sábado, 12 de fevereiro de 2011

Morreu a minha violeta




Na verdade a violeta, não era só minha, foi oferecida à minha mãe por alguém que a chama de “Violeta” e a quem ela dá sempre um sorriso, mas eu gostava dela e regava-a cuidadosamente... Morreu lentamente, sem eu me dar conta. Nunca saberei o que lhe faltou para desejar viver um pouco mais…

Ilha dos mortos

Enquanto iluminas a entrada do rio
o cobre emudece dinastias sem número
por degraus desiguais os mineiros,
os artesãos, as lavadeiras
lutam pela perfeição, lutam por Deus
em galerias remotas
as armas de caça vencidas
por ramos e arados

nenhuma morte é tão longa quanto a vida
diria quem pela primeira vez
visse debaixo de árvores sombrias
o sítio do mar, a porta das constelações
cem espantos possíveis
e no espanto uma esperança

o loureiro assinala a todos sua ciência negligenciada
címbalos, manuscritos e coroas
atiradas para o chão como vestimenta da batalha
insígnias do nosso posto de estrela em estrela

dão-nos sem nós pedirmos
ouvimos até sem querer
acima das arestas sombrias
a noite clara e os bosques

José Tolentino Mendonça

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