sábado, 31 de dezembro de 2011

"O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face..."


O Senhor te abençoe e te proteja”.
Guia-te, defende-te, sustém-te sempre em seus braços,
onde te sentirás seguro.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável”.
O Senhor acolhe-te e ama-te com ternura,
não afasta os seus olhos de ti,
olha-te com carinho, com olhar íntimo e entranhável.
O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz

Num 6,23-26


Neste ultimo dia do ano e quase a entrar em 2012, o primeiro sentimento que vem ao meu coração é o da gratidão pela vida recebida, vivida e de alguma forma também entregue, Àquele que Se me oferece e me oferece o Tempo que vivo!

A Ele entrego as pessoas que estão comigo e aquelas que à distância de uma estrela se aproximam de forma diferente numa dimensão que se faz eterna porque é feita de eternidade.

Peço-Lhe também que recomponha a direcção do meu olhar, e assim à semelhança do olhar sereno de Maria ele transporte em si a paz e a beleza que não se deixam deslumbrar por falsas luzes ou ilusões… Passem do que é velho e caducou e aceitem na alegria tudo aquilo que resiste sem se perder no tempo, porque todo o Tempo é O SEU TEMPO.

Que nos meus lábios continue a brilhar um sorriso aberto e simples, mas que ele seja cada vez mais símbolo, das palavras que eu não saberei pronunciar no momento certo por falta de bondade ou de verdade.

Ofereço-Lhe o meu passado, o meu presente e o meu futuro porque no Seu infinito Amor, saberá realizar maravilhas em tudo o que fui, sou e serei de agora em diante.

Peço-lhe que me ajude a caminhar comigo própria e com os outros no caminho da paz, e a buscar no silêncio a Sua presença, que está presente em TUDO e EM TODOS.
Amén.
Alice

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal no meu coração



O Natal aconteceu porque era Natal! Os sentimentos à flor da pele, a nostalgia de uma fase da vida que já vai distante e a esperança do “encontro” feito presépio e no presépio.

As crianças reconstruíram, na sua simplicidade, algumas tradições que não voltarão a ser completas… A oração feita pelos mais novos era cheia de poesia e beleza… afirmava os valores cristãos, incutidos pela família, e recordava alguém que, no meio das estrelas, nos olhava com alegria e ternura.

(Isto, na verdade, já faz parte do que eu desejei e rezei…) Mas também acredito que outros o terão pensado comigo e, como que respeitando os sentimentos de cada um, ficou no silêncio de “uma noite de natal” com estrelas.

De facto não há muito que dizer nestes momentos, senão que vale a pena a vida, vale a pena o amor, vale a pena chorar e sorrir, porque o Natal vale a pena...
Houve a agitação e a expectativa habitual dos mais pequeninos, uma breve troca de presentes, resultante de um sorteio que, na nossa família sempre a aumentar, faz parte da partilha natalícia. Cada um de nós oferece uma prendinha à pessoa que lhe calhou.

Mais tarde, regressando a casa depois da Missa do Galo, procurei colocar o coração num presépio feito de vida e de saudade. Havia muita gente, mas uma espécie de neblina em redor dos acontecimentos impedia-me de ver claro… queria fazer-me ouvir e não conseguia, queria tocar e os meus braços perdiam-se numa distância ténue, mas existente.

Tinha marcado alguns encontros para o momento da visita ao presépio, nem todos foram conseguidos. Foi por falta de tempo ou de espaço? Nunca o saberei bem mas, na verdade, em todos pensei e com todos me encontrei, porque estávamos juntos no AMOR!

Quase de certeza, foi assim que aconteceu naquela noite em Belém.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Quase Natal

Hoje é sábado, vamos ter a celebração de Natal com a catequese! Sinto que preciso de descansar um pouco de todo este trabalho de preparar o Natal para outros. Mas continuo a insistir em semear um pouco, sabendo que Jesus espera que eu o faça e precisa de mim agora.
Está um dia lindo de sol mas um frio enorme... O Natal está à porta o anúncio de um novo nascimento está quase a acontecer.
Sinto o coração ainda frio e sei que devo… preciso aquecê-lo com um olhar positivo sobre mim, sobre a vida e sobre tudo o que me rodeia.
Tenho o meu papi como companheiro diário mas as saudades da minha mãe aumentam cada dia.
Vivo com uma fé muito dolorosa estes tempos de manifestações exteriores, que são necessárias à vida e num contexto de festa natalícia têm todo o lugar e sentido. E como Maria gostaria de dizer cheia de certezas: Eis-me aqui Senhor…

domingo, 4 de dezembro de 2011

Advento


Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou.

Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis como "nascimento", "criança", "rebento".

Advento, tempo de escutar a esperança dos profetas de todos os tempos. Isaías e Bento XVI. Miqueias e Teresa de Calcutá.

Advento, tempo de preparar, mais do que consumir. Tempo de repartir a vida, mais do que distribuir embrulhos.

Advento, tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão.

Advento, tempo de dar tempo a coisas, talvez, esquecidas: acender uma vela; sorrir a um anjo; dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas.

Advento, tempo de se perguntar: "há quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?"

Advento, tempo de rezarmos à maneira de um regato que, em vez de correr, escorre limpidamente.

Advento, tempo de abrir janelas na noite do sofrimento, da solidão, das dificuldades e sentir-se prometido às estrelas, não ao escuro.

Advento, tempo para contemplar o infinito na história, o inesperado no rotineiro, o divino no humano, porque o rosto de um Homem nos devolveu o rosto de Deus.

 P. José Tolentino Mendonça