segunda-feira, 20 de abril de 2015

A experiência de Emaús

Sierger Koder

E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» E eles contaram o que lhes tinha acontecido e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. (do Evangelho de S. Lucas)

A experiência de Emaús

Ao ler este texto e os acontecimentos narrados pelos discípulos de Emaús, retomo a lembrança das aleluias da noite Pascal, que marcaram com emoção o momento do Glória. Faço desse momento “memória agradecida!” (E.E. Inácio de Loiola).
Sim, Jesus Ressuscitou, está vivo em mim, está vivo nas pessoas que me rodeiam, habita na minha casa, nas ruas da minha cidade… Mora em cada realidade da minha vida!
Como os discípulos faço experiências de desilusão e de falta de fé, mas também de caminhar na presença do Senhor Ressuscitado e de O tocar naquilo que penso e vejo, naquilo que faço e amo e… particularmente de me deixar tocar pelo afeto e pelo Mistério reconhecido simplesmente pelos sinais.  Fecho os olhos por momentos e tudo faz sentido. Tomo consciência que, desde sempre, Jesus se faz presente no meu caminho, tornando-o mais suave. Sinto agora o toque de cada bênção recebida porque nela, é Ele que se Dá. É Ele que me convida a refazer o caminho de Emaús.
No regresso…recolho a luz ténue do dia que termina e peço a graça de um olhar purificado, sobre cada realidade que me rodeia, porque Ele, o Senhor, renova tudo o que em mim perdeu a vida, fortalece todas as incertezas, acalma todos os medos, dá sentido a todas alegrias.

  E, neste Senhor que assim se inclina para se dar em Alimento, eu sei que posso confiar e confiar-me  dizendo: Meu Senhor e meu Deus! Assim me encontras hoje, agradecida…  





terça-feira, 14 de abril de 2015

Na Páscoa dá-se a passagem...


“Porque buscais entre os mortos aquele que Vive?"(Lc 24, 5)

"Na Páscoa dá-se a passagem tão desejada. Passar do medo à confiança. Da separação ao encontro. Do ressentimento ao perdão. Da fraqueza do pecado à fortaleza da Graça. Passar das lágrimas tristes à profunda Alegria. São estas as passagens mais dramáticas da vida. E as mais promissoras... 
Se o grão de trigo caído à terra morrer produzirá muito fruto, não habita no sepulcro a vida que se dá..." 
P. José Frazão, s.j.        


terça-feira, 17 de março de 2015

A força e as palavras

Porque cada metade de mim, deseja sempre estar inteira... 
Porque nasci inteiramente abençoada e cada momento simples me oferece um sorriso de esperança...
Porque dia-a-dia preciso de recordar que tudo é dom...
Porque oiço e sinto a música de cada silêncio... E quero encher de paz cada momento vazio... 
Curvo-me diante da Única Fonte da qual bebo a água fresca que fortalece a minha vida.


"Que a força do medo que eu tenho
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca,
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu oiço ao longe
seja linda ainda que triste.
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante,
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos,
porque metade de mim é o que eu oiço
mas a outra metade é o que calo.
Que esta minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço e que esta tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensado,
porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflicta no meu rosto
um doce sorriso que me lembro de ter dado na infância,
porque metade de mim é a lembrança do que eu fui
e a outra metade, eu não sei.
Que não seja preciso mais
do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
e que o Teu silêncio
me fale cada vez mais,
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer,
porque metade de mim é plateia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada,
porque metade de mim é Amor
e a outra metade também"

"Metade", de Oswaldo Montenegro


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O lugar do Menino neste Natal


E é na nossa vida com toda a sua pobreza e ambiguidade, no nosso dia a dia que o Menino quer continuar a nascer. “As nossas coisas” são um lugar digno onde Deus se quer revelar. 


domingo, 7 de dezembro de 2014

Advento - Luz


Deus da luz, que te fazes tão próximo, vem...
ilumina cada noite que chega!
Estrela da manhã que não desistes de nós, vem...
 brilha nas nossas  manhãs silenciosas.
Sol da esperança e da vida nova, vem...
aquece e desperta o nosso coração adormecido! 

Alice





domingo, 30 de novembro de 2014

ADVENTO


Como é fácil, Senhor Jesus,
Daqui, de ao pé da tua Cruz,
Avistar a paisagem do Advento,
Compreender-lhe a mensagem,
Respirar-lhe o alento.

Daqui, de ao pé da tua Cruz de Luz,
Sem dúvida o lugar mais alto do mundo,
Mais alto e mais profundo,
Vê-se bem, com toda a claridade,
Que a lonjura do Advento não é horizontal.
Eleva-se em altura.
Como a tua túnica tecida de Alto-a-baixo,
Vertical,
E sem costura.

Tu vens do Alto, Senhor.
Tu vens de Deus.
Tu és Deus.
Tu és o Justo
Que chove das alturas
Sobre a nossa humanidade sedenta e às escuras.

Vem, Senhor Jesus,
Alumia e rega a nossa terra dura,
Acaricia o nosso humilde chão
E modela com as tuas mãos de amor
Em cada um de nós
Um novo coração
Capaz de ver.
Capaz de Te ver
Nascer
Em cada irmão.

D. António Couto

Volto aqui depois de uns tempos de silêncio, e cada regresso, cada recomeço tem o sabor da alegria e do novo olhar.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Canção

Nina Krasnov

Caíram levemente e ficaram pousadas sobre vidro molhado. Observo-as desde dentro de mim, como se assim fosse capaz de acrescentar um pouco mais de tempo à sua existência. Os meus olhos humedecidos seguem o gesto das mãos que se abrem para se tornarem vaso de aconchego. 
A surpresa, a fragilidade e a luz atravessam a cortina feita de grandes bátegas de água. Em silêncio, no coração, canto uma canção de amor.  
Alice


sábado, 2 de agosto de 2014

Arco-Íris


Num lugar de sonho, um dia cinzento, um banco, um muro, uma árvore e um tempo de tranquilidade e paz.
Quisera sentar-me um pouco, mas temo perturbar o tom, a cor e o vazio que fala de amores e de vidas que passaram por aqui. Oiço somente o bater do meu coração e deixo passear o meu olhar que se perde e se fixa num arco-íris imaginário e deslumbrante onde  pulsam novos corações fazendo agitar o astro  e iluminando-o cada vez mais. Fico de olhar cheio e brilhante e sorrio à vida também...
"Corações iluminados (Efésios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!"
( A. Couto)



Foto tirada da net . fac do amigo P. Paulo Teia

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Beleza

Tinyan Chan

Flores que falam de silêncios cheios de beleza e encanto. Esperanças que renascem pelo sol que chega silencioso e quente. 




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Presente

Por vezes, dou comigo a viver no passado; outras vezes, reparo que fugi para sonhar o futuro... É que o presente nem sempre é agradável, mas é o único espaço que tenho para fazer o bem. O presente também serve para agradecer o passado, colher os frutos e programar o futuro. Regar a árvore da vida é a tarefa do dia a dia. Não posso mudar o ontem, nem garantir para amanhã. Não vá apodrecer-me o único presente que tenho nas mãos.
 Vasco P. Magalhães, sj


Sabedoria esta que me leva a olhar a beleza do presente como algo a agradecer sempre. E assim me detenho hoje, a observar cada umas das flores na sua diferença tocando com afeto  as mãos que as mantêm unidas uma às outras. 
Por vezes a natureza, na sua diversidade e encanto, entra  assim na minha casa, trazida por mãos carinhosas e sorridentes para me convidar a saborear a vida em cuja beleza vejo e escuto Deus.

  

sábado, 17 de maio de 2014

No caminho...

"Não sou feliz, mas estou a caminho"
Nesta tónica que envolve a minha vida, e penso que cada vida... faço um tempo de paragem, neste cantinho escondido e deserto... 
Desde de dentro do carro à beira da Foz no Porto, até ao sitio onde se põe o sol, o meu coração sentido e desapontado pela dor física que não me deixa ir mais longe ou mais perto, vai adquirindo aos poucos novas tonalidades e contornos, novos sorrisos até, tal como o horizonte que me envolve. 
Não que alguma coisa tenha mudado a não ser o olhar renovado que encara a luz do final do dia com apreço, com gratidão e confiança... Permanece o desejo de caminhar mais e fazê-lo nesse sentido, o da esperança, do reconhecimento da bênção de cada dia e cada momento!

Pôr-do-sol e Foz do Porto



terça-feira, 22 de abril de 2014

Páscoa e flores


Não estavam mortas
as flores
tinham só adormecido.
Veio a Páscoa
e acordaram para a vida
floriram na manhã da Ressurreição,
acordaram para o amor
na luz que vence a escuridão da noite,
A manhã da Ressurreição.
Alice



domingo, 20 de abril de 2014

Ressurreição

«Vi o Senhor vivo, Ele minha esperança, minha vida!... Ele, no "ofício de consolador", tal como os amigos se consolam uns aos outros,
 restituindo-os à confiança,
 à luz, à vida! 
Sei que está vivo,
Ele minha Páscoa!»  
José Frazão Correia




Ressoa ainda no meu coração, o anúncio Pascal que se faz canto e encanto na minha vida. "Vi o Senhor vivo! 
Uma Páscoa marcada pela comoção que se faz notícia, e bênção, e presença.... Parece pouco? Mas é tanto em mim... Boas Festas de Páscoa!



sábado, 19 de abril de 2014

Quatro linhas sobre a cruz

No silêncio, a Cruz 
Eis a Vida a ser entregue
Eis o Homem
Eis o meu Deus
E o Amor!
Alice


"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria

sexta-feira, 18 de abril de 2014

domingo, 13 de abril de 2014

se és Filho de Deus, desce da cruz...

 Giotto

"Salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.”  Mt 27, 40

Começámos a semana santa e a Liturgia oferece-nos o relato da paixão de Jesus, que dá a vida até ao fim, até não haver mais vida. Esta leitura é muito reveladora da realidade, é muito bela e muito forte.
Hoje comecei o dia embalada no som da Celebração do Domingo de Ramos pelo Papa Francisco que o meu pai estava a seguir.
Tive a noção de que, mais do que nunca, a História da Salvação está  presente nas nossas vidas. Repetem-se as nossas indecisões, as nossas fraquezas, o nosso lamento: “Não O conheço…”

Deixo alguns extratos sobre este mistério de fé:

(…) « E vejo um homem nu cravado e moribundo. Um homem com os braços totalmente abertos num abraço que não renegará pela eternidade. Vejo um homem que nada pede para si, não grita: lembrai-vos de mim, procurai entender, defendei-me... Até ao fim esquece-se de si próprio e preocupa-se por quem morre ao seu lado: hoje, comigo, estarás no paraíso.

A cruz é o enxerto do céu dentro da terra, o ponto onde um amor eterno penetra no tempo como uma gota de fogo, e arde. No Calvário, o amor escreve a sua narração com o alfabeto das feridas, o único indelével, o único em que não há engano.» (P. Ermes Ronchi).

«Para saber quem é Deus, devo apenas ajoelhar-me aos pés da Cruz» (Karl Rahner).

A cruz permanece uma pergunta sempre aberta, diante da qual sei que não entendo. Mas no fim a cruz vence porque convence, e fá-lo não através das explicações dos teólogos, mas com a eloquência do coração: «Porque a cruz/ o sorriso/ a pena inumana?/ Crede-me,/ é tão simples/ quando se ama» (Jan Twardowski).

Estavam lá muitas mulheres, que observavam de longe. Pequeno rebanho assustado e corajoso: a Igreja nasce da contemplação do rosto de Deus crucificado (C.M. Martini).


sábado, 12 de abril de 2014

grão de trigo

Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus e muitos subiram da província a Jerusalém, para se purificarem, antes da Páscoa. Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Ele não virá à festa?»  Jo 11, 55-56


"Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus"... 
Também agora está próxima a "festa" e eu sinto-me convidada a permanecer com Jesus neste tempo onde tanto acontece, para que aconteça a vida. 
Tal como a semente lançada à terra, tal como o grão de trigo, entrego o meu desejo de responder a este convite, e ainda que me pareça difícil, ainda que a cruz ao aproximar-se me fale do entardecer deste dia, eu quero estar Contigo junto à Cruz. 

«Entretanto, o inverno passará e o canto regressará aos campos. Entretanto, nascerá um novo dia, depois que passe a longa noite.» 
(in Entre-tanto) 


quinta-feira, 10 de abril de 2014

O servo


Eis o Servo de todos, Aquele que se esvazia de si mesmo ficando sem nada... não pensa na imagem, não resiste à maldade e entrega-se aos seus perseguidores por amor de mim e por amor de todos... 
Este servo que assim faz, é o "meu Senhor e meu Deus",  convida-me a segui-Lo sem desanimar, a segui-Lo com confiança e determinação, sem medo. E diz-me que nunca me encontrarei sozinha, nunca!
É diante deste Senhor que o meu coração se ajoelha hoje, a caminho da Páscoa.