domingo, 28 de março de 2010

A Cruz que hoje vislumbrei


A Cruz, é o altar e o trono do perdão

Deixo este pequeno texto, do qual não conheço o autor, porque me fez reflectir e penso que faz sentido para o tempo que começamos a viver de uma forma mais intensa. De facto não são necessárias grandes palavras e Jesus assim o fez. Basta ser capaz de me elevar como um pequeno pássaro e levar outros comigo.
Boa Semana Santa!


"Um bando de pássaros esvoaçava debaixo de uma rede estendida a uma certa distância do solo. Sem cessar eles levantavam voo, magoavam-se na rede e voltavam a cair por terra. Era um espectáculo triste de se ver. Mas eis que um pássaro se elevou no ar, lutando obstinadamente contra a rede e, subitamente, já ferido, rompeu-a e lançou-se no espaço. O bando de pássaros soltou, em uníssono, um grito estridente e num rumorejar de asas mil, precipitaram-se em direcção à abertura e ao espaço sem fim."

domingo, 21 de março de 2010

Flores em lugar de pedras


S. João 8, 7-11
“Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra.” Inclinou-se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-se e disse-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor.” Disse então Jesus: “ Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.”»


"Não encontro figura mais bonita que Jesus salvando a dignidade humana, este Jesus que não tem pecado, frente a frente com uma mulher adultera.
Fortaleza, porém ternura: a dignidade humana acima de tudo. A Jesus não lhe importavam os detalhes legalistas. Ele ama, veio precisamente para salvar os pecadores. As fontes (do) pecado social (estão) no coração do homem... ninguém quer carregar a culpa mas todos são responsáveis da onda de crimes e violência... a salvação começa arrancando do pecado a cada homem".
"Não peques mais".

monsenhor Romero (da sua célebre última homilia)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cada coisa a seu tempo...

“Neste mundo, tudo tem a sua hora; cada coisa tem o seu próprio tempo:
Há tempo de nascer e tempo de morrer;
Há o tempo de plantar e o tempo de arrancar;
O tempo de matar e o tempo de curar;
O tempo de destruir e o tempo de construir;
O tempo de chorar e o tempo rir;
O tempo de estar de luto e o tempo de dançar;
O tempo de atirar pedras e o tempo de as juntar;
O tempo de se abraçar e o tempo de se afastar;
O tempo de procurar e o tempo de perder;
O tempo de guardar e o tempo de deitar fora;
O tempo de rasgar e o tempo de coser;
O tempo de calar e o tempo de falar;
O tempo de amar e o tempo odiar;
O tempo de guerra e o tempo de paz.”

Do livro do Eclesiastes 3, 1-8

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amar para amar

Tenho um amigo que se chama Pep e gostaria de falar com ele em Catalão, porque a linguagem escrita pode ser por vezes "fonte se mal entendidos", como refere Exupery no livro "O principezinho".... e sobretudo se ela vai ter que ser traduzida. Mas não sei mesmo...

Pep, em primeiro lugar obrigada por leres o que escrevo pelos comentários que fazes.
Dirijo-te uma palavra particular para te falar um pouco mais de mim. Quando tinha 16 meses eu fui atacada por uma doença vírica, poliomielite, que deixou marcas para sempre.
Eu não entendia e os meus pais também não, mas sempre me disseram e ajudaram a compreender que a minha vida era importante e era um bem e lutaram para que eu vivesse feliz.
Nós não tínhamos automóvel mas o meu pai levava-me a passear aos seus ombros, as minhas irmãs cresceram e também me pegavam ao colo.
Os meus irmãos muitas vezes pegavam em mim com força na praia e atiravam-me sobre as ondas do mar. Por isso a minha ligação com o mar com o sol, com a natureza que Deus criou para mim, para NÓS...
Passei por vários hospitais e fui melhorando, a técnica avançou e a vida tornou-se mais suave para mim. No hospital eu chorava com muitas saudades, juntamente com outras crianças que se encontravam em situações semelhantes, formávamos uma família(…)»
Houve um Hospital em que estive 3 anos. Aprendi a viver na alegria e na dificuldade e conheci o AMOR que explica e dá sentido a tudo, o amor Daquele que se faz presença, sempre que eu paro para O escutar, que me ama em primeiro lugar porque deu e continua a dar a vida por mim. Que me abraça quando estou mais frágil.
E sabes por onde passa esse abraço? Passa em primeiro lugar por aqueles que me rodeiam, passa muitos pelos amigos, passa também pelas crianças que ajudo a crescer... pelo brilho do seu olhar feliz ou ainda pela marca de alguma dor por que passaram também.
As pessoas são livres de escolher entre o bem e o mal, e de facto o mal é causa de sofrimento. No entanto as pessoas são livres e Deus não força a sua LIBERDADE. Eu vou aprendendo isto na vida e na oração. Eu muitas vezes faço coisas muito erradas que também atingem outros, porque Deus me deixa livre de o fazer, mas depois fico a desejar mudar caminho e ser melhor.
Pep, onde quer que estejas, acredita que Deus está para além do sofrimento e do mal que as pessoas causam umas às outras.
Hoje eu sou uma pessoa mais independente, conduzo o meu carro e posso receber o sol e a chuva no rosto indo sozinha, posso visitar os amigos e passear com eles.

Nem tudo é assim tão simples comigo, tenho momentos de lutas e de dores, passei por doença oncológica e muitas vezes eu choro lágrimas que são “colírio do coração”, então Ele vem abraça-me e diz: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.» (Mt. 11, 28-30)

Voltaremos a conversar se tu quiseres.
Um abraço
Alice

domingo, 14 de março de 2010

Hoje, Domingo


Tal como um pequeno bote, eis-me aqui Senhor, não parada, não adormecida... mas bebendo a calma, a limpidez e a suavidade da Tua água.
Senti no sol a beleza deste domingo da quaresma, no qual somos convidados à alegria! Alegria pelo regresso e pelo encontro.

"TUDO O QUE É MEU É TEU..."

Que nada, ninguém, nem mesmo eu própria... deixem que esta paz azul seja perturbada. Este azul que me envolve faz parte da mim alma e me dá felicidade e bem.
Obrigada a todos os que hoje se fizeram presença no meu dia e me trouxeram o abraço do Pai.
Alice

sábado, 13 de março de 2010

Meu filho, faltava-te o Meu amor...


Meu filho, faltava-te o Meu amor.
Mas, este dia, esqueçamos o passado;
tu regressaste a casa.
Toma um banho, veste uma roupa adequada,
detém-te, acalma-te, vem,
que o banquete já fumega sobre a mesa.
Se tu soubesses, meu filho,
quantas vezes eu bati ao teu coração fechado,
quantas vezes te esperei ao cabo das tuas indecisões,
dos teus bloqueios,
espreitando o mais pequeno sinal do teu regresso...
Se tu soubesses, meu filho,
o quanto estou feliz, este dia, por te rever, aqui,
perto de mim, vivo!

Michel Hubaut (trad. e adapt.)

sábado, 6 de março de 2010

O Senhor é meu Pastor


O SENHOR é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma

Estou de quarentena, pois na quarta feira, logo pela manhã dei uma das minhas quedas a valer... coisas dos afazeres e das pressas do dia a dia! Está quase a passar...
Não posso caminhar de verdade, mas caminho ao faz de conta como quando era pequena... nariz esborrachado no vidro da janela, a ver os miúdos do bairro saltitando ou deslizando em pequenos carros de madeira com rodas minuscúlas, que os nossos pais construíam pacientemente.
Sonho outros caminhos e outros "andares", em que os pés doridos são perfumados com aloés...
Nada me falta de facto, tenho muito, tenho tudo o que preciso... Aprendo cada dia a entender como é díficil não ter pés, não ter cadeira de rodas, ou não ter quem nos pegue ao colo e nos ajude a ser crianças.
Vivo intensamente cada momento e cada gesto de amor verdadeiro e deixo-me conduzir às águas refrescantes.
Alice

quinta-feira, 4 de março de 2010

O riacho e eu


Caminho à beira do pequeno, riacho... Corpo oscilante, cabeça baixa, ouvidos à escuta, do rumor leve mas intenso e único das aves que me acompanharam durante todo o percurso. O dia está a chegar ao fim, tudo foi muito rápido e ao mesmo tempo tão sublime...
A túnica aconchega e envolve, algo para além do meu corpo frágil, cinge uma alma e um coração que bate ao ritmo certo de um dia de paz e frescura. O cântaro que trago na mão é leve, porque só transporta a luz que fui recolhendo em cada passo da minha caminhada.
Nada tenho, nada desejo, nada espero, nada temo... vivo e respiro a Fonte da vida, passo e ninguém me vê, porque todos me desconhecem...
Alice