sábado, 18 de setembro de 2010



Os dias de verão

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade
Justa é a forma do nosso corpo

Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual, 1973




É com ele, o nosso corpo, que vivemos, nos relacionamos e nos tocamos em sinal amor ou de afeição!
Eis-me aqui num momento de ternura, de bem estar e de gozo... envolvida e tocada pela beleza que me rodeia.

1 comentário:

Pep disse...

Muitas vezes, uma única lágrima leva a amar a pessoa que chora.
e um sorriso nos enche de alegria ao saber que a pessoa que amamos está feliz.
um abraço.