quarta-feira, 27 de abril de 2011

Porque a Páscoa é independen​te do lado do equador em que se está!

Porque é lindo e cheio de Aleluias, deixo um testemunho Pascal de um amigo que está em Moçambique.

Não sei porquê, mas os Glórias marcam as minhas ressurreições nestas terras moçambicanas. No meio de tanta morte evidente, por entre escárnios, gozações, ofensas de todo o tipo, abusos, acusações falsas e agressões, de repente, sem a preocupação de pré-avisos, surgem Glórias que são sinais incontestáveis da ressurreição de nosso Senhor Jesus. E levam-nos atrás dela. Não conseguimos deixar de ressuscitar com Ele.

Ontem, na Vigília Pascal, cerimónia cuidada e muito bonita, não foi excepção. Quase como se não soubesse o que se iria passar, entraram no coro duas ou três vozes pouco convincentes, cada uma no seu tom, e até cada uma a seu tempo. Aquele sinal de desunião tinha, no entanto, algo demasiado grande para ser ignorado: era a entoação do Glória.

E está no sangue, na carne, no espírito, nas entranhas de qualquer ser, reconhecê-lo porque é verdadeiro. É a exteriorização da prova maior de amor de Deus por nós: a encarnação, a morte e a ressurreição de Jesus, condensada num instante de reconhecimento comum.

Depressa toda a gente agarrou esta verdade e aderiu a ela com tudo o que tinha: as vozes estridentes, os corpos dançarinos, os sorrisos nas faces, os arrepios nos braços... as lágrimas nos olhos.

Porque, afinal, esta foi A noite.
Aquela em que o Senhor ressuscitou e com Ele nos ressuscitou a nós e a tudo o que vivemos.
Esta foi a noite de um tempo que se torna presentemente eterno.
E assim esta é a noite da vida que acaba sempre por vencer.

Saudades,
e votos de uma Páscoa de verdadeira ressurreição com o Senhor.
Francisco Campos, sj

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