terça-feira, 22 de abril de 2014

Páscoa e flores


Não estavam mortas
as flores
tinham só adormecido.
Veio a Páscoa
e acordaram para a vida
floriram na manhã da Ressurreição,
acordaram para o amor
na luz que vence a escuridão da noite,
A manhã da Ressurreição.
Alice



domingo, 20 de abril de 2014

Ressurreição

«Vi o Senhor vivo, Ele minha esperança, minha vida!... Ele, no "ofício de consolador", tal como os amigos se consolam uns aos outros,
 restituindo-os à confiança,
 à luz, à vida! 
Sei que está vivo,
Ele minha Páscoa!»  
José Frazão Correia




Ressoa ainda no meu coração, o anúncio Pascal que se faz canto e encanto na minha vida. "Vi o Senhor vivo! 
Uma Páscoa marcada pela comoção que se faz notícia, e bênção, e presença.... Parece pouco? Mas é tanto em mim... Boas Festas de Páscoa!



Páscoa - Vimos a pedra vazia



O túmulo vazio
as mulheres, 
o espanto
o medo...
está vivo
de manhã, a Luz...
Alice






Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava

Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão

Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer

Daniel Faria


sábado, 19 de abril de 2014

Quatro linhas sobre a cruz

No silêncio, a Cruz 
Eis a Vida a ser entregue
Eis o Homem
Eis o meu Deus
E o Amor!
Alice


"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria

sexta-feira, 18 de abril de 2014

domingo, 13 de abril de 2014

se és Filho de Deus, desce da cruz...

 Giotto

"Salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.”  Mt 27, 40

Começámos a semana santa e a Liturgia oferece-nos o relato da paixão de Jesus, que dá a vida até ao fim, até não haver mais vida. Esta leitura é muito reveladora da realidade, é muito bela e muito forte.
Hoje comecei o dia embalada no som da Celebração do Domingo de Ramos pelo Papa Francisco que o meu pai estava a seguir.
Tive a noção de que, mais do que nunca, a História da Salvação está  presente nas nossas vidas. Repetem-se as nossas indecisões, as nossas fraquezas, o nosso lamento: “Não O conheço…”

Deixo alguns extratos sobre este mistério de fé:

(…) « E vejo um homem nu cravado e moribundo. Um homem com os braços totalmente abertos num abraço que não renegará pela eternidade. Vejo um homem que nada pede para si, não grita: lembrai-vos de mim, procurai entender, defendei-me... Até ao fim esquece-se de si próprio e preocupa-se por quem morre ao seu lado: hoje, comigo, estarás no paraíso.

A cruz é o enxerto do céu dentro da terra, o ponto onde um amor eterno penetra no tempo como uma gota de fogo, e arde. No Calvário, o amor escreve a sua narração com o alfabeto das feridas, o único indelével, o único em que não há engano.» (P. Ermes Ronchi).

«Para saber quem é Deus, devo apenas ajoelhar-me aos pés da Cruz» (Karl Rahner).

A cruz permanece uma pergunta sempre aberta, diante da qual sei que não entendo. Mas no fim a cruz vence porque convence, e fá-lo não através das explicações dos teólogos, mas com a eloquência do coração: «Porque a cruz/ o sorriso/ a pena inumana?/ Crede-me,/ é tão simples/ quando se ama» (Jan Twardowski).

Estavam lá muitas mulheres, que observavam de longe. Pequeno rebanho assustado e corajoso: a Igreja nasce da contemplação do rosto de Deus crucificado (C.M. Martini).


sábado, 12 de abril de 2014

grão de trigo

Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus e muitos subiram da província a Jerusalém, para se purificarem, antes da Páscoa. Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Ele não virá à festa?»  Jo 11, 55-56


"Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus"... 
Também agora está próxima a "festa" e eu sinto-me convidada a permanecer com Jesus neste tempo onde tanto acontece, para que aconteça a vida. 
Tal como a semente lançada à terra, tal como o grão de trigo, entrego o meu desejo de responder a este convite, e ainda que me pareça difícil, ainda que a cruz ao aproximar-se me fale do entardecer deste dia, eu quero estar Contigo junto à Cruz. 

«Entretanto, o inverno passará e o canto regressará aos campos. Entretanto, nascerá um novo dia, depois que passe a longa noite.» 
(in Entre-tanto) 


quinta-feira, 10 de abril de 2014

O servo


Eis o Servo de todos, Aquele que se esvazia de si mesmo ficando sem nada... não pensa na imagem, não resiste à maldade e entrega-se aos seus perseguidores por amor de mim e por amor de todos... 
Este servo que assim faz, é o "meu Senhor e meu Deus",  convida-me a segui-Lo sem desanimar, a segui-Lo com confiança e determinação, sem medo. E diz-me que nunca me encontrarei sozinha, nunca!
É diante deste Senhor que o meu coração se ajoelha hoje, a caminho da Páscoa.


domingo, 6 de abril de 2014

Nesta manhã de domingo...

Deixo-me embalar por esta canção de amor e ao oferecê-la, recebo muito muito mais do que dou. Como sempre... 
E assim domingo após domingo preparo em cada manhã, a Grande Manhã que há-de vir.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Chamados à luz da alegria

A carícia como promessa, a cura como sinal, o dom recebido como certeza da bênção. E assim se revela o amor infinito e incondicional do nosso Deus. 
Deixo esta reflexão cheia de interpelações e de convites a uma vida que se renova pelo amor.

«Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os olhos de um mendigo que nos representa a todos.

Uma carícia de luz que se torna carícia de liberdade. Quem não vê tem de apoiar-se noutros, em paredes, num bastão, nos pais, nos fariseus. Quem vê caminha seguro, sem depender dos outros, livre. Como o cego do Evangelho, que curado se torna forte, deixa de ter medo, enfrenta os sábios, centra-se nos factos concretos e não nas palavras. Alimenta-se da luz e ousa. Livre.

Uma carícia de liberdade que se torna carícia de alegria. Por ver é apreciar os rostos, a beleza, as cores. A luz é um golpe de alegria que pousa sobre as coisas. Assim a fé, que é visão nova das coisas, cria um olhar luminoso que leva a luz onde pousa: «Vós sois luz no Senhor» (Efésios 5, 8).
 (...)
A resposta de Jesus é outra: «Nem ele pecou nem os seus pais». Distancia-se de imediato, com a primeira palavra, desta perspetiva, para declarar como ela causa a cegueira sobre Deus e sobre os homens. Falará unicamente do pecado para dizer que está perdoado.»


P. Enzo Bianchi
In Lachiesa.it
Trad.: SNPC