domingo, 30 de março de 2014

A primavera

árvore da primavera-Philip Sutton

Há imagens que quase falam por si... Algumas fazem acordar em mim sentimentos e desejos de paz e gratidão. Por vezes têm a cor de um sorriso ou de um abraço e o odor de uma primavera sempre esperada. Fazem perceber uma mão que cria, por amor... e um coração que crê, no amor...


domingo, 23 de março de 2014

MILAGRE É O ENCONTRO...

«... TÃO NECESSÁRIO COMO A ÁGUA. TÃO PRECIOSO COMO O SÃO OS POÇOS NO DESERTO.  É este o milagre que vejo acontecer no encontro de Jesus com a Samaritana, à beira do poço» (José Frazão, sj).


Jesus é hoje o "Milagre" que,  nos encontros com a nossa  vida, espera e deseja a uma resposta, «a voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes»  Cântico dos Cânticos 2,8.
O Evangelho de S. João diz-nos hoje que Jesus chegou a uma cidade da Samaria chamada Sicar. Era lá que estava a fonte de Jacob. Cansado da caminhada sentou-se junto à fonte e eis que chega ali uma mulher da Samaria, para tirar água do poço. 
A ela e também a nós, quando sentados à beira do poço que é a vida, Ele diz: "Dá-me de beber" e também: 
«Dá-me o teu amor. Recebe o meu amor» (José Pires, sj).

Era pela hora do meio-dia, com o sol a pique, dando luz a todo o acontecimento. Sem nada ocultar, Jesus apresenta-se como o amado do cântico dos cânticos, aquele que pode oferecer a água viva que mata todas as sedes. É Jesus que sabe da verdade da vida daquela mulher e lhe oferece a  felicidade e um novo sentido para essa vida. 

Tal como a Samaritana somos mendigos de afecto. É pelo afeto que Jesus toca o nosso coração e nos faz desejar beber da água viva, é também pelo Seu afeto que hoje nos oferece dessa água que mata todas as nossas sedes.

E porque muitas vezes o não tenho percebido, busco água em fontes vazias, procuro água onde não há água e bebo da água que não sabe a nada... Quero hoje re-visitar Contigo o poço de Jacob, quero sentar-me Contigo à beira desse poço e levar comigo aqueles que amo mais, mas também aqueles que ainda não aprendi a amar. Eis-me aqui Senhor!

domingo, 16 de março de 2014

Bênção


"Respeitar e abraçar a difícil bênção da contingência. Extraordinária sabedoria de vida. E extraordinária síntese da vida. Bênção e custo. Dom e conquista. Promessa e limite. Inseparavelmente. Do mesmo modo a fé em Jesus Cristo. A graça do dom de Deus. O custo do reconhecimento humano. E, entre um e o outro, a difícil inscrição da fé na vida de cada dia, nos encontros de todos os dias, sobretudo quando o custo parece fazer esquecer a graça, e a banalidade, a promessa e o vazio, a alegria. Porém, é assim que nos espera a vida. É assim que se realiza a fé. E é tanto".
P. José Frazão Correia, sj ´in Entre-Tanto´

E experimentando uma e outra vez, que de «difícil, a vida é bênção.» ... Bênção em que acredito, me faz ajoelhar diante do meu Senhor e meu Deus, e um dia me fará agradecida e livre...


Com alegria deixo este extrato do livro, que é promessa de tanto.

Foto: Fá Pires


sábado, 15 de março de 2014

O som do silêncio

Olho o som do silêncio a partir deste recanto. Sentada numa pedra que, no meio do caminho, me serve de apoio e guarda o cansaço dos meus pés.
Penso o silêncio cheio de claridade e de paz, do verde da paisagem e do azul do mar. Sinto-o esvaziado de pensamentos poluídos pela incerteza e marcado pela promessa de percursos sempre abertos à vida.
Penso um silêncio que me dá a palavra para dizer de mim... em silêncio!
Alice

O som do silêncio

Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.

Nuno Júdice



domingo, 9 de março de 2014

Cânticos da Tarde e da Manhã

Lentamente o sol se apaga
Nos campos, montes e mares
Mas deixa-nos a promessa
De renascer cada dia
"Cânticos da tarde e manhã" Teresa Salgueiro  


Foto: Zilda


sábado, 8 de março de 2014

A procurar ser e estar inteira


“O importante mesmo é estar-se inteira naquilo que se faz”

É o que me recordava um grande amigo, a propósito da escolha que eu tinha de fazer, no mesmo dia , entre várias coisas, sendo que todas eram promessas de bons momentos...
Tenho pensado muito nisto como apelo à unidade da minha vida interior e exterior, e como ponto de esforço para estes dias e neste tempo favorável à graça e ao amor do meu e nosso Senhor, nesta quaresma. 
Alegro-me no meu Deus, alegro-me no amor que recebo e no amor que ofereço e também no conhecer cada vez mais os limites da minha fragilidade, da minha fé, do meu desejo de amor, e também da força que me é concedida.
Alice 


A imagem tirada da net

quarta-feira, 5 de março de 2014

A quaresma e o silêncio


Que grandeza há no silêncio – não o silêncio nefasto da falta mas no da virtude, que é perfeito quando dele não se tem consciência – e que força se pode extrair dele. A alegria cristã é a simplicidade de uma fé, a seriedade de uma esperança, a vitalidade do amor.

Na Quaresma a liturgia despe-se dos seus aleluias e glórias, convidando-nos a um estreitamento de vida, a um despojamento do supérfluo, a um tempo de germinação escondida e profunda, iluminada sempre por uma esperança e uma espera. Ela convida-nos a entrar em nós mesmos para nos mergulhar nas fontes da vida, em Cristo. Ela incita-nos a reencontrar o nosso verdadeiro rosto num esforço de autenticidade e lucidez, na oração e na caridade, para que, modelados à imagem de Cristo, sejamos capazes de uma comunhão mais profunda no seu mistério.

Sim, porque o mistério de Cristo não é algo que esteja fora de nós; ele é o que nós somos e o que somos chamados a ser. O seu drama é o nosso. A nossa cruz não é outra que a de Cristo, é o seu amor em nós que a carrega. A nossa verdadeira vida é a vida do Ressuscitado em nós. Se a liturgia nos conduz pelos passos de Cristo é para nos ensinar o caminho que é também o nosso.

O drama que se evoca na Quaresma não é apenas a recordação de um acontecimento passado mas a atualização do drama de Cristo, aqui e agora, para nós, que nos coloca diante da opção decisiva da fé e do amor. Procuremos portanto estar em harmonia com o espírito da liturgia deste tempo e acolher a seiva de vida que nos oferece.

Um monge cartuxo

Foto: Allison Trentelman

sábado, 1 de março de 2014

A beleza - a arte



"a beleza é tão grande e nós somos tão frágeis...
Estou a falar do impossível e da vida"
Daniel Faria (Livro do Joaquim)




arte de Tamaz Gogoladze

Surge por vezes esta necessidade de partilhar pequenas coisas, ainda que sejam só uma queda desamparada, um encontro, uma visita, um pensamento, algo que leio, como este poema, um sorriso e até uma preocupação.
... E penso naquilo que fui e sou agora e também no que poderei vir a ser, mesmo que nem tudo o que gostaria seja possível realizar.
De facto somos todos tão frágeis mas ao mesmo tempo tão belos e tão fortes em Deus e no amor que nos une uns aos outros e à vida.  
alice