domingo, 1 de outubro de 2017

Na minha cidade


Estou em casa, vim dormir ao meu "lugar". Sinto-me animada embora saudosa dos meus pais.
Não trouxe carro, por isso estou mais em sintonia comigo própria, com os meus limites de locomoção e paro um pouco para acolher o silêncio e fazer dele lugar de Encontro. 
Aqui nesta minha casa simples não há limites para o olhar nem para o sonho.
Assim, olhando a minha cidade,  sinto que, ver mais além... ver mais alto e mais fundo me faz bem e que o preciso tanto,  em tudo! 
Ajusta o meu pensamento e a minha reflexão, dá sentido a tudo o que vai acontecendo e solta os meus sonhos à vida que me é oferecida. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um dia desapareceu...


«...Um dia desapareceu. Passou a enviar-nos um postal no princípio de todos os anos, sempre de um lugar diferente. No último contou-nos de uma árvore com quem fez profunda amizade.»
Luís Osório

Depois de tanto tempo regresso, ou melhor, tento regressar... 
O que ficou em mim depois desta mudança familiar, além da saudade, o desacerto e o desenraizar da minha terra durante algum tempo, é a certeza da amizade e do carinho de muitos. 
E o mais bonito da amizade e da relação é saber que estou diante de alguém a quem não preciso disfarçar nada, nem ser o que não sou. Alguém que é capaz de acompanhar o meu passo e gosta de empurrar a minha cadeira.

Quando li este pequeno extrato do livro de Luís Osório, pensei que seria bom escrever estas palavrinhas.


sábado, 29 de abril de 2017

Fica connosco, Senhor!

«Fica connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». 

É Jesus que se aproxima, entra na vida dos dois discípulos que regressam a Emaús, querendo mostrar-lhes algo maior que a desilusão e a morte. 
O partir do pão transforma o seu olhar e altera os seus planos. Deixando-se tocar pela Sua presença, pressentem um novo caminho que se abre para o futuro e para sempre. 
E esta fresta de Luz é  promessa de Vida Nova, para eles e para cada um de nós!
"Não se trata simplesmente da nossa necessidades de não ficarmos sós, mas da Sua promessa de ficar sempre connosco, aconteça o que acontecer." (Cito um amigo)
Assim a noite dá lugar ao Novo Dia, o dia da Ressurreição.

Alice


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Páscoa

Os sinos, o anúncio Pascal, a vida que se solta de um sepulcro sem nome, o grito de espanto: “Não está aqui. Ressuscito! ”   
Vi o Senhor vivo! N’Ele a minha esperança a minha força. N’Ele todas as dores reconhecidas, n’Ele as alegrias renovadas.
Alice

Um poema

“É o amor, ainda que imperfeito,
É o amor, ainda que com defeito,
É o amor que faz correr a Madalena.

É o amor, ainda que imperfeito,
É o amor, ainda que com defeito,
É o amor que faz chorar a Madalena.

Mas tu sabes, meu irmão da páscoa plena,
Tu sabes que há outro amor em cena,
E é esse amor que faz amar a Madalena”

D. António Couto


sábado, 15 de abril de 2017

Sábado Santo


" Meu Senhor e meu Deus"


Silencio porque a saudade me tirou a voz, volto aos mesmos lugares, sinto a mesma aragem, os mesmos cheiros, perscruto nos montes um caminho que me leve ao Teu/teu encontro.
A divindade esconde-se perante a descida, como quem entra numa caverna, (Santo Inácio que no-lo recorda)... Sim, na Cruz a divindade parece escondida.
Contemplo a Cruz, fico até ao fim!
Ecoa em mim até bem fundo o Teu grito Pai, ecoa também em mim o teu silêncio dos últimos dias paizinho... 
Alice

Um Poema

Hoje a lua despiu seu véu
E flutua a dormir no céu
Na canção que de mim nas
ceu
Meu amado adormeceu
Meu amado adormeceu

Dorme, meu amor
Como no céu a lua
Tu serás sempre meu
E eu só tua

Dorme, amigo, que a poesia
É um mistério que não tem fim

Dorme em calma
Que assim, um dia
Dormirás para sempre em mim
Dormirás para sempre em mim

Vinicius de Morais

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta feira Santa

Meu Senhor e Meu Deus!



A Paixão do Senhor continua hoje, e nós passamos... Sim muitas vezes passamos e esquecemo-nos de ver, talvez incomode, talvez doa. Que eu me deixe tocar por todas as "paixões" por onde Tu passas, Meu Senhor...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta feira Santa

«Se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também». (João 13, 14-15)


Um Deus que se entrega assim, sem mais, abaixa-se aos pés de cada um para nos ensinar e abrir Caminhos, A partir de agora é possível imitá-lo nos seus gestos que são palavras de amor. É possível ser com Ele e dos Dele.  


domingo, 26 de março de 2017

Luz que faz ver

«Porque a glória do Senhor manifesta-se, quando a luz volta a brilhar para quem dela ficou privado e quando, quem deixara de ouvir, pode apreciar, de novo, o gosto das palavras; manifesta-se quando os paralíticos reaprendem a viver de pé e as pessoas de má vida recuperam a própria dignidade; quando os tristes retomam confiança e os desesperados reencontram um novo horizonte. Na verdade, o desejo mais íntimo de Deus é que, para cada homem e para cada mulher que venha a este mundo, a vida brilhe e brilhe muito» 
José Frazão, sj (pequena reflexão sobre o cego de nascença)
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Que estas lágrimas de saudade, não apaguem a memória do teu rosto e não ensombrem a Luz que o Senhor me quer oferecer em cada momento, tal como ao cego de nascença. 
Que o reconhecimento da fragilidade que em mim existe não me retire a esperança, de que posso reaprender a viver de pé. 
Que o silêncio que em rodeia me ajude a ouvir Aquele que  vai pegando nos meus braços caídos para me dizer que há mais vida do eu penso. 
E assim, um pouco de luz dará sempre para iluminar o que está escuro.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Despedidas... Pai

"  (…) A despedida talvez seja a parte mais difícil da amizade. Não se pode dizer muita coisa. Acho que aprendemos devagar, por vezes com muito custo, por vezes mais serenamente, e ambas as coisas estão certas.
(…) Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada…"

José Tolentino Mendonça - In Nenhum caminho será longo 

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Quero falar-te de amor, de despedidas, dos lugares por onde vou passando e do pequeno barco que ficou à deriva e se acomodou na enseada, quando tu partiste para sempre.
Dos dias de inverno, quando a nossa casa ficava rodeada de neve. E eu de nariz encostado aos vidros da janela ficava deliciada a ver as minhas irmãs e as outras crianças brincar. De quando abria devagarinho uma fresta e me davam bocadinhos de neve que ficava a amassar nas mãos até que se derretesse e se escapasse por entre os meus dedos. 
Recordar também o teu colo, os teus ombros, os balões a fugirem das minhas mãos e a nossa cumplicidade e ternura. 
Falo ainda, de como sou testemunha da tua vida e do teu amor por cada pessoa. Guardarei em mim "o mapa" que deixaste, depois da tua, para a minha viagem.
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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Silêncio

Silêncio!!!
Prestes a ver o filme silêncio, baseado na história dos Jesuítas no Japão. Olhos postos no ecrã e momentos de alguma expectativa.
Mais tarde: Silêncios, mais expectativas, fragilidades, acertos, crueldade... Por outro lado a parte consoladora: na fé e entrega daqueles, e são tantos os que não vacilam.
Silêncios e reflexões para repensar... Um aparente silêncio de Deus, nos momentos em que parece tudo depender de sinais Dele. 
Depois, vê-se que ... Ele está presente, e em momentos cruciais fala para dizer de si próprio, que é amor e compaixão, que é força. Que é a Vida.
Continuo a minha reflexão sobre o assunto.
Alice

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Caminhos

Neste caminho que sou convidada a percorrer, vou aos  poucos encontrando o meu ritmo. E, quer na montanha, no jardim, até nos desertos silenciosos, desejo ajudar a que cada um possa encontrar o seu.
Alice 

"Assim, na montanha a que se subir ou na caverna a que se descer, no deserto que se atravessar ou no jardim que se cultivar, à pergunta vital «onde estás?», é-nos dado responder, humanamente inteiros, frágeis e grandes, «eis-me aqui»."
padre José Frazão Correia, sj


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Tempo de olhar o mar


Revolto mas sem inquietação, cinzento e a chegar à praia em espumas soltas e brancas. 
Vou-me aproximando devagar, uma enorme quietude me rodeia... Convida-me à reflexão e a olhar as coisas com olhar livre e surpreso, qual criança que o vê pela primeira vez.
Sem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo paro e sento-me no muro. Comigo e em mim há um gesto agradecido vindo de dentro, do mais fundo que existe.
Uma tarde de passeio pela beira mar, encantada com pequenos momentos onde as saudades e o seu custo andam misturados de tranquilidade e de bem.
Alice