segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A mais bela mensagem de Natal


A lua não mente. Cresce como diz. O calor aperta húmido e implacável. A árvore de Natal não existe, mas quando surge vem despida de ricos adornos. Às vezes nem é árvore. É só palmeira.

O caminho é pobre, suado, carregado de pó, silencioso, descalço, discreto... Mas é caminho e vai-se fazendo. O comércio não aproveita esta estrada toda. Fica na monotonia dos seus normais carreiros terrosos. Os preços aumentam só porque sim. Só porque alguém ouviu dizer que é festa. Se é festa, é festa. Há que aproveitar.

Ouvem-se cânticos, mas só ao longe são natalícios. Os barretes vermelhos com que a Coca-cola vestiu S. Nicolau ficaram lá para trás, numa metrópole distante que os adoptou apenas pela atracção da cor. Quem tem cabeça deseja-a despida desses calores exagerados das terras do Norte. A própria Coca-cola deixou de poder refrescar. Esgotou-se a meio do caminho e decidiu não chegar ao fim. Não importa. Vem connosco a água, verdadeira, filtrada e pura, sequiosa de chegar ao seu destino: aquela gruta tão pobrezinha onde nasceu o Menino, a Luz do mundo.

É assim o caminho para Belém em Moçambique. Tal como o sol, o ponto de partida é o mesmo. O destino também é o mesmo. Mas o caminho faz-se pelo outro lado. É um caminho bonito, em muitas coisas mais verdadeiro e em maior comunhão com aquela pequena manjedoura improvisada.

Aqui, como em qualquer lado, quem toma este caminho quer chegar até ao fim, onde se canta com toda a alegria Gloria in excelsis Deo embalando o Menino, nosso Senhor, que dorme em palhinhas deitado.

Desejo um Feliz Natal cheio desta alegria do Menino Jesus que África sabe viver tão bem.
Francisco Campos, sj

1 comentário:

Anónimo disse...

A lua, a palmeira, o pó, o caminho, o silêncio, o cântico...como podemos ignorar essa realidade tão forte da ausência do supérfluo e da presença do verdadeiro Natal!
Alice, que bela mensagem de Natal!
Obrigada por a partilhares connosco.
SS