sábado, 10 de agosto de 2013

O amor encarnado no quotidiano

Porque esta leitura me ajudou a refletir e a situar na verdade, me trouxe um misto de sentimentos, memórias, vida vivida e certamente ainda por viver. Porque os afetos me são tão caros e há em mim desejo de ir acertando, porque se trata de "novos encontros"... deixo um pequeno extrato do capitulo: A-Deus, SANTÍSSIMO EXPOSTO.


(...) «O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6,4-5)? Sim, só Deus pode ser amado com todas as forças e com todo o entendimento. Nada nem ninguém, por muito que o quisessem, e mesmo declarando a sinceridade de intenção, poderiam garantir, sempre e em qualquer lugar, o reconhecimento dos afetos mais íntimos, dos desejos mais sinceros de um outro. Em qualquer momento, poderiam deixar de estar à altura das próprias promessas e das expectativas alheias. Por isso, não é justo, sequer, colocar sobre alguém ou alguma coisa esse peso que, simplesmente, nada nem ninguém pode suportar. Só Deus pode ser amado com todo o coração, porque só Ele pode garantir-nos a vida e reconhecer-nos plenamente no mistério que somos. Porque é Ele a origem desse dom que não podemos dar-nos por nós mesmos. E, porque é Ele a plenitude e o reconhecimento do que, com esse dom, pudermos e soubermos realizar. 
Dito isto, seria ainda pouco pensar em Deus como o primeiro amor, ou o maior, entre muitos outros amores. Desse modo, Deus ainda seria um entre tantos, mesmo sendo o maior ou o primeiro entre todos. Seria ainda o absoluto, desligado de nós, aquele que, mesmo que benignamente nos atraísse, continuaria a despertar desconfiança, ressentimento e concorrência. Pelo contrário, amar a Deus com todo o coração, significará amá-lo como o amor de todos os amores (entre pais e filhos, entre amado e amada, entre amigos, entre quem pede e quem dá), o laço de todos os afetos, a compaixão de todos os encontros, a esperança de todos os lugares, a fecundidade de todas as artes. Amá-lo significa reconhecer que sem Ele não podemos viver; que, não o possuindo como coisa nossa, o temos da nossa parte. E, por isso, lhe podemos dizer que permanece para mim um outro e que me é necessário, dado que o que eu sou de mais verdadeiro é o que existe entre nós. É entre-nós entre-tanto-e-tantas- coisas que o nosso amor a Deus se desenha e realiza. Assim, não será amado sem amores e sem afetos, sem encontros, sem lugares e sem artes. Pelo contrário, é nesses amores e afetos, nesses encontros, lugares e artes que Deus é amado. Sim, com todo o coração e com todas as forças. Cada pessoa, cada circunstância, cada elemento do mundo é, de facto, lugar da passagem e do encontro com O-sempre-presente. Neles, o nosso amor A-Deus». 

"A Fé vive de afeto" - P.josé Frazão, sj

nota importante: os negritos são meus...

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