quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em cada dia...


Em cada dia, Deus traz luz e novidade à nossa vida e enche-a de flores e beleza...

Em cada manhã, aquecida e iluminada pelo sol, Deus aquece, conforta e enche de plenitude cada coração que ousa amar...

Em cada tarde, quando a brisa se faz sentir e a claridade se desvanece num anoitecer repousante, entendo e revejo a vida como uma Graça...

Em cada noite, quando finalmente descanso pressinto o "beijo de Deus", que nunca se fez ausente, mesmo quando me desencontrei...

Alice
A foto tirei da net, é do Nelson sj


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Inácio de Loyola



“Não é o muito saber que sacia e satisfaz,
mas o sentir e saborear as coisas internamente.”

Inácio de Loyola


sábado, 12 de janeiro de 2013

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo
De o transformar. Este é o dia transformado
Pelo modo como apoio este dia no chão.
Coloco-o na posição humilde dos meus joelhos na terra
Abro-o com os olhos que retiro de todas as coisas quando os fixo
Na atenção.

E fico atento, fico deitado porque não sei crescer
Num terreno que se levante.
Cresço na clareira de um homem que é uma palavra
Na sua túnica inteira
Porque este é o sítio do dia sem horário

Sem divisões

E ponho-me de frente no seu lado,
Nos seus braços abertos para me unir
E entro pelo lado aberto e ardo – como Elias
Em chamas subindo para o céu.

Daniel Faria, Poesia




Sim, este é o dia novo porque é um novo dia! 

Venho deixar este poema do Daniel Faria, não o conhecia até ontem à noite. Penso que me ajuda a situar neste dia de sábado, com sol e bastante frio, no local onde me encontro, naquilo que são os meus desejos mais profundos… o afecto, o sonho e a vontade de continuar a resistir ao inesperado!
Escrevo agora muito pouco, parece-me que já disse bastante, quase tudo, sobre a minha vida, a forma como a vivi ou a vivo. 
Recomecei a trabalhar no projecto de organizar o que tenho feito em forma de auto-biografia simples. Será um pouco como reler uma história à luz de Deus que é a luz de um amor que certifica cada vida como um dom.
Os poemas do Daniel sempre me dão desejo de seguir em frente.

A foto é só porque foi tirada à noite e à beira-mar

domingo, 6 de janeiro de 2013

Tu, Menino, deitado no presépio...


Tu, Menino, deitado no presépio,
És a luz de Deus
A iluminar de alegria todas as pessoas.
És a Palavra de Deus Que trás a Boa Nova
A todos os que buscam a felicidade.

Tu, Menino, encontrado pelos pastores,
És a esperança de Deus
Anunciada a todos os pobres
E rejeitado da sociedade.

Tu, Menino, ao colo de Maria
És Filho de Deus
Que veio para fazer de nós
Seus filhos adoptivos muito amados

Tu, Menino, procurado pelos Magos,
És o sinal do amor imenso
Do único Deus que é salvação
Para todos os povos da terra.

Tu, Menino, adorado pelos Magos,
és o nosso Senhor,
diante do qual nos inclinamos com todo o amor
pois és a nossa luz e nossa paz. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Natal e poesia


"Apenas sei que caminho como quem
é olhado, amado e conhecido
e por isso em cada gesto
ponho solenidade e risco"

(Sophia M. B. Andersen)


Nestas flores que me foram oferecidas 
pela amiga Isabel, na Palavra de Deus, 
no menino de Belém e na poesia da Sofia 
o Natal permanece cá em casa...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Encontro

Na precariedade da matéria… 

nasceu!
O seu primeiro choro “absolve e certifica o mundo”.
É de incarnação que fala o infante, aquele que fala ainda não tem! E  porém, é a palavra.
Curiosamente, a gruta, testemunha do seu nascimento, é semelhante à cova da sua sepultura. Não nos enganemos! A beleza deste menino não é a de um paraíso de inocência ainda por provar, nem a de uma terra ainda por rasgar. O júbilo alegre da aurora conhece o grito angustiado da passagem. Ele já atravessou as dores do parto. Já sabe o que são as feridas do arado em terra seca e os rigores do silêncio invernal. É o mais belo dos filhos de homem, mas é homem de dores, “sem aparência nem beleza, diante de quem se tapa o rosto”. A inocência imaculada atravessou “a paixão da fidelidade e o fogo da prova”. Mas que fidelidade? Que prova? A fidelidade de Deus à nossa carne. A prova da solidariedade “a caro preço”.
Nas formas deste  mundo ressoam a verdade e a justiça que não-são-deste-mundo.
O que de mais verdadeiro e justo dirige os nossos afectos ecoa nas formas do mundo-que-existe. O Verbo diz-se na matéria. A precariedade e fragilidade da matéria diz o Verbo divino. Mas é grande a resistência à força da incarnação. Como é sempre pouco o cuidado pela força espiritual das nossas formas sensíveis. Mundos ideais de conhecimento e de pureza seduzem hoje, como ontem, com ensaios de plenitude que volta costas a este mundo, a este corpo, demasiado impuros, demasiado baixos. Como, ao invés, a tirania do orgânico e do funcional, do consumível e do útil, cala à paixão dos afectos e ao discernimento da inteligência a digna e frágil promessa que ecoa no mundo, sem ser porém deste mundo.
Mas o nascimento certifica-o, ele que, em dores de parto, espera. Amassado de estupor e de dor, de dom e de violência, de cuidado e de abandono, de louvor e de blasfémia, de reconhecimento e de rapto…espera sentir o Espírito enquanto dá vida na fragilidade das suas formas. E o Espírito, dando a Vida no corpo de uma mulher, confirma-lhe, com letras de fogo, o desejo inapagável de viver.
Nasceu! Em nós. Connosco. Emanuel. 
José Frazão, sj (2004)