domingo, 26 de abril de 2009

FALTA DE AR

Era uma vez um jovem que sentia um grande desejo de se encontrar com Deus. Para isso, foi ter com um homem com fama de santo, que vivia na solidão e passava os dias e as noites a contemplar silenciosamente o seu Senhor.
O jovem subiu à montanha, aproximou-se dele e pediu-lhe:
- Eu desejaria encontrar Deus: vê-lo, escutá-lo, tocar-lhe e ser como tu uma pessoa feliz.
O santo homem permaneceu silencioso. O jovem esperava. Alguns instantes depois ergueu-se e disse-lhe:
- Jovem, vem comigo até junto do ribeiro que corre para o mar.
Os dois deram alguns passos e desceram até junto da água. Ambos aproximaram-se dela, e ajoelharam-se para molhar os dedos. Nesse momento, o santo homem pôs a mão sobre a cabeça do jovem e mergulhou-a na água do ribeiro.
O jovem, passado poucos instantes, estava ansioso com falta de ar. Fazia o possível para se erguer. Então o homem disse-lhe:
- O que é que desejavas, quando tinhas a cabeça debaixo da água?
- Desejava ar para poder respirar.
-Se é assim que desejas Deus, certamente que o encon­trarás.
Ele dá-se a conhecer a quem o busca apaixonadamente. Nele vivemos, nos movemos e existimos. Mas não se impõe. Necessita que o procuremos com paixão, como o veado com sede busca as águas frescas.

- Quem busca a Deus de coração sincero, certamente que o encontrará. Deus está ali à sua espera.

(Toma e Lê – Pedrosa Ferreira)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um sorriso...


"Ninguém dá o que não tem, é claro! Mas também é verdade que só dá quem tem. Quanto mais dou de mim, mas recebo! São planos diferentes, é certo. Quando dou coisas materiais, perco-as. Quando comunico os bens espirituais e culturais, eles crescem.
Assim, se dou o meu saber, fica mais sábio. Mas quem se fecha com medo de perder, até o que tem lhe apodrece nas mãos."

P. Vasco Pinto Magalhães, s.j. (Onde há crise, há esperança)
Foto da minha sobrinha Ana Teresa

sábado, 18 de abril de 2009

Necessito de Ti!


O dia parece hoje um pouco mais claro, de vez em quando surge um raizinho de sol que embora ténue e rápido, ajuda a iluminar o meu dia, me fortalece e me faz sonhar novos momentos.
Têm sido muito complicadas para todos as últimas semanas. A doença do meu cunhado e consequentemete ausência da Mana Tété, nome que lhe damos carinhosamente, fez-se sentir nestes dias.
Últimamente o Tó não parecia andar muito bem, e após alguns exames feitos em Lisboa, descobriram um aneurisma abdominal, que estava em risco de rebentar a qualquer momento. Operado com a rapidez possivel e depois de três semanas de internamento, mantêm-se em Lisboa em recuperação.
Foram dias dificeis, que marcaram a nossa Semana Santa e a Páscoa, mas sempre esteve presente a fé, juntamente com a ansiedade e o sofrimento próprios do amor que temos uns pelos outros.
Procurámos todos mantêr o equilibrio possível, não fugindo às dificuldades, mas acreditando sempre em dias melhores e com mais "sol", aí tiverem um papel muito forte os amigos com a sua presença incansável.

Deixo uma oração de Teilhard de Chardin que me ajuda.

Necessito de ti Senhor!
Porque sem Ti a minha vida seca.
Queria encontrar-Te na oração,
na tua presença inconfundível,
durante esses momentos em que o silencio
está à minha frente, diante de Ti.
Queria procurar-Te!
Queria encontrar-Te no mundo que criaste;
Na transparência de um horizonte longe
e na profundidade de um bosque
que protege com as suas folhasto
das as pessoas.
Precisava de te sentir!
Queria encontrar-Te nos teus sacramentos,
no reencontro com o teu perdão,
ao ler a tua palavra,
no mistério da tua entrega radical.
Precisava de te sentir!
Queria encontrar-te em todas as pessoas
na necessidades de quem se sente pobre
no amor dos meus amigos,
no sorriso de uma criança
e no barulho da multidão.
Tenho que Te ver!
Queria encontrar-Te, ainda, na minha pobreza,
nas capacidades que me deste,
nos meus desejos e sentimentos,
no trabalho e no descanso,
e um dia, na debilidade da minha vida,
quando me aproximar das portas
e me encontrar pessoalmente contigo.

Teilhard de Chardin

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Apenas um olhar


“Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou“

(José Tolentino Mendonça)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Conduz-me...


«Tal como a amendoeira começa a florir no alvor da Primavera, um sopro de confiança faz germinar os desertos do coração. (...)
É a flor que desabrocha de madrugada, quando é possível recomeçar sempre de novo, quando o sopro da confiança nos conduz pela senda de uma bondade serena.»
(Irmão Roger, de Taizé)

Preciso de parar, preciso de silêncio, preciso de acreditar! E SONHAR!...
Há situações na vida em que é melhor guardar silêncio... Hoje, tal como a amendoeira , quero esperar por uma nova Primavera... E preciso de acreditar que é possivel!
Penso em Jesus que, no Domingo passado fazia silêncio! No Tribunal, quando acusado, Jesus manteve-se um silêncio...É isso!

domingo, 5 de abril de 2009

Nenhum coração...



Nenhum coração é tão inteiro como um coração partido.


Frase de uma oração do padre Tolentino de Mendonça