quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Amor Partilhado

Hoje deixo um pequeno texto que escrevi na Praia do Pedrógão em 2006. Se servir de ajuda, alegria ou incentivo, fico contente. Naquele momento fez-me bem escrevê-lo e agora revi-o um pouco e partilho, aqui fica:

«Releio alguns parágrafos já sublinhados, do livro “O Príncipe e a Lavadeira”, do Pe. Nuno Tovar de Lemos SJ.
Fixo-me numa frase que sempre me faz pensar: “É preciso chorar o desamor”! Segundo o autor está colocada por baixo do cruzamento de olhares: Pedro e Jesus Cristo.
Sempre me fez reflectir e emocionou este encontro entre eles num momento de tanta dor... E agora no meu coração desliza um pouco de emoção, tal como a areia desta praia, onde me encontro, desliza por baixo dos meus sapatos.
A praia que está cheia, do sítio onde me encontro - “ a minha esplanada na areia” - vejo dois mares… Um mar de água e espuma e um mar de pessoas, que se acumulam nos toldos e nos guarda-sóis de todas as cores. Cada qual procura o melhor local, a parte mais limpa, o espaço mais amplo e vão-se acumulando por grupos e por famílias. Aqui na esplanada é igual, vão-se juntando em pequenos grupos, conversam, riem, brincam…
Abstraio-me destes ruídos e fixo o olhar no azul do céu e no mar que está calmo. Então dou-me conta, de que o barulho já é outro, Alguém me fala através das ondas, das pessoas, da vida que se desenrola à minha volta. Tenho um companheiro de esplanada, n’Ele a vida ganha o sentido que lhe é próprio, o sentido do Amor que não vive e se afoga se não for partilhado.
Surge uma lágrima que anuncia a certeza deste toque no meu coração, é lágrima sim! Porque tem sabor a MAR, tem sabor a infinito… E esta lágrima vem lembrar-me como “é preciso também chorar com o amor”. E sorrio porque como Pedro também me sinto tocada pelo Amor, pelo Perdão, pelo Encontro… Cristo passa juntamente com aquela criança que corre pela areia, aquela outra que faz birra por um gelado, uma mãe, uma avó, um senhor que trás um saco de peixe ainda saltitar.
Então, estes rostos diversos de Cristo fazem vaguear o meu pensamento a uma distância sem fim, até ao sítio das minhas traições, até àquele outro momento em que neguei a mim própria o Caminho da felicidade e chorei lágrimas de desespero e de raiva.
Vou-me dando conta também eu, que “é preciso chorar o desamor”, porque é esse o caminho do verdadeiro AMOR!
Chegou outro barco com peixe, será o de Pedro? Divirto-me um pouco… As pessoas correm, correm… quem chega primeiro conseguirá o melhor peixe.
A esse tipo de peixe eu nunca conseguirei chegar!
Continuo sentada calmamente na minha cadeira enterrada na areia, sinto em mim novo vigor, há um sussurro que me fala de esperança e uma brisa leve a apontar para uma VIDA onde o peixe chegará para todos».
Alice

2 comentários:

Natália disse...

Também a mim sempre me comoveu o encontro de Pedro com Jesus; talvez por isso tenha uma queda para o evangelista Lucas, que descreve "pormenores" que me tocam.

Bonito texto...
Para reflectir...

joao sj disse...

obrigado