segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Uma semente que cresce

Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Arranca-te daí e vai plantar-te no mar, e ela obedecer-vos-ía.  (Lc 17, 6)


Tão simples e tão pequenino o grão de mostarda, tão frágil na sua pequenez mas acreditando que vai crescer numa relação justa e simples com o ambiente que o cerca… e Jesus fala-me dele dizendo-me que na fé existe simplicidade, existe um coração que se abre ao “outro” a qualquer outro. Acontece em mim como um dom e um desejo de ser e viver para o amor e por amor. 
Convida-me a encontrar Deus em tudo e deixar-me surpreender pelos limites da fragilidade e das dores tão incómodas por vezes, mas ao mesmo tempo pela força que brota do meu desejo de amar e acreditar no amanhã.


Deixo a foto de um campo de mostarda e uma reflexão que me chegou e não resisto em partilhar pela sua verdade e beleza poética mas simples. 

«Oiço bater à porta. Serás tu ainda? Que fruto trazes nas tuas mãos despidas? Um balde? O mar? O mar num balde? As rochas a estalar? O lume a arder em febre? Uma estrela cadente envolta em neblina?
Trazes a história de uma semente pequenina, microscópica. Dizes, para espanto meu, que, lançada à terra, dela nascerá uma árvore grande, em cujos ramos vêm abrigar-se os pássaros do céu, fazendo dela uma lareira carregada de alegria. E dizes, outra vez para espanto meu, que a FÉ tem o tamanho e o virtuosismo dessa semente pequenina, que semeada no meu coração e no coração do mundo pode desenraizar o que nos parece seguro, sólido, assegurado, fazer ruir os nossos cálculos mais estudados, fazer florir o alcatrão das nossas estradas, fazer sorrir a nossa história desgraçada, arrancar embondeiros, plantar no mar aquilo que parece só poder viver na terra».
D. António Couto

1 comentário:

Paulo Costa disse...

Belíssima partilha! Obrigado, Alice.Abraço fraterno.