poema

Não fui margem sem outra margem onde ligar os braços Mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos E o movimento dos teus pés descalços Não fui a solidão inteira nem reclusa Para o único repouso entre o silêncio Nem fui a flor exausta defendendo-se De toda a mão que a quis despetalar Não fui a casa que a si mesma se abrigou Nem a morada que nunca se acolheu Mas o tempo a pedir que me deixasse Naquilo que não fui vim encontrar-me E sempre que te vi recomecei Daniel Faria Não sou, mas sou... em todo o tempo e lugar! E porque assim o desejo e o sonho, porque no silencio quero encontrar-me e encontrar-Te para recomeçar e porque o dia me devolve a luz que posso e quero partilhar, aqui fica este poema tão belo de Daniel Faria.