domingo, 13 de abril de 2014

se és Filho de Deus, desce da cruz...

 Giotto

"Salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.”  Mt 27, 40

Começámos a semana santa e a Liturgia oferece-nos o relato da paixão de Jesus, que dá a vida até ao fim, até não haver mais vida. Esta leitura é muito reveladora da realidade, é muito bela e muito forte.
Hoje comecei o dia embalada no som da Celebração do Domingo de Ramos pelo Papa Francisco que o meu pai estava a seguir.
Tive a noção de que, mais do que nunca, a História da Salvação está  presente nas nossas vidas. Repetem-se as nossas indecisões, as nossas fraquezas, o nosso lamento: “Não O conheço…”

Deixo alguns extratos sobre este mistério de fé:

(…) « E vejo um homem nu cravado e moribundo. Um homem com os braços totalmente abertos num abraço que não renegará pela eternidade. Vejo um homem que nada pede para si, não grita: lembrai-vos de mim, procurai entender, defendei-me... Até ao fim esquece-se de si próprio e preocupa-se por quem morre ao seu lado: hoje, comigo, estarás no paraíso.

A cruz é o enxerto do céu dentro da terra, o ponto onde um amor eterno penetra no tempo como uma gota de fogo, e arde. No Calvário, o amor escreve a sua narração com o alfabeto das feridas, o único indelével, o único em que não há engano.» (P. Ermes Ronchi).

«Para saber quem é Deus, devo apenas ajoelhar-me aos pés da Cruz» (Karl Rahner).

A cruz permanece uma pergunta sempre aberta, diante da qual sei que não entendo. Mas no fim a cruz vence porque convence, e fá-lo não através das explicações dos teólogos, mas com a eloquência do coração: «Porque a cruz/ o sorriso/ a pena inumana?/ Crede-me,/ é tão simples/ quando se ama» (Jan Twardowski).

Estavam lá muitas mulheres, que observavam de longe. Pequeno rebanho assustado e corajoso: a Igreja nasce da contemplação do rosto de Deus crucificado (C.M. Martini).


Sem comentários: