domingo, 31 de março de 2013

Esta é a manhã...



Esta é a manhã… 
É esta a manhã da Ressurreição, em que a vida se enche de perfume.
Este é o dia da água que fertiliza e faz desabrochar, da vida e da Luz que ilumina e enche os corações de esperança… 
Este é o dia da mudança, do novo olhar, do testemunho e do grito de alegria... da passagem para a outra margem.
Cristo renova todas as coisas, todas as pessoas: “Eu sou o Alfa e o Omega, o Principio e o fim”!

Boas festas pascais.

sábado, 30 de março de 2013

Silêncio, intimidade,

Mãe e Filho no Calvário

Silêncio, intimidade, sofrimento e paz… O filho perseguido, maltratado e acabado de morrer na cruz, é-lhe entregue por alguns instantes. O abraço parece conter em si todo o sofrimento do mundo. Maria é mãe e sofre mas entrega-se Ela também porque acredita no Amor e vive na fidelidade a Deus. Hoje anuncia-se o começo de uma Vida Nova, a Vida que não acaba e é fruto do amor levado até ao fim.

Pintura de Sierge Koder  


sexta-feira, 29 de março de 2013

Semana Santa - Eis o Homem!


Três pessoas.
Três mundos
em julgamento!

Mãos possessivas,
seguram os rolos da  Lei.
Olhos vazios, alheados.

A verdade?
Por detrás dessa máscara,
a verdade que não se quer ver.
Na realidade podemos ser todos nós,
quando manipulamos o Evangelho para justificar  o alheamento do que nos rodeia. Quando silenciamos as injustiças, para mantermos, a todo o custo, “as nossas mãos limpas”.
Lavar as mãos, sujando de sangue a água pura.

Eis o Homem!
O servo obediente,
mudo como um cordeiro,
oferecido à violência.
O coração em Paz.
Eis-me aqui, para fazer a tua vontade!

Rina Risitano

Imagens: Koder

quinta-feira, 28 de março de 2013

Semana Santa - Lava pés



«Jesus levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura».

«Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

Misterioso este gesto, e cheio de grandeza e humildade, de significado e de entrega. Jesus aos meus pés dizendo-me que me deixe amar querendo ensinar-me como se oferece a vida livremente, sem reservas e sem esperar ou desejar nada em troca… Ponho-me diante de Jesus que me lava os pés e dou-me conta de que a Eucaristia que celebramos, é esta atitude de Jesus prolongada continuamente,  para se encontrar connosco e fazer parte da nossa vida. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Semana Santa - reflexão e poesia

Começámos hoje a Semana Santa. O Domingo de Ramos é uma celebração muito forte e cheia de significado, apelos interiores e de desejos viver e crescer na fé. Também nós/eu, tínhamos ramos e cantámos “Hossana ó Filho de David” como os que aclamaram a entrada de Jesus em Jerusalém.

“A fé vive de afecto…” E, como assim o creio, também eu me quero deixar tocar afectivamente por este acontecimento e torná-lo Vida em mim.  

Sei que esta festa rapidamente se tornou para Jesus em condenação e que levará Jesus até à morte e dou-me conta de não me é estranha esta forma de actuar. Quando tudo está bem aplaudimos e o contrário acontece imediatamente quando se quebram as nossas expectativas. Aí a fragilidade e a falta de confiança vêem ao de cima com uma força que é atroz e que dói.

Hoje ao ouvir a leitura da Paixão (de S. Lucas), percebi os silêncios de Jesus. A partir do meio da narração as Suas palavras começaram a ser cada vez mais escassas: «Vós mesmos dizeis que Eu sou». «Tu o dizes». «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».


É este Jesus que vemos diante de Caifás que, agora zangado, levanta a mão Àquele se torna uma ameaça ao seu poder. Jesus apresenta-se como uma alternativa à verdade de Caifás, uma alternativa de amor verdadeiro… E fala de coisas diferentes, tem gestos de compaixão e os seus silêncios são uma afronta ao conforto em que se instalara.


Que semana te espera comigo Senhor? Que semana me espera Contigo?  Subiremos a Jerusalém num encontro de amor e fragilidade que se misturam e sr tocam... Que hostilidades farei? Que hostilidades encontrarei pelo caminho? Como ficarei diante de Ti, Senhor-Rei que tens  espinhos por coroa?

«Vê-Lo-ás preso e, como todos os outros, fugirás. Depois, voltarás e aguentarás, em pé, perante a cruz, perplexo, dorido… E depois?»
 (cito autor desconhecido)
  
 É raro
Eu sei que é muito raro
acontecer
este encontro harmonioso
de tudo quanto sou
com o que fui
sem que me importe muito
de momento
com os caminhos de mim
que ainda desconheço
e que serei
ao tê-los desvendado
nem com aqueles que recusei
para chegar aqui...

(Hélder Macedo)




quarta-feira, 20 de março de 2013

COMO TE EXTINGUES em mim


Ainda no último
e gasto
nó de ar
estás lá com uma
faísca
de vida.


Paul Celan (tradução: Claudia Cavalcanti)

domingo, 17 de março de 2013

na poesia, a quaresma...


A mulher adúltera

Não turbam a água dos meus olhos
As pedras que me atiram sobre o corpo
As tuas mãos vazias este muro
Branco me doem muito mais


Daniel Faria (se fores pelo centro de ti mesmo)

Imagem: A arte de Rupnik   




segunda-feira, 11 de março de 2013

Parábola da Alegria - Dois filhos diferentes e um Pai bom


A parábola do filho pródigo de Lc. 15, 11-32, « … é uma janela sublime e sempre aberta com vista directa para o coração de Deus, exposto, narrado, contado por Jesus».(D. António Couto)

A minha janela é a do coração e do desejo…
Saboreio a misericórdia pondo-me no lugar do filho mais novo... Sinto-me como o filho mais velho, insatisfeita, inquieta, receosa... Saltito de um lado para o outro um pouco dividida entre formas diferentes de viver e entender o amor. 
E eis que de novo oiço a voz do Pai, uma voz que conheço e por quem me sinto re-conhecida, aceite, amada. Uma voz inconfundível que diz algo maravilhosamente novo:

«Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»

Tudo acontece num momento de céu, dilui-se a janela... deixo-me abraçar por este Pai que me olha e vem ter comigo... Entro na festa da vida e da Alegria! 


Pinturas de Arcabás

quinta-feira, 7 de março de 2013

derrotar montanhas: Ser capaz!...

derrotar montanhas: Ser capaz!...: Cada vez mais se está a tornar claro para mim, que a ajuda pode enfraquecer o ser humano!... Quando a ajuda se transforma numa substituiç...

terça-feira, 5 de março de 2013

na poesia, a quaresma...



Devo ser o último tempo
A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos
O cadáver onde a aranha decide o círculo.
Devo ser o último degrau na escada de Jacob
E o último sonho nele
Devo ser-lhe a última dor no quadril.
Devo ser o mendigo à minha porta
E a casa posta à venda.
Devo ser o chão que me recebe
E a árvore que me planta.
Em silêncio e devagar no escuro
Devo ser a véspera. Devo ser o sal
Voltado para trás.
Ou a pergunta na hora de partir.

Daniel Faria  


 http://www.snpcultura.org/quaresma_2013.html


Cruz, exposição do Mosteiro de Tibães