sábado, 29 de abril de 2017

Fica connosco, Senhor!

«Fica connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». 

É Jesus que se aproxima, entra na vida dos dois discípulos que regressam a Emaús, querendo mostrar-lhes algo maior que a desilusão e a morte. 
O partir do pão transforma o seu olhar e altera os seus planos. Deixando-se tocar pela Sua presença, pressentem um novo caminho que se abre para o futuro e para sempre. 
E esta fresta de Luz é  promessa de Vida Nova, para eles e para cada um de nós!
"Não se trata simplesmente da nossa necessidades de não ficarmos sós, mas da Sua promessa de ficar sempre connosco, aconteça o que acontecer." (Cito um amigo)
Assim a noite dá lugar ao Novo Dia, o dia da Ressurreição.

Alice


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Páscoa

Os sinos, o anúncio Pascal, a vida que se solta de um sepulcro sem nome, o grito de espanto: “Não está aqui. Ressuscito! ”   
Vi o Senhor vivo! N’Ele a minha esperança a minha força. N’Ele todas as dores reconhecidas, n’Ele as alegrias renovadas.
Alice

Um poema

“É o amor, ainda que imperfeito,
É o amor, ainda que com defeito,
É o amor que faz correr a Madalena.

É o amor, ainda que imperfeito,
É o amor, ainda que com defeito,
É o amor que faz chorar a Madalena.

Mas tu sabes, meu irmão da páscoa plena,
Tu sabes que há outro amor em cena,
E é esse amor que faz amar a Madalena”

D. António Couto


sábado, 15 de abril de 2017

Sábado Santo


" Meu Senhor e meu Deus"


Silencio porque a saudade me tirou a voz, volto aos mesmos lugares, sinto a mesma aragem, os mesmos cheiros, perscruto nos montes um caminho que me leve ao Teu/teu encontro.
A divindade esconde-se perante a descida, como quem entra numa caverna, (Santo Inácio que no-lo recorda)... Sim, na Cruz a divindade parece escondida.
Contemplo a Cruz, fico até ao fim!
Ecoa em mim até bem fundo o Teu grito Pai, ecoa também em mim o teu silêncio dos últimos dias paizinho... 
Alice

Um Poema

Hoje a lua despiu seu véu
E flutua a dormir no céu
Na canção que de mim nas
ceu
Meu amado adormeceu
Meu amado adormeceu

Dorme, meu amor
Como no céu a lua
Tu serás sempre meu
E eu só tua

Dorme, amigo, que a poesia
É um mistério que não tem fim

Dorme em calma
Que assim, um dia
Dormirás para sempre em mim
Dormirás para sempre em mim

Vinicius de Morais

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta feira Santa

Meu Senhor e Meu Deus!



A Paixão do Senhor continua hoje, e nós passamos... Sim muitas vezes passamos e esquecemo-nos de ver, talvez incomode, talvez doa. Que eu me deixe tocar por todas as "paixões" por onde Tu passas, Meu Senhor...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta feira Santa

«Se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também». (João 13, 14-15)


Um Deus que se entrega assim, sem mais, abaixa-se aos pés de cada um para nos ensinar e abrir Caminhos, A partir de agora é possível imitá-lo nos seus gestos que são palavras de amor. É possível ser com Ele e dos Dele.  


domingo, 26 de março de 2017

Luz que faz ver

«Porque a glória do Senhor manifesta-se, quando a luz volta a brilhar para quem dela ficou privado e quando, quem deixara de ouvir, pode apreciar, de novo, o gosto das palavras; manifesta-se quando os paralíticos reaprendem a viver de pé e as pessoas de má vida recuperam a própria dignidade; quando os tristes retomam confiança e os desesperados reencontram um novo horizonte. Na verdade, o desejo mais íntimo de Deus é que, para cada homem e para cada mulher que venha a este mundo, a vida brilhe e brilhe muito» 
José Frazão, sj (pequena reflexão sobre o cego de nascença)
**
Que estas lágrimas de saudade, não apaguem a memória do teu rosto e não ensombrem a Luz que o Senhor me quer oferecer em cada momento, tal como ao cego de nascença. 
Que o reconhecimento da fragilidade que em mim existe não me retire a esperança, de que posso reaprender a viver de pé. 
Que o silêncio que em rodeia me ajude a ouvir Aquele que  vai pegando nos meus braços caídos para me dizer que há mais vida do eu penso. 
E assim, um pouco de luz dará sempre para iluminar o que está escuro.
**

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Despedidas

"  (…) A despedida talvez seja a parte mais difícil da amizade. Não se pode dizer muita coisa. Acho que aprendemos devagar, por vezes com muito custo, por vezes mais serenamente, e ambas as coisas estão certas.
(…) Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada…"

José Tolentino Mendonça - In Nenhum caminho será longo 

**
Quero falar-te de amor, de despedidas, dos lugares por onde vou passando e do pequeno barco que ficou à deriva e se acomodou na enseada, quando tu partiste para sempre.
Dos dias de inverno, quando a nossa casa ficava rodeada de neve. E eu de nariz encostado aos vidros da janela ficava deliciada a ver as minhas irmãs e as outras crianças brincar. De quando abria devagarinho uma fresta e me davam bocadinhos de neve que ficava a amassar nas mãos até que se derretesse e se escapasse por entre os meus dedos. 
Recordar também o teu colo, os teus ombros, os balões a fugirem das minhas mãos e a nossa cumplicidade e ternura. 
Falo ainda, de como sou testemunha da tua vida e do teu amor por cada pessoa. Guardarei em mim "o mapa" que deixaste, depois da tua, para a minha viagem.
**



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Silêncio

Silêncio!!!
Prestes a ver o filme silêncio, baseado na história dos Jesuítas no Japão. Olhos postos no ecrã e momentos de alguma expectativa.
Mais tarde: Silêncios, mais expectativas, fragilidades, acertos, crueldade... Por outro lado a parte consoladora: na fé e entrega daqueles, e são tantos os que não vacilam.
Silêncios e reflexões para repensar... Um aparente silêncio de Deus, nos momentos em que parece tudo depender de sinais Dele. 
Depois, vê-se que ... Ele está presente, e em momentos cruciais fala para dizer de si próprio, que é amor e compaixão, que é força. Que é a Vida.
Continuo a minha reflexão sobre o assunto.
Alice

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Caminhos

Neste caminho que sou convidada a percorrer, vou aos  poucos encontrando o meu ritmo. E, quer na montanha, no jardim, até nos desertos silenciosos, desejo ajudar a que cada um possa encontrar o seu.
Alice 

"Assim, na montanha a que se subir ou na caverna a que se descer, no deserto que se atravessar ou no jardim que se cultivar, à pergunta vital «onde estás?», é-nos dado responder, humanamente inteiros, frágeis e grandes, «eis-me aqui»."
padre José Frazão Correia, sj


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Tempo de olhar o mar


Revolto mas sem inquietação, cinzento e a chegar à praia em espumas soltas e brancas. 
Vou-me aproximando devagar, uma enorme quietude me rodeia... Convida-me à reflexão e a olhar as coisas com olhar livre e surpreso, qual criança que o vê pela primeira vez.
Sem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo paro e sento-me no muro. Comigo e em mim há um gesto agradecido vindo de dentro, do mais fundo que existe.
Uma tarde de passeio pela beira mar, encantada com pequenos momentos onde as saudades e o seu custo andam misturados de tranquilidade e de bem.
Alice


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tempo de "novo" Advento


Oração diante da manjedoura

Imagem: Rui Aleixo MMXV

Vens ao meu encontro para que caminhe para ti
e na minha dispersão te possa encontrar
Olhas para mim para que te possa ver
Escutas-me e assim me mostras o que é ouvir
Estendes para mim os braços para que aprenda a abraçar
E nasces para que eu possa renascer
P. José Tolentino Mendonça

Eis um convite para mim, para todos, nesta ultima semana de Advento:
A deixar-me acolher... a caminhar como me é próprio mas ao Teu encontro, apresentando-me ao olhar dos outros tal como sou, deixar-me encontrar na vida, aquela que vivo e a que tenho para viver, a escutar Aquele que me ensina a ouvir e sobretudo... para que abraçada, abra os braços para abraçar, abraçada continuar a deixar-me abraçar... continue a nascer, renascendo... e "tudo custa mas tudo é dom"... 
Alice 



sábado, 3 de dezembro de 2016

Vem, Senhor Jesus,

Quando a nossa esperança é "respiro", quando a minha esperança for tão forte e me "revestir de alto a baixo", sem costura, ainda que remendada... já não será a minha esperança estava enganada, será sobretudo a esperança para os outros; aí sim, nesse local recôndito do meu coração será  também esperança para mim. Deixo um poema.


Como é fácil, Senhor Jesus,
Daqui, de ao pé da tua Cruz,
Avistar a paisagem do Advento,
Compreender-lhe a mensagem,
Respirar-lhe o alento.

Daqui, de ao pé da tua Cruz de Luz,
Sem dúvida o lugar mais alto do mundo,
Mais alto e mais profundo,
Vê-se bem, com toda a claridade,
Que a lonjura do Advento não é horizontal.
Eleva-se em altura.
Como a tua túnica tecida de Alto-a-baixo,
Vertical,
E sem costura.

Tu vens do Alto, Senhor.
Tu vens de Deus.
Tu és Deus.
Tu és o Justo
Que chove das alturas
Sobre a nossa humanidade sedenta e às escuras.

Vem, Senhor Jesus,
Alumia e rega a nossa terra dura,
Acaricia o nosso humilde chão
E modela com as tuas mãos de amor
Em cada um de nós
Um novo coração
Capaz de ver.
Capaz de Te ver
Nascer
Em cada irmão.

D. António Couto


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A Estrela do nosso mundo

Em cada Advento renovamos o pedido: " preciso de uma estrela"...
Sim um estrela para o nosso mundo e por essa estrela saberemos que em todas as nossas necessidades o Senhor vem ao nosso encontro. 
A Estrela
Precisamos de uma estrela que desarme a noite'
Precisamos de uma palavra transparente
que nos ofereça a possibilidade de um começo
Precisamos de uma esperança que se propague
Precisamos de lugares límpidos
fora e dentro de nós
Precisamos de reencontrar uma vida onde a prece
e o louvor voltem a ser possíveis
Precisamos de um gesto para dizer uma alegria
maior do que a alegria
Precisamos de acolher o dom
e o seu equilíbrio difícil e leve
Precisamos de alguém que em pleno inverno nos ensine
a trazer no coração a primavera a arder

Imagem: Rui Aleixo MMXV
Texto: José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Creio no Céu

Acredito no Céu como acredito no amor, na vida, na água que corre, na semente que brota da terra, no sol que aquece e nas estrelas que iluminam as nossas noites, e depois, penso verdadeiramente que nada tenho, nada sou sou, nada devo esperar, porque tudo me vem e é concedido pelo AMOR de Deus.



Pintra: Van Gogh

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A vida que permanece

«A vida que permanece é aquela que se entrega.»
Assim se foi gastando e entregando esta vida... a dar e a receber amor... e é tão difícil ainda viver esta partida meu querido pai. 
Tenho ficado em silêncio, sinto que há coisas ou momentos de que só o silêncio pode falar assim como só em silêncio se podem viver. E ninguém pode fazer o meu caminho... 
Começo agora a ficar na nossa casa, tem sido lentamente que vou ficando algumas vezes e outras não, mas acho que preciso deste tempo aqui, no lugar onde a minha vida foi partilhada durante tantos anos.


"Isto às vezes é tremendo porque a gente quer exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras..." (Lobo Antunes)  

"rezo por ti e por toda a família, na firme esperança de que o teu pai está no Amor do Pai. Força e confiança".

"que o Senhor ressuscitado seja o teu ombro, o teu consolo e a tua força."

... "mas trago-te no coração. Deus te dê a força  das cerejeiras floridas..."

"querida Amiga, deixo um grande beijinho certa de que a Vida que flui a partir de ti é reflexo do Amor e Entrega do teu pai."


quarta-feira, 1 de junho de 2016

O tronco de malmequeres

 
[...] Se puderes ficar em silêncio
Não te igualarás à magnólia, mas repousarás
Como o musgo que lhe cresce no tronco.»
Daniela Faria


Malquereres frescos e cheios de cor, de beleza e de vida rodeiam este ramo seco. Decerto que este pequeno tronco agora ressequido deu vida a outras vidas, a outras flores... Creio que é assim que o amor acontece e se oferece em cada momento à vida.
Neste meu tempo em que preciso ficar junto do meu pai, dou-lhe a mão e deixo que a aperte com força, a força que ainda lhe resta, nestes dias que parecem tornar-se curtos.
Só posso acompanhar, procurar que descanse um pouco. Tal como a magnólia que repousa no silêncio de um abraço contido.

Foto: Zilda 


segunda-feira, 2 de maio de 2016

O beijo


Por vezes, e de modo muito subtil, as circunstâncias da vida levam-me a acreditar que as noites deixaram completamente de ter estrelas.
Esta minha noite teve sobretudo, “ausência de estrelas” porque comecei a perder a esperança de que as nuvens se dissipassem.
Agora, e depois uma noite difícil à cabeceira do meu pai, recebo o calor e a claridade do sol, desfazendo este engano que nasceu de um olhar cheio de dor e de falta de esperança.
Sinto que a vida do meu pai está muito frágil, cada vez mais... e temo estes momentos que me recordam partidas.

Ontem era o dia da mãe, da minha e de todas as mães. “O beijo de Klimt” que escolhi é para ela com saudade.  

Alice


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Páscoa... a Vida Nova



Volto para deixar este rebento, sinal de vida a desabrochar e ao mesmo tempo a flor que já cresceu e será oferta para alguém que passe por aqui e a queira levar.
Venho menos vezes agora, não só por falta de tempo, mas sobretudo por falta de inspiração e também do desejo de a buscar no meu dia-a-dia
Mas hoje quero escrever e descrever a Páscoa... Aquela que acontece cá dentro quando se sai da igreja, neste caso da Vigília Pascal.
Foi num anúncio... quase um rumor. e o sábado Santo a transformar-se em domingo de Páscoa: «AQUELE QtUE VIMOS MORTO ESTÁ VIVO! Aquele que há dois dias vimos suspenso na Cruz e pusemos no túmulo, não está lá... Está VIVO! (...) Aquele que deu a vida está vivo, precisamente porque deu a Vida.» 
(José Frazão, sj)


terça-feira, 15 de março de 2016

Um tempo novo


Volto aqui em tempo de novos desafios e ao mesmo tempo de Quaresma. E percorrer este caminho de mão abertas prontas a acolher e ao mesmo tempo poderem oferecer é de fato o grande convite que O Senhor hoje me faz.

"Este é o dia transformado
Pelo modo como apoio este dia no chão.
Coloco-o na posição humilde dos meus joelhos na terra
Abro-o com os olhos que retiro de todas as coisas quando os fixo"

Foi este pequenino extrato do poema de Daniel Faria: "Este é o novo dia..." que fez desejar também comunicar e comunicar-vos como me sinto pequena diante de uma imensidade de pensamentos e  me pergunto em cada dia por onde e para onde vai este caminho? 

E na verdade, sempre foi assim... O sei sobre o caminho são os meus pés doridos.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Será nada me retira a alegria?

junto à foz 

[...] «No entanto, como preservar a alegria quando surgem as dificuldades, a dor? Esta é a operação, cultivar a alegria na complexidade da realidade. Não permitir que a complexidade da realidade anule, esconda, destrua este dom, este fruto maior que é a alegria.» 
(José Frazão Correia, sj)

Saberes e desejos a ter presentes e que sinto, preciso cultivar cada vez mais. Alegria que não posso deixar fugir por entre os custos de um dia como o de hoje.
Bem cedinho para ganhar tempo cá estou eu, no Hospital de Gaia. Laboratório de análises, o irmão João acompanha-me, a Zilda fica de vigia ao carro. Espero pela minha vez... Olho à minha volta e todos estão pior do que eu, porque estão mais tristes! 
Passa mais de meia hora e chamam-me pelo intercomunicador, não tenho frio mas fico a tremer por dentro, também não tenho medo porque o medo destrói a paz que desejo cultivar. 
Entro na sala de colheitas, passo por várias enfermeiras a quem tenho de ir repetindo... Nome completo e data de nascimento... Para provar que que não há engano, sou eu mesma!
Sento-me finalmente junto da pessoa que me vai picar... Uma,  duas, à terceira pede ajuda... Isto está mau diz ela, apanha-me a veia que rebenta antes que o sangue pingue para o tubo. Lá consegue finalmente, já está! É sempre tão difícil apanhar estas veias "queimadas" pela quimioterapia. 
Saímos depressa, quase nem penso na vontade que tenho de comer qualquer coisa. Os outros pavilhões ficam distantes... E aí vamos nós, temos mais encontros marcados para hoje. 

(em 2016)