sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Será nada me retira a alegria?

junto à foz 

[...] «No entanto, como preservar a alegria quando surgem as dificuldades, a dor? Esta é a operação, cultivar a alegria na complexidade da realidade. Não permitir que a complexidade da realidade anule, esconda, destrua este dom, este fruto maior que é a alegria.» 
(José Frazão Correia, sj)

Saberes e desejos a ter presentes e que sinto, preciso cultivar cada vez mais. Alegria que não posso deixar fugir por entre os custos de um dia como o de hoje.
Bem cedinho para ganhar tempo cá estou eu, no Hospital de Gaia. Laboratório de análises, o irmão João acompanha-me, a Zilda fica de vigia ao carro. Espero pela minha vez... Olho à minha volta e todos estão pior do que eu, porque estão mais tristes! 
Passa mais de meia hora e chamam-me pelo intercomunicador, não tenho frio mas fico a tremer por dentro, também não tenho medo porque o medo destrói a paz que desejo cultivar. 
Entro na sala de colheitas, passo por várias enfermeiras a quem tenho de ir repetindo... Nome completo e data de nascimento... Para provar que que não há engano, sou eu mesma!
Sento-me finalmente junto da pessoa que me vai picar... Uma,  duas, à terceira pede ajuda... Isto está mau diz ela, apanha-me a veia que rebenta antes que o sangue pingue para o tubo. Lá consegue finalmente, já está! É sempre tão difícil apanhar estas veias "queimadas" pela quimioterapia. 
Saímos depressa, quase nem penso na vontade que tenho de comer qualquer coisa. Os outros pavilhões ficam distantes... E aí vamos nós, temos mais encontros marcados para hoje. 

(em 2016)



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