terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O José

Enternece-me, o modo como neste livro, o autor descreve a morte de S. José, mostrando a dor tão natural de Maria e de Jesus.

A morte "do José"

José parecia docemente adormecido. Como que iluminado, o Jesus rezava aos pés da cama, de olhos fechados, sentado sobre os calcanhares. Eu acendi a candeia dos dias de festa e pus flores numa jarra, que deixei ao pé da cama.
Depois do primeiro embate da dor, uma paz infinita e uma sensação indefinível de presença invadiram-me a alma, e ainda que nunca tenha deixado de sentir e vá continuar a sentir a falta da silenciosa proximidade física do José, que tanta companhia me fez e tanta segurança me ofereceu, aquela presença invisível nunca me abandonou.
O José tinha o maravilhoso condão de jamais estorvar, uma qualidade muito rara nos seres humanos, mas ao mesmo tempo de estar sempre onde era preciso, fosse para espetar um prego, para pendurar uma cortina ou para arranjar uma talha. O seu silêncio nunca era vazio, pelo contrário, estava sempre repleto de sentido. Conforme as circunstâncias, há um silêncio azul ou um silêncio cinzento ou um silêncio violeta. Há silêncios que alegram e há silêncios que entristecem, silêncios acolhedores e há silêncios que repelem. Os silêncios do José tinham sempre o peso adequado e uma vibração perfeita. Eram silêncios indefiníveis, eram os silêncios do José.

Palavras Caladas Diário de Maria de Nazaré
Pedro Miguel Lamet

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