quinta-feira, 31 de julho de 2008

" Para Maior Glória de Deus"


Acordei cedo, cedo e feliz ...

Hoje é dia de festa! Celebro o dom de uma Vida especial, uma vida que marcou uma etapa de descoberta e conhecimento de Jesus Cristo, para mim ...

Inácio de Loyola faz anos!

Há seis anos precisamente, dia 31 de Julho de 2002, iniciei também um ciclo de quimioterapia que me concedeu uma nova oportunidade de recomeçar a vida e de continuar a "sonhar".

Como se não bastasse, os meus amigos Isabel e Paulo, celebram 25 anos de casamento, sei que nesse dia eles disseram um para o outro: " ... E já não seremos dois, mas um só!"

PARABÉNS!

domingo, 27 de julho de 2008


Neste último dia de férias na Galé, as rodas do meu sonho fixam-se no presente, revivem o passado e alegremente vão traçando um futuro novo .

Enternece-me sentir a espuma das ondas nos pés, fazendo-os deslizar na areia até que o mar me leve meia perdida e enrolada nas ondas...
Gosto de sentir o vento no rosto...a neblina e a maresia das manhãs...
Alegra-me o azul do céu... e o brilho dourado do sol...o som das gaivotas... e os risos das crianças.
Vejo Deus em tudo o que sou e me rodeia, em tudo aquilo que sinto e acredito...
E sobretudo, sei que o Reino dos Céus está em cada momento que vivo, cada rosto que observo à minha volta, em cada beijo que dou ou recebo, em cada momento de contemplação...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"Possa eu, em Tudo Amar e Servir"

Esta oração ajuda-nos a olhar o mundo com outros olhos...
Nela podemos ver a doçura com que Deus recebe a nossa vida, como tudo o que é bom, belo e verdadeiro é uma centelha da bondade, da beleza, da verdade e do amor que Deus É.
Deixo assim, Parabéns a um amigo jesuíta que hoje faz 26 anos de sacerdócio.

Tomai Senhor e Recebei

Tomai, Senhor, E Recebei
Toda a minha liberdade ,
A minha memória,
O meu entendimento
E toda a minha vontade.
Tudo o que tenho
E tudo o que possuo
Vós mo destes.
A Vós, Senhor o restituo.
Tudo é Vosso,
Disponde de tudo segundo
A Vossa vontade.
Dai-me o Vosso amor
E a Vossa Graça,
Que isso me basta.
(S. Inácio de Loyola)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

"Plantar figueiras"

Pode parecer estranho este titulo... Mas aqui no Algarve onde me encontro por uns dias, abundam as figueiras e os figos.
No entanto o que quero agora, é falar um pouco de mim, voltar à minha infância e recordar a avó "Celestinha" que dizia com algum humor quando caía: "Ando sempre a plantar figueiras"!
Na verdade também eu me dedico a plantar algumas... Desde que me lembro, por causa da poliomielite tive uma infância diferente, passando por longos internamentos hospitalares, longe de casa e da família.

"A Poliomielite ou pólio, é uma infecção altamente contagiosa causada pelo póliovirus. Em percentagem pequena de pessoas infectadas, o vírus ataca as células nervosas no cérebro e na espinha dorsal, particularmente as células nervosas da espinha dorsal que controlam os músculos envolvidos nos movimentos voluntários como caminhar. A destruição destes neurônios causa paralisia permanente em um de cada 200 casos.
A Poliomielite Paralítica: É a forma mais severa da doença que se desenvolve aproximadamente de sete a catorze dias depois da exposição ao vírus. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça severa, pescoço e duro, e dor muscular profunda. A fraqueza muscular e a paralisia podem se desenvolver rapidamente ou gradualmente durante os picos de febre...
A doença atinge geralmente os músculos das pernas, mas as áreas afetadas dependem de que altura da espinha dorsal ocorreu a infecção...

De facto foi este tipo de pólio que me atingiu, deixando-me a perna esquerda totalmente paralisada e, durante muito tempo, sem entender nada do que me estava a acontecer. Sabia apenas que não conseguia pôr-me de pé para andar.
Recordo-me de passar horas numa cadeira, nariz encostado à janela, olhando as minhas irmãs e as outras crianças a brincar livremente pelas ruas do nosso Bairro...
Muitos sonhos escondidos ou não vividos, lágrimas que não chegaram a ser vistas, gritos de incompreensão rebelde, silêncios intermináveis...
Durante muitos anos vivi a defender-me, procurando não revelar a minha fraqueza e debilidade e se caía rápidamente me levantava, olhando em redor na esperança de que ninguém me tivesse visto.
Uma familia especial e muitos amigos são parte da força e da alegria que me faltava, e pacientemente acompanharam e viveram comigo, muitos momentos que eu não sabia gerir.
Tudo agora parece novo dentro de mim e à minha volta. Na verdade eu caminho, mas de forma diferente... (Como referia a minha amiga Laurinda Alves). Vou acreditando cada vez mais que, SER é uma forma de felicidade que nunca estará completa porque estarei/estaremos sempre a caminho.
É que quando a felicidade e a alegria parecem ser já, aqui e agora... há mais uma queda, um murmúrio de inquietude disfarçada, uma solidão impenetrável, até parece que as forças vão acabar... De facto nem tudo é tão simples como como pode parecer, a "sementeira" custa a fazer, é preciso ser paciente e acreditar... E por aqui, em tempo de férias, de sol, de beleza e da presença de Deus, também eu vou plantando "algumas figueiras".

sábado, 19 de julho de 2008

A hora da partida

Tenho saudades de Deus... pensou muitas vezes a tia Nazaré...
E na verdade quanto mais perto estamos de Deus mais saudades temos Dele!
O momento do encontro foi-se aproximando, e serenamente ela morreu, partiu para o seu amado, deixando-nos uma grande saudade e ensinando-nos a grandeza da verdadeira saudade.
Não imagino como acontecerá em mim esta saudade, como receberei o Seu abraço, mas sei que Ele dirá... a mim, a ti, a cada um de nós: "DÁ-ME O TEU AMOR, RECEBE O MEU AMOR".


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa
quando as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Dedico este poema, de que tanto gosto, à tia Nazaré que partiu na manhã do dia 18.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Férias - Praia da Galé


Um pôr do sol, uma brisa doce e quente, um desejo de liberdade... e um poema de que gosto e me dá paz.

Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Canto do Pássaro


Os alunos estavam cheios de perguntas a respeito de Deus.
O Mestre, então, disse:

«Deus é o Desconhecido, Deus é o Incognoscível. Quanto d'Ele se diga, toda e qualquer resposta às vossas perguntas, é pura deturpação da Verdade».


Admirados os discípulos disseram:

«Então porque nos falas d'Ele?».
E o Mestre respondeu:


«Vocês sabem dizer porque é que o pássaro canta?».

Um pássaro não canta por ter algo a dizer.
Ele canta porque tem melodia na garganta. 

As palavras do Cientista são para ser compreendidas. As palavras do Mestre não são para ser compreendidas. Elas são para ser ouvidas com atenção meditativa, do mesmo modo que alguém escuta o vento nas árvores, o marulhar de um riacho ou o canto de um pássaro. Elas despertarão no coração algo que ultrapassa qualquer conhecimento.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eu e os amigos

Dizia-me há dias um amigo e companheiro a quem por vezes falo dos meu sonhos:

"Quem não é capaz de sonhar, nunca será capaz de viver verdadeiramente!"
Hoje, sonho e acredito, que em cada dia posso viver de novo,
aprender novas coisas e novas formas de encarar a vida...
Que em cada dia que passa se renova em mim o Dom
da Vida, no Amor com que Deus me rodeia ajudando-me a
continuar apesar dos fracassos...
Não é um sonho afinal, é uma realidade sonhada...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Ser feliz

Este pequeno poema tem a ver comigo,
com o meu estado de alma,com as
minhas ansiedades, sentimentos, sonhos e desejos...
Aqui vo-lo deixo...


«Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar
irritado algumas vezes, mas não esqueço
de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena
viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser
capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...»

(Fernando Pessoa)