segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Em Jesus de Nazaré, Deus fez-Se homem

«Admiravelmente, «o Verbo fez-se carne» (Jo 1, 14). Assim, a partir de dentro, do melhor útero da nossa humanidade, e, entre nós, Deus quis abraçar e respeitar a «difícil bênção da contingência» (E. Salmann).

(...) Há tanto a colher e a acolher neste dizer-se do Verbo enquanto se faz carne. Em Jesus de Nazaré, Deus fez-Se homem – verdadeiro homem, com todos os ritmos e lugares da condição humana, porque «a humanidade do Filho de Deus é a sua carne em con-tacto com o mundo, con-sentindo com o mundo». E fez-se homem de verdade, por realizar a nossa humanidade tão verdadeiramente, sem a mentira do pecado.

(...) Se Deus é capaz de nós, encarnando, nós, na nossa carne e no mundo onde nos reconhecemos em casa, somos capazes de Deus, porque, Ele próprio, nos faz assim capazes».

P. José Frazão Correia sj
(A justa relação com a vida ou a graça de viver como filho - extratos)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A alegria do Natal

A Alegria do Natal é o próprio Deus, por isso me sinto
 grata por este Natal!

Fotografei este presépio simples, foi-me oferecido por um amigo em ocasião de dizer adeus e coloco-o no meu blog para falar do Natal e da vida.
Observo a singeleza e a simplicidade destas linhas moldadas com a arte da fé e revejo antecipadamente um tempo, um dia ou um momento de que só o coração pode falar. Um tempo onde só a presença do Menino Deus, exposto na sua fragilidade cheia de encanto, nos ajudam a alcançar a verdadeira alegria natalícia.
Falo de um Natal simples e mais profundo, um Natal onde as manifestações exteriores não escureçam o Menino na sua história. Falo de um Natal que não acontece sem nascimento como dom, e sem o custo da existência e da pequenez do ser humano. 
Digo, sem o custo da minha existência, onde a graça/dom se cruzam, se entrelaçam e se fundem na bênção vivida ou ainda por viver... Falo de um Natal a acontecer.
Alice

Deixo a itálico algumas citações do livro "A Fé vive de Afecto"

sábado, 21 de dezembro de 2013

Peregina da vida

«O peregrino sabe que toda a noite tem o seu amanhecer, e este virá não importa o quanto frias, escuras ou desconfortáveis forem as horas que o precederam». 
P. Paul Nicholson

 
Peregrina da vida e na vida de cada dia. É assim que me vejo hoje.
Dou mais um passo ao encontro do Natal, à festa da noite, das luzes e das alvoradas que iluminam o dia. 
Diz-se tanto sobre o Natal!... Tantas quês e porquês, tantas palavras se pronunciam ou escrevem sobre o este acontecimento que por vezes encobrem a beleza que faz o Natal SER o que é. Isto faz-me pensar na simplicidade do presépio, para onde me imagino a "peregrinar"…
Então eu diria que de cada um de nós depende que o Natal aconteça e permaneça... nas pessoas, nos acontecimentos, no que escrevemos e no que lemos, na vida de todos e no coração de todos. A notícia que ecoou em Belém torna-se realidade a partir da nossa casa, do nosso prédio, da nossa rua, da nossa cidade e da nossa voz.
Feliz Natal!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Deus sonhou

Há dois mil anos Deus sonhou
E foi
Natal em Belém.
Sonha também.
Se o jumento corou
E o boi se ajoelhou, 
Não deixes tu de orar também.
D. António Couto

E hoje é assim... neste sonho que sempre me foi muito querido, numa realidade que dá sentido à minha vida, na Contemplação do Mistério... que o meu coração se ajoelha.
Alice


domingo, 15 de dezembro de 2013

Tempo de espera e de alegria

«Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos.» Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo cantará de alegria». Is 35, 1, 4-9
Vivo com calma este tempo de espera e de esperança...
Espero a alegria de um "encontro" comigo e com a minha verdade, um encontro que me ajude a crescer na fé. 
Espero e desejo que o encontro com aqueles que comigo cruzarem, seja feito de convite e acolhimento.
Pressinto que este tempo de Adento pode muito, pode tudo até... Para que o Natal aconteça, e sei que é neste mundo, neste tempo e nesta hora, que cada um de nós, pode encontrar o lugar da gruta e assim chegar ao coração do presépio.   
Recebemos familiares e amigos e hospedamo-los com alegria, muitas vezes eu gosto de hospedar desejos e sonhos... E até verdades que custam... e ainda assim as deixo permanecer, ficando atulhada de coisas inúteis.
Jesus precisa de espaço no meu coração, hoje eu peço-lhe que fique na minha casa, é a Ele que eu anseio acolher... 
Alice

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Perguntei ao Advento...

Perguntei ao Advento que palavras diria a um coração abandonado e ferido… e ele falou-me de esperança. De uma esperança que resiste a todos os malfeitores e devolve à vida o encantamento e a liberdade.

Perguntei ao Advento por um remédio para os olhares cinzentos, por um elixir para os ritmos apressados e as vítimas do “sem-tempo”… e ele falou-me de uma espera. Uma espera para não mutilar a vida e serenar as ousadias sem fecundidade e todas as pressas e incapacidades de silêncio.

Perguntei ao Advento por uma luz que incendiasse os corações mais frios, que tecesse nas fibras do ser profundo uma aurora luminosa… e ele mostrou-me o mistério da Luz.

Perguntei ao Advento onde encontraria um menino para deitar nas palhas de um presépio feliz… e ele sussurrou-me o nome de tantos inocentes que não viram a luz; de tantos olhares pequenos, escondidos em trincheiras e valas de guerra; o nome de tantos rostos vencidos pela procura de pão.

Perguntei ao Advento onde encontraria uma árvore de Natal para iluminar… e ele mostrou-me uma floresta de corações sem luz à espera do rosto da fé.

Perguntei ao Advento pelo sentido do sonho, pelo toque do vento no rosto dos sem-voz, pelas lágrimas derramadas em chão de desespero… e ele fez-me ouvir o choro de uma criança nascida em Belém.

Perguntei ao Advento como poderia ajudar a sustentar um mundo à beira do abismo e do sem-sentido… e ele falou-me da oração e de um coração atento no meio de tantos dramas.

Perguntei ao Advento se deveria perder-me no encanto das ruas iluminadas e descer às galerias das lojas onde se compram presentes e rivalidades… e ele falou-me da frugalidade de João que tecia no deserto palavras de sentido para oferecer a todos os buscadores.

Perguntei ao Advento se era possível viver sem todas as respostas, sem entender todos os mistérios da vida, sem a ousadia de pronunciar todos os porquês… e ele sugeriu-me contemplar o rosto de um justo sonhador, um carpinteiro silencioso chamado José.

Perguntei ao Advento por promessas escutadas, por horizontes ainda não vistos, por caminhos apenas começados… e ele falou-me de Maria, agraciada, visitada e grávida.

Perguntei ao Advento por mim… e ele deu-me um beijo com sabor a Infinito e um abraço com a ternura de um Filho.

P. Manuel Afonso de Sousa, CSh
In Comunidade Shalom

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Maria , a grávida de esperanças...

Caravaggio

«(...) Ponhamos nesta gruta uma mulher grávida, porque é grávida que Maria medita todas as coisas em seu coração. Deixada só pelo anjo da anunciação, reconhece que tudo tem o seu tempo. A sua gravidez também. Um longo tempo é necessário.  
“Está de esperanças”, dizemos de uma mulher que espera bebé. Maria está para gerar na carne Aquele que é desejado há tanto tempo. Haverá sabedoria maior que a de acompanhar a gravidez das biografias e dos tempos? Tudo o que somos tem necessidade de uma longa gestação. Leva tempo a gerar o que devemos fazer nascer: uma criança, um livro, uma decisão de vida, uma vida inteira. Quanta história e quantas histórias foram precisas para que o Filho encarnasse no ventre de Maria? Quantas para que fosse dado à luz? E quanta história e histórias para que S. João chegasse a dizer que Deus é amor? Um corpo de menino, uma frase tão curta, mas uma longuíssima e dramática gestação. Muito tempo foi preciso para dizer tanto e tão sobriamente. E mais tempo precisamos ainda para que este mistério nos faça viver na Sua luz.(...) »
P. José Frazão, sj

Depois de um fim-de-semana de actividades e solicitações que quase não me deram espaço para pensar, faz-me bem hoje, olhar a realidade da minha existência mais comum, familiar e de fé, que se cruzam inevitavelmente numa mistura de alegrias, de saudades e de esperanças, de risos e brincadeiras.
Este texto que vos deixo começou a fazer eco no meu coração a partir ontem ao fim de mais um dia, mais um domingo de advento vivido às pressas, mas recordando que no presépio da minha paróquia foi colocada a imagem de Maria.
“Maria grávida de esperanças…” E penso que hoje cada um de nós que vive na expectativa de mais um Natal, estamos grávidos de esperanças infinitas.
Faço a experiência profunda e consoladora desta esperança intensa que percorre e envolve o meu corpo inseguro e  faz vibrar o meu coração sempre apaixonado.  

Faço meu este canto

Maravilhas fez em mim
Minh’alma canta de gozo
Pois em minha pequenez
Se detiveram seus olhos
E o Santo e Poderoso
Espera hoje por meu sim
Minha alma canta de gozo
Maravilhas fez em mim

Maravilhas fez em mim
Da alma brota o meu canto
O Senhor me amou
Como aos lírios do campo
E por seu Espírito Santo
Ele habita hoje em mim
Que não pare nunca este canto
Maravilhas fez em mim


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O anjo do Advento e o meu anjo

Que diremos nós ao Anjo do Advento?

Que o Teu Anjo Senhor
possa testemunhar como trazemos cravada
a necessidade da Tua mão,
a absoluta necessidade de sentir a Tua mão funda,
capaz de nos acolher tal qual somos
tal qual nos encontramos;
Que o Teu Anjo relate este desejo que temos
de sentir o roçar, mesmo que leve,
da Tua imensidão
no precipitado, no precário, no incerto
das nossas quotidianas rotas;
Que o Teu Anjo descreva o que viu em nós:
a fome e o desejo
o labor e a imperfeição
o silêncio e a prece com que dizemos
com que Te dizemos:

Vem!

Texto: José Tolentino Mendonça
Imagem: Rui Aleixo
Sei de um anjo
que me acorda para o dia 
Sei que ele me adormece na noite
Sei de um anjo 
que quer a minha vida cheia de flores
e me ensina que tudo é Graça  
Sei de um anjo 
sim eu sei de um anjo brilhante
que reflete o Amor de Deus
Alice