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Despedidas... Pai

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  (…) A despedida talvez seja a parte mais difícil da amizade. Não se pode dizer muita coisa. Acho que aprendemos devagar, por vezes com muito custo, por vezes mais serenamente, e ambas as coisas estão certas. (…) Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada…" José Tolentino Mendonça -  In Nenhum caminho será longo  ** Pai Quero falar-te de amor, de despedidas, dos lugares por onde vou passando e do pequeno barco que ficou à deriva e se acomodou na enseada, quando tu partiste para sempre. Dos dias de inverno, quando a nossa casa ficava rodeada de neve. E eu de nariz encostado aos vidros da janela ficava deliciada a ver as minhas irmãs e as outras crianças brincar. De quando abria devagarinho uma fresta e me davam bocadinhos de neve que ficava a amassar nas mãos até que se derretesse e se escapasse por entre os ...

Luz que faz ver

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«Porque a glória do Senhor manifesta-se, quando a luz volta a brilhar para quem dela ficou privado e quando, quem deixara de ouvir, pode apreciar, de novo, o gosto das palavras; manifesta-se quando os paralíticos reaprendem a viver de pé e as pessoas de má vida recuperam a própria dignidade; quando os tristes retomam confiança e os desesperados reencontram um novo horizonte. Na verdade, o desejo mais íntimo de Deus é que, para cada homem e para cada mulher que venha a este mundo, a vida brilhe e brilhe muito»  José Frazão, sj (pequena reflexão sobre o cego de nascença) ** Que estas lágrimas de saudade, não apaguem a memória do teu rosto e não  ensombrem  a Luz que o Senhor me quer oferecer em cada momento, tal como ao cego de nascença.  Que o reconhecimento da fragilidade que em mim existe não me retire a esperança, de que posso reaprender a viver de pé.  Que o silêncio que em rodeia me ajude a ouvir Aquele que  vai pegando nos meus braços caído...

Silêncio

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Silêncio!!! Prestes a ver o filme silêncio, baseado na história dos Jesuítas no Japão.  Olhos postos no ecrã e momentos de alguma expectativa. Mais tarde: Silêncios, mais expectativas, fragilidades, acertos, crueldade... Por outro lado a parte consoladora: na fé e entrega daqueles, e são tantos os que não vacilam. Silêncios e reflexões para repensar... Um aparente silêncio de Deus, nos momentos em que parece tudo depender de sinais Dele.  Depois, vê-se que ... Ele está presente, e em momentos cruciais fala para dizer de si próprio, que é amor e compaixão, que é força. Que é a Vida. Continuo a minha reflexão sobre o assunto. Alice

Tempo de olhar o mar

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Revolto mas sem inquietação, cinzento e a chegar à praia em espumas soltas e brancas.  Vou-me aproximando devagar, uma enorme quietude me rodeia...  Convida -me à reflexão e a olhar as coisas com olhar livre e surpreso, qual criança que o vê pela primeira vez. Sem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo paro e sento-me no muro. Comigo e em mim há um gesto  agradecido vindo de dentro, do mais fundo que existe. Uma tarde de passeio pela beira mar, encantada com pequenos momentos onde as saudades e o seu custo andam misturados de tranquilidade e de bem. A.M.

Tempo de "novo" Advento

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Oração diante da manjedoura Imagem: Rui Aleixo MMXV Vens ao meu encontro para que caminhe para ti e na minha dispersão te possa encontrar Olhas para mim para que te possa ver Escutas-me e assim me mostras o que é ouvir Estendes para mim os braços para que aprenda a abraçar E nasces para que eu possa renascer P. José Tolentino Mendonça Eis um convite para mim, para todos, nesta ultima semana de Advento: A deixar-me acolher... a caminhar como me é próprio mas ao Teu encontro, apresentando-me ao olhar dos outros tal como sou, deixar-me encontrar na vida, aquela que vivo e a que tenho para viver, a escutar Aquele que me ensina a ouvir e sobretudo... para que  abraçada, abra os braços para abraçar, abraçada continuar a deixar-me abraçar... continue a nascer, renascendo... e "tudo custa mas tudo é dom"...  Alice 

Vem, Senhor Jesus,

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Quando a nossa esperança é "respiro", quando a minha esperança for tão forte e me "revestir de alto a baixo", sem costura, ainda que remendada... já não será a minha esperança estava enganada, será também e sobretudo a esperança para outros!  E aí sim, nesse local recôndito do meu coração será  também esperança para mim. Deixo um poema. Como é fácil, Senhor Jesus, Daqui, de ao pé da tua Cruz, Avistar a paisagem do Advento, Compreender-lhe a mensagem, Respirar-lhe o alento. Daqui, de ao pé da tua Cruz de Luz, Sem dúvida o lugar mais alto do mundo, Mais alto e mais profundo, Vê-se bem, com toda a claridade, Que a lonjura do Advento não é horizontal. Eleva-se em altura. Como a tua túnica tecida de Alto-a-baixo, Vertical, E sem costura. Tu vens do Alto, Senhor. Tu vens de Deus. Tu és Deus. Tu és o Justo Que chove das alturas Sobre a nossa humanidade sedenta e às escuras. Vem, Senhor Jesus, Alumia e rega a n...

A Estrela do nosso mundo

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Em cada Advento renovamos o pedido: " preciso de uma estrela"... Sim um estrela para o nosso mundo e por essa estrela saberemos que em todas as nossas necessidades o Senhor vem ao nosso encontro.  A Estrela Precisamos de uma estrela que desarme a noite' Precisamos de uma palavra transparente que nos ofereça a possibilidade de um começo Precisamos de uma esperança que se propague Precisamos de lugares límpidos fora e dentro de nós Precisamos de reencontrar uma vida onde a prece e o louvor voltem a ser possíveis Precisamos de um gesto para dizer uma alegria maior do que a alegria Precisamos de acolher o dom e o seu equilíbrio difícil e leve Precisamos de alguém que em pleno inverno nos ensine a trazer no coração a primavera a arder Imagem: Rui Aleixo MMXV Texto: José Tolentino Mendonça