-baixo,
Vertical,
E sem
costura.
Tu
vens do Alto, Senhor.
Tu
vens de Deus.
Tu és
Deus.
Tu és
o Justo
Que
chove das alturas
Sobre
a nossa humanidade sedenta e às escuras.
Vem,
Senhor Jesus,
Alumia
e rega a nossa terra dura,
Acaricia
o nosso humilde chão
E
modela com as tuas mãos de amor
Em
cada um de nós
Um
novo coração
Capaz
de ver.
Capaz
de Te ver
Nascer
Em
cada irmão.
D.
António Couto
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Canção
Nina Krasnov
Caíram levemente e ficaram pousadas
sobre vidro molhado. Observo-as desde dentro de mim, como se
assim fosse capaz de acrescentar um pouco mais de tempo à sua existência.
Os meus olhos humedecidos seguem o gesto das mãos que se abrem para se
tornarem vaso de aconchego.
A surpresa, a fragilidade e a luz
atravessam a cortina feita de grandes bátegas de água. Em silêncio, no coração,
canto uma canção de amor.
Alice
terça-feira, 7 de outubro de 2014
sábado, 2 de agosto de 2014
Arco-Íris
Num lugar de sonho, um dia cinzento, um banco, um muro, uma árvore e um tempo de tranquilidade e paz.
Quisera sentar-me um pouco, mas temo perturbar o tom, a cor e o vazio que fala de amores e de vidas que passaram por aqui. Oiço somente o bater do meu coração e deixo passear o meu olhar que se perde e se fixa num arco-íris imaginário e deslumbrante onde pulsam novos corações fazendo agitar o astro e iluminando-o cada vez mais. Fico de olhar cheio e brilhante e sorrio à vida também...
"Corações iluminados (Efésios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!"
( A. Couto)
Foto tirada da net . fac do amigo P. Paulo Teia
Quisera sentar-me um pouco, mas temo perturbar o tom, a cor e o vazio que fala de amores e de vidas que passaram por aqui. Oiço somente o bater do meu coração e deixo passear o meu olhar que se perde e se fixa num arco-íris imaginário e deslumbrante onde pulsam novos corações fazendo agitar o astro e iluminando-o cada vez mais. Fico de olhar cheio e brilhante e sorrio à vida também...
"Corações iluminados (Efésios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!"
( A. Couto)
Foto tirada da net . fac do amigo P. Paulo Teia
quinta-feira, 26 de junho de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Presente
Por vezes, dou comigo a viver no
passado; outras vezes, reparo que fugi para sonhar o futuro... É que o presente
nem sempre é agradável, mas é o único espaço que tenho para fazer o bem. O
presente também serve para agradecer o passado, colher os frutos e programar o
futuro. Regar a árvore da vida é a tarefa do dia a dia. Não posso mudar o
ontem, nem garantir para amanhã. Não vá apodrecer-me o único presente que tenho
nas mãos.
Vasco P.
Magalhães, sj
Sabedoria esta que me leva a olhar a beleza do presente como algo a agradecer sempre. E assim me detenho hoje, a observar cada umas das flores na sua diferença tocando com afeto as mãos que as mantêm unidas uma às outras.
Por vezes a natureza, na sua diversidade e encanto, entra assim na minha casa, trazida por mãos carinhosas e sorridentes para me convidar a saborear a vida em cuja beleza vejo e escuto Deus.
Por vezes a natureza, na sua diversidade e encanto, entra assim na minha casa, trazida por mãos carinhosas e sorridentes para me convidar a saborear a vida em cuja beleza vejo e escuto Deus.
sábado, 17 de maio de 2014
No caminho...
Nesta tónica que envolve a minha vida, e penso que cada vida... faço um tempo de paragem, neste cantinho escondido e deserto...
Desde de dentro do carro à beira da Foz no Porto, até ao sitio
onde se põe o sol, o meu coração sentido e desapontado pela dor física que
não me deixa ir mais longe ou mais perto, vai adquirindo aos poucos novas tonalidades e contornos, novos sorrisos até, tal como o horizonte que me
envolve.
Não que alguma coisa tenha mudado a não ser o olhar renovado que encara a luz do final do dia com apreço, com gratidão e confiança... Permanece o desejo de caminhar mais e fazê-lo nesse sentido, o da esperança, do reconhecimento da bênção de cada dia e cada momento!
Pôr-do-sol e Foz do Porto
terça-feira, 22 de abril de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
Ressurreição
«Vi o Senhor vivo, Ele minha esperança, minha vida!... Ele,
no "ofício de consolador", tal como os amigos se consolam uns aos
outros,
restituindo-os à confiança,
à luz, à vida!
restituindo-os à confiança,
à luz, à vida!
Sei que está vivo,
Ele minha Páscoa!»
Ele minha Páscoa!»
José Frazão Correia
Ressoa ainda no meu coração, o anúncio Pascal que se faz canto e encanto na minha vida. "Vi o Senhor vivo!
Uma Páscoa marcada pela comoção que se faz notícia, e bênção, e presença.... Parece pouco? Mas é tanto em mim... Boas Festas de Páscoa!
sábado, 19 de abril de 2014
Quatro linhas sobre a cruz
No silêncio, a Cruz
Eis a Vida a ser entregue
Eis o Homem
Eis o meu Deus
E o Amor!
Alice
"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria
domingo, 13 de abril de 2014
se és Filho de Deus, desce da cruz...
"Salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.” Mt 27, 40
Começámos a semana santa e a Liturgia oferece-nos o relato da paixão de Jesus, que dá a vida até ao fim, até não haver mais vida. Esta leitura é muito reveladora da realidade, é muito bela e muito forte.
Hoje comecei o dia embalada no som da Celebração do Domingo de Ramos pelo Papa Francisco que o meu pai estava a seguir.
Tive a noção de que, mais do que nunca, a História da Salvação está presente nas nossas vidas. Repetem-se as nossas indecisões, as nossas fraquezas, o nosso lamento: “Não O conheço…”
Deixo alguns extratos sobre este mistério de fé:
(…) « E vejo um homem nu cravado e moribundo. Um homem com os braços totalmente
abertos num abraço que não renegará pela eternidade. Vejo um homem que nada
pede para si, não grita: lembrai-vos de mim, procurai entender, defendei-me...
Até ao fim esquece-se de si próprio e preocupa-se por quem morre ao seu lado:
hoje, comigo, estarás no paraíso.
A
cruz é o enxerto do céu dentro da terra, o ponto onde um amor eterno penetra no
tempo como uma gota de fogo, e arde. No Calvário, o amor escreve a sua narração
com o alfabeto das feridas, o único indelével, o único em que não há engano.» (P. Ermes Ronchi).
«Para
saber quem é Deus, devo apenas ajoelhar-me aos pés da Cruz» (Karl Rahner).
A
cruz permanece uma pergunta sempre aberta, diante da qual sei que não entendo.
Mas no fim a cruz vence porque convence, e fá-lo não através das explicações
dos teólogos, mas com a eloquência do coração: «Porque a cruz/ o sorriso/ a
pena inumana?/ Crede-me,/ é tão simples/ quando se ama» (Jan Twardowski).
Estavam
lá muitas mulheres, que observavam de longe. Pequeno rebanho assustado e corajoso:
a Igreja nasce da contemplação do rosto de Deus crucificado (C.M. Martini).
sábado, 12 de abril de 2014
grão de trigo
Entretanto, estava próxima a
Páscoa dos judeus e muitos subiram da província a Jerusalém, para se
purificarem, antes da Páscoa. Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros
no templo: «Que vos parece? Ele não virá à festa?» Jo 11, 55-56
"Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus"...
Também agora está próxima a "festa" e eu sinto-me convidada a permanecer com Jesus neste tempo onde tanto acontece, para que aconteça a vida.
"Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus"...
Também agora está próxima a "festa" e eu sinto-me convidada a permanecer com Jesus neste tempo onde tanto acontece, para que aconteça a vida.
Tal como a semente lançada à terra, tal como o grão de trigo, entrego o meu desejo de responder a este convite, e ainda que me pareça difícil, ainda que a cruz ao aproximar-se me fale do entardecer deste dia, eu quero estar Contigo junto à Cruz.
«Entretanto,
o inverno passará e o canto regressará aos campos. Entretanto, nascerá um novo
dia, depois que passe a longa noite.»
(in Entre-tanto)
(in Entre-tanto)
quinta-feira, 10 de abril de 2014
O servo
Eis o Servo de todos, Aquele que se esvazia de si mesmo ficando sem nada... não pensa na imagem, não resiste à maldade e entrega-se aos seus perseguidores por amor de mim e por amor de todos...
Este servo que assim faz, é o "meu Senhor e meu Deus", convida-me a segui-Lo sem desanimar, a segui-Lo com confiança e determinação, sem medo. E diz-me que nunca me encontrarei sozinha, nunca!
É diante deste Senhor que o meu coração se ajoelha hoje, a caminho da Páscoa.
domingo, 6 de abril de 2014
Nesta manhã de domingo...
Deixo-me embalar por esta canção de amor e ao oferecê-la, recebo muito muito mais do que dou. Como sempre...
E assim domingo após domingo preparo em cada manhã, a Grande Manhã que há-de vir.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Chamados à luz da alegria
A carícia como promessa, a cura como sinal, o dom recebido como certeza da bênção. E assim se revela o amor infinito e incondicional do nosso Deus.
Deixo esta reflexão cheia de interpelações e de convites a uma vida que se renova pelo amor.
«Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os
olhos de um mendigo que nos representa a todos.
Deixo esta reflexão cheia de interpelações e de convites a uma vida que se renova pelo amor.
«Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os
olhos de um mendigo que nos representa a todos.Uma carícia de luz que se torna carícia de liberdade. Quem não vê tem de apoiar-se noutros, em paredes, num bastão, nos pais, nos fariseus. Quem vê caminha seguro, sem depender dos outros, livre. Como o cego do Evangelho, que curado se torna forte, deixa de ter medo, enfrenta os sábios, centra-se nos factos concretos e não nas palavras. Alimenta-se da luz e ousa. Livre.
Uma carícia de liberdade que se torna carícia de alegria.
Por ver é apreciar os rostos, a beleza, as cores. A luz é um golpe de alegria
que pousa sobre as coisas. Assim a fé, que é visão nova das coisas, cria um
olhar luminoso que leva a luz onde pousa: «Vós sois luz no Senhor» (Efésios 5,
8).
(...)
A resposta de Jesus é outra: «Nem ele pecou nem os seus
pais». Distancia-se de imediato, com a primeira palavra, desta perspetiva, para
declarar como ela causa a cegueira sobre Deus e sobre os homens. Falará
unicamente do pecado para dizer que está perdoado.»
P.
Enzo Bianchi
In Lachiesa.it
Trad.: SNPC
In Lachiesa.it
Trad.: SNPC
domingo, 30 de março de 2014
A primavera
árvore da primavera-Philip Sutton
Há imagens que quase falam por si... Algumas fazem acordar em mim sentimentos e desejos de paz e gratidão. Por vezes têm a cor de um sorriso ou de um abraço e o odor de uma primavera sempre esperada. Fazem perceber uma mão que cria, por amor... e um coração que crê, no amor...
domingo, 23 de março de 2014
MILAGRE É O ENCONTRO...
«... TÃO NECESSÁRIO COMO A ÁGUA. TÃO
PRECIOSO COMO O SÃO OS POÇOS NO DESERTO. É este o milagre que vejo
acontecer no encontro de Jesus com a Samaritana, à beira do poço» (José
Frazão, sj).
Jesus é hoje o "Milagre" que, nos encontros com a nossa vida, espera e deseja a uma resposta, «a voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes» Cântico dos Cânticos 2,8.
O Evangelho de S. João diz-nos hoje que Jesus chegou a uma
cidade da Samaria chamada Sicar. Era lá que estava a fonte de Jacob. Cansado da
caminhada sentou-se junto à fonte e eis que chega ali uma mulher
da Samaria, para tirar água do poço.
A ela e também a nós, quando sentados à beira do poço que é a vida, Ele diz: "Dá-me de beber" e também:
«Dá-me o teu amor. Recebe o meu amor» (José Pires, sj).
A ela e também a nós, quando sentados à beira do poço que é a vida, Ele diz: "Dá-me de beber" e também:
«Dá-me o teu amor. Recebe o meu amor» (José Pires, sj).
Era pela hora do meio-dia, com o sol a pique, dando luz a todo o acontecimento. Sem nada ocultar, Jesus apresenta-se como o amado do cântico dos cânticos, aquele que pode oferecer a água viva que mata todas as sedes. É Jesus que sabe da verdade da vida daquela mulher e lhe oferece a felicidade e um novo sentido para essa vida.
Tal como a Samaritana somos mendigos de afecto. É pelo afeto que Jesus toca o nosso coração e nos faz desejar beber da água viva, é também pelo Seu afeto que hoje nos oferece dessa água que mata todas as nossas sedes.
E porque muitas vezes o não tenho percebido, busco água em fontes vazias, procuro água onde não há água e bebo da água que não sabe a nada... Quero hoje re-visitar Contigo o poço de Jacob, quero sentar-me Contigo à beira desse poço e levar comigo aqueles que amo mais, mas também aqueles que ainda não aprendi a amar. Eis-me aqui Senhor!
E porque muitas vezes o não tenho percebido, busco água em fontes vazias, procuro água onde não há água e bebo da água que não sabe a nada... Quero hoje re-visitar Contigo o poço de Jacob, quero sentar-me Contigo à beira desse poço e levar comigo aqueles que amo mais, mas também aqueles que ainda não aprendi a amar. Eis-me aqui Senhor!
domingo, 16 de março de 2014
Bênção
"Respeitar e abraçar a
difícil bênção da contingência. Extraordinária sabedoria de vida. E
extraordinária síntese da vida. Bênção e custo. Dom e conquista. Promessa e
limite. Inseparavelmente. Do mesmo modo a fé em Jesus Cristo. A graça do dom
de Deus. O custo do reconhecimento humano. E, entre um e o outro, a difícil
inscrição da fé na vida de cada dia, nos encontros de todos os dias, sobretudo
quando o custo parece fazer esquecer a graça, e a banalidade, a promessa e o
vazio, a alegria. Porém, é assim que nos espera a vida. É assim que se realiza
a fé. E é tanto".
P. José Frazão Correia, sj ´in Entre-Tanto´
E experimentando uma e outra vez, que de «difícil, a vida é bênção.» ... Bênção em que acredito, me faz ajoelhar diante do meu Senhor e meu Deus, e um dia me fará agradecida e livre...
Com alegria deixo este extrato do livro, que é promessa de tanto.
Foto: Fá Pires
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