quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sonhos perdidos?


O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo
Virgílio Ferreira

Há um silêncio que hoje me habita, um silêncio que não produz, não cala o pensamento, não deixa sossegar o espirito. É este silêncio que me faz sentir um Outono sem fim e  um passado sem regresso.
Os bancos "esvaziados de gente", porque sim... as folhas caídas, amarelas e sem vida, porque desistiram da árvore, ou talvez porque chegou a hora da despedida...
Ao escrever esta postagem, que me parece algo "descolorida", fui-me dando conta de que há momentos em que a  paz que me parecia já ter conquistado se confronta com os meus limites, numa luta sem sentido...  
"O vocabulário do amor é restrito e repetitivo", mas existe e exige confiança, uma tal confiança que aos poucos renovará  os meus "sonhos perdidos" e me traga a  paz como uma benção.
Alice

domingo, 16 de outubro de 2011

Estranho é o sono que não te devolve

Passado um mês da tua partida, deixo-te uma flor e um poema ... Desculpa-me mãezinha, não consigo ir ao cemitério! Mas irei mais tarde... Estou sempre perto de ti mesmo aqui, mesmo não indo...

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.
Daniel Faria
Pintura: Van Gogh (Ramo de amendoeira)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Amor que aproxima

Todas as palavras que tenho escrito estes dias no meu blogue, foram custosas e são fruto de uma experiência vinda do coração...
No entanto hoje deixo um pequeno extrato do email de um  amigo, cuja passagem na Covilhã foi breve... Marcou a minha vida pelo Amor que põe em tudo o que faz e vive e deixou-me  muitas saudades... Algures no Brasil, ele  me fortalece com a sua amizade.
   

«Posso fazer ideia do quanto estás a sentir toda essa ausência... Dividir espaços e ocupá-los com outras lembranças são o teu desafio a partir de agora... Não tenho o direito de pedir-te para não sentires dor ou "esqueceres" a partida... Mas posso sugerir-te que vivas o hoje na certeza de que o amor de que sentes falta é o amor que te aproxima com o ilimitado, com o transcendente, com o divino... Sabes e podes dizer que vives um amor supra-humano... Força e fé minha querida amiga... »

Foto em casa, com o meu pai, no dia do meu aniversário

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SE ME AMAS, NÃO CHORES


Hoje o dia decorreu lentamente entre o trabalho que é necessário fazer para o recomeço da Catequese e uma nostalgia que ora se vai no absorvimento em que me encontro, ora vem juntamente com as recordações, os objectos, tudo aquilo que faz parte da nossa casa e foi sendo conseguido pouco a pouco. Dou-me conta cada vez mais de que é preciso dar tempo... necessito de momentos de silêncio, em que fecho os olhos e não quero pensar, nem falar ou sequer ouvir... Mas também preciso por vezes de falar, partilhar, revelar a minha fragilidade.
Deixo esta oração que é de esperança e me foi enviada pelo amigo Jorge Silva.

Se conhecesses o mistério imenso
do Céu onde agora vivo,
esse horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus,
na Sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa
onde um dia
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede
na fonte inesgotável da alegria
e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas.

Santo Agostinho

domingo, 2 de outubro de 2011

Saudade

Esta é a primeira noite que fico só com o meu pai.
Desejo viver com esperança todos estes momentos que identifico na sua diferença... porque de facto em cada dia a saudade tem novas formas de expressão, de vivência e sobretudo de deixar que dos olhos escorram gotas de água, até sentir nos lábios um forte sabor de sal... Por vezes desejo que esse "sal" possa aos poucos ir ajudando a curar esta dor.
Mãe, sinto a tua falta em todos os segundos que passam... Obrigada porque no céu nos olhas sem dor, e com a ternura de quem viveu e vive para amar.

Deixo um hino que só conheci e rezo depois da tua partida.


Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe.
Não tenho aqui morada permanente
Leva-me mais longe.


Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do Teu olhar?

Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a Luz que me ilumina
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da Tua luz divina.

Esquece os meus passos mal andados
Meu desamor perdoa e meu pecado
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado

Se Tu me dás a mão, não terei medo
Meus passos serão firmes no andar
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.

(As rosas são de um pequeno vaso que rego com carinho todos os dias)