domingo, 25 de março de 2012

O grão de trigo...


“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morrer, produz muito fruto.”(Jo 12, 24).




Somos gerados. criados e amados nesta entrega. Na entrega de Alguém que tal como o grão de trigo se deixa esmagar e dá a Vida para dar vida. 
Jesus é o grão de trigo deixa-se triturar… perde-se para se encontrar connosco e nos fazer encontrar com Ele… 

        
Nesta tarde Senhor,
Como pequeno grão de trigo quero estar Contigo
Posso estar ausente ou distraída
Posso sentir saudade, estar esmagada
Ou até sorrir ao crepúsculo deste final de dia
Mas percebo a tua presença na minha vida
E desejo o TEU AMOR!
         
         
                

quinta-feira, 22 de março de 2012

"escolhe o relento"


Versões do Mundo

Se tiveres de escolher um reino
escolhe o relento
a noite tem brancura do alabastro
ou mais extraordinária ainda

Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome

José Tolentino Mendonça,

in O Viajante sem Sono, Assírio & Alvim, 2009

quarta-feira, 21 de março de 2012

a primavera



Adormeci já tarde, o sono tinha sido cheio de interrupções, mas ao acordar algo de novo acontecera... era primavera!
Olhei em redor procurando algum sinal que tocasse o meu coração e o fizesse bater com mais força. Uma força maior do que aquela que o faz recomeçar em cada dia, mas ficou só o desejo, e um olhar meio perdido que não encontrando local onde poisar se fixou por breves instantes na luminosidade de um quarto cheio de recordações... 
Ajoelho no tapete e deixo-me enternecer e afagar pelo ar que respiro e pelo sol a entrar com suavidade em todo o quarto. Rezo todo o bem recebido mesmo na fragilidade da minha vida, porque é também nesta fragilidade, que Deus se manifesta e me faz sentir amada.  
Fico num silêncio que suaviza a minha saudade e me ajuda a escutar “aquela” voz íntima e única que me fala de ti mãe, que me fala de vida e de amor. 

(flores tiradas da net)


sexta-feira, 16 de março de 2012

Que amo eu, quando Vos amo?

A minha consciência, Senhor, não duvida, antes tem a certeza de que Vos amo. Feriste-me o coração com a Vossa palavra e amei-Vos. O céu, a terra e tudo o que neles existe, dizem-me por toda a parte que Vos ame. Não cessam de o repetir a todos os homens, para que sejam inescusáveis. Compadecer-Vos-eis mais profundamente daquele de quem já Vos compadecestes, e concedereis misericórdia àquele para quem já foste misericordioso. De outro modo, o céu e a terra só a surdos cantariam os Vossos louvores.

Que amo eu, quando Vos amo? Não amo a formosura corporal, nem a glória temporal, nem a claridade da luz, tão amiga destes meus olhos, nem as doces melodias das canções de todo o género, nem o suave cheiro das flores, dos perfumes ou dos aromas, nem o maná ou o mel, nem os membros tão flexíveis aos abraços da carne. Nada disto amo, quando amo o meu Deus. E contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um alimento e um abraço, quando amo o meu Deus, luz, voz, perfume e abraço do homem interior, onde brilha para a minha alma uma luz que nenhum espaço contém, onde ressoa uma voz que o tempo não arrebata, onde se exala um perfume que o vento não esparge, onde se saboreia uma comida que a sofreguidão não diminui, onde se sente um contacto que a saciedade não desfaz. Eis o que amo, quando amo o meu Deus. (...)

Entoe vossos louvores aquele que compreende, e quem não compreende enalteça-Vos também! Oh! quão sublime sois! Contudo a Vossa morada são os humildes de coração! Levantais os que caíram, e não caem aqueles de quem Vós sois a altura! (...)

Nós agora somos inclinados a praticar o bem, depois que o nosso coração o concebeu, inspirado pelo Vosso Espírito. Mas, ao princípio, desertando de Vós, éramos arrastados para o mal. Contudo, Vós, meu Deus e único Bem, nunca deixastes de nos beneficiar. Com a Vossa graça algumas obras realizámos; mas estas não são eternas. Depois de as termos praticado, esperamos repousar na Vossa grande santificação. Vós sois o Bem que de nenhum bem precisa. Estais sempre em repouso, porque sois Vós mesmo o Vosso descanso.

Quem, dos homens, poderá dar a outro homem a inteligência deste mistério? Que anjo a outro anjo? Que anjo aos homem? A Vós se peça, em Vós se procure, à Vossa porta se bata. Deste modo, sim, deste modo se há-de receber, se há-de encontrar e se há-de abrir a porta do mistério. 

Santo Agostinho 
 In Confissões

quarta-feira, 7 de março de 2012

momentos de beleza









Atravessamos a serra da Estrela desde Viseu, passando por Gouveia, Manteigas, Penhas da Saúde até à Covilhã... um passeio cheio de encanto e de luz, de curvas e contracurvas e de animada conversa.
A presença dos amigos é sempre para mim motivo de acção de graças. Há um bem que recebo e posso oferecer, há um dom que se partilha mutuamente e dá sentido a tudo o que vivo... e na alegria repartida, na brisa leve... tudo tem uma tonalidade que se torna eterna. 

Fica uma sequência de fotos do pôr do sol junto do Lago Viriato, que ilustra alguns desses momentos.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Viver de amor


Viver, ou procurar viver de amor é olhar os ramos despidos de uma árvore e não me fixar somente na sua nudez mas perceber que eles se tornarão floridos a seu tempo. É  fixar o olhar nos movimentos suaves das avezinhas  e reaprender a voar... É acreditar que o voo pode tornar-se sublime pela proximidade com o infinito. É ter saudade e viver a saudade deixando que os olhos sequem pela aragem que me envolve, me toca a face e me fala de amor.
Viver de amor é encontrar vida na vida vivida ou ainda por viver. Viver de amor é amar e deixar-me amar. Viver de amor é acreditar que Deus é amor...

Deixo um poema de amor.

Viver de amor? _ Viver-Te a vida
De gloriosa majestade e delícia dos eleitos? _
Por mim _ basta que vivas escondido
Onde eu _ por Ti possa _ escondida, estar contigo
A sós _ como amantes sedentos de solidão _
Um face a face que dure a noite _ que dure o dia.
Um teu olhar _ é quanto basta
Para tornar feliz o amor.

Viver de amor? Não é certamente viver
No alto do Tabor, contemplando-se mutuamente _
Contigo Jesus _ amar é levar-te à cruz,
Ver-me a teu lado _ e sentir-me tesouro _
No teu jardim, poderei _ um dia _ ter-te

Quando a prova _ por inteiro, tiver passado_
No exílio, no entanto _ quero viver a dor
De te amar _ de amor.

Viver de amor? É dar _ e não ter -
Medida que compare o quanto se deu
Sem medir - como calcular o Amor?
Se amor não mede _ a medida que perdeu.
Ao teu coração transbordante de ternura,
Dei todo o divino _ e meu não era _ Corro leve _
Conto apenas com a riqueza que me deste _
O amor que me dá vida.

Santa Teresa do Menino Jesus

Foto da minha amiga Zilda

domingo, 4 de março de 2012

Tabor de cada dia


Quando te esqueceste de ti mesmo,
quando te esgotaste no serviço aos últimos,
quando aceitaste o sofrimento como companheiro,
quando soubeste perder,
quando já não pretendes ganhar,
quando partilhaste o que tu necessitavas,
quando te arriscaste pelo pobre,
quando enxugaste as lágrimas do inocente,
quando resgataste alguém do seu inferno,
quando te introduziste no coração do mundo,
quando puseste a tua vontade nas mãos de Deus,
quando te purificaste do teu orgulho,
quando te esvaziaste de tantos tarecos supérfluos,
quando te sentes ferido...
brilha em ti, grátis, a luz de Deus,
sentes a sua presença irradiando frescura primaveril,
e o seu perfume te envolve e reanima.
Já não necessitas outros tesouros.
Deus te acompanha, te fala, te protege.
Te sentes mergulhado num mar de felicidade...
E não estás nas nuvens,
é um Tabor que se te oferece grátis,
para que desfrutes já o presente
e caminhes firme e sem temores.     
                                                 
Ulibarri Fl.