quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pudesse eu

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Dom

"No princípio está o dom. No fim estará o abraço".



Estou cada vez mais convencida que o mistério que envolve cada vida se vai revelando num dia a dia como o de hoje... simples, silencioso, mas de relação apesar de tudo... O poder tocar-te Mãe, ver-te, sorrir-te continua a ser um dom de Deus na minha existência.

A calma que agora existe habitualmente na nossa casa é tão contrastante com o mundo de ruídos, de risos, da casa cheia em que nos habituamos a viver!... Havia sempre lugar para mais alguém e esse alguém era esperado, acolhido e amado, como se fosse único.
E ainda há esse lugar, porque nós queremos continuar a ser como tu.

"No princípio está o dom. No fim estará o abraço".

Deixo este pensamento e mensagem que me foi enviado por um amigo a quem agradeço a força e a fé que me transmite .
Alice


Madeira - Foto da minha amiga Zilda


terça-feira, 21 de junho de 2011

Promessa do Amor

Ao olhar esta simples flor que se espelha na água, vem à minha memória a carta de S. Paulo aos Coríntios de que tanto gosto.
Procuro abrir um pouco a mente e o coração que, por vezes, como quem quer fugir do desconhecido, se fecham à beleza da vida na ansiedade e na dor do presente.
E deixo-me então embalar nesta promessa: "Agora vejo como num espelho, mas depois verei face a face"...


O Amor...
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.

1 Cor 13, 7-12

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A fonte permanece



«O SENHOR, teu Deus, vai introduzir-te numa terra óptima, terra de torrentes de água, de fontes e de nascentes profundas, que jorram por vales e montes; terra de trigo, cevada, uvas, figos, romãs; terra de azeite e mel; terra onde comerás pão com segurança, onde nada te faltará, onde as pedras são de ferro e de cujas montanhas extrairás cobre. Então comerás e ficarás saciado, agradecendo ao SENHOR, teu Deus, pela terra óptima que te deu.
(Livro do Deuteronómio 8, 7-10)

O pequeno texto bíblico que coloco hoje, é uma espécie de desejo de acordar um pouco e de renovar a certeza de que não desisto porque em mim a FONTE não secou, a TERRA não deixou de produzir, as montanhas permanecem e posso olhá-las da janela do meu quarto.

Reconheço que os momentos que vivemos podem ser uma travessia, árida como um deserto. Contudo alguém me diz que o Senhor não me faltará com o pão do deserto, uma porção para cada dia.
É Ele, o Senhor, que acompanha os meus movimentos, Ele na serenidade me dá a alegria mas na dor será porventura o meu conforto... Um dia. Depois um outro e a seguir outro ainda...
Alice

domingo, 12 de junho de 2011

Escolho a vida...

Nesta manhã
endireito meu corpo
abro meu rosto,
respiro a aurora
e escolho a vida.

Nesta manhã
acolho meus golpes,
silencio meus limites,
dissolvo meus medos
e escolho a vida.

Nesta manhã
olho nos olhos,
abraço outro ombro
dou minha palavra
e escolho a vida

Nesta manhã
repouso na paz,
alimento o futuro,
partilho alegria,
e escolho a vida.

Nesta manhã
te busco na morte,
te ergo do lodo,
te levo tão frágil
e escolho a vida

Nesta manhã
te escuto em silencio
te deixo preencher-me
e escolho a vida

Benjamin González Buelta SJ


Foto de Roma - Praça de S. Pedro

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Poema

Porque a morte tem o seu tempo
A ruína soma ruína, à cabeça
Equilibra a existência desmoronada e inteira.
Tu és o que edifica
Tu constróis mil vezes.
Porque o raio tem o seu tempo.
És o clarão, a lâmpada, a estrela
Somas luz à luz.
Não és a luz, és mais que a luz
Porque a noite tem o seu tempo.

Daniel Faria

Roma e Assis - algumas fotos