domingo, 30 de novembro de 2008

Aprender a solidariedade



Lembro-me de a minha mãe nos recordar muitas vezes o velho ditado: «O trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é louco".
Vimos hoje, mais que confirmadas, estas sábias palavras. Vê-los chegar acompanhados dos pais ou educadores, arregaçar mangas e começar a separar as massas...Foi gratificante!

É preciso empacotar! As nossas mãozinhas também conseguem...

Bem, tenho mesmo de sair, está a chegar a hora do meu turno, e hoje se conseguir vai ser até ao fim!
Deixo um poema que me foi enviado, gosto da mensagem que transmite e tem sentido para este dia. (Não sei o autor)


Alegria de Servir

"Toda natureza é um serviço:
Serve a nuvem;
serve o vento;
serve a chuva.
Onde haja uma árvore para plantar:
plante-a você.
Onde haja um erro para corrigir:
corrija-o você.
Onde haja um trabalho e todos se esquivam:
aceite-o você.
É muito belo fazer aquilo que os outros recusam.
Mas não caia no erro de que somente há méritos nos grandes trabalhos.
Há pequenos serviços que são bons serviços:
Adornar uma mesa,
arrumar seus livros,
pentear uma criança.
Uns criticam,
outros destroem.
Seja você o que serve.
Servir não é faina de seres inferiores.
Seja você o que removea pedra do caminho,
O ódio entre corações e as dificuldades do problema.
Há alegria de ser puro
E de ser justo.
Mas há, sobretudo,a maravilhosa, a imensa alegria de servir."

sábado, 29 de novembro de 2008

No Banco Alimentar

Só hoje me dei conta que as luzes de Natal, se acenderam um pouco por toda a cidade... reparei há pouco ao regressar a casa que a iluminação está bonita, a chamar a nossa atenção para a luz, para beleza das cores e da alegria.O meu dia começou cedo, quando me levantei senti um frio especial ao mesmo tempo que uma claridade luminosa e suave entrava pela janela do meu quarto, fui espreitar... era a neve que caía docemente, suavemente, sem magoar ou deixar rasto. Tirei à pressa umas fotos à encosta da serra.

Tinha o tempo marcado para o Armazém do Banco Alimentar Contra a Fome. É um serviço que vou prestando desde há alguns anos. Sinto que me ajuda e me serve e de incentivo para todos os outros meses de voluntariado que me e nos esperam. Há trabalho para todos e para todas as idades. Eu faço, durante o meu turno, o registo informático de todas as entradas, após as pesagens.

Acaba de se esvaziar uma carrinha, vem outra, está ainda mais outra à espera... Há uma azáfama saudável, há risos de alegria entre os mais novos, há concentração e preocupação para os responsáveis.
Todos os anos por esta altura natalícia há este apelo à generosidade das pessoas, através de uma nova campanha de recolha de alimentos nos hipermercados.

"Alimentemos esta ideia" Sejamos generosos para o bem de muitos!

Volto amanhã com mais notícias...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Gosta de alguém...

«Gosta de alguém que te ame, alguém que te espere, alguém que te compreenda nos momentos de desespero. De alguém que te ajude,que te guie, que seja o teu apoio, a tua esperança, teu tudo. Gosta de alguém que te espere até ao final, de alguém que sofra contigo, que ria junto a ti, que limpe as tuas lágrimas; Que te abrigue quando necessário, que fique feliz com as tuas alegrias e que te dê forças depois de um fracasso. Gosta de alguém que te ame. Não gostes apenas do amor. Não gostes só do amor, mas NÃO DESISTAS NUNCA DE AMAR!»

Mandaram-me este poema de que gosto muito. Partilho-o hoje com sentimentos de paz mas ao mesmo tempo inquietude... De alegria e de fé.
Vem à minha mente a conversa de Jesus com Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!»

sábado, 22 de novembro de 2008

Belos momentos

Deixo aqui umas fotografias - nem todas são da minha autoria - Tenho pouca prática ainda, espero melhorar.

É uma forma de transmitir e de recordar momentos belos que tenho vivido apreciando tanto bem recebido de Deus e dos amigos.

Loyola e Soutelo







quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Deixa Deus entrar

"Deus realizaria milagres se Lhe permitíssemos entrar - ainda que fosse um pouco - na nossa vida"
Mandaram-me esta frase, que me ajuda e em que acredito.
Abrir as asas e a porta do coração, deixá-Lo entrar, desarmar-me completamente e esperar que aconteça o milagre... Será que estou a sonhar? Eis-me aqui Senhor!

Recordei também um cântico que por vezes cantam na Eucaristia, aqui fica o refão que é um poema bonito:

Deixa Deus entrar na tua própria casa,
Deixa-te tocar pela Sua Graça,
Mesmo em segredo, reza-Lhe sem medo,
Senhor, Senhor, que queres que eu faça?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Partiu para o Pai

"Lutou desde Julho de 2007, com uma enorme vontade de viver, uma Fé verdadeira e transbordante, e uma aceitação da doença que foi testemunho para todos nós.

Ele foi mesmo um lutador contra as adversidades que se foram sucedendo e ao sofrimento."

(De um e-mail enviado pelo meu amigo Joel)

Com estas palavras bonitas e cheias de Fé, recebi na segunda-feira a notícia da morte do nosso amigo Mário Pereira.
Ainda sinto um aperto no coração quando penso nele, era acima de tudo um homem bom...Obrigada pela Tua vida Mário!
Dedico-te este poema/oração...

No silêncio...


No silêncio dos gestos simples,
Na ousadia das palavras proféticas,
Uma voz clama…
E que diz ela?
Diz que a Fé é entregar-se,
Que o Amor é dar-se,
Que é Sábio aquele que serve,
Que o silêncio é Deus em nós,
Que a Cruz é salvação:
Loucura para os que se perdem,
Mas para nós força de Deus (cf. 1 Cor. 1, 18)

sábado, 8 de novembro de 2008

A luta pela vida!


Estas fotos traduzem momentos de algum custo e aprendizagem, de lutas e de vitórias, de paz e felicidade. Por isso as partilho...

As minhas idas ao hospital de Gaia são cada vez menos frequentes... As consultas de rotina vão espaçando e agora, normalmente, vou cada seis meses.

Ontem foi o dia de ir fazer análises para a consulta do dia 27. Como sempre o João, meu irmão e companheiro de jornada, me espera e me leva ao serviço, me apoia e me dá a mão. Encontro novas pessoas, novos casos, novas caras de sofrimento.

Lembro-me que entrei ali pela primeira vez há 12 anos para uma consulta, por supeita de cancro mamário e passados poucos dias estava internada para fazer mastectomia.

Diagnóstico confirmado... Um mês de Radioterapia no IPO do Porto... Consultas mensais e trimestrais, marcadores tumorais sempre a subir inexplicavelmente, deixando-nos baralhados, porque tudo parecia estar bem!

Mais tarde e depois de muito estudo, muitos exames, porque "ele" se mantinha enigmaticamente escondido, surge o novo diagnóstico: cancro bilateral dos ovários.

Vivi dois ou três dias de "sonho"... Comunicar no trabalho e aos amigos, animar família, em especial os meus pais...

As primeiras lágrimas verdadeiramente choradas aconteceram na reunião da CVX, onde pude falar abertamente com o grupo e senti a preocupação de todos, sobretudo da Celina e do Victor que são médicos. Afinal aquilo era mesmo grave... Recordo-me que não fizemos a reunião habitual mas ficámos juntos durante bastante tempo, fizemos silêncios, rezámos...

Ao entrar de novo no Hospital com nova cirurgia marcada, lembro-me que ia cheia de confiança e de força, disposta a fazer o que fosse preciso para vencer mais isto que me estava a acontecer de novo.

Este pós-operatório foi mais custoso, tinha dificuldade em me alimentar e vomitava constantemente. Nesses primeiros dias, sentia que o meu coração estava inquieto, as forças começavam a faltar-me. Os meus pais deslocaram-se para Gaia, e em casa do meu irmão João (enfermeiro) revezavam-se para me fazer companhia durante o dia. A noite ficava por minha conta, dos enfermeiros e empregados, que sempre procuraram dar-me força e confiança. O meu médico era um Homem bom e queria ajudar-me a vencer.

Depois de nove ou dez dias de internamento, volto à Covilhã, à minha casa, aos meus amigos, à "minha" Igreja.

Quase não desfaço a mala porque é necessário regressar e preparar-me para fazer seis ciclos de quimioterapia. Fico assustada, tenho medo, será que vou morrer já?

A minha força parecia que se estava a acabar... a minha fé diminuía... ou não?

Comecei: "Taxol mais Carboplatina", ouvi a minha médica, Dª. Ana Paula, dar indicações. Estava a tremer, mas de novo confiante e com um sorriso, sobretudo no olhar, (disseram-me)...

Logo no primeiro tratamento, passados os 15 dias previstos, o cabelo começou a cair em grandes mechas. Era um dia 15 de Agosto - Assunção de Nossa Senhora - e eu estava a jantar com uns amigos... precisei de lhes dizer, de os sentir comigo, do seu abraço, da sua força.

No dia seguinte fui cortar o cabelo que restava... Adquiri novo visual e continuei em frente! Sentia-me diferente, mas era eu.

Sempre que voltava para mais um tratamentos, lá estavam as enfermeiras à minha espera, gostavam da minha força e do meu sorriso, mesmo quando já não havia veias para picar e uma ou outra lágrima surgia por causa das dores.

E é nestes momentos que nos parece - me parece - que mesmo rodeada de muita gente me sentia muito só. Havia em mim uma dor e um sofrimento que era inacessível aos outros. Um medo que eu não conseguia partilhar. Os tratamentos de quimiote­rapia eram de facto muito agressivos, debilitavam-me bastante. Tinha muitas dores nos ossos. Mas eu queria vencer aquilo. Fechava os olhos e pensava n'Aquele que me cria e recria para ser feliz.

Observava com atenção o que se passava à minha volta, olhava a doente do lado, falava-lhe com esperança e continuava a minha luta pela vida, vivendo um dia de cada vez.

Agora já tudo passou, aqui estou eu a contar a minha história. Foi mais uma etapa... A família, a minha CVX, a paróquia, os colegas de trabalho e muitos amigos apoiaram-me e ajudaram-me a encontrar forças para seguir em frente, mesmo quando o desânimo e a dor me invadiam.

Hoje, sempre que tenho oportunidade, sou eu que procuro dar ânimo a outros, com a minha experiência e a força de quem já passou pela mesma situação. É que o cancro não significa só morte (mesmo que seja o segundo). É possível sobreviver, é possível... Acreditem!

Sei que foi a certeza da presença amorosa de Deus na minha vida que me ajudou a al­cançar pequenas vitórias e me fez ver cada vez mais que o dom da vida é precioso, único e que "não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz", como diz Madre Teresa de Calcutá.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Confiança

Por vezes leio uma frase ou um poema e fico a pensar... Fico a sonhar... E como gosto aqui fica.

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...
(Miguel Torga)

domingo, 2 de novembro de 2008

Anos de Mãe

Hoje foi dia de festa cá em casa, a minha mãe. Fez 81 anos. Estava bonita e bem disposta.
Juntámo-nos para o almoço, os que estamos aqui mais perto. Não podemos fazer muita confusão, porque a nossa mãe tem Alzheimer. Está a ser tratada há 16 anos, mantendo uma qualidade de vida bastante boa. Vive bem o momento presente e depois tudo passa, como se algo apagasse o seu cérebro. A nossa família é grande cinco irmãos, onze netos e três bisnetos... quando nos juntamos todos, somos vinte e cinco.

Foi um momento de festa à vida e esta é a fotografia melhor que consegui. Está com o nosso pai, a Lucinda (nora) e a neta Inês.

Parabéns Mãe porque nos deu tanto e continua a dar com a sua presença junto de nós.
Aqui fica uma flor simples, que diz bem com a nossa vida.

sábado, 1 de novembro de 2008

Bem-Aventurados

Convidas-Me a ser Feliz!


E sou... porque me deixo embalar neste sonho de felicidade que quer, que deseja ter a "marca do Amor de Deus".

Preciso de escrever, mas digo que já não vale a pena... ou talvez... gostava de escrever mas não sei... e por isso, só digo amo-Te.
Mas amo-Te como só Tu sabes... Com este jeito de ser, tantas vezes incoerente pela preguiça, pelo cansaço, pela desilusão... Outras, com um olhar pacifico, sorridente e feliz que só Tu conheces bem, poque só Tu me amas antes de eu Te amar... Porque és Tu que vens ter comigo e me fazes abrir à vida!
Pela sinceridade das tuas palavras e pelo teu abraço forte, mesmo quando o meu coração está ferido e se afasta, OBRIGADA!