sábado, 21 de setembro de 2013

Senhor: é tempo

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo.

Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
e solta os ventos sobre os campos.

Ordena aos últimos frutos que amadureçam;
dá-lhes ainda dois dias meridionais,
apressa-os para a plenitude e verte
a última doçura do vinho pesado.
Quem agora não tem casa, já não vai construí-la.

Quem agora está só, assim ficará por muito tempo,
velará, lerá, escreverá longas cartas
e vagueará inquieto pelas alamedas acima e abaixo,
quando caírem as folhas.


Ao ler este poema de Rilke, não resisto ao desejo de o partilhar. 
Enche-me de paz e gratidão pela beleza da poesia que é capaz de tudo tornar perfeito, frágil e sublime. Traz consigo um desejo de silêncio e de fé, de diálogo inquieto mas cheio de esperança... 
Amo em mim a fragilidade e a esperança.

Neste verão que foi tão longo
num tempo sem tempo certo
nos momentos de  sonhos breves
nos frutos que vi crescer
no fulgor dos meus encontros
na tarde que se fez noite
eu Te procuro Senhor! 
Alice



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