Senhor: é tempo

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo. Lança a tua sombra sobre os relógios de sol e solta os ventos sobre os campos. Ordena aos últimos frutos que amadureçam; dá-lhes ainda dois dias meridionais, apressa-os para a plenitude e verte a última doçura do vinho pesado. Quem agora não tem casa, já não vai construí-la. Quem agora está só, assim ficará por muito tempo, velará, lerá, escreverá longas cartas e vagueará inquieto pelas alamedas acima e abaixo, quando caírem as folhas. in Rainer M. Rilke, «O Livro das Imagens» Ao ler este poema de Rilke, não resisto ao desejo de o partilhar. Enche-me de paz e gratidão pela beleza da poesia que é capaz de tudo tornar perfeito, frágil e sublime. Traz consigo um desejo de silêncio e de fé, de diálogo inquieto mas cheio de esperança... Amo em mim a fragilidade e a esperança. Neste verão que foi tão longo num tempo sem tempo certo nos momentos de sonhos breves nos frutos q...