quinta-feira, 14 de maio de 2009

O silêncio de Fátima


Li este artigo na Agência Ecclesia e acho-o tão cheio de paz, de verdade e de sentido silencioso, que o coloco no meu blog, desejando que muitas pessoas o possam saborear.

De silêncio se veste a noite no Santuário de Fátima.
Depois da celebração da eucaristia, o recinto vai-se esvaziando. Por instantes são as saídas que se enchem de gente, cansada e com sono. Apenas para a Capelinha das Aparições concorrem pessoas para mais uns momentos de oração. Passa da meia-noite, mas ainda se cumprem promessas e se acendem velas.
Passam pessoas com bancos e agasalhos para a noite fria e corta ventos a antecipar a chuva que não chegou a cair.
Na Igreja da Santíssima Trindade decorre a vigília e exposição do Santíssimo até às duas horas da manhã. Mas são muitos os que circundam a igreja com sacos-cama, com colchões e cobertores para ali passar a noite.
Passam estudantes de capas negras, uma criança pela mão da mãe, passam senhoras de passo apressado para acorrer à vigília. As portas laterais vão deixando entrar os peregrinos que ainda estão despertos. Há quem não aguente o cansaço e adormeça nos bancos.
Do silêncio se faz a noite no interior da Igreja. O silêncio de quem reza, de quem escuta, de quem pára.
Também se trabalha e aos poucos desaparecem os recipientes de velas no recinto do Santuário. Fica apenas a cera no chão, a marca de quem ali rezou.
Mais à frente partilha-se uma ceia ou pede-se silêncio a quem ainda troca conversas. Vêem-se cadeiras encostadas às grades que nesta noite serão amparo. Uma família estende cobertores no chão.
A Basílica está fechada. Um peregrino, com sotaque espanhol, pergunta se pode entrar. «Não», responde a jornalista. «Oh, que pena. Queria saudar a Jacinta e o Francisco». Em breves instantes, estende o braço e toca com a mão na parede da Basílica e aí faz a sua oração.
Reina o silêncio no Santuário de Fátima. Um céu limpo não afasta os peregrinos da oração.

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