quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um dia desapareceu...


«...Um dia desapareceu. Passou a enviar-nos um postal no princípio de todos os anos, sempre de um lugar diferente. No último contou-nos de uma árvore com quem fez profunda amizade.»
Luís Osório

Depois de tanto tempo regresso, ou melhor, tento regressar... 
O que ficou em mim depois desta mudança familiar, além da saudade, o desacerto e o desenraizar da minha terra durante algum tempo, é a certeza da amizade e do carinho de muitos. 
E o mais bonito da amizade e da relação é saber que estou diante de alguém a quem não preciso disfarçar nada, nem ser o que não sou. Alguém que tem é acompanhado o meu passo e gosta de empurrar a minha cadeira.

Quando li este pequeno extrato do livro de Luís Osório, pensei que seria bom escrever estas palavrinhas.


sábado, 29 de abril de 2017

Fica connosco, Senhor!

«Fica connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». 

É Jesus que se aproxima, entra na vida dos dois discípulos que regressam a Emaús, querendo mostrar-lhes algo maior que a desilusão e a morte. 
O partir do pão transforma o seu olhar e altera os seus planos. Deixando-se tocar pela Sua presença, pressentem um novo caminho que se abre para o futuro e para sempre. 
E esta fresta de Luz é  promessa de Vida Nova, para eles e para cada um de nós!
"Não se trata simplesmente da nossa necessidades de não ficarmos sós, mas da Sua promessa de ficar sempre connosco, aconteça o que acontecer." (Cito um amigo)
Assim a noite dá lugar ao Novo Dia, o dia da Ressurreição.

Alice


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Páscoa

Os sinos, o anúncio Pascal, a vida que se solta de um sepulcro sem nome, o grito de espanto: “Não está aqui. Ressuscito! ”   
Vi o Senhor vivo! N’Ele a minha esperança a minha força. N’Ele todas as dores reconhecidas, n’Ele as alegrias renovadas.
Alice

Um poema

“É o amor, ainda que imperfeito,
É o amor, ainda que com defeito,
É o amor que faz correr a Madalena.

É o amor, ainda que imperfeito,
É o amor, ainda que com defeito,
É o amor que faz chorar a Madalena.

Mas tu sabes, meu irmão da páscoa plena,
Tu sabes que há outro amor em cena,
E é esse amor que faz amar a Madalena”

D. António Couto


sábado, 15 de abril de 2017

Sábado Santo


" Meu Senhor e meu Deus"


Silencio porque a saudade me tirou a voz, volto aos mesmos lugares, sinto a mesma aragem, os mesmos cheiros, perscruto nos montes um caminho que me leve ao Teu/teu encontro.
A divindade esconde-se perante a descida, como quem entra numa caverna, (Santo Inácio que no-lo recorda)... Sim, na Cruz a divindade parece escondida.
Contemplo a Cruz, fico até ao fim!
Ecoa em mim até bem fundo o Teu grito Pai, ecoa também em mim o teu silêncio dos últimos dias paizinho... 
Alice

Um Poema

Hoje a lua despiu seu véu
E flutua a dormir no céu
Na canção que de mim nas
ceu
Meu amado adormeceu
Meu amado adormeceu

Dorme, meu amor
Como no céu a lua
Tu serás sempre meu
E eu só tua

Dorme, amigo, que a poesia
É um mistério que não tem fim

Dorme em calma
Que assim, um dia
Dormirás para sempre em mim
Dormirás para sempre em mim

Vinicius de Morais

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta feira Santa

Meu Senhor e Meu Deus!



A Paixão do Senhor continua hoje, e nós passamos... Sim muitas vezes passamos e esquecemo-nos de ver, talvez incomode, talvez doa. Que eu me deixe tocar por todas as "paixões" por onde Tu passas, Meu Senhor...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta feira Santa

«Se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também». (João 13, 14-15)


Um Deus que se entrega assim, sem mais, abaixa-se aos pés de cada um para nos ensinar e abrir Caminhos, A partir de agora é possível imitá-lo nos seus gestos que são palavras de amor. É possível ser com Ele e dos Dele.  


domingo, 26 de março de 2017

Luz que faz ver

«Porque a glória do Senhor manifesta-se, quando a luz volta a brilhar para quem dela ficou privado e quando, quem deixara de ouvir, pode apreciar, de novo, o gosto das palavras; manifesta-se quando os paralíticos reaprendem a viver de pé e as pessoas de má vida recuperam a própria dignidade; quando os tristes retomam confiança e os desesperados reencontram um novo horizonte. Na verdade, o desejo mais íntimo de Deus é que, para cada homem e para cada mulher que venha a este mundo, a vida brilhe e brilhe muito» 
José Frazão, sj (pequena reflexão sobre o cego de nascença)
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Que estas lágrimas de saudade, não apaguem a memória do teu rosto e não ensombrem a Luz que o Senhor me quer oferecer em cada momento, tal como ao cego de nascença. 
Que o reconhecimento da fragilidade que em mim existe não me retire a esperança, de que posso reaprender a viver de pé. 
Que o silêncio que em rodeia me ajude a ouvir Aquele que  vai pegando nos meus braços caídos para me dizer que há mais vida do eu penso. 
E assim, um pouco de luz dará sempre para iluminar o que está escuro.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Despedidas... Pai

"  (…) A despedida talvez seja a parte mais difícil da amizade. Não se pode dizer muita coisa. Acho que aprendemos devagar, por vezes com muito custo, por vezes mais serenamente, e ambas as coisas estão certas.
(…) Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada…"

José Tolentino Mendonça - In Nenhum caminho será longo 

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Quero falar-te de amor, de despedidas, dos lugares por onde vou passando e do pequeno barco que ficou à deriva e se acomodou na enseada, quando tu partiste para sempre.
Dos dias de inverno, quando a nossa casa ficava rodeada de neve. E eu de nariz encostado aos vidros da janela ficava deliciada a ver as minhas irmãs e as outras crianças brincar. De quando abria devagarinho uma fresta e me davam bocadinhos de neve que ficava a amassar nas mãos até que se derretesse e se escapasse por entre os meus dedos. 
Recordar também o teu colo, os teus ombros, os balões a fugirem das minhas mãos e a nossa cumplicidade e ternura. 
Falo ainda, de como sou testemunha da tua vida e do teu amor por cada pessoa. Guardarei em mim "o mapa" que deixaste, depois da tua, para a minha viagem.
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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Silêncio

Silêncio!!!
Prestes a ver o filme silêncio, baseado na história dos Jesuítas no Japão. Olhos postos no ecrã e momentos de alguma expectativa.
Mais tarde: Silêncios, mais expectativas, fragilidades, acertos, crueldade... Por outro lado a parte consoladora: na fé e entrega daqueles, e são tantos os que não vacilam.
Silêncios e reflexões para repensar... Um aparente silêncio de Deus, nos momentos em que parece tudo depender de sinais Dele. 
Depois, vê-se que ... Ele está presente, e em momentos cruciais fala para dizer de si próprio, que é amor e compaixão, que é força. Que é a Vida.
Continuo a minha reflexão sobre o assunto.
Alice

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Caminhos

Neste caminho que sou convidada a percorrer, vou aos  poucos encontrando o meu ritmo. E, quer na montanha, no jardim, até nos desertos silenciosos, desejo ajudar a que cada um possa encontrar o seu.
Alice 

"Assim, na montanha a que se subir ou na caverna a que se descer, no deserto que se atravessar ou no jardim que se cultivar, à pergunta vital «onde estás?», é-nos dado responder, humanamente inteiros, frágeis e grandes, «eis-me aqui»."
padre José Frazão Correia, sj


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Tempo de olhar o mar


Revolto mas sem inquietação, cinzento e a chegar à praia em espumas soltas e brancas. 
Vou-me aproximando devagar, uma enorme quietude me rodeia... Convida-me à reflexão e a olhar as coisas com olhar livre e surpreso, qual criança que o vê pela primeira vez.
Sem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo paro e sento-me no muro. Comigo e em mim há um gesto agradecido vindo de dentro, do mais fundo que existe.
Uma tarde de passeio pela beira mar, encantada com pequenos momentos onde as saudades e o seu custo andam misturados de tranquilidade e de bem.
Alice


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tempo de "novo" Advento


Oração diante da manjedoura

Imagem: Rui Aleixo MMXV

Vens ao meu encontro para que caminhe para ti
e na minha dispersão te possa encontrar
Olhas para mim para que te possa ver
Escutas-me e assim me mostras o que é ouvir
Estendes para mim os braços para que aprenda a abraçar
E nasces para que eu possa renascer
P. José Tolentino Mendonça

Eis um convite para mim, para todos, nesta ultima semana de Advento:
A deixar-me acolher... a caminhar como me é próprio mas ao Teu encontro, apresentando-me ao olhar dos outros tal como sou, deixar-me encontrar na vida, aquela que vivo e a que tenho para viver, a escutar Aquele que me ensina a ouvir e sobretudo... para que abraçada, abra os braços para abraçar, abraçada continuar a deixar-me abraçar... continue a nascer, renascendo... e "tudo custa mas tudo é dom"... 
Alice 



sábado, 3 de dezembro de 2016

Vem, Senhor Jesus,

Quando a nossa esperança é "respiro", quando a minha esperança for tão forte e me "revestir de alto a baixo", sem costura, ainda que remendada... já não será a minha esperança estava enganada, será também e sobretudo a esperança para outros! 
E aí sim, nesse local recôndito do meu coração será  também esperança para mim. Deixo um poema.


Como é fácil, Senhor Jesus,
Daqui, de ao pé da tua Cruz,
Avistar a paisagem do Advento,
Compreender-lhe a mensagem,
Respirar-lhe o alento.

Daqui, de ao pé da tua Cruz de Luz,
Sem dúvida o lugar mais alto do mundo,
Mais alto e mais profundo,
Vê-se bem, com toda a claridade,
Que a lonjura do Advento não é horizontal.
Eleva-se em altura.
Como a tua túnica tecida de Alto-a-baixo,
Vertical,
E sem costura.

Tu vens do Alto, Senhor.
Tu vens de Deus.
Tu és Deus.
Tu és o Justo
Que chove das alturas
Sobre a nossa humanidade sedenta e às escuras.

Vem, Senhor Jesus,
Alumia e rega a nossa terra dura,
Acaricia o nosso humilde chão
E modela com as tuas mãos de amor
Em cada um de nós
Um novo coração
Capaz de ver.
Capaz de Te ver
Nascer
Em cada irmão.

D. António Couto


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A Estrela do nosso mundo

Em cada Advento renovamos o pedido: " preciso de uma estrela"...
Sim um estrela para o nosso mundo e por essa estrela saberemos que em todas as nossas necessidades o Senhor vem ao nosso encontro. 
A Estrela
Precisamos de uma estrela que desarme a noite'
Precisamos de uma palavra transparente
que nos ofereça a possibilidade de um começo
Precisamos de uma esperança que se propague
Precisamos de lugares límpidos
fora e dentro de nós
Precisamos de reencontrar uma vida onde a prece
e o louvor voltem a ser possíveis
Precisamos de um gesto para dizer uma alegria
maior do que a alegria
Precisamos de acolher o dom
e o seu equilíbrio difícil e leve
Precisamos de alguém que em pleno inverno nos ensine
a trazer no coração a primavera a arder

Imagem: Rui Aleixo MMXV
Texto: José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Creio no Céu

Acredito no Céu como acredito no amor, na vida, na água que corre, na semente que brota da terra, no sol que aquece e nas estrelas que iluminam as nossas noites, e depois, penso verdadeiramente que nada tenho, nada sou sou, nada devo esperar, porque tudo me vem e é concedido pelo AMOR de Deus.



Pintra: Van Gogh

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A vida que permanece

«A vida que permanece é aquela que se entrega.»
Assim se foi gastando e entregando esta vida... a dar e a receber amor... e é tão difícil ainda viver esta partida meu querido pai. 
Tenho ficado em silêncio, sinto que há coisas ou momentos de que só o silêncio pode falar assim como só em silêncio se podem viver. E ninguém pode fazer o meu caminho... 
Começo agora a ficar na nossa casa, tem sido lentamente que vou ficando algumas vezes e outras não, mas acho que preciso deste tempo aqui, no lugar onde a minha vida foi partilhada durante tantos anos.


"Isto às vezes é tremendo porque a gente quer exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras..." (Lobo Antunes)  

"rezo por ti e por toda a família, na firme esperança de que o teu pai está no Amor do Pai. Força e confiança".

"que o Senhor ressuscitado seja o teu ombro, o teu consolo e a tua força."

... "mas trago-te no coração. Deus te dê a força  das cerejeiras floridas..."

"querida Amiga, deixo um grande beijinho certa de que a Vida que flui a partir de ti é reflexo do Amor e Entrega do teu pai."


quarta-feira, 1 de junho de 2016

O tronco de malmequeres

 
[...] Se puderes ficar em silêncio
Não te igualarás à magnólia, mas repousarás
Como o musgo que lhe cresce no tronco.»
Daniela Faria


Malquereres frescos e cheios de cor, de beleza e de vida rodeiam este ramo seco. Decerto que este pequeno tronco agora ressequido deu vida a outras vidas, a outras flores... Creio que é assim que o amor acontece e se oferece em cada momento à vida.
Neste meu tempo em que preciso ficar junto do meu pai, dou-lhe a mão e deixo que a aperte com força, a força que ainda lhe resta, nestes dias que parecem tornar-se curtos.
Só posso acompanhar, procurar que descanse um pouco. Tal como a magnólia que repousa no silêncio de um abraço contido.

Foto: Zilda 


segunda-feira, 2 de maio de 2016

O beijo


Por vezes, e de modo muito subtil, as circunstâncias da vida levam-me a acreditar que as noites deixaram completamente de ter estrelas.
Esta minha noite teve sobretudo, “ausência de estrelas” porque comecei a perder a esperança de que as nuvens se dissipassem.
Agora, e depois uma noite difícil à cabeceira do meu pai, recebo o calor e a claridade do sol, desfazendo este engano que nasceu de um olhar cheio de dor e de falta de esperança.
Sinto que a vida do meu pai está muito frágil, cada vez mais... e temo estes momentos que me recordam partidas.

Ontem era o dia da mãe, da minha e de todas as mães. “O beijo de Klimt” que escolhi é para ela com saudade.  

Alice


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Páscoa... a Vida Nova



Volto para deixar este rebento, sinal de vida a desabrochar e ao mesmo tempo a flor que já cresceu e será oferta para alguém que passe por aqui e a queira levar.
Venho menos vezes agora, não só por falta de tempo, mas sobretudo por falta de inspiração e também do desejo de a buscar no meu dia-a-dia
Mas hoje quero escrever e descrever a Páscoa... Aquela que acontece cá dentro quando se sai da igreja, neste caso da Vigília Pascal.
Foi num anúncio... quase um rumor. e o sábado Santo a transformar-se em domingo de Páscoa: «AQUELE QtUE VIMOS MORTO ESTÁ VIVO! Aquele que há dois dias vimos suspenso na Cruz e pusemos no túmulo, não está lá... Está VIVO! (...) Aquele que deu a vida está vivo, precisamente porque deu a Vida.» 
(José Frazão, sj)


terça-feira, 15 de março de 2016

Um tempo novo


Volto aqui em tempo de novos desafios e ao mesmo tempo de Quaresma. E percorrer este caminho de mão abertas prontas a acolher e ao mesmo tempo poderem oferecer é de fato o grande convite que O Senhor hoje me faz.

"Este é o dia transformado
Pelo modo como apoio este dia no chão.
Coloco-o na posição humilde dos meus joelhos na terra
Abro-o com os olhos que retiro de todas as coisas quando os fixo"

Foi este pequenino extrato do poema de Daniel Faria: "Este é o novo dia..." que fez desejar também comunicar e comunicar-vos como me sinto pequena diante de uma imensidade de pensamentos e  me pergunto em cada dia por onde e para onde vai este caminho? 

E na verdade, sempre foi assim... O sei sobre o caminho são os meus pés doridos.