domingo, 29 de janeiro de 2012

A estrada das hortênsias



Diante da beleza que ultrapassa os meus sonhos... olho, medito e fico em silêncio, participo do silêncio que acontece enquanto caminho na "estrada das Hortênsias".
Seja esta maneira de estar e olhar, um ponto de partida para o encontro com Deus neste domingo em que a saudade existe como forma  e fonte de amor e de relação. Mãe, temos saudades!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Foram ver onde morava..."


Fazia algumas pesquisas para um trabalho de catequese e eis que esta imagem surge diante do meu olhar prendendo a minha atenção.
Desejo muito partilhá-la no meu blogue porque ela me fala de Deus, me diz respeito, porque implica a minha existência, os meus desejos mais íntimos e a minha fé por vezes tão frágil. Tudo o que aqui acontece, tudo o que se vê nesta foto em aparente fragilidade,  mostra implícita toda a força do mundo.
Sim! Moro aqui... E estou contigo em todas as situações em especial, em especial... nos limites da tua existência... E eu respondo hoje: Sim! É dessa certeza que eu vivo. "Em Ti ponho a minha confiança".
Alice

domingo, 22 de janeiro de 2012

Abri a minha varanda


“... Todos começamos assim, como um dom que confirma a vida como graça. Admiravelmente, esta origem é tão frágil e tão promissora. Cada bebé que venha a este mundo é apresentado à luz como dádiva. Por isso, poderá viver de gratidão, honrando para sempre a sua origem.
Ninguém dá, a si mesmo, a vida. Cada um é trazido de muito longe, como fruto de uma longa memória. E o fruto de um ventre que o sentiu e o plasmou num corpo único”.
(“A graça e o custo da existência, P. José Frazão, SJ)

Relia este artigo de um amigo e detive-me nesta parte que cito, sugerindo ao meu pensamento e ao meu coração,  se deixassem tocar pela memória do meu nascimento, do ventre que me sentiu e plasmou, mas também da dádiva que me foi feita ao nascer, qual “imposição” que me tornou num ser em busca constante de razões para amar, um ser em busca da felicidade, sendo que nessa busca,  intuo-me feliz, torno-me já feliz…
É domingo, o sol entra pelas janelas da nossa casa como que a presentear-nos e a dar-nos vida,  neste dia do Senhor da Vida.
Abro a varanda e deixo que esta luz me toque… deixo que estes raios de ternura “quente” circulem e se estendam por toda a casa, para que Tu, possas entrar e permanecer.
Há uma semana eu questionava-te “onde moras Senhor” e então, de novo, tu me desafiavas: “Vem ver” Precisas de ver para saber…
Sim,  eu fui e vi, mas preciso voltar, preciso saborear esta relação que se torna vital, que implica a minha vida e me faz correr alguns riscos.
Mas hoje digo-te Senhor: Abri a minha varanda, abri a minha casa e abro-Te o meu coração. Vem morar comigo, vem ficar comigo…

Alice



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Exercicíos Espirituais


Este é um pequeno recanto que me é muito caro

Volto aqui, na realidade da minha casa, da minha família e da minha vida quotidiana, da qual faz parte também o computador e com ele a possibilidade de me ligar ao mundo e de comunicar… também pela oração, pela partilha e pela experiência de tanto amor recebido e ofertado durante os últimos três dias. Não o faço sem antes ter agradecido ao Senhor o tempo de "apartamento" em Soutelo que toca ainda todo o meu ser.

Da Mara Alexandra, me chegaram estas fotos, e com elas um pouco mais da do Amor de Deus manifestado em tanta beleza já conhecida e pressentida, mas que não me é acessível agora pelo toque, por motivos simples e muito óbvios, mas que não me tiraram o desejo do Encontro com o Criador.














domingo, 8 de janeiro de 2012

“A Estrela”


Eu caminhei na noite
E entre o silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava.

Grandes perigos na noite me apareceram:
Da minha estrela julguei que eu a julgara verdadeira
sendo ela só reflexo duma cidade a néon enfeitada.

A minha solidão me pareceu coroa.
Sinal de perfeição em minha fronte.

Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era dum ferro tão pesado,
que toda me dobrava.
Do frio das montanhas eu pensei:
«Minha pureza me cerca e me rodeia».

Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu.

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram:

Pedi às pedras do monte que falassem
mas elas como pedras se calaram.


Sozinha me vi, delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava.

E eu caminhei na noite, minha sombra
De gestos desmedidos me cercava

Silêncio e medo
Nos confins dos desertos caminhavam:

Então vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim me disseram:
«Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela».

Então soube que a estrela me seguia.

Era real e não imaginada.

Grandes e humanas miragens nos mostraram
Em direções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava.
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava.

E a estrela do céu parou em cima
duma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha o mesmo tom que a cinza
Longe do verde-azul da Natureza.

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.

Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais negra e mais sem luz
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.

Nesse lugar pensei:
Quando deserto atravessei
para encontrar aquilo
Que morava entre os homens
tão perto.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)