segunda-feira, 28 de novembro de 2011

vontade de Deus - caminho de FELICIDADE

 

Acordei cedo neste dia cheio de sol e de vida, depois um fim-de-semana transbordante de motivações, de beleza, de encontros e alguns desencontros e sobretudo de muitos momentos de felicidade interior embora algumas vezes muito “sofrida”.
Isto para confirmar que estive neste encontro de Espiritualidade Inaciana… Dei-me conta de que somos tantos,  os buscadores de felicidade!
Mas será que nesta busca, estamos conscientes de que isso envolve a nossa, a minha liberdade e a vontade de Deus?

Logo no inicio eu acreditei que esta seria uma oportunidade única e necessária nesta fase da minha vida…  
O meu ser ”apaixonado” e em constante esforço pela conquista da felicidade vibrou, o meu coração bateu forte intuindo que este poderia ser um tempo para me pôr a caminho.

O primeiro tema foi: “A VONTADE DE DEUS É A NOSSA LIBERDADE”, a partir de uma pintura de Caravágio - conversão de S. Mateus - na cena que representa o momento exacto em que Jesus apontando para Mateus lhe diz: “QUERO QUE ME SIGAS”!

Estive durante esse tema junto de um grande amigo e tive a certeza de que a resposta  a dar, não passava exclusivamente por um sonho. Era a realidade e a certeza de que será possível encontrar a Felicidade no caminho que me proponho fazer.

O resto foi um nunca mais parar de convites e apelos de que irei falando aos poucos… de encontros belos e felizes alguns com custos e de choro intenso, com muitas pessoas que me amam e que foi bom poder rever depois de vários anos e também, de poder falar da partida da minha mãe.

Na presença dos amigos que viajaram comigo (a Zilda, a Paula, a Zé e o Vítor) surgiu a hipótese de dar uma forma nova aos meus escritos passados e futuros. Depois, o livro das suas memórias, que a Fátinha Rabaça me colocou no colo e no coração deu o grande impulso! Vou escrever e se possível publicar, alguns fragmentos de uma vida feliz: A MINHA VIDA!
 

À noite, na partilha com o meu pai e irmãs, revi esta decisão e eles vão ajudar-me a situar as minhas lembranças de um passado longínquo… algo incompreensível mas belo.   
Foi a confirmação final de que o devo e posso fazer. Um obrigada àqueles que já referi e a mais três pessoas que pela sua amizade e dedicação, serão decerto motivo de fortalecimento neste trabalho a que me proponho, a Laurinda, o José e o Hermínio.  

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mãe

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!

(A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros, INCM)

domingo, 20 de novembro de 2011

O Rei


Diante deste Rei PASTOR e deste Pastor que é REI, fico em silêncio... Muito pouco posso dizer.
“Vinde benditos de meu pai ”! Palavras cheias de carinho, que foram decerto segredadas ao ouvido da minha mãe e já escutei algumas vezes durante este mês. Sinto desejo que elas entrem bem dentro do meu coração, modelem um pouco a minha alma e me levem verdadeiramente a dar mais atenção às primeiras "falas de Deus" na Bíblia: «Onde estás?» (Gen. 3, 9b); «Onde está o teu irmão?»  (Gn 4,9).

(cito palavras de uma reflexão do P. José Frazão, s.j.)


Tu onde estás alice? Silencío... porque me sinto diante de um rei diferente, o rei dos mais frágeis, que me deixa livre para ficar calada, porque e quando... não tenho palavras!
“Vinde benditos de meu pai ”, penso na minha mãe que está junto Dele e tenho saudades...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

«Tende confiança...»


Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Mt. 14, 22-33

Tem confiança, tende confiança... sou Eu, não temais!
Diz-me Jesus hoje, tal como disse aos seus discípulos...
Só desta certeza, e desta confiança se pode viver, só assim imagino a paz e a felicidade que eu espero e que me espera...

Fecho os olhos por momentos e sinto que  apesar dos meus medos, hoje mais do que nunca, quero esforçar-me por reconhecer Deus que vem ao meu encontro, ao encontro de cada um de nós!

Pintura de Sierge Koder

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Às vezes...

ÀS VEZES, QUANDO EU DIGO QUE " ESTOU BEM ", EU QUERO ALGUÉM QUE ME OLHE NOS OLHOS,  ME ABRACE FORTE E DIGA, " EU SEI QUE TU NÃO ESTÁS".

desconheço o autor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mudar a direcção do olhar...


Ontem coloquei mimosas
para ilustrar um poema de Daniel Faria.

Mais tarde lembrei-me de algumas conversas com um amigo, falamos sobre questões de fé, de arte e também da beleza da natureza que tanto nos fala de Deus. Nessa tarde, olhávamos as mimosas e falávamos da forma como elas crescem invadindo e ocupando tudo o que está à sua volta.


Estas conversas levam-nos habitualmente a um diálogo mais profundo que  nesse dia versou sobre o respeito que cada um de nós deve "ao outro" à "natureza" à vida no seu todo e a si próprio... como ser amado e criado à semelhança de Deus.


Hoje reflectia um pouco, condicionada ainda por alguns sentimentos menos alegres,  em como um crescimento lento pode ser produtivo, não faz mal, não invade o outro e até pode ajudar... isso faz-me acreditar que é lentamente que posso ir crescendo, em Deus e para Deus.


Recordei-me mais uma vez, que cresci num bairro simples, onde as mimosas se desenvolviam à vontade misturadas com as tílias, que nos serviam para fazer um saboroso chá.


Na verdade eu gosto mesmo de mimosas, ficou-me esta afeição porque elas me viram crescer, ampararam os meus passos vacilantes, deram-nos a sombra de que precisávamos para brincar na rua, nos dias quentes de verão. 


Então eu diria como Saint-Exupéri:
 
"Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar."


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Da tua voz...


Da tua voz...


Das manhãs

Apenas levarei a tua voz
Despovoada

Sem promessas
sem barcos
E sem casas

Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas

Da tua voz

Levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas

As pedras
As nuvens
O teu canto
Levarei manhãs

E madrugadas

Daniel Faria
Pintura de Renoir (Paisagem com mimosas)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Só há uma infelicidade, que é a de não sermos santos


«Hoje é dia de todos os santos
: dos que têm auréola
e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram, serenos
e brandos, sem darem nas vistas e que no fim
dos tempos hão de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os Santos: santos barbeiros e
santos cozinheiros, jogadores de football e porque
não? comerciantes, mercadores, caldeireiros e arrumadores (porque não arrumadoras? se até
é mais frequente que sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à
claridade do dia foram tuas testemunhas; disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras,
poucas, em rodeios, divagações. 
Foram teusimitadores e na transparência dos seus gestos a
Tua imagem se divisava.
Empreendedores e bravos ou tímidos e mansos, traziam-te no coração,
Olharam o mundo com amor e os homens como irmãos.
Do chão que pisavam
rebentava a esperança de um futuro de justiça e de salvação
e o seu presente era já quase só amor.
Cortejo inumerável de homens e mulheres que Te
seguiram e contigo conviveram, de modo admirável:
com os que tinham fome partilharam o seu pão
olharam compadecidos as dores do
mundo e sofreram perseguição por causa da Justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te e amaram o mundo.
Cantaram os teus louvores e a beleza da Criação.
E choraram as dores dos que desesperam.
Tiveram gestos de indignação e palavras proféticas
que rasgavam horizontes límpidos.
Estes são os que seguem o Cordeiro
porque te conheceram e reconheceram e de ti receberam
o dom de anunciar ao mundo a justiça e a salvação»

poema de Maria de Lourdes Belchior

Extracto de publicação da Pastoral da Cultura
José Tolentino Mendonça
In Pai-nosso que estais na terra, ed. Paulinas